quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Capítulo 10: “You are my little secret, my only wish and my definition of happiness”


(Sofia)

Assim que saiu do carro ouviu o som da campainha escolar, olhou para Filipe e sorriu, por causa da longa conversa, estava já na hora do começo da aula. Caminhou aceleradamente até à porta da sala, já conhecia a escola e foi rápido até lá chegar. Por sorte a professora ainda não tinha chegado, e pode conversar com alguns dos colegas de turma, alguns eram velhos conhecidos e amigos, mas a maioria eram caras novas. Mas havia uma rapariga que lhe dizia algo mais, não era amiga, nem uma antiga companheira de turma mas conhecia-a de outro lado, olhou-a mais uma vez, discretamente, e a rapariga olhava-a também, desviou rapidamente o olhar na tentativa que ela não compreendesse que ela a olhava. Quando chegou a professora, a porta da sala abriu e entraram para o seu interior, e em segundos conseguiu observar aquela rapariga de perfil e recordara-se de onde a conhecia. Era Matilde. Era ela que ocupava o coração de Pedro, era ela a causadora da felicidade do seu amado. Aquele sensação de encontrá-lo feliz era agridoce: amava-o e o melhor para ele era ser feliz, por muito que o tivesse ou não junto de si, mas por outro lado era egoísta ao ponto de querer que ele a amasse só a ela.
Assim que entrou na sala, todos se sentaram nas respectivas cadeiras e Sofia sentiu-se à parte, pareciam todos entruzados com alguém e muito à vontade, e ela sentia-se perdida, não sabia onde se sentar nem com quem falar. Por instinto olhou para Matilde, que a olhou também, sorriu e com a mão convidou-a para se sentar ao pé de si, apesar de ser incómodo, ela acabou por aceitar. Sofia sentou-se ao lado da jovem rapariga que lhe sorriu, cumprimentaram-se com dois beijos na face e disse:

-Olá querida! Chamo-me Matilde Varela e tu?

-Olá. Sofia Rocha. – Optou por dizer o seu apelido, em vez do apelido com o qual o irmão era conhecido, usou-o como forma de se defender, não queria que ela soubesse que era a ex-namorada do actual namorado dela. –Obrigada por me teres chamado para me sentar ao pé de ti, não sabia onde me sentar, parecem todos tão cúmplices e à vontade que me senti à parte.

-Não tens de agradecer minha querida. – Matilde pousou a mão sobre a da nova colega de turma, o que a arrepiou mas tentou esconder o que sentira. –Também passei o mesmo quando vim para esta escola, além do mais não me custa nada ajudar!

-Muito obrigada Matilde.

-Posso saber porque é que só vieste para esta escola este ano ou é perguntar demasiado? – Matilde tocara num ponto importante e difícil. Como poderia Sofia falar do último ano da sua vida sem mencionar Pedro?

-Fiz o 10ºano nesta escola, mas o ano passado tive de voltar para a minha terra, mas este ano aqui estou! – Sorriu

-Não és de cá? És de onde?

-Sou do norte, mais precisamente de Espinho.

-Olha que não tens sotaque nenhum, pensava mesmo que eras daqui.

-Nunca tive sotaque, e por incrível que pareça até consigo perceber o sotaque dos outros. – Sorriram em conjunto, mas no seu íntimo, Sofia sentia-se fraca e impotente. 

Sentia que não tinha coragem de conviver com Matilde todos os dias, sabendo que era ela a dona do coração do homem que mais amara e amava, não conseguia fingir que era fácil para si quando no fundo sentia-se mais uma vez à prova e não tinha força para conviver com todas as contrapartidas que a vida lhe trazia.
A aula começou naturalmente e todos os alunos se apresentaram, apesar da maior parte já se conhecer, e enquanto não chegou a vez de Sofia, ela aproveitou a distração da professora para enviar uma mensagem a Filipe.

Mais uma aventura na vida (já pouco monótoma) de Sofia Rochinha: a atual dona do coração do Pedro é da minha turma, como irá ser o desfecho desta história? Não perca os próximos episódios, todos os dias na MTV ás 18h! Agora fora de brincadeiras... Preciso de ti! Beijos”

Sofia sabia que Filipe não iria responder até porque estava em treino, mas mal visse a mensagem iria responder e dizer aquelas palavras que só ele sabia dizer, que nem Diogo, apesar de seu irmão e melhor amigo, não as diria. Filipe dizia, não o que ela queria ouvir, mas o que ela precisava de ouvir, mas de uma forma que não a magoava, aliás fazia-a tomar consciência da dura realidade que tinha de enfrentar. Diogo era seu amigo, mas por vezes era demasiado duro e exigente, não compreendera porque Filipe e Sofia se haviam envolvido, nem o porquê de muitas das suas atitudes, talvez fosse para protegê-la mas não sentia que era a atitude mais correta.
As aulas continuaram naturalmente e pouco mais houve a acrescentar, além das apresentações, até que Sofia recebeu a resposta de Filipe:

A não perder no próximo episódio da vida (pouco monótoma) de Sofia Rochinha um almoço com o seu “amigo-colorido” Filipe, como irá correr? Será que ela vai aceitar? É esperar para ver! (Fora de brincadeiras, és forte e vais superar isso, mas hoje à tarde és minha e não tens desculpa, quando acabar as aulas estou à porta da tua escola!) Beijinhos”

Sofia sorriu, e aquele sorriso não passou discreto a Matilde, apesar de estarem em aulas não resistiam a colocar a conversa em dia:

-É um amigo especial ou já é namorado, querida?

-Na verdade, nem eu sei. -Confessou. Apesar do seu irmão Diogo, ser o homem da sua vida, e provavelmente o único, ela amava Pedro e era com ele que aprendera o significado dessa palavra, mas por Filipe começava a formar-se um sentimento que era de todo estranho para ela. Não era amigo, nem namorado, se existisse algo entre esses sentimentos, era a definição deles.

As aulas seguintes foram mais uma repetição da primeira aula, apresentações e mais apresentações, e Matilde tentava ao máximo conhecer e aproximar-se de Sofia e ela não tinha coragem de recusar, apesar de ser ela a atual dona do coração de Pedro, era também a única pessoa daquela turma que tentara ao máximo deixa-la à vontade e disponibilizar-lhe toda a atenção e carinho e ela não podia simplesmente recusá-lo. Quando a professora deu por terminada a última aula do primeiro dia de aulas, despediram-se do resto dos colegas e foram juntas até ao portão da entrada. Pedro esperava por Matilde, mas acabou também por cruzar o olhar com o de Sofia, mas rapidamente voltou-se para a sua namorada e foi em direção a ela, a jovem rapariga acabou por não se despedir de Matilde e foi em direção a Filipe, que estava dentro do carro. Sentou-se no lugar do pendura e ele deu-lhe um beijo na face, mas ela rodeada de sentimentos que não conseguia traduzir ao certo, apertou-lhe a mão e disse:

-Não digas nada. Leva-me para longe daqui e dá-me um dia longe de tudo, mas perto de ti.

-Assim o farei, minha heroína. – Respondeu-lhe fazendo-a sorrir, ele era a melhor coisa que lhe poderiam ter dado desde que regressara a Lisboa.
A viagem apesar de ser mais demorosa do que Sofia esperava, acabou por ser bastante divertida e animada, Filipe sabia perfeitamente como fazê-la sorrir e dar-lhe coragem para enfrentar os problemas, ele tornava-se a cada segundo mais o que ela mais queria e precisava para a sua vida e ela tomava consciência que ganhava uma importância que mais nenhum amigo tinha, mas nada poderia, nem queria fazer nada contra isso. A vida indicar-lhe-ia o verdadeiro significado de Filipe na sua vida. Assim que chegaram, a primeira reação de Sofia foi além de surpresa, felicidade, sorriu e perguntou:

-Como é que sabias que queria conhecer Mafra? Foi o Diogo?

-Foi tudo instinto, achei que irias gostar de conhecer tanto a vila, como o convento e a tapada.

-Obrigada por tudo! – Abraçou Filipe. -Não sei como te agradecer tens sido incansável, não sei o que seria sem ti! – Separaram-se e ficaram a olhar diretamente nos olhos um do outro, um calafrio acabou por percorrer o corpo de Sofia, não era só o olhar bonito que partilhavam mas também como o sentimento que ele transmitia com eles. Filipe pousou a sua mão sobre a face de Sofia e fê-la deslizar sentindo a sua pele suave, ela fechou os olhos e sentiu a mão dele deslizar até à sua e inverteram os papéis. Sairam do carro de mãos dadas e com um sorriso na cara, sentiam-se bem juntos, não precisavam de dizer mais palavras, apenas de desfrutar os bons momentos juntos. Filipe tinha o efeito de silenciar as vozes que se ouviam na cabeça de Sofia e dar-lhe um sentimento de paz e felicidade quando estavam juntos. Sofia tinha um efeito incrível na vida de Filipe: ela tinha desafiado todos os princípios e leis que ele havia criado há vários anos, ela tinha-lhe ensinado que o amor era uma luta que recompensava e que não iria desistir dela, apesar dela amar Pedro. Ao contrário dos sentimentos contraditórios que Sofia sentia, Filipe sabia exatamente o que sentia por ela, mais que amizade,tornara-se amor.

-Vamos almoçar aqui. – Sentou-se na esplanada de um restaurante que lhes dava vista priviligiada, Filipe afastou a cadeira da mesa para Sofia se sentar, que lhe sorriu e agradeceu, mirou o cardápio e os preços dos produtos.

-Não pudemos almoçar aqui Filipe. Estes preços levavam qualquer um à banca-rota.

-Sofia, as rainhas devem ser tratadas como rainhas, nunca de outra forma. – Ela como não tinha forma para agradecer e para responder ao que ouvira, apenas sorriu.
Quando terminaram o almoço, fizeram o curto espaço em direção ao convento e ela pôde deparar a dimensão daquele convento, estava surpreendida e rendida.

Acabaram por cruzar os dedos e fazer as palmas das mãos tocarem-se, e foi assim que aproveitaram todo o passeio por aquele enorme convento. Filipe já visitara aquele monumento, mas por fazê-lo com Sofia tornava aquele monumento ainda mais bonito, e ela sentia-se feliz, e tentava captar tudo o que via para mais tarde recordar.


-Um via vou casar-me num convento com este magistude, e com este tamanho para trazer imensos convidados. – Disse Sofia surpreendida com o tamanho e magnitude daquele monumento e imaginando ali o seu casamento com Pedro, onde Filipe e Diogo seriam os seus padrinhos.

-Posso ser um dos teus convidados?

-Serás um dos preferenciais. Estarás sentado na primeira fila, bem junto de mim. – Filipe sorriu, pensando, talvez, na ideia de se casar com Sofia e dela receber o seu último nome.

De seguida visitaram a biblioteca e depois de Sofia captar o momento com mais uma fotografia, acabou por confessar a Filipe que ele tornava aquele momento mais inesquecível, o que o fizera sorrir, ela era sem dúvida a rapariga mais especial que tivera a sorte de conhecer.


Até os pequenos detalhes Sofia não deixou escapar.


Chegaram até aos jardins do Convento e tal como tudo o que viram, era magnifícos e esplendorosos.


 
Sofia afastou a sua mão de Filipe e começou a explorar o caminho um pouco afastada dele, e admirado com a sua beleza acabou por captá-la com o telemóvel, sem ela entender.


Acabou por colocar a foto na rede social Instagram e colocar como legenda:

You are my little secret, my only wish and my definition of happiness”

Quando a visita ao convento terminou já estavam cansados e Sofia demonstrou, por isso Filipe agarrou-a pelas cavalitas e levou-a até ao carro o que foi proporcionou um enorme momento de diversão e de seguida, foram em direção à tapada onde estava agendado uma visita, entre as muitas opções que podiam usufruir para conhecer a tapada, preferiram ir conhecer a tapada sozinhos.


Começaram a passear juntos e mais uma vez de mãos dadas, as vistas surpreenderam-nos, especialmente a Sofia que as via pela primeira vez.



Sofia parecia ganhar uma nova energia com as bonitas paisagens que ia admirando, e Filipe era feliz sabendo que Sofia era feliz, quem os via pensava que eram realmente namorados e eles sentiam-se como tal. Filipe estava apaixonado mas nunca o assumira em voz alta, nem para com ninguém, não queria esquecê-la, queria conquistá-la, queria que Sofia o amasse como amava Pedro. E Sofia, sabia que apesar de amar Pedro, Filipe mexia com os sentimentos mais escondidos dela.

-Pipo, posso lançar-te um desafio?

-Podes, claro.

-Sempre quis fazer na selva.. Sei que isto não é, mas é o mais próximo que consegui...

-Tu tens como fetiche fazer amor – Usou esta expressão em vez da que costumavam utilizar, Filipe fazia amor com Sofia, apenas isso. –Numa selva? Ou melhor tu queres fazer amor nesta tapada que é vigiada e é capaz de passar alguém?

-Talvez seja loucura e talvez não queiras mas... – Ele não a deixou terminar e beijou-a, aproximaram-se da ponte e foram até à zona mais baixa e escondida que encontraram e fizeram amor em silêncio, com medo que alguém os ouvisse ou que os vissem, mas acabou por tornar o momento mais intenso e perigoso, o que era mais excitante para ambos. Ficaram com marcas no corpo que provaram o momento. Quando os corpos não conseguiam mais aguentar o momento, deram por terminado e trocaram um último beijo nos lábios e foi o momento que marcou a diferença entre o momento que tinha acabado de viver dos outros que viveram antes, o que ela sentira tinha mudado e sabia-o mas preferia não falar sobre ele, encontrou o telemóvel no chão e deparou-se com uma chamada não atendida do irmão. Devolveu a chamada, que rapidamente atendeu:

-Olá Diogo, como estás?

-Estou bem Sofia, e tu como estás? Já viste o que o Filipe publicou no instagram?

-Eu não, como tu sabes não tenho isso.

-Então não sabes o que ele publicou.

-Não, porquê?

-Foi em inglês mas como tu sabes que não é o meu forte vou ler em português. “És o meu pequeno segredo, o meu único desejo e a minha definição de felicidade.”, e para melhorar, o Pedro já viu e pôs “like”.

Como irá reagir Sofia?
O que irá fazer a Filipe? E como ficará a hipótese de reatar com Pedro?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Novidades :)

Olá minhas queridas leitoras :)
Infelizmente o que me trás aqui não é um capítulo mas é outra boa notícia, criei um perfil no facebook para poderem partilhar comigo as vossas opiniões sobre os meus blogs, para poderem dar sugestões, e até para falarem comigo, não só como escritora mas enquanto pessoa!

https://www.facebook.com/profile.php?id=100008431504828

Façam-me o pedido de amizade, e mandem-me por favor uma mensagem a dizer que são minhas leitoras, para andar informada. Mais tarde colocar-vos-ei no grupo das minhas fics.

Não sei se têm conhecimento mas tenho uma outra fic, que escrevo sozinha:
http://because-you-are-my-heaven.blogspot.pt/
E uma história que fala da descoberta do amor, de escolhas, de luta é uma história bonita, modéstia à parte, mas que retrata um dia-a-dia que podia ser bem real.

E uma outra que apesar de não o fazer sozinha, a escritora que me acompanha é muito boa, apesar de não publicarmos muito, a história é bonita e adoro escrevê-la:
http://um-amor-como-o-teu.blogspot.pt/

Quem sabe se em breve não trarei um capítulo!

Beijinhos,
Rita Carvalho

sábado, 25 de outubro de 2014

Capítulo 09: “Ele... Ele já não me ama.”


(Sofia)

Sofia acordou sobressaltada. O sonho voltara a repetir-se. Parecia tão real e tão assustador... E cada vez que se repetia a sensação aumentava. Aquele sonho já tinha um ano e já se repetira tantas vezes que perdera a conta. A sensação de se tornar realidade assustava-a, como o medo de perder alguém que amava, como a dura realidade de ter abandonado o homem que amava, Pedro e pela morte do filho, que ainda vivia no seu ventre.

-Sofia está tudo bem, foi só um pesadelo. – Tentou acalmá-la a mãe enquanto a aconchegava nos seus braços e beijando-lhe a testa.

-Mãe, mãe. – Apertou os braços da mãe, claramente assustada e ainda com medo que o sonho fosse real. –Parecia tão real mãe, não os posso perder. Não outra vez... Eu amo-os mãe. – Chorou nos braços da mãe.

-Filha ouve-me as minhas palavras com atenção. – Sofia limpou as lágrimas e olhou para a mãe. –És mãe. Pode ter acontecido aquilo que aconteceu mas tu és, foste e sempre serás mãe, a partir do momento em que ele morou no teu ventre. E se houve algo que a maternidade me ensinou foi que muitas vezes, temos de ser fortes, não por nós, mas pelos nossos filhos. Porque eles precisam dessa força. E o teu filho no céu precisa de ti, precisa da tua força, coragem e determinação que eu sei que tens para poder descansar em paz. Ele sabe tudo sobre ti e orgulha-se tanto de ti como eu. E ele só se torna a estrela mais brilhante no céu, durante a noite e o dia, quando tu és forte, quando lutas. Um dia vais conseguir o que queres. O truque é nunca desistir, vais realizar os teus sonhos. E vais dar um irmão ao Júnior! E quanto ao teu ex. – Usou uma expressão que fez Sofia sorrir. –Não entres logo com tudo o que tens e não tens. Tenta entender o lugar dele, tenta reconquistá-lo aos poucos e poucos e depois com o tempo provas-lhe que o amas, um bocadinho, todos os dias e ele percebe que nunca deixaste de amar. Sim, porque até um cego entende que tu o amas! – Sofia sorriu a relembrar cada traço do seu físico e da sua personalidade. –E se ele também te ama, as coisas vão simplesmente acontecer quando tiverem de acontecer. Não desistas dele, tudo vai acabar por dar certo, no céu tens uma estrelinha muito forte a torcer por vocês, estrelinha essa que é fruto do vosso amor! – Beijou a testa da filha que sorriu e sentiu-se confortável nos braços da mãe, como se aquelas palavras lhe tivesse dado uma força extraordinária e inexplicável para lidar com a vida.

-Posso? – Perguntou o pai enquanto espreitava para dentro do quarto. –Desculpem interromper mas tens uma visita filha.

-Está bem, mas quem é?

-Alguém de quem tem bastante saudades. Pode entrar?

-Sim, claro.

-É melhor sairmos amor para os deixarmos mais á vontade. – A mãe de Sofia saiu do quarto deixando-a sozinha. Passado alguns segundos, bateram á porta.

-Entre. – Pedro entrou pelo quarto e fechou a porta. Os olhares cruzaram-se pela primeira vez num ano.

-Pedro...

-Sofia. – Aproximou-se dela e os olhares não se separaram nem por milésimos de segundo, não sabiam ao certo o que dizer e muito menos o que fazer, todos os sentimentos se misturavam. Amavam-se mas existiam demasiadas dúvidas que não deixavam aquele sentimento comandar. –Porque me abandonaste?

-E tu, porque não vieste atrás de mim? – Perguntou ela, contra-atacando. Era verdade que ela o abandonara do dia para a noite, mas ele também não correra atrás dela e isso magoava-a.

-Abandonaste-me e ainda me pedes que fosse atrás de ti?

-Prometeste que não ias desistir de mim e o que fizeste? Simplesmente desististe.

-Não, tu é que desististe de nós. Tu é que me abandonaste do dia para a noite e durante um ano não te dignaste a mandar-me uma carta, um e-mail ou simplesmente uma mensagem, foste tu que desististe, nunca eu.

-Tu podias simplesmente ter-me procurado.

-E achas que não procurei? Percorri meio-mundo, fiz tudo o que pude por ti! Tu simplesmente desapareceste...

-E entretanto refizeste a tua vidinha não foi verdade? Como foi possível teres-me traído desta forma?

-A única pessoa que aqui traiu foste tu, traiste os meus sentimentos e as nossas promessas, foste tu que me deixaste sem dizer nada, foste tu que escolheste desaparecer e esquecer-me. Eu simplesmente lutei para reorganizar pela minha vida e ser feliz.

-E porque não esperaste por mim? Sabias que mais cedo ou mais tarde iria voltar.

-Sofia, eu amava-te. – Isso queria dizer que já não a amava? – Procurei-te, perguntei a toda a gente que te conhecia, esperei, e simplesmente não sabia nada de ti. Acredita que quem sofreu mais no meio disto tudo fui eu. Fui eu que passei noites em claro à espera de qualquer sinal teu, a perguntar-me se o problema era meu, foram dias em que só pensava em ti, toda a minha vida se centrou em ti durante uns tempos, eu pensava que me amavas e tu simplesmente... Abandonaste-me. Como achas que fiquei? Mas superei tudo Sofia, mas ainda não te perdoei, possivelmente nunca o farei, porque me demonstraste tudo o que não queria ser. Superei toda a dor, todo o sofrimento, chorei tudo o que tinha para chorar e ultrapassei, e acabei por me apaixonar por uma pessoa que me apoiou sempre e ela sim ama-me, com a Matilde, eu sou feliz e espero apenas que também encontres a tua felicidade. – Deu um beijo sobre a testa de Sofia e saiu do quarto, despediu-se dos pais dela e agradeceu a oportunidade, em especial ao pai de quem tinha a perfeita noção que sempre fora contra o namoro entre eles, despediu-se de Diogo e Filipe e saiu.

E Sofia, no quarto, não reagira. As palavras que Pedro lhe tinha dito ecoavam na sua cabeça, em especial, “(...)eu sou feliz e espero apenas que também encontres a tua felicidade”. Ele falava, sobre si, num passado longíquo, quando no fundo havia passado só um ano. Queria chorar e não conseguia, queria dizer algo mas as palavras simplesmente não saiam, sentia um vazio apoderar-se de si e da sua vida e nada poderia descrever aquele momento, como poderia ele já não nutrir qualquer tipo de sentimento por ela? Será que ela o havia magoado assim tanto? Será que ele se tinha esquecido de todos os sentimentos e da relação que os unira? Filipe entrou no quarto e foi ao encontro dela, olhou-a nos olhos e não precisou de palavras para entender o que ela sentia, sentou-se sobre a cama e ela sentou-se ao seu colo, quando ele a apertou nos seus braços, não conseguiu conter as lágrimas.

-Sofia não sei o que o Pedro te disse, mas sei que tu és das pessoas mais fortes e determinadas que conheci até hoje e que não vais abaixo com o que ele te possa ter dito. Ele reagiu de cabeça quente.

-Ele... Ele já não me ama. – Disse soluçando com as lágrimas a escorrerem-lhe a face, Filipe limpou as suas lágrimas com a ponta dos dedos e olhou-a, como tentando tranquilizá-la com o poder do olhar.

-Tu sabes que não é verdade.
Sofia aconchegou-se nos braços de Filipe e fechou os olhos tentando dormir, como não conseguia deixou-se permanecer como estava tentando encontrar o rumo certo para adormecer. A porta do quarto abriu, e entrou Diogo, que foi facilmente reconhecido pela irmã, pelo arrastar dos seus pés.

-Como é que ela está?

-Felizmente já adormeceu, mas não está nada bem.

-Que é que ela e o Pedro falaram?

-Ela apenas me disse que ele já não a amava.

-Tu sabes que ele está com a Matilde.

-Sim, sei mas recuso-me a pensar que ele a tenha esquecido tão rapidamente, ela é demasiado especial para ele ter a ousadia de fazê-lo.
Ela permanecia aconchegada nos braços de Filipe, sentindo a sua respiração constante e o bater do coração que parecia aumentar sempre que dizia o seu nome ou quando disse que ela era especial, ela não lhe era indiferente, da mesma forma que ela sentia por ele. Ouvir o seu coração sossegava-a, mas sabia que só uma pessoa ela amava, e acreditava ser para sempre.

-Filipe?

-Sim.

-O que é que tu e a irmã têm?

-Tu sabes, envolvemo-nos.

-Há alguma coisa mais?

-Não. Não aconteceu nada mais, além do que tu sabes.

-Filipe, não quero que haja males entendidos, por isso vou-te explicar porque fui contra vocês envolverem-se.

-Tu tinhas medo que ela me usasse para esquecer o Pedro, eu sei.

-Além disso. No final vocês vão acabar magoados, dê por onde der.

-Diogo, em todos os filmes os amigos que se envolvem acabam apaixonados, mas eu e a Sofia podemos ser uma excepção, ela tem o coração ocupado e eu sei bem disso.

-E tu, não estás apaixonado pela Jéssica? – Filipe não respondeu, deixou o silêncio apoderar-se da sala, deitou a Sofia na cama e respondeu:

-Vamos sair do quarto, a tua irmã precisa de descanso. – Cobriu o corpo da amiga com o lençol da cama e saíram do quarto, mal ouviu o silêncio profundo em que o quarto se encontrava, adormeceu e acabou a sonhar com todas as aventuras que envolviam os “seus três rapazes” naquele dia.

(Passado Alguns Dias)

Sofia acabou por ter alta do hospital, embora com a informação que tenha de ser acompanhada por um psiquiatra regularmente e ela aceitara-o, sabia que era o melhor para ela, e talvez fosse o único que a ouvisse sem julgar. Apesar de confiar a sua vida a Diogo e Filipe, tinha medo que eles a julgassem e talvez com um desconhecido isso não aconteceria. Sabia que era forte, não precisava que lho dissessem, mas temia o futuro, sabia que já tinha ultrapassado muitas dificuldades e iria superar outras ainda mais temerosas e isso assustava-a. Tinha voltado para casa de Filipe, mas não se voltaram a envolver, ela sabia que amava Pedro e iria reconquistá-lo. E Filipe iria conquistar Jéssica, não a conhecia mas confiava que o sentimento era recíproco, ele merecia ser feliz e como poderia não se apaixonar por um rapaz tão impecável?
 Aquele era o seu primeiro dia de aulas e ela iria recomeçar, iria reconquistar os amigos que deixara naquela escola, iria recomeçar a sua vida e reencontrar a sua felicidade. Não só Pedro, como também os amigos e a vida que outrora vivia, inclusivé com os pais de quem morria de saudades. Sofia era uma rapariga lutadora e com um enorme coração, bastou o pai pedir perdão que ela desculpara-o e estava disposta a esquecer, ele estava realmente arrependido e ela sabia, apesar de tudo não deixava de ser seu pai, amava-o.
Filipe levara-a até à escola e ele aparentava estar mais nervoso que ela.

-Boa sorte para hoje, pequena!

-Filipe já perdi a conta ás vezes que me desejaste boa sorte! – Sorriu, tentando tranquilizá-lo, até porque ele aparentava estar mais nervoso que ela.

-Estou nervoso por ti, posso? Sei que vai correr bem mas é para me tranquilizar.

-Sabes que já andei na escola certo? E que aliás este já é o meu último ano do secundário certo?

-Sim sei, mas é o primeiro dia de aulas do teu secundário.

-Estás enganado, já tinha tido aulas lá em Espinho, depois é que pedi a transferência.

-Então já tiveste os primeiros dias de massacre! – Sorriram. –E quero que olhes para isto como um desafio, um de muitos que tens! – Piscou-lhe o olho.

-Sim, obrigada e não precisas de ficar assim, estás mais nervoso que eu!

-Não estou nervoso... Apenas estou recetivo.

-Mentiroso! Descansa que senão correr bem eu ligo-te!

-Mas é para ligares mesmo!

-Eu ligo descansa! Mas agora é melhor ir que senão vou chegar atrasada e causar uma péssima primeira impressão!

-Vai lá, boa sorte! – Deu-lhe um beijo na testa. –A que horas é que sais?

-Às 13:30, porquê?

-Eu venho buscar-te e vamos almoçar juntos.

-Combinado.

Deram dois beijos de despedida, mais uma série de “boa-sortes” de Filipe e Sofia saiu em direção à escola, sabia que era só mais uma aventura e um longo caminho a percorrer mas algo a fazia ficar reticente e ter receio.

Porque será que Sofia terá este estranho pressentimento?

Como irá correr o 1º dia de aulas? Como correrá o almoço?

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Capítulo 08: “Acabou Pedro”


(Pedro)

Desde o final do dia anterior que um estranho pressentimento aprisionava Pedro. Sentia que algo não estava bem. Não sabia explicar porque o sentia, nem porque a sensação teimava em não desaparecer. Já o tivera antes, mas nunca durante tanto tempo. Certificou-se que estava tudo bem com os que mais amava. Com a sua família estava tudo bem, com os amigos mais próximos também, e a namorada também estava de perfeita saúde. O único senão que podia haver, era a estranha fase que o seu namoro atravessava. Pedro gostava da sua namorada, embora não a amasse. Mas o sentimento crescia, embora Matilde não acreditasse realmente no que ele sentia por ela. Sofia era e sempre seria uma “inimiga” ao futuro daquela relação.
Pedro continuava a gostar de Sofia, embora não o admitisse, e Matilde sabia-o. Conhecia-o muito bem. Mas amava-o demasiado para acabar aquela relação e se afastar dele.
Todos os dias da semana, Pedro acordava mais cedo e ia buscar a namorada a casa e levava-a até á escola, e apesar de tudo, aquele dia não era excepção. A sair de casa, enviou uma mensagem a Matilde:

“Amor, estou a sair de casa”

Foi até ao carro e depois de o ligar, o telemóvel apitou uma mensagem, mas não a abriu. Continuou caminho, até casa da sua namorada. Depois de alguns minutos de viagem, chegou ao destinatário. Matilde aproximou-se do carro, ele abriu o vidro:

-Olá amor! – Disse Pedro esperando um beijo de cumprimento da namorada.

-Olá Pedro! – Respondeu friamente e não o beijando. – Não viste a minha mensagem, está claro.

-Não, já vinha a caminho. Mas porquê? – Entretanto um carro parou atrás de Pedro e ele foi obrigado a estacionar o carro e Matilde sentou-se no lugar ao lado do namorado.

-Porque disse que não precisavas de me vir buscar, vou bem de autocarro, ou a pé.

-Qual é a necessidade? Sempre te vim buscar e levar á escola, não percebo porque hoje seria excepção.

-Qual é a necessidade? Não precisas de me exibir só para dizer que já esqueceste a Sofia.

-Se não gostasse de ti não namorava contigo, e não estaríamos juntos há já 4 meses.  
-Isso não quer dizer nada Pedro! – Disse entristecida. – Podes perfeitamente estar a usar-me para a esquecê-la e para demonstrares aos outros que já a ultrapassaste. Quantos casos não vimos de pessoas que se casam até por interesse, ou por dinheiro!

-Mas tu conheces-me bem, sabes que não faria isso.

-É por te conhecer bem que sei que ainda a amas.

-Matilde, eu gosto de ti. Não percebo esta tua indecisão de repente, passou-se alguma coisa?

-Sim Pedro, eu conheço-te bem e sei que ainda a amas. – Pedro não sabia o que mais responder. Gostava de Matilde, mas ainda não esquecera Sofia, e não queria mentir-lhe. Beijou-a com amor e depois sussurrou:

-Gosto muito, muito de ti! – Deu-lhe as mãos e ela sentiu-se amada, talvez ele estivesse mesmo a gostar dela. Pedro conduziu até á escola da amada e deixou-a lá, depois seguiu o caminho até ao Caixa Futebol Campus, onde teria treino.

Pedro era sempre o primeiro a chegar ao balneário e volvido alguns minutos começavam a chegar outros colegas, sendo que todos os dias variavam. Aos poucos e poucos começaram a chegar, e reparou que duas pessoas que não se costumavam atrasar, ainda não tinham chegado. Diogo tinha ido passar a noite a casa de Filipe e ainda nenhum tinha chegado. Já muito próximo da hora do treino, chegou o segundo. Aproximou-se e perguntou:

-Então puto porque é que só chegaste agora? E que é feito do minorca?

-O Diogo hoje não vem, a Sofia, a irmã do Diogo, está internada no hospital. – Depois de ouvir aquelas palavras, Pedro sentiu como que o mundo a sair-lhe dos pés. Filipe continuou a falar, mas ele já não o ouvira. – Pedro estás a ouvir-me? Estás bem?

-Sim, sim. Ele foi até ao norte para a ver?

-Não. A Sofia está cá. – Pedro não queria acreditar no que estava a ouvir, ela tinha regressado e nem tentara entrar em contacto consigo? E Diogo era cúmplice, tinha-se limitado a não lhe dizer? Como era possível continuar a amar Sofia depois de tudo o que acontecera? – Mas agora vou vestir-me para não chegar ainda mais atrasado.
Pedro saiu do balneário e deixou Filipe a preparar-se para o treino, não sabia muito bem como pensar ou como reagir. Gostava de Matilde, mas não conseguia esquecer Sofia, apesar de tudo o que ele lhe fizera, de tudo o que lhe sofrera, depois de um ano de desaparecimento e depois de reaparecer e nem ter tentado falar consigo. Mas sabia que como profissional não podia deixar transparecer o que sentia. Aplicou-se no treino e acabou por sair mais cansado do que era habitual.

-Que se passou hoje contigo Pedro? Estavas possuído. – Perguntou Filipe, que passara o treino distraído, também pelo mesmo motivo que Pedro.

-Hoje falei com a Matilde, e conseguimos resolver as coisas. – Nunca assumira a ninguém que continuava a amar Sofia, demonstrava sempre que estava entregue de alma e coração á relação com Matilde.

-Ainda bem! Mas que é que se tinha passado entre vocês?

-Um mal entendido, mas já está tudo bem. Tudo se resolve a falar não é verdade?

-Claro que sim, gostava de ficar a conversar mas não posso, tenho de ir visitar a Sofia ao hospital.

-Em que hospital é que ela está internada? Gostava de ir lá ver o Diogo e dar o meu apoio.

-Está no Dona Estefânia. Mas se quiseres podes ir agora comigo, eu dou-te boleia.

-Não, hoje á tarde vou passear com a Matilde, não posso mesmo. Mas amanhã ou assim vou lá. Mas não digas nada ao Diogo se faz favor, ainda não tenho a certeza se vou.

-Está bem, eu digo ao Diogo que mandaste cumprimentos e que mandaste um beijinho á Sofia.

-Não, não faças isso! – Pediu claramente preocupado.

-Porque não?

-Porque prefiro surpreende-los. – Inventou Pedro. – Mas é melhor ires andado, para não os deixares preocupados. Vai lá! – Filipe saiu a correr tão rápido como tinha chegado e Pedro acabou por sair também dos balneários e do centro de estágios, em direcção á escola da namorada. Iriam almoçar e passar a tarde juntos, mas ele não conseguira esquecer o que Filipe lhe dissera. Estava preocupado com Sofia, continuava a amá-la apesar de namorar com Matilde, queria saber do estado de saúde dela, queria poder conversar com ela, mas continuava sem saber se era ou não má ideia ir visitá-la ao hospital.

-Pedro que se passa contigo? – Perguntou Matilde já a meio do almoço que estava a ser feito em silêncio absoluto, num bar junto á praia.

-Estou cansado só isso.

-Tiveste um treino muito exigente amor?

-Sim, e estou preocupado com o Diogo e com o Filipe e acabei por descarregar no treino.

-Que é que se passou com eles?

-O Filipe chegou atrasado ao treino, e o Diogo não foi, estava dispensado.

-Tens medo que seja por causa da Sofia?

-Sim. – Assumiu com o medo bem presente na voz. – O Filipe disse-me que ela está em Lisboa. – Para Matilde aquelas palavras magoaram-na mais que qualquer outro gesto ou atitude de Pedro. Sabia que mais cedo ou mais tarde, iria acabar por sofrer e sair magoada, e só queria ser feliz. Podia magoá-la no início mas acabou por fazer o que lhe pareceu melhor. Respirou fundo, levantou-se da mesa e disse:

-Acabou Pedro. – Disse ainda com os olhos fechados. – É o melhor para os dois, desculpa. – Não conseguiu controlar as lágrimas e começou a chorar, saiu dali o mais depressa possível e ele ficou a vê-la partir, sem saber o que fazer, ou como reagir. Gostava dela, mas porque tinha terminado a relação? Continuava a amar Sofia, mas gostava imenso de Matilde e não iria abandonar esta para ir ao encontro de quem tanto o magoara.
Deixou algum dinheiro em cima da mesa e saiu daquele restaurante depressa, não queria acabar o almoço nem queria falar com ninguém, queria sair daquele local o mais depressa possível. Não tinha sorte no amor, Sofia abandonara-o sem dizer nada, como do dia para a noite, Matilde tinha terminado a relação sem ele conseguir entender a verdadeira razão. Correu até á praia e conseguiu encontrar o local mais escondido e recatado daquele local, sentou-se e começou a chorar.

“Porquê? Será que mereço tudo aquilo que sofro? Será que sim? Eu amo a Sofia e ela abandonou-me, ela desapareceu sem dizer nada, como do dia para a noite. Regressou a Lisboa e nem tentou falar comigo, ela desistiu de mim, de nós. E nem teve coragem de me dizer, eu só queria entender isto. Ela não é assim, a Sofia que conheci não é assim, a Sofia com quem eu namorei um ano não me tinha feito isto. Não me teria tirado o coração pelas costas e pisado. Ela devia ter-me explicado tudo, por muito que não exista desculpa, era sempre bom haver alguma explicação. É por a amar tanto que não a consigo esquecer, por não saber tudo o que se passou que não consigo apaga-la da minha vida, e foi graças a tudo isto que perdi também a Matilde. Alguém de quem eu gosto e começava a gostar cada vez mais. Nunca lhe menti, eu sei, mas também nunca lhe disse a verdade. Que amo a Sofia, porque sei que a iria magoar, e ela não merece sofrer. Mas ela conhece-me, melhor do que eu a conheço e sabe que nunca a deixarei de amar até falar com ela. Mas porquê? Porquê este medo de me perder? Não ia desistir dela, ia lutar até ao fim pela Matilde, porque gosto dela. Seria incapaz de ter uma relação com a Sofia, depois de tudo.”

Pedro era como o mais comum dos homens, não conseguia chorar junto a ninguém, sentia a sua masculinidade em perigo. Mas quando se encontrava sozinho chorava. Quantas vezes não chorou sozinho depois de Sofia o ter abandonado. Desta vez não era excepção, chorava não só por Sofia… Como por Matilde. Sempre que estava acompanhado e sentia-se demasiado próximo do desespero e de começar a chorar, pegava numa caneta e começava a escrever, mas desta vez, decidiu seguir um conselho de uma velha amiga. Alguém que lhe tinha ensinado muito, que era mais que uma namorada, fora uma amiga e uma companheira, Sofia. O que ela lhe tinha ensinado era que o mar era um dos melhores conselheiros, podia ser mais educado, menos educado, podia chorar ou sorrir, o mar ouvia-o e respondia-lhe com a força das ondas. E desta vez falou muito com o mar, e sentiu que o melhor que podia fazer era visitar Sofia. Estava magoado com ela mas ia saber qual era o seu estado de saúde, estava deveras preocupado. E iria ser amigo de Diogo, que naquele momento precisava demasiado do seu apoio. Mas primeiro tentou ligar a Matilde, ela não atendeu e ele não insistiu, por isso mandou-lhe uma mensagem:
“Não sei o que te levou a fazer isto amor mas eu não vou desistir de ti porque é isto que o amor verdadeiro me ensinou a fazer! Sabes que te adoro! Beijos do teu alentejano”
Uma mensagem com imenso significado, gostava imenso de Matilde e não queria perdê-la, iria lutar por ela apesar do regresso de Sofia. Foi até ao carro e conduziu até Lisboa, mas pelo caminho telefonou a Filipe:

-Olá Filipe, achas que posso ir visitar agora a Sofia?

-Ela agora está a dormir, mas já está a dormir há um bom bocado, até cá chegares acorda. Queres que avise o Diogo?

-Não. Quando aí chegar falo com ele.

-Então que te aconteceu para vires hoje? Não ias estar com a Matilde?

-Sim, mas aconteceu um imprevisto. – Não queria contar a ninguém que Matilde tinha colocado um ponto final na relação.- Diz-me uma coisa, estão aí os pais deles?

-Estão. O pai está aqui ao pé de mim, a mãe está lá dentro ao pé dela. – Pedro já tinha tido a oportunidade de conhecer os pais de Sofia, e sabia bem que o pai não gostava de si. Mas decidiu arriscar na mesma, queria ver a amada, queria saber qual era o seu estado de saúde, queria verificar com os seus próprios olhos.
Assim que chegou ao hospital, perguntou onde era a ala dos internados e um responsável acompanhou-o até ao local, de seguida teve de pedir informações para o quarto onde Sofia estava internada e caminhou em direcção ao mesmo. Respirou fundo, ia enfrentar a família toda dela, mas era o melhor que podia fazer, queria saber qual era o seu estado de saúde.
Enquanto percorria o corredor, conseguiu ver o pai e o irmão dela, juntamente com Filipe, parou e respirou fundo. Iria enfrentá-lo, mas não sabia se estava preparado. Continuou o seu percurso e em pouco tempo chegou até á porta do quarto.

-Boa tarde. – Disse ao chegar próximo de todos. – Por muitas coisas que tenham acontecido no passado, o mais importante é a Sofia e eu quero ver como é que ela está. Preciso disso. – Diogo nada respondeu, deixou que o pai tomasse iniciativa.

-Pedro. – Respondeu aproximando-se do seu antigo genro. – Desde o início que não fui correto para ti. E que merecias uma hipótese de provar que estava errado e eu não ta dei. Eu sei. E por isso lamento. Sei que não é desculpa, mas ela é minha filha. Minha filha mais nova, a única menina que tive a sorte de ter, e assusta-me só a ideia de partilhá-la com outro homem! Porque tinha medo que a magoasses, que a desiludisses, que te aproveitasses dela, e que não a fizesses feliz. E eu tenho medo do que sou capaz de fazer se alguém lhe fizesse isso! Sei que era capaz de matar, se fosse preciso, por quem a magoasse! E foi este medo de alguém a magoar, que acabei por ser eu a fazê-lo. E acabei por te magoar também. Desculpa-me por isso. E o mínimo que posso fazer por vocês, é dar-vos a oportunidade de falarem. Devo isso não só á Sofia, como também a ti.

            Qual será a reacção de Pedro?

Como correrá a conversa? Como será o reencontro do antigo casal?