sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Capítulo 12 “Tu perdeste o Pedro para sempre”


(Sofia)

-Não posso dizer que estava à espera porque seria mentir... – Reagiu. –Acredito que se estão juntos é porque se amam, e é o que mais importa. O resto fica para trás das costas, o passado fica para trás das costas! – Diogo e Rita ficaram sem reação, de todas as possibilidades que haviam pensado aquela estava longe de qualquer uma.

-Sofia, desculpa todo o sofrimento que te causei. Sei que foi mau e não imaginas o quão arrependida estou, a melhor forma de to provar é fazer tudo para fazer o teu irmão feliz e dar-te a minha amizade.

-Alguém me explica o que se passou? Não apanhei nada... –Queixou-se Filipe.
Sofia acabou por explicar o que se havia passado ao longo de um ano. Rita tinha tornado a vida de Sofia ainda mais infernal no último ano letivo e apesar de ter sofrido bastante por causa dela, acabou por dar o braço a torcer em favor do irmão, se ele era feliz era o que mais importava, iria fazer um esforço. Filipe admirou uma vez mais a atitude dela, estava apaixonado e além de ser a sua melhor amiga, tornava-se cada vez mais a sua fiel companheira, não só de momentos de prazer como de momentos de pura felicidade e amor.

(Pedro)

Pedro abriu a caixa do correio e deparou-se com uma série de cartas. Tudo contas para pagar, era final do mês, desta vez vinham adiantadas, mas uma outra carta lhe chamou à atenção: não tinha remetente, nem um selo, não existia qualquer morada escrita, nem quem a escreva. Podia ser uma ameaça ou qualquer outra coisa menos positiva mas Pedro nunca pensara nisso. Talvez fosse apenas uma fã que lhe escrevera uma carta ou talvez fosse Matilde que o quisera surpreender. Subiu as escadas até sua casa e pousou todas as cartas em cima da mesa da entrada, juntamente com a chave e o telemóvel. A única coisa que lhe ficou na mão era a carta. Sentou-se no sofá e começou a ler:

Querido Pedro:
Faz hoje um ano... Que parti.
Parti sem me despedir ou sem me justificar. E por muito que tente explicar as razões que me levaram a fazê-lo nunca iriam justificar o injustificável. Foi um erro, e acredita que todos os dias me arrependo do que fiz, chorei e choro todos os dias, à noitinha, a pensar no sofrimento que te trouxe e não o merecias.
Possivelmente já me esqueceste... Choro só de pensar nessa hipótese, mas é o melhor que tens a fazer. Como é possível continuar a amar alguém que nos magoa tanto? Alguém que não nos merece e que desaparece? Alguém que não tem maturidade para assumir um erro e aceitar as consequências do que fez? Mas agora estás feliz, é o que mais importa. Estás com alguém que, de certeza, te ama de uma forma incondicional. E que te merece de uma forma que eu nunca merecia, mas assim como aceitaste todos os meus defeitos e lacunas, peço-te para também a aceitares com todos os erros que ela possa cometer. Ela não vai repetir os meus erros. Obrigada por dares mais uma oportunidade ao amor, é um sentimento bonito e que nos faz lutar por tudo na vida. Não somos ninguém sem o amor, assim como eu sem ti, não sou nada. Acredita que apesar da distância que nos separava nunca deixei de te amar.
Tenho de te contar algo, que sei que vai fazer com que não me perdoes, mas não consigo, simplesmente ocultar-te. Quando te abandonei estava grávida. Existia um pequeno fruto do nosso amor. Um pequeno bebé crescia no meu ventre, mas matei-o. Simbolicamente acabei por chamá-lo Júnior, afinal ele era o nosso pequeno. Apesar de nunca lhe ter visto as feições, sei que era parecido contigo, afinal como era possível parecer-se com o monstro que é a mãe?
Quando regressei ao Seixal a primeira coisa que quis fazer foi ver-te e puder perder-me mais uma vez nos teus braços, sentir os teus lábios a tocarem nos meus e ouvir-te dizer, nem que fosse uma última vez: “Amo-te”, mas, por ser tão fraca, não o fiz. E quando te vi a beijar a Matilde pela primeira vez... Senti o chão fugir-me dos pés e acabei por ceder à uma tentação maior. Acabei por me envolver com um amigo nosso, para o proteger, prefiro não dizer o nome dele, e voltamos a repetir. Não sei se foi um erro ou não, mas sei que quando o fazia me imaginava contigo. Era contigo que me imaginava a viver momentos assim, e é contigo que quero voltar a repeti-lo, porque é a ti que amo e prometo que vou lutar para sempre te ter ao meu lado, apesar de saber que estás melhor sem mim. Não me peças para te esquecer porque era como me pedires para viver sem ar.

Amo-te, para sempre.
Sofia Roch(inh)a

Pedro não reagiu nada bem... Amachucou a folha e atirou-a ao chão, agarrou no telemóvel, nas chaves e na carteira, saiu de casa sem pensar ao certo até onde ia, só queria sair e reagir. Só podia ser Filipe, era a única pessoa de quem ela se tinha aproximado à exceção do irmão desde que voltara. Eles tinham que “pagar” pelo que lhe tinham feito sofrer. Entrou no carro com as lágrimas nos olhos e começou a percorrer várias ruas à procura deles. Assim que os viu, estacionou o carro, apesar de o ter feito mal e aproximou-se, em primeiro lugar de Sofia:

-Metes-me nojo! - Disse olhando nos olhos de Sofia, que ficou surpreendida pelo olhar dele. Não demonstrava um enorme vazio, nem amor, demonstrava apenas uma raiva e um ódio que ela nunca tinha visto e que nem ela sentira pelo pai quando ele a obrigara a abortar.
Afastou-se e foi em direção a Filipe:

-Nunca mais me dirijas a palavra!

Ao contrário de Sofia, Filipe reagiu, enquanto Pedro se afastava deles, Filipe agarrou no braço de Pedro e fê-lo voltar-se para si.

-Não podes chegar aqui e fazer isto, estás bom da tua cabeça? – Pedro colocou toda a força que tinha no pulso direito e deu um soco a Filipe, que não se deixou calar e respondeu-lhe da mesma forma.

-Parem! Por favor parem! – Gritava Sofia tentando separá-los e também ela acabava por sofrer na pele aquela violência.

Só acabaram por separar-se quando várias pessoas que passavam na rua perceberam a aflição em que Sofia se encontrava e a luta que existia entre ambos, e quando ela ameaçou que chamava a polícia é que acabaram por se afastar.

-Isto não fica assim, ouviste Filipe? Nunca te vou perdoar teres dormido com a Sofia ouviste? Afasta-te! – Sofia aproximou-se de Pedro tentando explicar o porquê deles terem dormido juntos, mas ele não a deixou tocar-lhe e continuou. –Se gostas de mim, por favor, esquece-me e sai da minha vida.

Sofia afastou-se de Pedro, sem saber ao certo como reagir, ele tinha pedido para sair da vida dele? Tinha-lhe pedido para o esquecer? Porque é que Pedro se haveria exaltado tanto ao saber que ela havia dormido com Filipe?

-Filipe como estás? – Perguntou aproximando-se dele que limpava o sangue que lhe sai-a da boca.

-Porque é que lhe contaste? Podias bem ter evitado tudo isto... – Também Filipe estava magoado com Sofia e ela sentia-se perdida. Deixou ambos afastarem-se de si e sentou-se no chão, aquela dor que preenchia o seu peito era bem maior que a dor física que os cortes que tinha feito nos pulsos lhe fizeram.

-Sim?

-Diogo... – Sofia controlou ao máximo as lágrimas tentando falar por chamada com o irmão.

-Sofia? Tiveste a chorar?

-O Pedro... O Filipe... – Não conseguia dizer uma frase inteira, tentava controlar as lágrimas mas era quase natural elas rolarem pelas suas bochechas como o simples respirar.

-Onde estás?

-Ao pé do Rio Sul.

-Dois minutos e estou aí.

Aqueles minutos que Diogo demorou até chegar próximo da irmã pareciam-lhe horas... Ela sentia-se sozinha e sufocar com a dor, mas havia prometido não se voltar a cortar e ia cumprir. Mas iria ultrapassar mais um momento difícil, podia ter perdido Filipe, mas iria recuperá-lo, assim como iria recuperar Pedro, ela era lutadora e persistente, nunca caminharia sozinha, tinha sempre a família a seu lado, tinha o irmão e agora tinha juntamente com a mãe, o pai.

-Sofia! – Disse Diogo correndo até ela.

-Diogo! – Levantou-se e abraçou-o. O rapaz pegou na irmã ao colo e colocou-a no interior 
do carro. –É melhor ficarmos aqui para pudermos falar mais à vontade, ninguém tem nada haver connosco. – Depois de esperarem alguns minutos, os suficientes para Sofia se acalmar nos braços do irmão, ela decidiu falar.

-O Pedro e o Filipe andaram à porrada.

-Eu sei. E tenho a certeza que foi algo que tinha haver contigo.

-O Pedro sabe que eu e o Pipo nos envolvemos.

-Eu sempre vos avisei que isso não ia correr bem...

-Achas que nós não sabíamos os perigos que corríamos desde o início?! Mas nunca 
esperei que ele reagisse assim.

-Eu provavelmente reagiria da mesma forma, descobrir que um amigo meu, que me viu sofrer por causa de uma rapariga e no final eles andavam a aquecer os pés um ao outro.

-O Pedro não descobriu, fui eu que lhe contei.

-O QUÊ?! – Respondeu Diogo, com vários decibéis acima do normal. –Porquê Sofia? Porquê? Tens noção dos problemas que causaste?

-Eu devia uma justificação ao Pedro, e dei-lha, apenas isso!

-Não Sofia, não foi apenas isso. Tu fizeste com que eles andassem à porrada, tu 
fizeste com que eles fossem castigo, tu fizeste com que dois amigos e colegas de equipa se tornassem inimigos.

-Eu não podia simplesmente ficar calada, não podia omitir isto do Pedro.

-Tu perdeste o Pedro para sempre, depois disto Sofia. – Ficou sem reação possível, o irmão sempre a tinha apoiado e dado forças quando mais ninguém lhe dera, mas aquelas palavras ainda lhe doeram mais que o primeiro soco que Pedro dera a Filipe, até o irmão acreditara que ele desistira de si?!

Diogo entrou para o lugar do condutor e começou a conduzir, Sofia sabia que o mais certo era irem até à sua casa nova, mas existia ainda uma esperança de ir até à casa da família Nascimento, estava de cabeça quente mas não desistia de falar com Filipe, ele também precisava de uma justificação. Mas o irmão decidiu ir até à nova casa e apesar de querer refilar, calou-se, sabia que o irmão, como ninguém, sabia o que era melhor para si. Estacionou o carro na garagem do prédio.

-A Rita está em casa, vai lá ter com ela, eu vou a casa do Filipe buscar as tuas coisas, a partir de hoje mudas-te de armas e bagagens para cá.

-Diogo, eu não queria nada disto, juro, acredita em mim!

-Eu sei, Sofia, mas acidentalmente ou não, acabas por desiludir e magoar.

Sofia saiu do carro com a consciência pesada e com o coração apertado, tinha feito tudo apenas com o intuito de contar a verdade, mas os seus planos sairam-lhe completamente errados, ela acabara por magoar todos à sua volta, inclusivé o próprio irmão. Subiu até à entrada de sua casa e tocou à campainha, esperou alguns segundos e Rita abriu-lhe a porta.

-Minha querida! – Abraçou-a e deu-lhe um beijo na testa. –Que se passou? – Apesar de estar a fazer um esforço para perdoar, esquecer e para começar a confiar em Rita, Sofia simplesmente não estava no dia ideal para o fazer.

-Desculpa Rita, mas vou-me deitar, estou demasiado cansada para falar sobre o que se passou. – Virou costas e foi deitar-se em cima da cama do seu novo quarto, estranhava aquele quarto, aquelas cores e a falta de companhia mas teria de se habituar a viver assim. 

Poucos segundos depois adormeceu.

Passado algumas horas Sofia acordou...

-Afinal o que é que se passou com a tua irmã, Diogo?

-O Pedro descobriu que o Filipe e a Sofia aqueciam os pés um ao outro, digamos.

-Como é que ele descobriu isso?

-Foi a Sofia que lhe contou?

-Sim, faz hoje um ano que eles se separaram e ela escreveu uma carta e contou isso, não entendo porquê, por muito que tente perceber.

-Por um lado eu entendo o que ela tentou fazer...

-Por muito que tente compreender, simplesmente não consigo.

-Diogo. – Fez uma curta pausa. –As raparigas são muito mais sentimentais que os rapazes, enquanto tu estás a pensar com a cabeça e não estás a perceber, eu estou a tentar escutá-la com o coração e estou a entendê-la. – Respirou fundo. – A Sofia sente que ainda está numa relação com o Pedro, até porque ela ainda o ama e como tal, exatamente hoje que fez um ano em que o abandonou, tinha de lhe escrever uma carta a contar tudo. E apesar de não a ter lido, quase que aposto que se culpou por tudo, tanto pelo aborto, como pela fuga, sem nunca acusar o pai e ainda te defendeu. A tua irmã só fez o que o coração lhe disse e não deu ouvidos ao coração.

-E o Filipe insere-se no meio disso? É cabeça ou coração?

-Amor, não sejas tão exigente com a tua irmã.

-Quero o melhor para a minha irmã e estes problemas vão fazer-lhe tudo menos bem.

-Eu sei que te custa ver a tua irmã a sofrer, mas ela assim como tu, vai cair e vai levantar-se! – Sorriu. – As rochinhas são rochas pequeninas, vão ao chão mas não partem, enquanto os Rochinha são pequeninos de tamanho mas grandes de coração, vão ao chão mas não partem, sabias?

-Claro! – Respondeu Sofia aparecendo na sala e juntando-se ao casal. –Sabes Diogo? Qualquer um de nós, pode passar dificuldades, pode passar fases muito más, ou muito boas, mas vamos estar sempre juntos! – Deu um enorme abraço ao irmão e deu-lhe um beijo na testa.

-E a Rita, maninha?

-A Rita já é uma Rochinha, esqueceste-te? – Sorriram, para Rita a partir do momento em que Diogo e Rita começaram a namorar, ela tornara-se parte da família.
Depois de alguma conversa, acabaram por decidir encomendar pizza para o jantar. Todos precisavam de recuperar energias e nada melhor que pizza para colmatar o bicho da fome que se apoderava entre eles. Colocaram a mesa enquanto esperavam que a comida fosse entregue, e mal chegou até casa, desaparecera, tamanha era a fome.
Depois de arrumarem e limparem a cozinha, Sofia foi vestir o pijama e ia deitar-se, precisava de descansar e só a dormir conseguia esquecer toda a confusão que a vida se tornara, mas assim que pousou a cabeça na almofada ouviu a campainha tocar.

-Eu vou lá. – Informou Diogo. Abriu a porta e não tardou a reagir. –Que estás aqui a fazer, Filipe? –Sofia sentou-se na cama surpreendida, mas sem levantar os pés da cama, não iria sair de onde estava, iria esperara para ver o que sucedia.

-Quero falar com a tua irmã. – Respondeu calmamente.

Será que Diogo vai permitir?
Será que Sofia quer falar com Filipe? O que é que ele lhe quererá dizer?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Capítulo 11 “Nós estamos juntos, Sofia.”


(Diogo)

Diogo escondia também ele segredos, segredos que poderiam mudar a relação com a sua irmã e iriam modificar a sua vida, ela era a rapariga mais importante da sua vida. Tinha alugado uma casa à alguns dias, e desde então vivia lá com uma rapariga, que também ela era muito especial para si, a sua namorada Rita.
Ele sabia o que era sofrer por amar alguém e não ser feliz apenas porque outra pessoa não o era. O último ano de vida tinha sido a prova. Tinha estado no centro de uma história repleta de mal entendidos e com um desaparecimento à mistura, que tinha bastante amor, mas acima de qualquer outro sentimento existiam desilusões de ambas as partes. Por diversas vezes tinha sentido que tinha de optar por um dos lados: que além de ser do seu sangue, também era sua amiga e com as atitudes que tomara também o desiludira, mesmo que agora, já saiba a verdade, censura-se por ter duvidado e criticado o seu desaparecimento, afinal a culpa não tinha sido sua, mas por outro lado tinha um grande amigo seu, Pedro, de quem tinha acompanhado todo o sofrimento e desgosto. A irmã queria recuperar o amor de Pedro, queria ser feliz junto dele, e ele sabia que sem ele seria difícil recuperar a sua saúde tanto a nível mental como físico, mas ele estava feliz e apaixonado, estava recuperado e parecia ter esquecido e ultrapassado, parecia estar bem com Matilde. Sofia tinha-lhe ocultado as verdadeiras razões do seu desaparecimento, mas Diogo escondia também ele um segredo grande, mas ao contrário da irmã, não era por obrigação, mas por opção.

-Amor em que estás a pensar?

-Não te quero incomodar com os meus problemas, meu bem.

-Diogo, além de namorados, somos amigos e partilhamos a mesma casa, os teus problemas são os meus. - Diogo havia começado uma relação há alguns meses com Rita, com quem já partilhava casa, que abdicara de muito por causa dele. Deixara Espinho, onde sempre vivera para estar mais junto de Diogo. O único senão que fazia Diogo recear era que Sofia não gostava de Rita.

-Eu sei que o mínimo que posso fazer é apresentar-te à minha irmã, mas tenho medo da reação dela, tenho medo que afete a saúde dela.

-Sei que me amas, para mim é o mais importante! - Deu-lhe a mão. –A tua irmã precisa de ti nesta fase importante da vida dela, eu posso esperar.

-É por causa disto que te amo. – Beijou-a. –Estás disposta a ficar em segundo plano, e não te importas de esperar até me teres a teu lado.

-Diogo, eu amo-te e já estou a teu lado. Esperava por ti uma vida se fosse preciso. Quero e vou fazer tudo para teres as pessoas que amas ao pé de ti, tu mereces isso e eu devo-te, mas se tiver de me afastar de ti para continuares próximo da tua irmã, por muito que me magoe, assim o farei.

-Amo-te! – Beijaram-se. –Mas não acho que seja necessário. A minha irmã pode não aceitar de início e reagir mal, mas eu sou feliz contigo e ela precisa de aceitar.

-Mas tu também não aceitas a relação que ela tem com Filipe... – Rita tocou num ponto importante e difícil. Também ela não compreendia porque razão Diogo não aceitava a relação do amigo com a irmã.

-Isso é diferente, completamente diferente! – Respondeu com uma certa revolta na voz. –A Sofia ama o Pedro e apesar dele estar apaixonado e estar feliz, a vida vai tratar de os juntar, mais cedo ou mais tarde.

-E senão tiverem destinados a estares juntos e felizes?

-Acredita em mim Rita. – Fez uma curta pausa. –Eles estão destinados a estarem juntos.

-Mas o Pedro ama a Matilde, não achas que ele também tem direito a ser feliz?

-Não duvido que ele agora esteja feliz, e que goste da Matilde, mas a relação deles era diferente de todas as que vês por aí. – Sorriu ao lembrar-se da felicidade que eles sentiam apenas com aquela relação que os unira. -Mas ele agora está com a Matilde e está feliz, a Sofia vai ter de saber esperar e aceitar.

-Talvez o Filipe a ajude a esquecer e a ultrapassar esta história do Pedro.

-Talvez ajude ou talvez não. Ela precisa de esquecer, ou pelo menos ultrapassar o Pedro para poder seguir em frente com a vida dela e com o Filipe isso não vai acontecer. Todas as “amizades coloridas”, como eles chamam, acabam em romance, e a Sofia vai perceber que está apaixonada por ele e vai sofrer, além de não aguentar vê-la assim, sei que vai pôr ainda mais em risco a saúde dela. – Diogo explicou o porquê de ser contra a relação de Filipe e Sofia, era apenas a natural preocupação de irmão.

-Entendo a tua preocupação, mas a tua irmã vai ter de perceber por ela própria. Tu apenas podes apoiar e ajudar.

-Não posso, nem consigo controlar a vida dela, eu sei, mas posso tentar ajudá-la a seguir o caminho que deve seguir. Além dela, outras pessoas vão sofrer no meio desta história. O Pedro vai descobrir tudo e vai ficar furioso, nunca vai perdoar o Filipe, e o Filipe vai-se apaixonar pela Sofia e vai sofrer, porque sabe que a relação deles será impossível.

-A tua irmã e o Filipe andam a brincar com o fogo e não têm noção que não são os únicos que vão sofrer com esta história.

-Eu também vou sofrer, mas o que mais me preocupa são eles, os três, eu sou o mal menor no meio desta história.

-Não Diogo, tu não és o mal menor. Tu és alguém muito importante e que tal como eles merece toda a felicidade e todo o amor do mundo, não mereces estar no meio desta encruzilhada mas infelizmente estás. Mas apesar de tudo, tens-me a mim.

-Eu sei meu amor, e só te posso agradecer, tens sido incansável. Além de uma enorme namorada, és uma enorme amiga. Amo-te daqui até aquele candeeiro! – Apontou para o candeeiro da sala que estava sobre eles.

-Só até ali? – Apontou. – Pensava que me amavas até à entrada de casa, pelo menos! Logo eu que abdiquei de usar saltos altos por tua causa!

-Fala o roto ao nú! Também não és uma pessoa muito alta!

-A mulher é como a sardinha, só se quer é pequenina!

-Amo-te cinco mil vezes o meu tamanho! – Respondeu ao ouvido de Rita.

-Amo-te duas vezes o tamanho do sol! – Respondeu-lhe ao ouvido também.
Deitaram-se sobre o sofá da sala e enquanto ela encostou a cabeça ao peito dele sentindo o seu cheiro entranhar-se através do seu olfacto, Diogo olhava deslumbrado para as feições belas dela.

-Amor? – Perguntou Diogo, fazendo com que ela abrisse os olhos.

-Diz.

-Quantos filhos gostavas de ter?

-Porquê essa pergunta?

-Quero fazer os planos para a nossa vida a dois.

-Gostava de ter um ou dois e tu?

-Dois. Um menino para jogar à bola comigo e lhe ensinar uns truques e uma menina para dar uso à minha espinguarda!

-Qual espinguarda? Não tens nenhuma!

-O meu pai tem uma, e eu dava-lhe uso por cada rapaz que se aproximasse dela!

-És o máximo, meu esquilo!

-Esquilo?!

-Sim, pareces mesmo um esquilo a dormir! – Sorriu.

-Então tu és a minha esquila! – Beijou-a. –Eu escolho o nome da rapariga e tu do 
rapaz que achas?

-Uma excelente ideia! Mas gostava de ter uma menina Sofia, para honrar e de alguma forma compensar tudo o que fiz à tua irmã. – Rita para piorar toda aquela situação tinha tornado o último ano letivo de Sofia ainda mais infernal, tinha feito com que fosse vítima de bullyng psicológico, mas estava arrependida, ninguém o merecia, muito menos a sua actual cunhada e depois de tudo o que passara.

-A minha irmã pode ter muitos defeitos, mas têm um coração de ouro e vai-te perdoar, pode demorar mas perdoa, até porque vai saber que te amo.

Rita acabou por adormecer nos braços do “seu esquilo” e Diogo também, estava apaixonado e aquela sensação era única, ela era o seu porto de abrigo, .ao fim de alguns minutos a admirar a sua namorada, acabou também ele por adormecer a admirar as características belas, ao seu olhar, da namorada.
Acordou alguns minutos depois e como não queria incomodar Rita, decidiu pegar no seu telemóvel e ir ver o seu snapchat, ir também ao facebook e só depois ver o seu instagram. Deparou-se com algo que não esperava. Filipe havia publicado uma foto da irmã com a seguinte descrição:

You are my little secret, my only wish and my definition of happiness”

Diogo depois de olhar para a imagem e de ler a descrição decidiu levantar-se e telefonar à irmã. Ela não atendeu, o que o deixou ainda mais preocupado. Com aquela agitação acabou por acordar Rita.

-Diogo? – Perguntou enquanto tentava abrir os olhos. –Que se passou?

-Já te conto. A minha irmã está a ligar-me.

Depois atendeu a chamada da irmã e contou-lhe o sucedido, Rita também percebeu toda a história apenas com o que ouvira, combinaram que o melhor seria encontrarem-se à hora do jantar para discutirem o que se havia passado, até porque Sofia queria contar-lhe algo mais, assim como Diogo que queria dar a notícia do seu namoro com Rita, e que iriam viver os quatro juntos.

-Tens a certeza que lhe queres contar Diogo? Mesmo depois disto do Filipe?

-Sim, tenho. Está na altura da Sofia saber que estamos juntos e de aceitá-lo, ela tem de respeitar a nossa decisão, assim como eu respeito esta relação estranha com o Filipe.

-Então e se ela não aceitar?

-Vai ter de aceitar, sabes porquê? – Rita sentou-se ao colo de Diogo. –Porque nos amamos. – Beijaram-se.

-Não é melhor irmos comprar tudo o que é preciso para o jantar?

-Sim. Vamos no meu carro ou no teu?

-No teu, que tu és menos perigoso que eu. – Cruzaram as mãos e deram um beijo. Saíram de casa e do prédio e foram em direcção ao supermercado mais próximo. Compraram diversos ingredientes e várias sobremesas, os dois estavam ansiosos, queriam que o jantar fosse perfeito e para isso prepararam tudo ao mais ínfimo pormenor.
Quando chegaram a casa, arrumaram as compras e colocaram a mesa, deixaram tudo pronto para a chegada de Filipe e Sofia, só faltava preparar o jantar, por isso Rita teve uma ideia:

-Que achas de irmos tomar um banhinho... Juntinhos? – Sussurrou ao ouvido do namorado.

-Parece-me uma ideia irresistível! – Beijaram-se e foram até à casa de banho. Aquele banho era inocente, queriam apenas trocar mimos antes de uma enorme prova de fogo naquela relação.

Despiram-se e entraram na banheira, depois de correr um pouco de água, aconchegarem-se na banheira e Rita decidiu fotografar esse momento:


O banho acabou por demorar mais tempo do que era previsto. Acabaram por só se aperceber do atraso quando ouviram a campainha tocar.
Diogo colocou uma toalha à volta das pernas e Rita vestiu um robe para cobrir o seu corpo, para ir até ao quarto mudar de roupa.

-Sim? – Perguntou ao chegar à porta de casa.

-Somos nós. – Respondeu em coro Filipe e Sofia. Diogo abriu a porta e os “amigos coloridos” ficaram espantados, não esperavam vê-lo em trajes menores.

-Deixem-me só ir mudar de roupa e já vou ter com vocês, entretanto vão para a cozinha.

Eles assim o fizeram enquanto Diogo foi ter ao quarto onde Rita mudava a roupa, acabaram por se vestir em simultâneo, trocaram um último beijo e foram até à cozinha, onde Filipe e Sofia já tinha estranhado estarem quatro pratos à mesa.

-Que é que ela está aqui a fazer Diogo?

-Nós estamos juntos, Sofia. A Rita vem viver connosco.

Como irá reagir Sofia?
E Filipe? Será que vão aceitar a vinda de Rita?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Capítulo 10: “You are my little secret, my only wish and my definition of happiness”


(Sofia)

Assim que saiu do carro ouviu o som da campainha escolar, olhou para Filipe e sorriu, por causa da longa conversa, estava já na hora do começo da aula. Caminhou aceleradamente até à porta da sala, já conhecia a escola e foi rápido até lá chegar. Por sorte a professora ainda não tinha chegado, e pode conversar com alguns dos colegas de turma, alguns eram velhos conhecidos e amigos, mas a maioria eram caras novas. Mas havia uma rapariga que lhe dizia algo mais, não era amiga, nem uma antiga companheira de turma mas conhecia-a de outro lado, olhou-a mais uma vez, discretamente, e a rapariga olhava-a também, desviou rapidamente o olhar na tentativa que ela não compreendesse que ela a olhava. Quando chegou a professora, a porta da sala abriu e entraram para o seu interior, e em segundos conseguiu observar aquela rapariga de perfil e recordara-se de onde a conhecia. Era Matilde. Era ela que ocupava o coração de Pedro, era ela a causadora da felicidade do seu amado. Aquele sensação de encontrá-lo feliz era agridoce: amava-o e o melhor para ele era ser feliz, por muito que o tivesse ou não junto de si, mas por outro lado era egoísta ao ponto de querer que ele a amasse só a ela.
Assim que entrou na sala, todos se sentaram nas respectivas cadeiras e Sofia sentiu-se à parte, pareciam todos entruzados com alguém e muito à vontade, e ela sentia-se perdida, não sabia onde se sentar nem com quem falar. Por instinto olhou para Matilde, que a olhou também, sorriu e com a mão convidou-a para se sentar ao pé de si, apesar de ser incómodo, ela acabou por aceitar. Sofia sentou-se ao lado da jovem rapariga que lhe sorriu, cumprimentaram-se com dois beijos na face e disse:

-Olá querida! Chamo-me Matilde Varela e tu?

-Olá. Sofia Rocha. – Optou por dizer o seu apelido, em vez do apelido com o qual o irmão era conhecido, usou-o como forma de se defender, não queria que ela soubesse que era a ex-namorada do actual namorado dela. –Obrigada por me teres chamado para me sentar ao pé de ti, não sabia onde me sentar, parecem todos tão cúmplices e à vontade que me senti à parte.

-Não tens de agradecer minha querida. – Matilde pousou a mão sobre a da nova colega de turma, o que a arrepiou mas tentou esconder o que sentira. –Também passei o mesmo quando vim para esta escola, além do mais não me custa nada ajudar!

-Muito obrigada Matilde.

-Posso saber porque é que só vieste para esta escola este ano ou é perguntar demasiado? – Matilde tocara num ponto importante e difícil. Como poderia Sofia falar do último ano da sua vida sem mencionar Pedro?

-Fiz o 10ºano nesta escola, mas o ano passado tive de voltar para a minha terra, mas este ano aqui estou! – Sorriu

-Não és de cá? És de onde?

-Sou do norte, mais precisamente de Espinho.

-Olha que não tens sotaque nenhum, pensava mesmo que eras daqui.

-Nunca tive sotaque, e por incrível que pareça até consigo perceber o sotaque dos outros. – Sorriram em conjunto, mas no seu íntimo, Sofia sentia-se fraca e impotente. 

Sentia que não tinha coragem de conviver com Matilde todos os dias, sabendo que era ela a dona do coração do homem que mais amara e amava, não conseguia fingir que era fácil para si quando no fundo sentia-se mais uma vez à prova e não tinha força para conviver com todas as contrapartidas que a vida lhe trazia.
A aula começou naturalmente e todos os alunos se apresentaram, apesar da maior parte já se conhecer, e enquanto não chegou a vez de Sofia, ela aproveitou a distração da professora para enviar uma mensagem a Filipe.

Mais uma aventura na vida (já pouco monótoma) de Sofia Rochinha: a atual dona do coração do Pedro é da minha turma, como irá ser o desfecho desta história? Não perca os próximos episódios, todos os dias na MTV ás 18h! Agora fora de brincadeiras... Preciso de ti! Beijos”

Sofia sabia que Filipe não iria responder até porque estava em treino, mas mal visse a mensagem iria responder e dizer aquelas palavras que só ele sabia dizer, que nem Diogo, apesar de seu irmão e melhor amigo, não as diria. Filipe dizia, não o que ela queria ouvir, mas o que ela precisava de ouvir, mas de uma forma que não a magoava, aliás fazia-a tomar consciência da dura realidade que tinha de enfrentar. Diogo era seu amigo, mas por vezes era demasiado duro e exigente, não compreendera porque Filipe e Sofia se haviam envolvido, nem o porquê de muitas das suas atitudes, talvez fosse para protegê-la mas não sentia que era a atitude mais correta.
As aulas continuaram naturalmente e pouco mais houve a acrescentar, além das apresentações, até que Sofia recebeu a resposta de Filipe:

A não perder no próximo episódio da vida (pouco monótoma) de Sofia Rochinha um almoço com o seu “amigo-colorido” Filipe, como irá correr? Será que ela vai aceitar? É esperar para ver! (Fora de brincadeiras, és forte e vais superar isso, mas hoje à tarde és minha e não tens desculpa, quando acabar as aulas estou à porta da tua escola!) Beijinhos”

Sofia sorriu, e aquele sorriso não passou discreto a Matilde, apesar de estarem em aulas não resistiam a colocar a conversa em dia:

-É um amigo especial ou já é namorado, querida?

-Na verdade, nem eu sei. -Confessou. Apesar do seu irmão Diogo, ser o homem da sua vida, e provavelmente o único, ela amava Pedro e era com ele que aprendera o significado dessa palavra, mas por Filipe começava a formar-se um sentimento que era de todo estranho para ela. Não era amigo, nem namorado, se existisse algo entre esses sentimentos, era a definição deles.

As aulas seguintes foram mais uma repetição da primeira aula, apresentações e mais apresentações, e Matilde tentava ao máximo conhecer e aproximar-se de Sofia e ela não tinha coragem de recusar, apesar de ser ela a atual dona do coração de Pedro, era também a única pessoa daquela turma que tentara ao máximo deixa-la à vontade e disponibilizar-lhe toda a atenção e carinho e ela não podia simplesmente recusá-lo. Quando a professora deu por terminada a última aula do primeiro dia de aulas, despediram-se do resto dos colegas e foram juntas até ao portão da entrada. Pedro esperava por Matilde, mas acabou também por cruzar o olhar com o de Sofia, mas rapidamente voltou-se para a sua namorada e foi em direção a ela, a jovem rapariga acabou por não se despedir de Matilde e foi em direção a Filipe, que estava dentro do carro. Sentou-se no lugar do pendura e ele deu-lhe um beijo na face, mas ela rodeada de sentimentos que não conseguia traduzir ao certo, apertou-lhe a mão e disse:

-Não digas nada. Leva-me para longe daqui e dá-me um dia longe de tudo, mas perto de ti.

-Assim o farei, minha heroína. – Respondeu-lhe fazendo-a sorrir, ele era a melhor coisa que lhe poderiam ter dado desde que regressara a Lisboa.
A viagem apesar de ser mais demorosa do que Sofia esperava, acabou por ser bastante divertida e animada, Filipe sabia perfeitamente como fazê-la sorrir e dar-lhe coragem para enfrentar os problemas, ele tornava-se a cada segundo mais o que ela mais queria e precisava para a sua vida e ela tomava consciência que ganhava uma importância que mais nenhum amigo tinha, mas nada poderia, nem queria fazer nada contra isso. A vida indicar-lhe-ia o verdadeiro significado de Filipe na sua vida. Assim que chegaram, a primeira reação de Sofia foi além de surpresa, felicidade, sorriu e perguntou:

-Como é que sabias que queria conhecer Mafra? Foi o Diogo?

-Foi tudo instinto, achei que irias gostar de conhecer tanto a vila, como o convento e a tapada.

-Obrigada por tudo! – Abraçou Filipe. -Não sei como te agradecer tens sido incansável, não sei o que seria sem ti! – Separaram-se e ficaram a olhar diretamente nos olhos um do outro, um calafrio acabou por percorrer o corpo de Sofia, não era só o olhar bonito que partilhavam mas também como o sentimento que ele transmitia com eles. Filipe pousou a sua mão sobre a face de Sofia e fê-la deslizar sentindo a sua pele suave, ela fechou os olhos e sentiu a mão dele deslizar até à sua e inverteram os papéis. Sairam do carro de mãos dadas e com um sorriso na cara, sentiam-se bem juntos, não precisavam de dizer mais palavras, apenas de desfrutar os bons momentos juntos. Filipe tinha o efeito de silenciar as vozes que se ouviam na cabeça de Sofia e dar-lhe um sentimento de paz e felicidade quando estavam juntos. Sofia tinha um efeito incrível na vida de Filipe: ela tinha desafiado todos os princípios e leis que ele havia criado há vários anos, ela tinha-lhe ensinado que o amor era uma luta que recompensava e que não iria desistir dela, apesar dela amar Pedro. Ao contrário dos sentimentos contraditórios que Sofia sentia, Filipe sabia exatamente o que sentia por ela, mais que amizade,tornara-se amor.

-Vamos almoçar aqui. – Sentou-se na esplanada de um restaurante que lhes dava vista priviligiada, Filipe afastou a cadeira da mesa para Sofia se sentar, que lhe sorriu e agradeceu, mirou o cardápio e os preços dos produtos.

-Não pudemos almoçar aqui Filipe. Estes preços levavam qualquer um à banca-rota.

-Sofia, as rainhas devem ser tratadas como rainhas, nunca de outra forma. – Ela como não tinha forma para agradecer e para responder ao que ouvira, apenas sorriu.
Quando terminaram o almoço, fizeram o curto espaço em direção ao convento e ela pôde deparar a dimensão daquele convento, estava surpreendida e rendida.

Acabaram por cruzar os dedos e fazer as palmas das mãos tocarem-se, e foi assim que aproveitaram todo o passeio por aquele enorme convento. Filipe já visitara aquele monumento, mas por fazê-lo com Sofia tornava aquele monumento ainda mais bonito, e ela sentia-se feliz, e tentava captar tudo o que via para mais tarde recordar.


-Um via vou casar-me num convento com este magistude, e com este tamanho para trazer imensos convidados. – Disse Sofia surpreendida com o tamanho e magnitude daquele monumento e imaginando ali o seu casamento com Pedro, onde Filipe e Diogo seriam os seus padrinhos.

-Posso ser um dos teus convidados?

-Serás um dos preferenciais. Estarás sentado na primeira fila, bem junto de mim. – Filipe sorriu, pensando, talvez, na ideia de se casar com Sofia e dela receber o seu último nome.

De seguida visitaram a biblioteca e depois de Sofia captar o momento com mais uma fotografia, acabou por confessar a Filipe que ele tornava aquele momento mais inesquecível, o que o fizera sorrir, ela era sem dúvida a rapariga mais especial que tivera a sorte de conhecer.


Até os pequenos detalhes Sofia não deixou escapar.


Chegaram até aos jardins do Convento e tal como tudo o que viram, era magnifícos e esplendorosos.


 
Sofia afastou a sua mão de Filipe e começou a explorar o caminho um pouco afastada dele, e admirado com a sua beleza acabou por captá-la com o telemóvel, sem ela entender.


Acabou por colocar a foto na rede social Instagram e colocar como legenda:

You are my little secret, my only wish and my definition of happiness”

Quando a visita ao convento terminou já estavam cansados e Sofia demonstrou, por isso Filipe agarrou-a pelas cavalitas e levou-a até ao carro o que foi proporcionou um enorme momento de diversão e de seguida, foram em direção à tapada onde estava agendado uma visita, entre as muitas opções que podiam usufruir para conhecer a tapada, preferiram ir conhecer a tapada sozinhos.


Começaram a passear juntos e mais uma vez de mãos dadas, as vistas surpreenderam-nos, especialmente a Sofia que as via pela primeira vez.



Sofia parecia ganhar uma nova energia com as bonitas paisagens que ia admirando, e Filipe era feliz sabendo que Sofia era feliz, quem os via pensava que eram realmente namorados e eles sentiam-se como tal. Filipe estava apaixonado mas nunca o assumira em voz alta, nem para com ninguém, não queria esquecê-la, queria conquistá-la, queria que Sofia o amasse como amava Pedro. E Sofia, sabia que apesar de amar Pedro, Filipe mexia com os sentimentos mais escondidos dela.

-Pipo, posso lançar-te um desafio?

-Podes, claro.

-Sempre quis fazer na selva.. Sei que isto não é, mas é o mais próximo que consegui...

-Tu tens como fetiche fazer amor – Usou esta expressão em vez da que costumavam utilizar, Filipe fazia amor com Sofia, apenas isso. –Numa selva? Ou melhor tu queres fazer amor nesta tapada que é vigiada e é capaz de passar alguém?

-Talvez seja loucura e talvez não queiras mas... – Ele não a deixou terminar e beijou-a, aproximaram-se da ponte e foram até à zona mais baixa e escondida que encontraram e fizeram amor em silêncio, com medo que alguém os ouvisse ou que os vissem, mas acabou por tornar o momento mais intenso e perigoso, o que era mais excitante para ambos. Ficaram com marcas no corpo que provaram o momento. Quando os corpos não conseguiam mais aguentar o momento, deram por terminado e trocaram um último beijo nos lábios e foi o momento que marcou a diferença entre o momento que tinha acabado de viver dos outros que viveram antes, o que ela sentira tinha mudado e sabia-o mas preferia não falar sobre ele, encontrou o telemóvel no chão e deparou-se com uma chamada não atendida do irmão. Devolveu a chamada, que rapidamente atendeu:

-Olá Diogo, como estás?

-Estou bem Sofia, e tu como estás? Já viste o que o Filipe publicou no instagram?

-Eu não, como tu sabes não tenho isso.

-Então não sabes o que ele publicou.

-Não, porquê?

-Foi em inglês mas como tu sabes que não é o meu forte vou ler em português. “És o meu pequeno segredo, o meu único desejo e a minha definição de felicidade.”, e para melhorar, o Pedro já viu e pôs “like”.

Como irá reagir Sofia?
O que irá fazer a Filipe? E como ficará a hipótese de reatar com Pedro?