sábado, 25 de outubro de 2014

Capítulo 09: “Ele... Ele já não me ama.”


(Sofia)

Sofia acordou sobressaltada. O sonho voltara a repetir-se. Parecia tão real e tão assustador... E cada vez que se repetia a sensação aumentava. Aquele sonho já tinha um ano e já se repetira tantas vezes que perdera a conta. A sensação de se tornar realidade assustava-a, como o medo de perder alguém que amava, como a dura realidade de ter abandonado o homem que amava, Pedro e pela morte do filho, que ainda vivia no seu ventre.

-Sofia está tudo bem, foi só um pesadelo. – Tentou acalmá-la a mãe enquanto a aconchegava nos seus braços e beijando-lhe a testa.

-Mãe, mãe. – Apertou os braços da mãe, claramente assustada e ainda com medo que o sonho fosse real. –Parecia tão real mãe, não os posso perder. Não outra vez... Eu amo-os mãe. – Chorou nos braços da mãe.

-Filha ouve-me as minhas palavras com atenção. – Sofia limpou as lágrimas e olhou para a mãe. –És mãe. Pode ter acontecido aquilo que aconteceu mas tu és, foste e sempre serás mãe, a partir do momento em que ele morou no teu ventre. E se houve algo que a maternidade me ensinou foi que muitas vezes, temos de ser fortes, não por nós, mas pelos nossos filhos. Porque eles precisam dessa força. E o teu filho no céu precisa de ti, precisa da tua força, coragem e determinação que eu sei que tens para poder descansar em paz. Ele sabe tudo sobre ti e orgulha-se tanto de ti como eu. E ele só se torna a estrela mais brilhante no céu, durante a noite e o dia, quando tu és forte, quando lutas. Um dia vais conseguir o que queres. O truque é nunca desistir, vais realizar os teus sonhos. E vais dar um irmão ao Júnior! E quanto ao teu ex. – Usou uma expressão que fez Sofia sorrir. –Não entres logo com tudo o que tens e não tens. Tenta entender o lugar dele, tenta reconquistá-lo aos poucos e poucos e depois com o tempo provas-lhe que o amas, um bocadinho, todos os dias e ele percebe que nunca deixaste de amar. Sim, porque até um cego entende que tu o amas! – Sofia sorriu a relembrar cada traço do seu físico e da sua personalidade. –E se ele também te ama, as coisas vão simplesmente acontecer quando tiverem de acontecer. Não desistas dele, tudo vai acabar por dar certo, no céu tens uma estrelinha muito forte a torcer por vocês, estrelinha essa que é fruto do vosso amor! – Beijou a testa da filha que sorriu e sentiu-se confortável nos braços da mãe, como se aquelas palavras lhe tivesse dado uma força extraordinária e inexplicável para lidar com a vida.

-Posso? – Perguntou o pai enquanto espreitava para dentro do quarto. –Desculpem interromper mas tens uma visita filha.

-Está bem, mas quem é?

-Alguém de quem tem bastante saudades. Pode entrar?

-Sim, claro.

-É melhor sairmos amor para os deixarmos mais á vontade. – A mãe de Sofia saiu do quarto deixando-a sozinha. Passado alguns segundos, bateram á porta.

-Entre. – Pedro entrou pelo quarto e fechou a porta. Os olhares cruzaram-se pela primeira vez num ano.

-Pedro...

-Sofia. – Aproximou-se dela e os olhares não se separaram nem por milésimos de segundo, não sabiam ao certo o que dizer e muito menos o que fazer, todos os sentimentos se misturavam. Amavam-se mas existiam demasiadas dúvidas que não deixavam aquele sentimento comandar. –Porque me abandonaste?

-E tu, porque não vieste atrás de mim? – Perguntou ela, contra-atacando. Era verdade que ela o abandonara do dia para a noite, mas ele também não correra atrás dela e isso magoava-a.

-Abandonaste-me e ainda me pedes que fosse atrás de ti?

-Prometeste que não ias desistir de mim e o que fizeste? Simplesmente desististe.

-Não, tu é que desististe de nós. Tu é que me abandonaste do dia para a noite e durante um ano não te dignaste a mandar-me uma carta, um e-mail ou simplesmente uma mensagem, foste tu que desististe, nunca eu.

-Tu podias simplesmente ter-me procurado.

-E achas que não procurei? Percorri meio-mundo, fiz tudo o que pude por ti! Tu simplesmente desapareceste...

-E entretanto refizeste a tua vidinha não foi verdade? Como foi possível teres-me traído desta forma?

-A única pessoa que aqui traiu foste tu, traiste os meus sentimentos e as nossas promessas, foste tu que me deixaste sem dizer nada, foste tu que escolheste desaparecer e esquecer-me. Eu simplesmente lutei para reorganizar pela minha vida e ser feliz.

-E porque não esperaste por mim? Sabias que mais cedo ou mais tarde iria voltar.

-Sofia, eu amava-te. – Isso queria dizer que já não a amava? – Procurei-te, perguntei a toda a gente que te conhecia, esperei, e simplesmente não sabia nada de ti. Acredita que quem sofreu mais no meio disto tudo fui eu. Fui eu que passei noites em claro à espera de qualquer sinal teu, a perguntar-me se o problema era meu, foram dias em que só pensava em ti, toda a minha vida se centrou em ti durante uns tempos, eu pensava que me amavas e tu simplesmente... Abandonaste-me. Como achas que fiquei? Mas superei tudo Sofia, mas ainda não te perdoei, possivelmente nunca o farei, porque me demonstraste tudo o que não queria ser. Superei toda a dor, todo o sofrimento, chorei tudo o que tinha para chorar e ultrapassei, e acabei por me apaixonar por uma pessoa que me apoiou sempre e ela sim ama-me, com a Matilde, eu sou feliz e espero apenas que também encontres a tua felicidade. – Deu um beijo sobre a testa de Sofia e saiu do quarto, despediu-se dos pais dela e agradeceu a oportunidade, em especial ao pai de quem tinha a perfeita noção que sempre fora contra o namoro entre eles, despediu-se de Diogo e Filipe e saiu.

E Sofia, no quarto, não reagira. As palavras que Pedro lhe tinha dito ecoavam na sua cabeça, em especial, “(...)eu sou feliz e espero apenas que também encontres a tua felicidade”. Ele falava, sobre si, num passado longíquo, quando no fundo havia passado só um ano. Queria chorar e não conseguia, queria dizer algo mas as palavras simplesmente não saiam, sentia um vazio apoderar-se de si e da sua vida e nada poderia descrever aquele momento, como poderia ele já não nutrir qualquer tipo de sentimento por ela? Será que ela o havia magoado assim tanto? Será que ele se tinha esquecido de todos os sentimentos e da relação que os unira? Filipe entrou no quarto e foi ao encontro dela, olhou-a nos olhos e não precisou de palavras para entender o que ela sentia, sentou-se sobre a cama e ela sentou-se ao seu colo, quando ele a apertou nos seus braços, não conseguiu conter as lágrimas.

-Sofia não sei o que o Pedro te disse, mas sei que tu és das pessoas mais fortes e determinadas que conheci até hoje e que não vais abaixo com o que ele te possa ter dito. Ele reagiu de cabeça quente.

-Ele... Ele já não me ama. – Disse soluçando com as lágrimas a escorrerem-lhe a face, Filipe limpou as suas lágrimas com a ponta dos dedos e olhou-a, como tentando tranquilizá-la com o poder do olhar.

-Tu sabes que não é verdade.
Sofia aconchegou-se nos braços de Filipe e fechou os olhos tentando dormir, como não conseguia deixou-se permanecer como estava tentando encontrar o rumo certo para adormecer. A porta do quarto abriu, e entrou Diogo, que foi facilmente reconhecido pela irmã, pelo arrastar dos seus pés.

-Como é que ela está?

-Felizmente já adormeceu, mas não está nada bem.

-Que é que ela e o Pedro falaram?

-Ela apenas me disse que ele já não a amava.

-Tu sabes que ele está com a Matilde.

-Sim, sei mas recuso-me a pensar que ele a tenha esquecido tão rapidamente, ela é demasiado especial para ele ter a ousadia de fazê-lo.
Ela permanecia aconchegada nos braços de Filipe, sentindo a sua respiração constante e o bater do coração que parecia aumentar sempre que dizia o seu nome ou quando disse que ela era especial, ela não lhe era indiferente, da mesma forma que ela sentia por ele. Ouvir o seu coração sossegava-a, mas sabia que só uma pessoa ela amava, e acreditava ser para sempre.

-Filipe?

-Sim.

-O que é que tu e a irmã têm?

-Tu sabes, envolvemo-nos.

-Há alguma coisa mais?

-Não. Não aconteceu nada mais, além do que tu sabes.

-Filipe, não quero que haja males entendidos, por isso vou-te explicar porque fui contra vocês envolverem-se.

-Tu tinhas medo que ela me usasse para esquecer o Pedro, eu sei.

-Além disso. No final vocês vão acabar magoados, dê por onde der.

-Diogo, em todos os filmes os amigos que se envolvem acabam apaixonados, mas eu e a Sofia podemos ser uma excepção, ela tem o coração ocupado e eu sei bem disso.

-E tu, não estás apaixonado pela Jéssica? – Filipe não respondeu, deixou o silêncio apoderar-se da sala, deitou a Sofia na cama e respondeu:

-Vamos sair do quarto, a tua irmã precisa de descanso. – Cobriu o corpo da amiga com o lençol da cama e saíram do quarto, mal ouviu o silêncio profundo em que o quarto se encontrava, adormeceu e acabou a sonhar com todas as aventuras que envolviam os “seus três rapazes” naquele dia.

(Passado Alguns Dias)

Sofia acabou por ter alta do hospital, embora com a informação que tenha de ser acompanhada por um psiquiatra regularmente e ela aceitara-o, sabia que era o melhor para ela, e talvez fosse o único que a ouvisse sem julgar. Apesar de confiar a sua vida a Diogo e Filipe, tinha medo que eles a julgassem e talvez com um desconhecido isso não aconteceria. Sabia que era forte, não precisava que lho dissessem, mas temia o futuro, sabia que já tinha ultrapassado muitas dificuldades e iria superar outras ainda mais temerosas e isso assustava-a. Tinha voltado para casa de Filipe, mas não se voltaram a envolver, ela sabia que amava Pedro e iria reconquistá-lo. E Filipe iria conquistar Jéssica, não a conhecia mas confiava que o sentimento era recíproco, ele merecia ser feliz e como poderia não se apaixonar por um rapaz tão impecável?
 Aquele era o seu primeiro dia de aulas e ela iria recomeçar, iria reconquistar os amigos que deixara naquela escola, iria recomeçar a sua vida e reencontrar a sua felicidade. Não só Pedro, como também os amigos e a vida que outrora vivia, inclusivé com os pais de quem morria de saudades. Sofia era uma rapariga lutadora e com um enorme coração, bastou o pai pedir perdão que ela desculpara-o e estava disposta a esquecer, ele estava realmente arrependido e ela sabia, apesar de tudo não deixava de ser seu pai, amava-o.
Filipe levara-a até à escola e ele aparentava estar mais nervoso que ela.

-Boa sorte para hoje, pequena!

-Filipe já perdi a conta ás vezes que me desejaste boa sorte! – Sorriu, tentando tranquilizá-lo, até porque ele aparentava estar mais nervoso que ela.

-Estou nervoso por ti, posso? Sei que vai correr bem mas é para me tranquilizar.

-Sabes que já andei na escola certo? E que aliás este já é o meu último ano do secundário certo?

-Sim sei, mas é o primeiro dia de aulas do teu secundário.

-Estás enganado, já tinha tido aulas lá em Espinho, depois é que pedi a transferência.

-Então já tiveste os primeiros dias de massacre! – Sorriram. –E quero que olhes para isto como um desafio, um de muitos que tens! – Piscou-lhe o olho.

-Sim, obrigada e não precisas de ficar assim, estás mais nervoso que eu!

-Não estou nervoso... Apenas estou recetivo.

-Mentiroso! Descansa que senão correr bem eu ligo-te!

-Mas é para ligares mesmo!

-Eu ligo descansa! Mas agora é melhor ir que senão vou chegar atrasada e causar uma péssima primeira impressão!

-Vai lá, boa sorte! – Deu-lhe um beijo na testa. –A que horas é que sais?

-Às 13:30, porquê?

-Eu venho buscar-te e vamos almoçar juntos.

-Combinado.

Deram dois beijos de despedida, mais uma série de “boa-sortes” de Filipe e Sofia saiu em direção à escola, sabia que era só mais uma aventura e um longo caminho a percorrer mas algo a fazia ficar reticente e ter receio.

Porque será que Sofia terá este estranho pressentimento?

Como irá correr o 1º dia de aulas? Como correrá o almoço?

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Capítulo 08: “Acabou Pedro”


(Pedro)

Desde o final do dia anterior que um estranho pressentimento aprisionava Pedro. Sentia que algo não estava bem. Não sabia explicar porque o sentia, nem porque a sensação teimava em não desaparecer. Já o tivera antes, mas nunca durante tanto tempo. Certificou-se que estava tudo bem com os que mais amava. Com a sua família estava tudo bem, com os amigos mais próximos também, e a namorada também estava de perfeita saúde. O único senão que podia haver, era a estranha fase que o seu namoro atravessava. Pedro gostava da sua namorada, embora não a amasse. Mas o sentimento crescia, embora Matilde não acreditasse realmente no que ele sentia por ela. Sofia era e sempre seria uma “inimiga” ao futuro daquela relação.
Pedro continuava a gostar de Sofia, embora não o admitisse, e Matilde sabia-o. Conhecia-o muito bem. Mas amava-o demasiado para acabar aquela relação e se afastar dele.
Todos os dias da semana, Pedro acordava mais cedo e ia buscar a namorada a casa e levava-a até á escola, e apesar de tudo, aquele dia não era excepção. A sair de casa, enviou uma mensagem a Matilde:

“Amor, estou a sair de casa”

Foi até ao carro e depois de o ligar, o telemóvel apitou uma mensagem, mas não a abriu. Continuou caminho, até casa da sua namorada. Depois de alguns minutos de viagem, chegou ao destinatário. Matilde aproximou-se do carro, ele abriu o vidro:

-Olá amor! – Disse Pedro esperando um beijo de cumprimento da namorada.

-Olá Pedro! – Respondeu friamente e não o beijando. – Não viste a minha mensagem, está claro.

-Não, já vinha a caminho. Mas porquê? – Entretanto um carro parou atrás de Pedro e ele foi obrigado a estacionar o carro e Matilde sentou-se no lugar ao lado do namorado.

-Porque disse que não precisavas de me vir buscar, vou bem de autocarro, ou a pé.

-Qual é a necessidade? Sempre te vim buscar e levar á escola, não percebo porque hoje seria excepção.

-Qual é a necessidade? Não precisas de me exibir só para dizer que já esqueceste a Sofia.

-Se não gostasse de ti não namorava contigo, e não estaríamos juntos há já 4 meses.  
-Isso não quer dizer nada Pedro! – Disse entristecida. – Podes perfeitamente estar a usar-me para a esquecê-la e para demonstrares aos outros que já a ultrapassaste. Quantos casos não vimos de pessoas que se casam até por interesse, ou por dinheiro!

-Mas tu conheces-me bem, sabes que não faria isso.

-É por te conhecer bem que sei que ainda a amas.

-Matilde, eu gosto de ti. Não percebo esta tua indecisão de repente, passou-se alguma coisa?

-Sim Pedro, eu conheço-te bem e sei que ainda a amas. – Pedro não sabia o que mais responder. Gostava de Matilde, mas ainda não esquecera Sofia, e não queria mentir-lhe. Beijou-a com amor e depois sussurrou:

-Gosto muito, muito de ti! – Deu-lhe as mãos e ela sentiu-se amada, talvez ele estivesse mesmo a gostar dela. Pedro conduziu até á escola da amada e deixou-a lá, depois seguiu o caminho até ao Caixa Futebol Campus, onde teria treino.

Pedro era sempre o primeiro a chegar ao balneário e volvido alguns minutos começavam a chegar outros colegas, sendo que todos os dias variavam. Aos poucos e poucos começaram a chegar, e reparou que duas pessoas que não se costumavam atrasar, ainda não tinham chegado. Diogo tinha ido passar a noite a casa de Filipe e ainda nenhum tinha chegado. Já muito próximo da hora do treino, chegou o segundo. Aproximou-se e perguntou:

-Então puto porque é que só chegaste agora? E que é feito do minorca?

-O Diogo hoje não vem, a Sofia, a irmã do Diogo, está internada no hospital. – Depois de ouvir aquelas palavras, Pedro sentiu como que o mundo a sair-lhe dos pés. Filipe continuou a falar, mas ele já não o ouvira. – Pedro estás a ouvir-me? Estás bem?

-Sim, sim. Ele foi até ao norte para a ver?

-Não. A Sofia está cá. – Pedro não queria acreditar no que estava a ouvir, ela tinha regressado e nem tentara entrar em contacto consigo? E Diogo era cúmplice, tinha-se limitado a não lhe dizer? Como era possível continuar a amar Sofia depois de tudo o que acontecera? – Mas agora vou vestir-me para não chegar ainda mais atrasado.
Pedro saiu do balneário e deixou Filipe a preparar-se para o treino, não sabia muito bem como pensar ou como reagir. Gostava de Matilde, mas não conseguia esquecer Sofia, apesar de tudo o que ele lhe fizera, de tudo o que lhe sofrera, depois de um ano de desaparecimento e depois de reaparecer e nem ter tentado falar consigo. Mas sabia que como profissional não podia deixar transparecer o que sentia. Aplicou-se no treino e acabou por sair mais cansado do que era habitual.

-Que se passou hoje contigo Pedro? Estavas possuído. – Perguntou Filipe, que passara o treino distraído, também pelo mesmo motivo que Pedro.

-Hoje falei com a Matilde, e conseguimos resolver as coisas. – Nunca assumira a ninguém que continuava a amar Sofia, demonstrava sempre que estava entregue de alma e coração á relação com Matilde.

-Ainda bem! Mas que é que se tinha passado entre vocês?

-Um mal entendido, mas já está tudo bem. Tudo se resolve a falar não é verdade?

-Claro que sim, gostava de ficar a conversar mas não posso, tenho de ir visitar a Sofia ao hospital.

-Em que hospital é que ela está internada? Gostava de ir lá ver o Diogo e dar o meu apoio.

-Está no Dona Estefânia. Mas se quiseres podes ir agora comigo, eu dou-te boleia.

-Não, hoje á tarde vou passear com a Matilde, não posso mesmo. Mas amanhã ou assim vou lá. Mas não digas nada ao Diogo se faz favor, ainda não tenho a certeza se vou.

-Está bem, eu digo ao Diogo que mandaste cumprimentos e que mandaste um beijinho á Sofia.

-Não, não faças isso! – Pediu claramente preocupado.

-Porque não?

-Porque prefiro surpreende-los. – Inventou Pedro. – Mas é melhor ires andado, para não os deixares preocupados. Vai lá! – Filipe saiu a correr tão rápido como tinha chegado e Pedro acabou por sair também dos balneários e do centro de estágios, em direcção á escola da namorada. Iriam almoçar e passar a tarde juntos, mas ele não conseguira esquecer o que Filipe lhe dissera. Estava preocupado com Sofia, continuava a amá-la apesar de namorar com Matilde, queria saber do estado de saúde dela, queria poder conversar com ela, mas continuava sem saber se era ou não má ideia ir visitá-la ao hospital.

-Pedro que se passa contigo? – Perguntou Matilde já a meio do almoço que estava a ser feito em silêncio absoluto, num bar junto á praia.

-Estou cansado só isso.

-Tiveste um treino muito exigente amor?

-Sim, e estou preocupado com o Diogo e com o Filipe e acabei por descarregar no treino.

-Que é que se passou com eles?

-O Filipe chegou atrasado ao treino, e o Diogo não foi, estava dispensado.

-Tens medo que seja por causa da Sofia?

-Sim. – Assumiu com o medo bem presente na voz. – O Filipe disse-me que ela está em Lisboa. – Para Matilde aquelas palavras magoaram-na mais que qualquer outro gesto ou atitude de Pedro. Sabia que mais cedo ou mais tarde, iria acabar por sofrer e sair magoada, e só queria ser feliz. Podia magoá-la no início mas acabou por fazer o que lhe pareceu melhor. Respirou fundo, levantou-se da mesa e disse:

-Acabou Pedro. – Disse ainda com os olhos fechados. – É o melhor para os dois, desculpa. – Não conseguiu controlar as lágrimas e começou a chorar, saiu dali o mais depressa possível e ele ficou a vê-la partir, sem saber o que fazer, ou como reagir. Gostava dela, mas porque tinha terminado a relação? Continuava a amar Sofia, mas gostava imenso de Matilde e não iria abandonar esta para ir ao encontro de quem tanto o magoara.
Deixou algum dinheiro em cima da mesa e saiu daquele restaurante depressa, não queria acabar o almoço nem queria falar com ninguém, queria sair daquele local o mais depressa possível. Não tinha sorte no amor, Sofia abandonara-o sem dizer nada, como do dia para a noite, Matilde tinha terminado a relação sem ele conseguir entender a verdadeira razão. Correu até á praia e conseguiu encontrar o local mais escondido e recatado daquele local, sentou-se e começou a chorar.

“Porquê? Será que mereço tudo aquilo que sofro? Será que sim? Eu amo a Sofia e ela abandonou-me, ela desapareceu sem dizer nada, como do dia para a noite. Regressou a Lisboa e nem tentou falar comigo, ela desistiu de mim, de nós. E nem teve coragem de me dizer, eu só queria entender isto. Ela não é assim, a Sofia que conheci não é assim, a Sofia com quem eu namorei um ano não me tinha feito isto. Não me teria tirado o coração pelas costas e pisado. Ela devia ter-me explicado tudo, por muito que não exista desculpa, era sempre bom haver alguma explicação. É por a amar tanto que não a consigo esquecer, por não saber tudo o que se passou que não consigo apaga-la da minha vida, e foi graças a tudo isto que perdi também a Matilde. Alguém de quem eu gosto e começava a gostar cada vez mais. Nunca lhe menti, eu sei, mas também nunca lhe disse a verdade. Que amo a Sofia, porque sei que a iria magoar, e ela não merece sofrer. Mas ela conhece-me, melhor do que eu a conheço e sabe que nunca a deixarei de amar até falar com ela. Mas porquê? Porquê este medo de me perder? Não ia desistir dela, ia lutar até ao fim pela Matilde, porque gosto dela. Seria incapaz de ter uma relação com a Sofia, depois de tudo.”

Pedro era como o mais comum dos homens, não conseguia chorar junto a ninguém, sentia a sua masculinidade em perigo. Mas quando se encontrava sozinho chorava. Quantas vezes não chorou sozinho depois de Sofia o ter abandonado. Desta vez não era excepção, chorava não só por Sofia… Como por Matilde. Sempre que estava acompanhado e sentia-se demasiado próximo do desespero e de começar a chorar, pegava numa caneta e começava a escrever, mas desta vez, decidiu seguir um conselho de uma velha amiga. Alguém que lhe tinha ensinado muito, que era mais que uma namorada, fora uma amiga e uma companheira, Sofia. O que ela lhe tinha ensinado era que o mar era um dos melhores conselheiros, podia ser mais educado, menos educado, podia chorar ou sorrir, o mar ouvia-o e respondia-lhe com a força das ondas. E desta vez falou muito com o mar, e sentiu que o melhor que podia fazer era visitar Sofia. Estava magoado com ela mas ia saber qual era o seu estado de saúde, estava deveras preocupado. E iria ser amigo de Diogo, que naquele momento precisava demasiado do seu apoio. Mas primeiro tentou ligar a Matilde, ela não atendeu e ele não insistiu, por isso mandou-lhe uma mensagem:
“Não sei o que te levou a fazer isto amor mas eu não vou desistir de ti porque é isto que o amor verdadeiro me ensinou a fazer! Sabes que te adoro! Beijos do teu alentejano”
Uma mensagem com imenso significado, gostava imenso de Matilde e não queria perdê-la, iria lutar por ela apesar do regresso de Sofia. Foi até ao carro e conduziu até Lisboa, mas pelo caminho telefonou a Filipe:

-Olá Filipe, achas que posso ir visitar agora a Sofia?

-Ela agora está a dormir, mas já está a dormir há um bom bocado, até cá chegares acorda. Queres que avise o Diogo?

-Não. Quando aí chegar falo com ele.

-Então que te aconteceu para vires hoje? Não ias estar com a Matilde?

-Sim, mas aconteceu um imprevisto. – Não queria contar a ninguém que Matilde tinha colocado um ponto final na relação.- Diz-me uma coisa, estão aí os pais deles?

-Estão. O pai está aqui ao pé de mim, a mãe está lá dentro ao pé dela. – Pedro já tinha tido a oportunidade de conhecer os pais de Sofia, e sabia bem que o pai não gostava de si. Mas decidiu arriscar na mesma, queria ver a amada, queria saber qual era o seu estado de saúde, queria verificar com os seus próprios olhos.
Assim que chegou ao hospital, perguntou onde era a ala dos internados e um responsável acompanhou-o até ao local, de seguida teve de pedir informações para o quarto onde Sofia estava internada e caminhou em direcção ao mesmo. Respirou fundo, ia enfrentar a família toda dela, mas era o melhor que podia fazer, queria saber qual era o seu estado de saúde.
Enquanto percorria o corredor, conseguiu ver o pai e o irmão dela, juntamente com Filipe, parou e respirou fundo. Iria enfrentá-lo, mas não sabia se estava preparado. Continuou o seu percurso e em pouco tempo chegou até á porta do quarto.

-Boa tarde. – Disse ao chegar próximo de todos. – Por muitas coisas que tenham acontecido no passado, o mais importante é a Sofia e eu quero ver como é que ela está. Preciso disso. – Diogo nada respondeu, deixou que o pai tomasse iniciativa.

-Pedro. – Respondeu aproximando-se do seu antigo genro. – Desde o início que não fui correto para ti. E que merecias uma hipótese de provar que estava errado e eu não ta dei. Eu sei. E por isso lamento. Sei que não é desculpa, mas ela é minha filha. Minha filha mais nova, a única menina que tive a sorte de ter, e assusta-me só a ideia de partilhá-la com outro homem! Porque tinha medo que a magoasses, que a desiludisses, que te aproveitasses dela, e que não a fizesses feliz. E eu tenho medo do que sou capaz de fazer se alguém lhe fizesse isso! Sei que era capaz de matar, se fosse preciso, por quem a magoasse! E foi este medo de alguém a magoar, que acabei por ser eu a fazê-lo. E acabei por te magoar também. Desculpa-me por isso. E o mínimo que posso fazer por vocês, é dar-vos a oportunidade de falarem. Devo isso não só á Sofia, como também a ti.

            Qual será a reacção de Pedro?

Como correrá a conversa? Como será o reencontro do antigo casal?

domingo, 3 de agosto de 2014

Capítulo 07: “Amo-te tanto pai”


Depois do regresso forçado a Espinho, da despedida forçada que havia feito ao filho e da sua tentativa falhada de pôr um termo á vida, começou também a recusar comer e a pouca comida que conseguia comer, acabava por involuntariamente ou não, expulsá-la do corpo. Pouco depois, descobriu que todas as suas atitudes lhe causaram problemas de saúde. Devido ás circunstâncias da vida, começou a sofrer de distúrbios a nível de alimentação e a nível psicológico. Tornou-se bulémica com uma depressão nervosa.
Quando vivia em Espinho, frequentava assiduamente um psiquiatra e grupos de apoio, para curar os seus problemas, estava disposta a lutar contra eles, mas sozinha todo o percurso tornar-se-ia mais duro e instável. A depressão estava já na recta final da cura, mas quando abandonou Espinho, deixou cair por terra todo o esforço daquele último ano, quanto á bulimia, seria um problema para o resto da sua vida. Diogo sabia quais os problemas de saúde da irmã e faria tudo para ajudar a curá-los, queria apenas o seu melhor. Sabia que a irmã merecia ser feliz e iria fazer de tudo para a deixar feliz, e iria lutar com todas as forças para ajudar a irmã a vencer os problemas de saúde. Tinha visto a irmã a alimentar-se. A única justificação possível era que havia tido uma recaída e que expulsara, mais uma vez, os alimentos do corpo.
Pousou a irmã sobre o banco daquela rua, verificou a pulsação dela e pediu:

-Bernardo, chama uma ambulância. – Pediu, e ele obedeceu afastando-se deles.

-Espera que a tua irmã acorde, Diogo. Tu sabes perfeitamente que vão chamar os teus pais, e ela não quer.

-Os meus pais sabem que a Sofia cá está. Além do mais, a minha irmã é bulémica e tem uma depressão.

-O quê? – Perguntou Filipe dando um grito de surpresa. Como é que lhe poderiam ter escondido algo tão grave como aqueles problemas de saúde?

-Sim, Filipe. A minha irmã não está bem e tudo o que está a acontecer é demais. Ela ainda não é uma mulher, ela ainda nem dezoito anos tem. – Disse apertando com força a mão da irmã, tentando assim dar-lhe força para despertar daquele desmaio.

-A Sofia é uma verdadeira guerreira. – Deu-lhe um beijo sobre a testa. –A tua irmã não está a ser acompanhada? E que é muito provável que seja uma recaída.

-Ela estava a ser seguida em Espinho, mas cá, ainda não consegui tratar disso. Ela deve ter vomitado tudo o que comeu, e o corpo não aguentou tanto tempo sem energia. Mas será que o Bernardo demora muito tempo? E a porra da ambulância? A minha irmã não está nada bem, ninguém entende isso?

-Tem calma, o Bernardo já ligou para o 112, e a ambulância já deve vir a caminho. – O mais velho aproximou-se dele e trouxe uma garrafa de água que passou pela cara da ainda desmaiada rapariga.

-Vai aquela pastelaria e compra um bolo ou um doce se faz favor. – Pediu Diogo a Bernardo. –Eu já te pago! – Ele obedeceu e passado pouco tempo trouxe um bolo, deu ao amigo que partiu o bolo em bocadinhos e começou a colocar bocadinho a bocadinho a comida na boca da irmã, que começou a reagir aos poucos, mastigando e pouco depois a abrir os olhos.

-Sofia. – Diogo quando viu a irmã a abrir os olhos, abraçou-a e sorriu. –Não voltes a fazer-me isto!

-Que se passou? – Perguntou sentando-se na cadeira.

-Desmaiaste. Mas a ambulância já vêm a caminho.

-Eu estou bem, não quero ir para o hospital, isto passa.

-Não Sofia, tu não estás bem! Tu tens uma depressão, tu és bulémica, tu desmaiaste porque tiveste uma recaída, e vais para o hospital, quer queiras quer não. Neste momento sou responsável por ti e é nesses termos que vou tomar conta de ti! – Respondeu rudemente, apanhando desprevenida a irmã, que ficou calada e acabou por comer o resto do bolo, sem dizer mais uma palavra.

Esperaram alguns minutos, e a ambulância apareceu, levando Sofia e Diogo acompanhou-a. Filipe e Bernardo seguiram atrás da ambulância, de carro.

-Desculpa, Diogo. – Pediu Sofia, ainda fraca, deitada na maca e com o enfermeiro constantemente a averiguar o seu estado de saúde.

-Promete-me apenas que aconteça o que acontecer, vais cuidar de ti. – Respondeu apertando a mão da irmã. – A tua saúde acima de tudo, a partir daí vem tudo por acréscimo.

Sofia chegou ao hospital juntamente com o irmão e depois de alguns exames e dos médicos verificarem o seu historial clínico, acharam por bem deixá-la em repouso absoluto no hospital, por alguns dias. Queriam apenas assegurar-se que se alimentava. Colocaram-lhe soro e deixaram-na num quarto onde iria ficar nos próximos dias. Depois de instalada, Sofia fechou os olhos, tentando adormecer e Diogo permaneceu sentado á sua cabeceira. Esperou alguns minutos, com esperança que a irmã adormecesse e acabou por começar a falar baixinho, como se de uma confissão se tratasse:

-Não, não podias ter feito isto, Sofia. – Disse enquanto duas lágrimas rolavam-lhe as maçãs do rosto. –Amas o Pedro, sei disso. Mas já paraste para pensar que ele pode não te amar da  mesma forma, compulsiva e desumana como tu amas? – Escutar aquelas palavras com atenção, faziam-na abrir cada vez mais uma ferida no peito que teimava em não fechar. –Ele poderia ter esperado por ti, poderia ter lutado mais, e ele limitou-se a ... Desistir. Porque acima de poder ou não amar-te, ama-se a ele próprio, e o melhor que poderia fazer era reencontrar a felicidade. E conseguiu. E tu podias tentar fazer o mesmo! – Disse Diogo com as lágrimas a percorrem-lhe o rosto de forma cada vez mais veloz. –Podias esquecê-lo. Para teu bem. E para bem dos que te rodeiam. Porque eu amo-te mais do que alguma vez, o Pedro te amará e tu só me demonstras que não me amas, que te estás nas tintas para o que sinto. Parece que como estive sempre aqui, que sou teu irmão e sangue do teu sangue, que já sou um dado adquirido na tua vida. Estarei sempre aqui, tu sabes, mas cada vez que pioras é como um golpe que me dás no peito. Como se me provasses que não me amas, e que vives só por causa dele. Perdeste um filho, tentaste-te matar, cortaste-te, fugiste, tatuaste o nome dele, e eu, Sofia? É só por ele que vives? É só por ele que vale a pena viver? E eu? Fui apanhado no meio de uma história que não é a minha, que pode mudar a minha vida para sempre e fui obrigado a aceitar e não dizer mais nada. De um lado a minha família, do outro os meus amigos. Todos me perguntaram por ti, inclusivé o Pedro, e eu não sabia o que dizer. Perguntei ao pai, mas era claro que ele me mentia com todos os dentes que tem na boca. E a mãe nada podia dizer. E eu tive de mentir, tive de representar e inventar uma história para tudo. Uma história que justificasse tudo, quando no fundo toda a gente queria o mesmo que eu. A verdade. – O tom e o timbre de voz denunciavam a sinceridade daquelas palavras.  –Sim, o pai pode não ter tido as melhores atitudes e pode não ter demonstrado da forma mais correta o que sente por ti, mas acredita que ele é das pessoas que mais te ama no mundo, e só quer o teu bem. A mãe tem sido a pessoa uma lutadora, de um lado, a filha e do outro o marido. Sabes quantas noites eu e a mãe passamos em branco? Quantas vezes não rezamos para ficar tudo bem, para tu e o pai fazerem as pazes e ficar tudo bem, ou quantas vezes não pedimos com todas as forças para acordar deste pesadelo. – Beijou o rosto da irmã. –Tenta, por favor, fazer um esforço, para ser feliz. Para ficares bem, com o Pedro, ou sem ele. – Limpou as lágrimas que lhe escorriam o rosto e saiu do quarto. Sofia, escutou todas as palavras que ele dissera com toda a atenção, nunca tinha pensado no outro ponto de vista daquela história. Tinha sido egoísta e tinha pensado apenas em si mesma, e em Pedro. Deveria ter pensado mais na família, no quanto a mãe e o irmão sofreram por uma história que não era deles mas que os afetara e os deixara de rastos psicologicamente. Também Pipo, tinha sido um mero “achado” naquela história, Sofia não o tinha “usado” para se esquecer de Pedro, mas talvez ele o sentisse. Tinha de mudar de atitude, tinha de demonstrar a todos o quanto os amava. E foi com estes pensamentos que adormeceu...

-Como é que ela está? – Sofia despertou com aquela voz, conhecia mas não queria acreditar que pudesse ser ele.

-Está a ser seguida por um médico, puseram-na a soro para se certificarem que come e não vomita. – Sentiu um beijo na sua testa, era claramente da mãe.

-Oh minha filha, porque fizeste isto? Nós amamos-te muito, tudo se vai recompor prometo.

-Não, não podes cumprir uma coisa que não vais conseguir cumprir. – O pai nunca mudaria, seria sempre o mesmo homem frio e sem escrúpulos. Pensou Sofia. –Ela está assim por minha causa, tudo o que lhe aconteceu é apenas por minha causa. E não dá para passar uma borracha sobre o passado, não dá para ela recuperar um filho que eu a forcei a matar, fui eu que a obriguei a afastar-se do Pedro, o primeiro homem que a minha vida amou, apenas porque não gostava dele. Fui tão egoísta e para piorar, ainda a obriguei a afastar-se do irmão, não fui eu que lhe fiz os cortes, mas fui eu o culpado de tudo. E viverei para sempre com este peso na consciência, mas fiquem sabendo que farei tudo para a Sofia se curar dos problemas de saúde e para ser feliz, como merece! – Ela abriu os olhos e olhou para o pai. Tinha esperado aquele momento durante muito tempo e não sabia ao certo o que responder...

-Pai... – Foi a primeira vez desde que tudo aconteceu que lhe chamara por este nome.

-Filha. – Respondeu abraçando-a e mais tarde beijando-a. – Desculpa, desculpa pelo que te fiz sofrer, por tudo o que te fiz. Desculpa. Só te quis proteger, só queria que o teu bem, e nem pensei no que tu sentias. Desculpa, desculpa. –Tanto pai como filha derramavam lágrimas pela face.

-Eu desculpo pai. – Abraçaram-se com todo a força e sentimento. –Amo-te tanto pai! – Disse dando-lhe um beijo.

-Eu amo-te mais, minha filha! Minha mulher da minha vida! – O pai afastou-se e apertou a mão de Sofia. Olharam para Diogo e a mãe e eles também choravam emocionados.

-Vocês não imaginam o quanto esperei por este momento! – Toda a família se abraçou, como há anos não acontecia. Foi, sem sombra de dúvida, um dos momentos mais bonitos da vida de Sofia. E para sempre lembrar-se-ia daquele abraço. Sabia que até então e para o resto da vida cometeriam erros, e ela iria perdoar, faziam-no apenas porque queriam o seu bem. Por muito que amasse Pedro, eram os Roch(inh)a que a faziam feliz por completo.

-Já não faz sentido estar aqui. Tenho o Diogo, mas talvez seja em Espinho, e junto do resto da minha família que esteja melhor.

-Faz o que achares melhor para ti filha, nós apenas queremos que sejas feliz. – Respondeu calmamente a mãe, claramente feliz e emocionada por aquele momento de família.

-Faz o que achares melhor, mana. – Sorriu Diogo.

-Sofia, se fugiste para cá é porque é ao pé do teu irmão que te sentes bem e que achas que serás feliz. E tu precisas de estabilidade e de amor, precisas de te pôr boa. E é agora que eu digo, que ficas melhor aqui. Mas seja qual for a tua decisão, farei tudo para não te voltar a desiludir. Prometo. – Apertou a mão da filha. –Por muito que não goste do Pedro, farei tudo para tentar aceitá-lo na minha família!

Qual será a escolha de Sofia?

Será que vai optar pelo regresso a Espinho? Ou irá continuar a lutar por Pedro?