quarta-feira, 10 de junho de 2015

Capítulo 17 “Tu nunca foste a outra, tu és “a” rapariga”


(Sofia)

-Às vezes tenho dificuldade em perceber se queres o melhor para mim ou se queres à força que lute pelo Pedro, mesmo que ele não seja a minha felicidade. Eu namoro com o Filipe, e se não gostássemos, nem que fosse um pouco, um do outro, não estaríamos juntos, não achas? Ele não é um erro, e mesmo se fosse, é com os erros que aprendemos e crescemos e tu tens de aprender a deixar-me cair e crescer, não me podes proteger para sempre. Avisaste-nos que íamo-nos apaixonar e aconteceu, mas provavelmente se não estivesse com o Filipe, estaria ainda por aí a chorar por causa do Pedro, e foi graças a ele que aprendi que o passado já lá vai, que não passa disso mesmo, de uma altura que já foi, por muito que me marque. O meu passado tem o Pedro, o do Filipe foi com várias raparigas mas eu nem quero saber, provavelmente se eu fosse a ele, e sabendo que é muito giro, faria o mesmo, mas sabes o que nós pensamos? Que estamos juntos e felizes, somos namorados e queremos aproveitar ao máximo!

-E o Filipe está disposto a lutar e a estar ao teu lado mesmo sabendo que amas e provavelmente amarás sempre o Pedro? E se ele algum dia ele quiser voltar para ti, tu vais acabar por magoá-lo?

-Tu tens todas as razões do mundo para estares chateado e magoado connosco, sei bem disso, Diogo. - Disse Filipe surpreendendo todos. - Sei que errei ao envolver-me com essas raparigas, e é normal e compreensível que tivesses medo que o fizesse à tua irmã, mas eu não o faria. Sou amigo dela, ela é a minha Soff. Conheço bem o passado dela, e poderia ter recusado envolvermo-nos, no início, mas não o fiz, ambos estávamos livres, queríamos uns momentos de prazer e não queríamos misturar sentimentos, afinal eu também tinha a Jéssica ou já te esqueceste? Sei que esta minha escolha de me deixar envolver, e depois de nos termos apaixonado, me vai trazer coisas negativas. Que me vai fazer perder algumas amizades importantes e que me deu um castigo pelo Benfica, que provavelmente me irá custar caro, mas valerá a pena, porque corri riscos e vou magoar pessoas, mas vou fazer a tua irmã feliz e é o que mais me importa! A tua irmã pode dar-me mágoas, mas também me pode dar felicidade, assim como eu lhe posso fazer, mas estamos a confiar um no outro para nos entregarmos a sério a esta relação, antes de fazermos o que quer que seja, vamos sentar-nos e discutir o assunto como qualquer adulto, ou pessoa matura faria. A nossa relação também não tem assim tanta diferença da tua relação com a Rita. Ela fez mal à Sofia e a tua irmã perdoou-a, aceitou-a na tua vida e deu-lhe mais uma oportunidade, não achas que também me havias de dar?
-Promete que vais fazer tudo para não a magoar.


-Seria incapaz de magoar quem tanto gosto.

-Também não o vou magoar, está descansado, Diogo Filipe! - Respondeu a irmã.

-Então vamos lá jantar. - Disse Rita que havia sido espetadora durante toda a conversa.

-Primeiro quero levar o Filipe a um sítio. Diz à mãe que demoro uma hora no máximo, vão comendo.

-Onde vais? - Perguntou o irmão, depois de Sofia agarrar na mão de Filipe e de o querer levar para fora do quarto.

-Depois explico-te! - Sofia deu-lhe a mão e sentou-se no lugar do pendura e Filipe no lugar do condutor, e ela começou a dar-lhe as indicações para um local desconhecido, apenas afirmando que iriam a um local que era importante, e que queria que ele conhecesse. Estacionou o carro e foram até à porta do local e o rapaz ficou chocado, não estava nada à espera.

-Quero que conheças a campa onde está o meu filho. - Deu-lhe a mão e levou-o até à pequena campa que existia num pequeno espaço daquele deserto cemitério. - Depois de ter abortado, pedi apenas para darem dignidade ao meu filho e sepultá-lo, o meu pai assim o fez. Pedi também para ficar em Espinho, porque assim sentia-me mais perto do meu filho e também do Pedro, mas saber que o Júnior estava tão próximo e ao mesmo tempo tão longe ainda me fez sentir pior, foi-me matando por dentro. - Filipe abraçou-a e deixou-a chorar nos seus braços.

-Tenho a certeza que o teu filho estará muito orgulhoso e a olhar por ti no céu!

-Espero mesmo que sim. - Filipe limpou-lhe as lágrimas e deu-lhe um curto beijo nos lábios. -Só espero que o teu filho esteja orgulhoso do padrasto que sou.

-Padrasto é uma palavra tão feia Pipo, tenho a certeza que irá ter tanto orgulho em ti como tem no pai.

-Posso perguntar-te uma coisa?

-Diz-me.

-Porque escolheste Júnior Filipe da Rocha Rebocho?

-Eu e o Pedro nunca tínhamos falado de um nome para os nossos filhos e como ele era o nosso júnior, decidi que era o nome indicado. - Respirou fundo e limpou a última lágrima que lhe estava na cara. - Filipe porque é o segundo nome do meu irmão e seria naturalmente o padrinho e tu eras o amigo de quem estava mais próxima enquanto estive grávida, por isso honrava duas pessoas de quem tanto gosto.

-O Pedro não irá gostar de saber que terá um filho com o meu nome.

-Talvez um dia ele me procure para saber mais do filho, até lá nada mais irei dizer.

-E se ele nunca quiser saber?

-É sinal que não me amava como sempre pensei.

-Sofia, eu gosto realmente de ti, acredita em mim. - Disse-lhe estas palavras olhando-a nos olhos e ela pode ver que era realmente verdade o que ele dizia. - Sei que não é o sítio mais indicado para uma declaração de amor, mas assim aquilo que farei será pelos olhos apenas e só do Júnior. - Sofia sorriu orgulhosa. - Tu és o meu ídolo, a única rapariga que alguma vez admirei, a tua força... Não tenho palavras. Incomoda-me só pela sua existência de tão grande e um dia espero ter uma ínfima parte dela, e da tua capacidade de perdoar, incomoda-me pensar como é que és capaz de perdoar quem tanto mal te fez? De pôr tudo para trás das costas a pensar que essa pessoa está arrependida e pensares que nada mais importa. Quando tu gostas é assustador a forma como gostas e o único pedido que me faço em relação a ti é não ouvir-te dizer que gostas de mim, nem o demonstrares, apenas e só preciso de ver-te a falar de mim com o mesmo brilho nos olhos que tens quando falas do Pedro. - Ela abraçou-o.

-Não consigo dizer que te amo, porque seria enganar-te e enganar-me a mim, continuo com o Pedro gravado no meu coração. - Filipe desviou o olhar magoado. - Mas sei que ele é passado. Que hoje, não me faria feliz como alguma vez me fez, que tu me vais fazer e eu aceitei namorar contigo, não para fazer ciúmes ao Pedro, mas para te provar que te estou a dar uma oportunidade e que sinto algo por ti, mas não sei bem dizer o que é, nem consigo sequer explicar, por isso quis, de certa forma apresentar-te ao meu filho para entenderes, um pouco do que sinto. - Ele abraçou-a e beijaram-se.

(Nesse mesmo dia, depois do jantar)

-Vou-me deitar. - Anunciou Sofia depois dos pais irem para o café e de se sentar com o irmão, cunhada e namorado no sofá da sala.

-Já? Mas ainda é tão cedo.

-Eu sei, mas o dia foi repleto de emoções.

-Queres que vá contigo? - Perguntou Filipe.

-Estava à espera que te convidasses, preciso de alguém me aqueça com este frio.

-Encostem a porta do quarto dos visitantes e já agora a do teu quarto também, mana!

-O que é que estás a insinuar?

-Nada que não seja verdade!

-E tu vê lá se também não deixas a minha cunhada a pão e água!

-Eu já jantei mas obrigada pela preocupação, cunhada! - Respondeu Rita.

-A Rita vai dormir a casa dela.

-Deve ir deve. - Respondeu Filipe, encostando já a porta do quarto onde (supostamente) iria dormir e indo para o quarto com a namorada.

-Vamos dormir então meu amor? - Perguntou Filipe abraçando-se a Sofia.

-Estava a pensar noutras coisas...

-Sabes que demasiado sexo prejudica a vida de um atleta não sabes?

-Acho que não falei em sexo.

-Falaste em aquecer os pés. - Esta expressão fazia-o sorrir. - Não quero que a nossa relação seja apenas e só à base disso.

-Não é, sabes melhor que ninguém que é bem mais que isso. - Dito isto beijou-o. - Quero mostrar-te uma coisa. - Sentou-se em cima da cama e afastou as calças do seu tornozelo e pode ver-se uma tatuagem no tornozelo com uma peça de puzzle com um coração no centro e dois pedaços que o faziam completar-se com outra peça.

-Tu fizeste esta tatuagem com o Pedro?

-Sim. - Respondeu calmamente, falando tranquilamente sobre o seu passado, surpreendendo Filipe, todo aquele dia havia sido uma total surpresa para si. -Nós acreditávamos que éramos almas gémeas e não fazia sentido viver um sem o outro, que éramos como puzzles. O coração no centro significa o amor que sentíamos um pelo outro, e os quatro encaixes simbolizam os quatro vértices essenciais, na nossa opinião, para uma relação: amor, confiança, amizade e respeito. E sabes porque escolhemos fazer neste sítio? Porque é próximo do tendão de Aquiles e segundo a lenda era o único ponto fraco do quase invencível Aquiles, conheces a história?

-Não.

-Então eu conto-te. Aquiles era um herói da Grécia, que participou na Guerra de Troia e o maior guerreiro da Ilíada de Homero e segundo a lenda era invencível em todo o seu corpo à exceção do seu calcanhar e foi atingindo exatamente aí por uma seta envenenada e morreu.

-Tu e o Pedro estão para sempre marcados na vida um do outro... - Anunciou chocado e com dor, não era apenas a tatuagem, mas o facto deles terem tanto em comum e de uma pequena parte de Pedro (mais uma) estar marcada no corpo dela.-Nunca conseguirei fazer-te feliz, fazer-te amar-me ou completar-te como ele te fez.

-Filipe, não precisas de me completar ou amar, tu já me fazes feliz apenas por estares na minha vida e eu gosto de ti assim, não peço mais nada, o passado é o Pedro, mas eu quero olhar para o meu futuro e presente e esse está aqui à minha frente. - Dito isto beijou-o e quando separaram os lábios, passou-lhe a mão pela face. - Tu és tão bonito. És lindo por dentro, com essa tua coragem e com essa tua determinação, por fora és um verdadeiro deus grego. - Beijou-o com intensidade e com uma carga de sentimentos à mistura, despertados nos beijos que depositavam. -Sabes que és muito importante para mim não sabes? - Filipe murmurou positivamente e acabou por levar as suas mãos até ao interior da blusa da sua namorada, e só ele sabia o quanto lhe agradava chamá-la por este nome... Por muito que Pedro a tivesse marcado, ele também estava a marcá-la e ela sentia algo por ela.

Despiu-lhe a camisola e ela levou as suas mãos até ao interior da t-shirt dele e só ele sabia o quão bem aquilo lhe soubera, com o ritmo do momento acabaram por ficar apenas em roupa interior e não tiveram medo de admirar o corpo um do outro. Apesar de já o conhecerem e de já não ser a primeira vez que se envolviam aquele nível, era a primeira vez que existia uma carga emocional tão forte. Filipe encheu-lhe o corpo de beijos em todas as partes e quando terminou voltou para os seus lábios onde não se importava de beijá-los quantas vezes quisesse, de todos, era o seu sabor preferido. E ela acabou por fazê-lo sofrer um pouco, danço-lhe apenas em lingerie, de forma a deixá-lo completamente perdido de amores e desejoso de fazê-la sua, na primeira altura em que ela se distraiu, ele agarrou nela e despiu-a, despiu-se também de forma desajeitada e começou a explorar o seu corpo de uma forma que só ele sabia fazer e o que começara com algo tão habitual entre eles, fê-los conhecer algo novo... Em conjunto. Já não era apenas sexo, não era um momento de orgasmo, era amor e era um misto de emoções que os deixava surrealmente felizes e entregues um ao outro.

(Matilde)
Matilde conhecia a história de Pedro quase desde que o conhecera, e, desde o primeiro momento que oferecera toda a sua ajuda para ultrapassar. Nunca quis que ele a esquecesse, apenas poderia partir dele essa decisão, mas queria pelo menos que ele lutasse pela sua felicidade e recuperasse do sofrimento que havia vivido. Com todo o apoio e ajuda que lhe prestou, tornou-se num dos principais, senão o mais importante pilar, para ele recuperar, e da “simples” amizade que os uniu, nasceu um amor e cresceu embora que de proporções completamente distintas.

-Matilde? - Perguntou Pedro enquanto caminhavam de mãos dadas. - Estavas a pensar em quê, meu bem?

-No jogo de há pouco. Foi importante esta vitória na véspera de um jogo tão importante.

-Não precisas de me mentir, eu conheço-te.

-Vamos para minha casa falar, é melhor. - Tinha acabado há poucos minutos o jogo da equipa de Pedro e haviam saído do Caixa Futebol Campus em direção ao carro dele, onde entraram e foram em direção à casa dela.

-Quando voltam os teus pais?

-Amanhã à noite, hoje vais dormir comigo, amor!

-Mas nem trouxe roupa para dormir, nem para vestir amanhã.

-Para que precisas de roupa? Eu tenho uma desculpa para não a teres.

-Não tenhas pressa em fazeres nada, só quando tu tiveres preparada e que o vamos fazer, Matilde, eu não me importo de esperar.

-Eu estou preparada e quero fazê-lo contigo. Mas antes de me entregar a ti, como nunca o fiz precisamos de ter uma conversa franca e honesta.
Passado alguns minutos, Pedro estacionou o carro na garagem do prédio e foram de mãos dadas até casa dela. -Vamos para o meu quarto. - Sentaram sobre a cama dela e Pedro respirou fundo, sabia que era altura de ser completamente sincero com a sua namorada, mas também que o iria magoar e gostava dela, não o queria fazer. - Eu sei que a tua ex-namorada é da minha turma. - Pedro ficou chocado. - Fiquei desiludida por nem tu, nem a Sofia me terem dito.

-Não era fácil dizer-te que estavas tão perto de uma pessoa que me foi tão importante.

-A Sofia ainda é uma pessoa importante para ti, não precisas de o negar.

-É verdade, mas já a esqueci, agora estou contigo e é contigo que quero estar.

-Também gosto mesmo muito de ti, mas conheço-te a ti e ao teu passado, conheço a Sofia e não sou burra para saber que vocês ainda gostam um do outro.

-Sofri muito por causa dela, ainda hoje sofro por tudo o que me fez passar, mas não me posso esquecer que a amei, que cresci muito ao lado dela e que fomos muito felizes, ela marcou-me isso não o posso negar.

-Conta-me por favor tudo, desde o início.

-Mas eu estou feliz contigo Matilde, eu gosto realmente de ti, acredita.

-Quero saber mais do teu passado, quero que me contes tudo, eu preciso de saber e acho que me deves isso.

-Tens a certeza?

-Mais do que a certeza.

-Lembro-me muito bem daquele dia. - Sorriu ao pensar. -Era 1 de Setembro, estava um calor infernal e estávamos de folga porque na véspera tínhamos chegado de um torneio que tivemos no estrangeiro e eu, o Diogo e o Filipe, decidimos passar o dia à praia, mas só no próprio dia é que o Diogo nos avisou que ia levar a irmã, e desde o primeiro olhar que trocamos que havia algo nela muito especial. Houve uma atração entre os dois instantânea. Os olhos dela cativaram-me, o corpo chamava-me a atenção e ela parecia prender-me ainda mais com cada palavra que dizia, não tiramos os olhos um do outro e quando tivemos de nos separar, trocamos contactos e ficamos dias e noites a falar, a conversa flui-a tão naturalmente que nem dávamos conta das horas passarem. Acreditas que bastou apenas uma semana para nos apaixonarmos perdidamente? Mas só alguns dias depois de ambos termos assumido é que lhe pedi em namoro, bastaram apenas 3 semanas para começarmos a namorar desde que nos conhecemos, o que para a cabeça de muita gente fazia confusão mas para nós não, o que eles diziam pouco importava. E não foi preciso muito até nos entregarmos a outro tipo de nível... Mais físico. Na verdade bastaram apenas alguns dias para o fazermos. Havia medos, receios e todo um misto de sentimentos que queriam contrariar o que fazíamos, mas entregamo-nos, apenas a confiar um no outro e foi bom, não porque o fizemos, mas porque nunca o tínhamos feito e foi uma entrega única e especial, foi algo só nosso. Mas nem tudo foram rosas, os ciúmes começaram a dominar a nossa relação, a degradá-la e o que começou por ser especial, tornou-se rodeado pelos ciúmes. Ela tinha demasiado medo de me perder, tinha medo de perceber que era apenas mais uma para mim, e eu tinha um medo de morte de a perder para o Filipe, ainda por cima eles eram os melhores amigos. E ele é bonito, consegue as raparigas que quer, tinha medo que ela se fartasse de mim e acabássemos, estivemos a um passo que isso acontecesse, nenhum de nós queria, mas para nós, era inevitável, só não queríamos assumir, mas um dia decidi preparar-lhe uma surpresa. Convidei-a para irmos à praia e jantarmos por lá e fiz com um conjunto de letras “Fica Comigo”, apesar de simples, foi o que nos fez reacreditar no nosso amor e na nossa relação e foi a partir daí tu já sabes...

-Continua Pedro.

-Tens a certeza?

-Quero saber tudo, até ao pormenor que parecer mais desinteressante.

-A nossa relação começou a mudar. Começamos a acreditar um no outro, a falar sobre tudo, a confiar tanto em nós mesmos, como um no outro, e foi a partir desse momento que mencionamos o que para nós eram as quatro bases para um romance: amor, confiança, amizade e respeito, e por isso tatuamos isto. - Ergueu a perna e afastou as calças da zona do seu tornozelo. - As peças do Puzzle porque acreditávamos que éramos almas gémeas e não fazia sentido viver um sem o outro.

-Nunca pensaste esconder a tatuagem?

-Sinceramente queria fazê-lo bem no início, mas é algo que faz parte do meu passado, alguém que me marcou muito mesmo e me mudou e me fez crescer de uma forma brutal, com quem vivi momento realmente realmente bonitos e felizes, mas também sofri, por isso não tenciono apagar, remover ou até esconder, seria estar a esconder algo que realmente significa para mim por algo que não significaria nada.

-Vou-te fazer uma pergunta e quero que sejas completamente sincero comigo.

-A Sofia marcou-me muito, mas estou magoado, desfeito, ferido e mutilado de sentimentos por ela, agora ela é um vazio no meu coração, ela encheu-me de carinho e paixão, mas depois deixou-me um buraco maior e tu encheste-o com toda a tua essência, amor e ternura, com tudo aquilo que és, e significas para mim. Tu nunca foste a outra, tu és “a” rapariga.

-Sabes que gosto muito de ti, não sabes? - Sentou-se ao colo dele e deu-lhe um rápido beijo nos lábios.

-Sei, porque esse sentimento é completamente recíproco.

-Escondi-te uma coisa importante, e quero que o saibas.

-Estás-me a assustar, Pedro.

-A Sofia escreveu uma carta e deixou-ma na caixa de correio, apesar de não ter remetente, logo no inicio entendi que era ela. Sabes o que dizia?! - Disse já com as lágrimas nos olhos. - Que quando me deixou estava grávida, e que ela se limitou a matá-lo. - As lágrimas já lhe corriam pelo rosto sem conseguir contê-las e Matilde limpava-lhe as gotas de água que escorriam pelo rosto e apertava-lhe a mão. -Ela matou-o, como matou o nosso amor, decidiu apagar-me da vida dela do dia para a noite sem nada me dizer. E sabes o que me custa mais? Eu dava a minha vida por ela, fazia-a tudo o que ela me pedisse, beijava o chão que ela pisava se quisesse, e a minha recompensa foi esta... Eu pensava que a conhecia, mas ela revelou-se. O nosso maior sonho era sermos pais e ela quis abdicar dele... Sem me consultar? E não teve sequer a dignidade de mo dizer na cara, escreveu numa puta de uma carta. - Disse já não magoado, mas revoltado. - E ainda me culpa! - Deu um sorriso sarcástico. - Diz que quando voltou ao Seixal queria vir ter comigo, mas como me viu contigo, envolveu-se com um amigo nosso. Só prova que ele não é meu amigo, nem dela, mas sim um verdadeiro playboy! Como é que ele conseguiu ir para a cama com ela, sabendo de tudo? Eles metem-me nojo! Mas continua sempre a dizer que não me esqueceu, e o maluco sou eu? E eu não consegui simplesmente não reagir, peguei no meu carro, procurei-os durante algum tempo, estacionei o carro à pressa e espetei um soco naquele gajo, e disse-lhe que ela me metia nojo, só podia ser ele, eu sabia ! Mas o sacana respondeu-me e ela tentou separar-nos mas não conseguiu, eu pouco depois é que decidi ir embora a pensar em ti, meu bem. Sei que provavelmente não deveria ter respondido com a violência, mas reagi a quente. Eu sou contra a violência, mas não pensei, o meu coração estava demasiado despedaçado, e o mister acabou por descobrir e pôs-nos de castigo. Começou por ser duas semanas sem jogar ou treinar, mas o mister acabou por mudar de ideias e reduzir o nosso castigo para metade, só que para não mancharem a minha reputação e do Filipe e com a necessidade de justificar o injustificável inventaram esta lesão.

-Provavelmente no teu lugar faria o mesmo. - Pedro olhou para Matilde completamente surpreendido, esperava tudo menos aquelas palavras. - Não sei se o Filipe é realmente teu amigo ou não, prefiro não me meter, mas esta atitude não foi de amigo. Ele sabia que ela ainda mexia contigo e mesmo assim não parou para pensar que aqueles momentos de orgasmo lhe iriam custar caro, e ela contou-me, não sei se foi por te amar ou não, não faço ideia, no lugar dela não o faria, por isso no teu lugar faria exatamente o mesmo, acho que lhe espetava bem mais que um soco e era bem merecido!

-Não me estás a censurar por o ter agredido?

-Claro que não. Aliás até te dou razão, o que ele fez não foi de amigo e tu tinhas de te defender e reagiste a quente, não pensaste! O que ele te fez é a pior traição que se pode fazer a um amigo, e ela também não é nenhuma santa, mas não fez tanto mal, afinal ela é teu passado, tua ex, mas ele é teu amigo. E acho que no teu lugar faria o mesmo, deixava-o ainda em pior estado e a ela, acredita que o que tu disseste, parece simpático. - Pedro ficou completamente surpreendido com o que acabara de ouvir.

-Tu aceitas e compreendes o que fiz?

-Na totalidade meu bem. - Passou a mão sobre a face dele. - Não sei se ele realmente é teu amigo, e nem sei se ela também te ama, mas compreendo o teu lugar perfeitamente, o lugar de quem realmente gosta e o que tu fizeste foi incrível. - Pedro abraçou-a, completamente emocionado com o que ela havia dito.

-Não estava nada à espera que dissesses isso... Acredita que me deixou completamente feliz.

-Pedro, meu amor. - Pousou a sua mão sobre a dele. - Somos amigos, lembraste? Prefiro que sejas totalmente sincero comigo e me digas o que pensas, sentes e o que fizeste do que descobrir pelos outros, por muito que me magoe. - Pedro hesitou, talvez fosse melhor contar-lhe que ele se havia envolvido com Sofia há poucos dias, mas sabia que isso a iria destruir por completo, iria fazê-la sofrer tanto como ele sofria, e ele gostava demasiado dela para lhe sujeitar a essa dor.

-Só não te contei nada disto, não foi por não querer, mas simplesmente não encontrava as palavras certas e a altura ideal, entendes?

-Entendo, mas para a próxima sê completamente sincero comigo, desde o início.

(Passado algumas horas)
Pedro não queria acreditar... A mulher que mais amava estava nos braços de uma pessoa que considerava amigo e ambos arracaram-lhe o coração, pelas costas, despedaçaram-no e queimaram-no, mesmo à sua frente e ele nada podia fazer. A rapariga que o amava estava deitada na cama, completamente despida e depois de lhe ter entregue a sua primeira vez. Mesmo assim não conseguia controlar as suas lágrimas, queria reconstruir e viver uma nova vida e feliz ao lado de Matilde, mas não conseguia. Era impossível. Por isso decidiu pegar num papel e escrever:

Filipe,
É a lutar contra o orgulho de ainda a amar e, saber que para sempre o farei, mas também com a certeza que ela agora é inteiramente tua que te escrevo esta carta. Infelizmente não valorizei a Sofia como ela merecia e quero evitar que o faças também, ela merece ser feliz e senão o foi comigo, espero que o seja contigo, e por isso peço-te por favor que nunca a faças chorar, fá-la feliz, para sempre, mas todos os dias um pouco mais.
Surpreende-a durante a madrugada. Levanta-te da cama, e vai ter com ela, mesmo que o frio do corredor te assuste, fá-lo, porque ela acorda a meio da madrugada a sentir-se sozinha e espera que tu o saibas. Não precisas de dizer nada, deita-te ao lado dela e conforta-a. Acredita que a farás feliz com um pequeno gesto como este, porque ela não te quis acordar para não te incomodar, mesmo que tu lhe tenhas dito milhões de vezes que nunca o fará, o seu receio é... Que sejam apenas palavras. Quando estiverem em silêncio há demasiado tempo beija-a e diz o quanto a amas, porque ela é demasiado pensativa e provavelmente vai começar a achar problemas onde não os há. Dá-lhe a mão enquanto estiveres com os teus amigos, acredita que ela nunca se esquecerá disso, valerá mais esse momento que tantas outras palavras bonitas que lhe possas dizer no íntimo, para ela é importante demonstrares a todos que ela é a “tua miúda” e não a de mais ninguém. A Sofia não fala por palavras mas por gestos, ela não é daquele tipo de raparigas que fala sobre o seu dia, é daquelas que espera que chegas ao pé dela e lhe perguntes e mesmo que ela diga que está tudo bem insiste, provavelmente deverás abraçá-la e ela irá chorar nos teus braços, escuta-a. Tu és além de um namorado, um amigo e um companheiro.
Mas falando de outros assuntos... A Sofia gosta que a acordes com um beijo no pescoço e comeces a agarrar onde ela gosta, no fundo gosta de ser surpreendida. Gosta de “rapidinhas” principalmente em sítios onde pode ser apanhada facilmente. Não te posso revelar mais, é demasiado perturbante fazê-lo.
Quando estiverem irritados um com o outro, insiste mas não demasiado, quando ela se sentir melhor irá ter contigo e irá falar, respeita o espaço dela. A meio de uma discussão cala-a com um beijo, acredita que tudo ficará melhor depois disso. Nunca lhe vires a cara, ela vai entender isso como uma deceção, vai chamar-te desatento mentalmente e vai virar a cara para o outro lado também. Ela adora surpresas, não precisa de ser uma viagem nem de gastares demasiado dinheiro e tempo numa, basta apenas comprares-lhe um ramo de flores e ires buscá-la à escola. Vai gostar de te exibir a todos, não pelo teu aspeto, nem para dizerem que são namorados, mas para mostrar a todos o quanto és maravilhoso e ela te adora.
Não lhe faças promessas que nunca podes cumprir, ela chorará dias e noites por causa disso, e não gosta de ciúmes, eu tive-os loucamente por tua causa, mas para ela não faz sentido, porque todos os rapazes são feios e não são nada ao pé de ti, até pode comentar algo sobre algum outro rapaz ao pé de ti, mas é só para testar os teus ciúmes.
Talvez ela nunca tenha recuperado da morte do nosso filho, talvez nunca o faça, mas deixa-a falar sobre isso, oferece-lhe os teus braços para ela chorar e deixa-a desabafar, não a julgues por favor. Não a interrompas, e não digas que entendes quando não o faças, sê sincero, através de um olhar ela consegue descodificar-te. Ela entrega-se ao máximo em cada relação e não ama pelas metades, ou ama por completo ou não, simples. Ela quer apenas encontrar alguém que cuida bem dela. E não sei dizer-te porque é que é tão difícil, sabes? Mas tenta cuidar dela porque agora ela é tua. Não volta atrás nem perde tempo à procura de um amor que foi para algum lugar que não conhece. Para a Sofia, o amor só pode ser justificado com amor, acredita em mudanças, mas apenas por amor e para ela, uma coisa não pode ser boa se a faz chorar mais do que sorrir. Perde-te nesse sorriso que ela exibe para ti sem receio algum e sente-te realizado. Sente-te realizado por teres os melhores lábios contigo, por teres o melhor beijo sem hora nem data marcada. E por favor, retribui todos os sorrisos dela. A única coisa que ela pede para retribuir todo este amor é apenas o teu amor.
Ela pode ter todos os interessados do mundo a seus pés, mas para ela só existes tu. Vai apaixonar-se ainda mais por ti em cada chamada inesperada, em cada beijo roubado e por cada elogio sincero e sem aviso. Não suporta a indiferença. Aprende a respirar fundo e a organizar as palavras antes de as dizeres porque basta uma palavra dita no timing errado ou o tom de voz diferente que vais ferir o enorme mas frágil coração. Acredita que depois da Sofia passar pela tua vida, nada mais será como antes.
Deixa-a chamar-te de idiota com um sorriso na cara e chamar-te amor a meio de uma discussão, ela está a dizer-te que te ama no meio daquela forma de ser tão pura e ingénua. Ela gosta de praia, da areia a tocar-lhe na pele e a remexer nos seus dedos dos pés, gosta de passeios à beira-mar com a brisa do mar a embaraçar os seus cabelos. Gosta que sejas possessivo mas não em demasia, irá perguntar-te quantas vezes conseguir se pode vestir-se de forma provocadora, tu deverás responder que ela só o deverá fazer contigo, ela irá sorrir. Está sempre à procura de bons motivos para sorrir e dos melhores momentos para guardar na memória, então dá-lhe motivos de sobra para ela voltar bem para casa e fá-la encontrar em ti os melhores momentos que ela possa ter. Não é como a maior parte das raparigas, não gosta de ir atrás quando a “mandam para trás”, gosta que o façam para sentir que tu te preocupas. Mas acredita que ela melhor do ninguém, sabe fingir que não se preocupa e acredita em mim, o fingimento dói sempre mais. Sê sempre sincero com ela, nunca lhe mintas, porque tal como eu te disse, através de um olhar ela consegue descodificar-te.
E o meu último pedido a fazer-te e o conselho mais importante, ama-a com todo o teu coração e com toda a tua existência, ama-a sem limites.

Ama-a e cuida-a como eu nunca soube fazer.
Pedro Rebocho

Será que Pedro terá coragem de entregar a carta a Filipe?

Será que vai lutar por Matilde? Ou tentar reconquistar Sofia?

sábado, 30 de maio de 2015

Capítulo 16 “Soff, queres namorar comigo?”



Recusar um beijo de Filipe, fora algo que nunca lhe passara pela cabeça, cada vez mais tornara-se um hábito sentir os seus lábios a tocarem nos seus, talvez fosse uma forma de calar o que sentiam, ou, pelo contrário, fosse uma forma de demonstrarem o que sentiam, sem ser por palavras. E apesar de tudo, deixaram o beijo calmo mas sentido, terminar apenas quando o ar começava a escassear, e ao contrário do que ele pensava, Sofia saiu do quarto a correr em direção ao seu, sentou-se na sua cama e começou a pensar:

Tudo na minha vida parece uma telenovela brasileira de mau gosto. Por um lado, Pedro, com quem fiz amor louco e prazeroso, mas que me desprezou logo depois, e que me disse que a dor que lhe deixei era superior ao amor que sentia por mim, e Filipe, que era um amigo, mas desde que começamos a envolver-nos, sejamos sinceros para ter uns bons momentos de prazer, que os meus sentimentos pareciam ter-se modificado. Já nos havíamos envolvido mais que uma vez, e repetimos e cada vez que o fazíamos parecia mudar, já não era mais sexo, mas também não era amor, era um misto. Sinto-me a trair os dois, embora verdadeiramente não o faça.”
-Soff. - Disse Filipe sentando-se ao lado da amiga e tocou-lhe no ombro. - Precisamos de falar.
-A minha vida já está uma confusão, porque tens de a tornar ainda mais complicada, Filipe? - Filipe não respondeu, deixou-se ficar em silêncio, consentindo as palavras que ela havia dito, e acenou com a cabeça, dando-lhe razão. -Já não sei o que sou, o que pensar e o que sentir. - O rapaz colocou a mão sobre a perna dela.
-Sofia tudo acontece por um motivo e talvez a resposta esteja mesmo à nossa frente, nós é que ainda não descobrimos. - Levantou-se da cama e foi em direção ao corredor.
-Logo à tarde vai-me buscar à escola e falamos.
Filipe abanou a cabeça, concordando e foi para o seu quarto. Sofia sentia-se afundar em si mesma, precisava de sair daquele ambiente, precisava de não pensar nos seus problemas, quando a rapariga com que ele se envolvera, acabou de tomar banho, enfiou-se na banheira e tomou um banho, depois vestiu-se e foi a pé até à sua escola, avisou apenas o irmão e a cunhada que não precisava de boleia. Pelo caminho aproveitou para parar numa pastelaria e tomar o seu pequeno-almoço. Quando chegou à escola, era cedo, aproveitou para colocar os fones nos ouvidos e assim ficar até ser hora da aula. No decorrer das aulas, Matilde respeitou o seu espaço e decidiu apenas falar o essencial. Quando as aulas terminaram Sofia saiu pacificamente para a porta da escola e encontrou Filipe sentando no seu carro, à sua espera. Sentou-se no lugar do pendura e bastou apenas uns segundos para ele falar.
-Estou de castigo do Benfica.
-Eu sei. - Respondeu calmamente. - Mas fiquei desiludida por só me teres dito hoje.
-Não sabia como te dizer, eu nunca tinha andado à porrada com ninguém... E sempre fui contra, sinto-me a pior pessoa do mundo.
-Não tens de te sentir assim. - Passou-lhe a mão pela face. - Não foste tu que começaste, tu limitaste-te a defender-te e a defender-me.
-Mas podia ter feito tantas outras coisas antes de responder, a violência não se paga com a violência.
-Pipo, tu foste apanhado no meio desta história, o Pedro veio ter contigo e começou logo a agredir-te, a culpa não é tua.
-O que é que tu sentes por mim, Soff? - A rapariga foi apanhada de surpresa, sabia bem demais o que ele queria perguntar, mas não lhe queria responder.
-O quê?
-Perguntei-te o que sentes por mim.
-Porque queres saber isso?
-Preciso de saber. - Era um momento crítico para Sofia. Era o momento da verdade, ou da mentira. Poderia mentir e dizer que ele lhe era indiferente, e que eram apenas amigos, ou dizer que sentia algo mais por ele, mas não sabia o que era, e que a fazia sentir-se ainda mais confusa, afinal continuava a amar Pedro, para si era impossível gostar de duas pessoas, mesmo que de formas diferentes.
-Somos amigos, mas amigos que fazem sexo, amor, o que tu quiseres chamar. - Mentiu, não era “apenas” amigos, nem era indiferente chamar amor ou sexo, mas não lhe poderia contar a verdade, com medo de se deixar envolver ainda mais e ele quisesse algo mais, e depois do que havia vivido com Pedro, no dia anterior, não poderia deitar tudo a perder, mas mesmo assim queria certificar-se que Filipe não sentia nada. - E tu?
-Também não... É apenas isso. - Mentiu, também.
O momento tornou-se constrangedor, tinham “tocado” num ponto importante, e não sabiam o que haviam de dizer.
-Até quando vai o teu castigo?
-Inicialmente eram duas semanas, sem jogar, nem treinar, mas hoje recebi uma chamada do mister, a dizer que passou apenas para uma.
-Talvez o mister tenha percebido que não mereciam estar tanto tempo de castigo
-Talvez, vai-me custar muito estar longe dos relvados, o futebol é a minha vida.
-Eu sei, mas pode ser que este fim-de-semana fora daqui faça bem.
-Queres que vá contigo a Espinho?
-Sim, ontem falei com o meu pai, e ele convidou para irmos lá passar o fim de semana.
-Pode não agradar ao teu pai a ideia de ir contigo.
-Acredita que o meu pai aceita toda e qualquer decisão e escolha da minha vida, e tu és a minha escolha e a minha decisão, não só nestes dias, como neste fim de semana, como por muito tempo, assim espero.

(Uns dias depois, nesse fim-de-semana)
Filipe, Rita e Sofia haviam feito a viagem até Espinho onde iriam passar o fim-de-semana, Diogo havia ficado em Lisboa porque teria jogo sábado mas assim que o jogo terminasse iria ter com eles. Depois de deixarem Rita na sua casa de família, que era à beira da praia, Sofia pediu:
-Pipo, gostava de ir até ao areal, não te importas?
-Mas os teus pais já devem estar à nossa espera...
-Tu já conheces os meus pais, não precisas de ficar tão nervoso.
-Não quero que desconfiem que nós, bem como dizer isto?
-Que já dormimos juntos? - Perguntou tranquilamente e como se falando de um assunto completamente natural para falar com os pais. - Eles sabem que não sou virgem, por isso não tem mal nenhum.
-Mas é sempre estranho. - Confessou. - Nós dormimos juntos e não namoramos, isso não é definitivamente algo que um pai ambicione para uma filha.
-Que eu saiba, eu é que sou mulher, eu é que devia pensar nisso, por isso anda para a praia. - Deu-lhe a mão e levou-o até ao areal, sentaram-se lado a lado. - É a primeira vez que volto a esta praia desde há um ano.
-Nós já estivemos numa praia... Onde nos envolvemos. - Filipe preferiu usar esta expressão em vez de fazer amor ou sexo, talvez porque nenhum deles sabia o que chamar.
-Sim, mas foi nesta praia que me tentei matar, há mais ou menos um ano.
-Ainda bem que não o fizeste, já não imagino a minha vida sem ti. - Sofia sorriu e deu-lhe um pequeno beijo nos lábios. Ergueu-se e deu-lhe a mão para ele se levantar também e foram a correr até ao mar. - Despe-te.
-Sofia, estão a passar pessoas ali. - Apontou para o percurso que havia próximo da praia. - Não vamos fazê-lo. - Sofia não se deixou ficar sossegada, despiu-se até ficar de lingerie e Filipe imitou-a, entraram para dentro de água. - Quero fazer isto, aqui e agora. - Beijou-o. - Eu preciso disto, Pipo. - Ele entendeu e deixou-se levar.
-Já alguém te disse que fazes isto cada vez melhor? - Perguntou enquanto se vestiam no areal, depois de se envolverem. -A outra ensinou-te algumas coisitas, não haja dúvida.
-Ela chama-se Jéssica, Sofia.
-Não estou muito interessada em saber isso na verdade. Ela foi só caso de uma noite, certo?
-Sim, está descansada. - Sorriu. - A próxima pessoa com quem me vou envolver és tu.
-Hoje à noite?
-Tu gostas de brincar com o fogo, não gostas?
-Nada que tu não saibas. - Sorriram e foram até ao carro onde partiram até casa dela. -A Jéssica é a tua Jéssica? - Perguntou com uma série de dúvidas metendo-se na sua cabeça e o coração a temer perder o que tinham mas também com medo de perdê-lo.
-Era a Jéssica que estava na minha vida antes de apareceres sim.
-E o que sentiste quando estiveram juntos?
-Isso é tudo insegurança?
-Diz-me. - Pediu em tom de súplica.
-Foi sexo, apenas isso. - Sofia suspirou de alívio. - Ela gosta de mim.
-Tu gostas dela?
-Não mais, ela faz parte do meu passado. Talvez tenha confundido tudo e nunca tenha realmente gostado dela.
-Porque dizes isso?
-Sentiu-o quando nos envolvemos, para mim foi apenas sexo.
-Pipo, eu apoio-te em qualquer decisão e escolha que fizeres, tu sabes bem disso.
-A minha decisão neste momento é ir para tua casa, quero tomar banho e descansar depois desta sessão de sexo.
-Intensa. - Acrescentou Sofia.
-Sim. Muito intensa.
Saíram do areal da praia e foram até ao carro, e bastaram apenas alguns minutos para chegarem à casa da família Roch(inh)a, onde os pais dela já os esperavam para almoçar, tiveram apenas tempo de ir pousar as malas aos quartos, Filipe pousou a sua bagagem no quarto de hóspedes, embora tanto ele como Sofia soubessem que iriam passar a noite juntos, no quarto dela. Almoçaram entre muita conversa e animação, Filipe até provará uma especialidade de Sofia, e tipicamente da cidade do Porto, francesinha e adorou. Quando terminaram, o pai dera-lhe a carta e Sofia foi juntamente com o seu “amigo” para o quarto lê-la. Estava ansiosa por lê-la desde que soubera da existência dela.

Querida Sofia,
Como tu sabes nunca me soube expressar através da escrita como tu o fazes tão bem, sempre preferi tratar a bola como minha guia e tu sempre foste o meu refúgio, a minha ilha paradisíaca e a minha musa, e se assim o sou a ti o devo, porque é a ti que amo, quero, desejo e ambiciono. Foste tu que me ensinaste tudo o que sei e se esta carta expressar tudo o que eu conseguir a razão és tu.
Quando os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez senti algo que nunca tinha sentido bater no meu coração, senti algo que não foi amor à primeira vista, foi algo muito forte a unir-nos, algo que não conseguia explicar por palavras... Soube logo que irias ser alguém demasiado importante na minha vida e irias marcá-la para sempre.
Desde que te conheci que a minha vida ganhou um novo rumo: Ensinaste-me a viver a vida, a saboreá-la e a valorizá-la, aprendi a viver melhor, nada é certo na vida, por isso devemos amar todos os dias com toda a intensidade, acreditar nos nossos sonhos, nunca desistir deles porque se podem tornar realidade. E tu eras o meu sonho tornado realidade, era o único “para sempre” que poderia ter, mas enganei-me. Sinto saudades de quando me abraçavas e me fazias sentir um príncipe, tu eras o meu mundo e eu com os meus braços conseguia segurar-te, fazias sentir-me incrivelmente feliz. Beijavas-me e fazias-me sentir como nunca achei ser possível e agora que estou na minha pior fase da minha vida, onde estás tu? Abandonaste-me quando mais precisava. Não sei onde estás, porque me deixaste e porque não me dizes nada, nada na minha cabeça parece explicar tudo o que se passa e o porquê da tua ausência, mas fazes-me falta de uma forma incrível e eu daria a minha vida nem que fosse para te ver uma última vez.
Já procurei em todos os sítios que mais gostavas de estar, nos locais que eram apenas nossos, já perguntei aos teus amigos onde estás, e já desesperei ao pé do teu irmão na tentativa de saber de ti. A minha necessidade é apenas de saber que estás bem para eu puder também ser feliz e não o serei até ter a certeza que seguiste com a tua vida para eu poder fazer o mesmo com a minha, porque amar-te faz-me pôr a tua felicidade à frente da minha. Nunca desistirei de procurar-te, mas esta carta foi o meu grito de desespero, talvez nunca a leias, mas saberei que fiz tudo o que estava ao meu alcance para saber de ti.
Acho que mesmo depois de tudo o que já passamos que tu não sabes o amor que sinto por ti, talvez nem eu mesmo saiba de tão grande que é. Mas queres saber Sofia? Eu tinha a certeza que serias o amor da minha vida, aquele que ia durar para sempre, que ias ser a minha mulher, a mãe dos meus filhos. Acreditava que íamos ser daquelas histórias de amor verdadeiro que acontecem raramente mas que são maravilhosas. Achei que eras a tal, aquela que me fez perceber que o amor existe e que é fantástico e por isso no nosso aniversário de namoro eu ia-te pedir para casares comigo pois não imaginava a minha vida sem ti. E agora? Passei de uma certeza inabalável para uma dúvida constante.

Amo-te,
Para sempre.
Pedro Rebocho

Sofia leu a carta em voz alta no colo de Filipe e começara a chorar desde o início do segundo parágrafo, era difícil acreditar que aquela carta tinha um ano e tudo havia mudado desde então, mas também pela forma como ele a amava de forma tão desmedida e louca, o sentimento era correspondido, mas apesar disso, era difícil aceitar que ele apesar de merecer melhor do que ela optara por ficar com ela, abdicando de quem o faria feliz e o merecia na sua totalidade.

-Soff. – Disse Filipe depois de terminar de ler a carta e de dar um minuto para ela digerir tudo o que havia lido. – Queres namorar comigo? – Foi apanhada completamente de surpresa, não entendera o porquê daquele pedido e porquê naquele timing, logo depois dela ler uma carta de Pedro. – Este pedido é pensado, e se vires bem tem lógica. O Pedro ama-te e não te esqueceu neste espaço de tempo, é impossível. Por isso se nós estivermos juntos, vais-lhe fazer ciúmes e ele vai perceber que te quer é a ti, e podem voltar a estar juntos, mais uma vez. – Filipe queria o melhor para Sofia, mas também queria ser feliz, embora aquele namoro fosse uma fachada, era uma oportunidade para provar que também gostava dela e lhe poderia fazer feliz, e se ela acabasse por perceber que realmente quem queria era Pedro, o rapaz ficaria feliz na mesma, afinal ela também estaria feliz, mesmo que lhe doesse e ficasse magoado.
-Aceito. – Deu-lhe um beijo nos lábios. – Mas não vamos noticiar aos meus pais está bem?
-Acho que é melhor assim, para eles ainda estou a tentar recuperar o Pedro.
-E não estás?
-Sim, mas não da forma como eles pensam. – Respondeu vagamente e Filipe acabou por ficar ainda mais curioso, queria saber o que ela queria dizer mas optou por ficar calado.
-O que vais fazer em relação a isto? - Retirou o anel de noivado do interior do envelope e colocou-o sobre a palma da sua mão.
-A carta vou guardar juntamente com as outras, que está numa caixa debaixo desta cama. - Baixou-se e tirou-a, colou-a juntamente com as outras, que estavam guardadas por ordem cronológica e Filipe ficou surpreendido.
-Tu não levaste isso para Lisboa contigo?
-Não, seria estar presa a um passado que é isso mesmo, passado, eu queria era investir num presente e num futuro, com ele.
-E vais usar esta aliança de noivado?
-Não. - Tirou-a da palma de mão de Filipe e retirou também a aliança de namoro que tinha no dedo anelar da mão direita. - É passado, são memórias para mim, quero é investir no meu presente e futuro. Vou guardar na minha caixinha das recordações. - Levantou-se e guardou tudo onde era devido, sentou-se entre as pernas de Filipe e ambos pegaram nos telemóveis. - Quero primeiro enviar-te duas fotografias.
-Duas?
-Sim, uma nossa e uma minha.

Enviou primeiro a fotografia mais antiga e roubou um sorriso a Filipe.


-Já tens uma fotografia minha no meu telemóvel, nos bons velhos tempos em que era linda e maravilhosa!
-Soff, tu ainda o és! - Desta vez fora a vez de Filipe de lhe roubar um sorriso. - Tu e o teu irmão são tão diferentes...
-Em termos físicos somos o oposto. Ele parece um cigano com aquele tom de pele e os olhos bem escuros, e eu sou branquinha de olho azul e quando era pequena era loirinha e tudo.
-Mas em termos físicos têm uma parecença única. - Piscou-lhe o olho.
-Temos? - Perguntou confusa.
-São os dois muito altos. - Sofia deu-lhe uma palmada no braço, brincando com ele.
-E agora roubaste-me a dica para a próxima foto!
-Estou calado, envia-me que estou curioso!



 -Como vês, tenho de me pôr em bicos de pés para não ficares com um torcicolo!
-Quando é que esta foto foi tirada?
-Há pouco, deixei o telemóvel ao pé da minha mala e dos nossos casacos, deixei o temporizador ligado e fui beijar-te.
-Então foi por isso que ainda demoraste algum tempo para vires ter comigo depois de me chamares.
-Sim. - Sorriu-lhe. -Queria uma foto nossa e confesso que ficou bastante bonita.
-Pois ficou. Queres publicá-la no facebook e no IG?
-Quero, mas não da forma como estás a pensar. - Filipe ficou confuso. - Quero publicar uma foto nossa mas é para demonstrar que estou feliz ao teu lado, somos namorados e amigos e é certo que não gostamos um do outro da forma como o meu irmão acredita, mas gostamos demasiado um do outro e eu quero que o mundo saiba.
-Não queres que saibas que namoramos mas que sou importante na tua vida?
-Sim.
-Então publica a que me mandaste que eu vou publicar outra nossa.
-Tens outra foto nossa?
-Claro, vou-te enviar. - Demorou alguns segundos mas assim que Sofia viu a fotografia sorriu.

-Quando é que tiraste esta fotografia, Filipe Guterres Nascimento?
-Lembraste quando acordaste mais cedo e eu acordei também e com vontade de fazer sexo?
-E tu me chateaste tanto até o teres, mesmo com os teus pais a dormirem no quarto ao lado da cozinha? E insististe que querias fazer no balcão?
-E tu aceitaste sem pensar duas vezes?
-Importaste de parar de ter resposta na ponta da língua?
-Calei-me. Vamos mas é publicar as fotos.
Publicaram as fotos no Instagram e no Facebook, inclusivé Sofia fê-lo no Twitter. E como legenda puseram apenas “SR4” e “FN4”, não identificando-se. Quatro era o dia que viviam, o dia que começaram a namorar e quem sabe outrora que poderia marcar o resto da vida de ambos, as letras eram as iniciais de cada um.

Abandonaram o quarto e foram até à sala onde o pai dela já estava sentada no sofá em frente à televisão, e onde se sabia o 11 inicial do jogo de Diogo, e para ocultar a ausência de Filipe e Pedro acabaram por dizer que ambos haviam disputado uma jogada complicada e falhavam este jogo por lesão, se o departamento médico os permitisse começariam novamente os treinos segunda-feira. E Diogo? Era titular e capitão de equipa, e isso deixava toda a família babada, inclusivé a mãe que deixou as lidas domésticas para assistir ao jogo do filho, mas os comentadores acabaram por noticiar que Pedro aparecia nas bancadas, de mão dada com uma rapariga, talvez a sua namorada, e tanto a mãe, como o pai olharam para Sofia, talvez à espera de uma reação ou de algum comentário.
-Eu sei que ele tem namorada. - Respondeu calmamente. - Mas a relação deles também já teve dias melhores.
-E como é que estás a recuperar da lesão, rapaz?
-Que lesão? - Filipe havia-se esquecido e Sofia deu-lhe um toque no cotovelo, e olhou-o, tentando fazendo-lhe relembrar do que os comentadores haviam dito. - Foi só um toquezinho, mas o departamento médico recomendou-nos a ficar de fora neste jogo para estarmos aptos para o próximo jogo.
-A vossa equipa está bastante desfalcada hoje, vamos ver como corre. Além de ti e do meu ex-genro, o vosso capitão também está de fora e têm outro colega de fora porque foi expulso no último jogo.
-Sim, infelizmente não andamos com sorte, mas haverá de passar, para a semana já voltaremos todos se Deus quiser, mas vou ligar ao João, no último treino estava tudo bem, fiquei preocupado, se me dão licença. - Os pais acenaram, Filipe levantou-se e foi para o quarto de hóspedes e iniciou a chamada, enquanto isso o telemóvel de Sofia tocou e ela acabou por seguir o exemplo mas foi para o seu quarto.
-Matilde?
-Houve um dia desta semana que ias bastante em baixo e agora já tens namorado, que é que me anda a escapar? E FN? O único que conheço é o Filipe Nascimento.
-Pois... - Respondeu, sem dando uma resposta concreta. - Não queria contar a ninguém mas hoje comecei a namorar.
-E não achas que as pessoas iriam desconfiar depois da foto que publicaste? Ainda por cima ele também publicou.
-Nós começamos a namorar há uma hora, se tanto, queríamos dar mais tempo antes de confirmarmos, agora era só uma forma de dizermos que gostamos um do outro e estamos felizes.
-Fiquei super surpreendida, não fazia ideia que conhecias o Filipe, até comentei com o Pedro, e mostrei-lhe a foto e ele ficou tão surpreendido que teve de ir à casa de banho e tudo, imagina!
-A sério? - Sofia tinha o seu objetivo cumprido mas não se sentira bem a fazê-lo, não queria que Filipe senti-se que o estava a usar para fazer ciúmes e muito menos que continuava a amar Pedro loucamente, amava-o sim, mas a sua vida não se baseava apenas nele e era tão verdadeiro que já ponderara tapar a sua tatuagem no pulso para fazer algo que honrasse a família e os amigos, a sua vida era muito mais que Pedro e queria provar a si própria e a todos. - Não fazia ideia que iria surpreender assim tanto as pessoas.
-Mas surpreendeste! Digo-te já que tens bom gosto. - Sofia sorriu para si mesma, afinal as escolhas eram as mesmas em relação a Pedro.
-Se tu imaginasses o quanto. - Disse baixinho.
-Que é que disseste?
-Nada, nada, pensei em voz alta.
-Bem, só te posso desejar boa sorte e temos de combinar um jantar os quatro, sim, porque tu não conheces o Pedro e eu quero conhecer o Filipe!
-Depois combinamos isso, está bem?
-Sim, mas não me vou esquecer. Agora vou desligar que o jogo está a começar e ainda não soube nada do Pedro. Beijinhos.
-Beijinhos. - Desligou a chamada e sentiu umas mãos apoderarem-se da sua barriga.
-O João não atendeu e aproveitei para ouvir a conversa, desculpa.
-Não tem mal, somos amigos e namorados, não temos segredos. - Deu-lhe um rápido beijo nos lábios. -Vamos ver o jogo antes que o meu pai dê pela nossa falta. Tenho já a avisar-te que a minha mãe a ver futebol é muito engraçada, o meu pai resmunga com tudo e eu discuto com ele.
-Está visto que isto é de família. - Ia virar-se para voltar à sala, mas Sofia impediu-o, agarrando-o na mão. -É o último beijo pelo menos até ao final do jogo!
Trocaram um beijo, bastante demorado, por sua vez e voltaram para a sala e as horas passaram a voar, e o jogo terminou com um 3-1, uma vitória confortável mas renhida até ao final do jogo, assim que o jogo terminou decidiram dar a conhecer o melhor da cidade onde Sofia havia nascido e também o melhor da cidade do Porto e Filipe que embora já conhecesse ficou ainda mais impressionado, e prometeu que sempre que pudesse lá voltaria com Sofia.
Voltaram para casa e enquanto a mãe começou a preparar o jantar, o pai decidiu ir até ao seu escritório para trabalhar e Sofia e Filipe foram até ao quarto dela para arrumarem mais alguns pertences para levar para Lisboa.
-O meu carro não é nenhum autocarro, Sofia.
-Eu sei, por isso estou só a arrumar o suficiente.
-As mulheres têm uma definição muito diferente de “apenas o suficiente”.
-Senão levar mais roupa, fico sem ela, e depois tenho de andar despida pela casa.
-Não me parece nada má ideia. - Beijou-a no pescoço.
-Está sossegado que ainda entram os meus pais por ai.
-Sentei-me. - Dito isto sentou-se sobre a cama e deixou-a terminar de arrumar os seus pertences. - Vou ver os comentários e os gostos nas fotos. - Assim que ligou o facebook e foi ao Instagram assustou-se com a quantidade de informação que assistiu de uma só vez. Os gostos eram difíceis de contabilizar e os comentários eram bem superiores ao que estava à espera, mas decidiu não comentar nada com Sofia, ela iria acabar por saber por si mesma.
-São assim tantos comentários e gostos?
-Logo verás.
Quando terminou de arrumar os seus pertences, ambos decidiram ir ter a casa de Rita e chamá-la para ir até casa da família Rochinha, afinal não faltara assim tanto para Diogo chegar a Espinho, mas Rita estava nervosa, bastante nervosa. Iria conhecer os seus sogros e não sabia o que vestir, o que dizer e muito menos como se comportar, mas Sofia acabou por ajudá-la a escolher o que vestir e Filipe conseguiu, pelo menos, acalmar os nervos da rapariga, no fundo tinha o típico medo: que não gostassem de si, mas também tinha medo que os seus sogros não acreditassem que tinha mudado desde que fizera tantas maldades a Sofia... Mas ela acabou por conseguir afastar tais pensamentos com o apoio da cunhada, e Filipe olhava admirado para a sua namorada a pensar como era possível ela ser tão encantadora e maravilhosa e para ele não havia dúvidas, ela era a pessoa mais encantadora que ele já conhecera em toda a vida.
-Rita, não tens motivos para estar assim, os nossos sogros são fantásticos e vão gostar imenso de ti. - Sofia olhou para Filipe quase fuzilando-o com o olhar. - Quer dizer, os teus sogros.
-Os nossos sogros? - Rita era atenta e bastou o olhar de Sofia para Filipe para obter a informação que ele havia falado de mais. - Por isso é que vocês publicaram aquela foto no facebook e no Instagram, vocês namoram! E eu a pensar que o Filipe estava apaixonado pelo Sérgio Ramos, e o 4 até tinha confirmado a minha teoria, pelos vistos estava enganada...
-Não acredito que me confundiste com esse ser vivo! - Disse Sofia.
-Posso ter muitos defeitos mas nunca andei há porrada e seria incapaz de ser tão caceteira como ele!
-Obrigada às pessoas que já andaram à porrada, sim?
-Desculpa... Não era isto que queria dizer, tu sabes que não.
-Mas disseste. Além do mais, ele é um excelente central!
-Muito bom não haja dúvida... - Desabafou Rita e rapidamente foi olhada em tom de dúvida pelo casal. - Querem ver que só por namorar que sou cega? O rapaz é mesmo bom central.
-E caceteiro! - Acrescentou Sofia. - Além de ter de partilhar as iniciais do meu nome com esse sujeito, ainda tenho de partilhar o número, que bonito! - Disse sarcasticamente.
-Podes sempre usar o “A” de Ana!
-Claro que sim, Ana Rita! - A rapariga calou-se. - Com tantos bons dias para começarmos a namorar no mês de Dezembro, tu tinhas mesmo que escolher hoje, exatamente dia 4!
-Como imaginas, não foi algo planeado há meses, aliás muito pelo contrário.

Acabaram por terminar a conversa e ir até casa da família Rochinha, Diogo já havia chegado e apesar do jantar já estar pronto, pediu para Sofia e Filipe chegarem até ao seu quarto, e pediu para Rita o acompanhar, precisava de ter uma conversa com o casal, mas não queria que os pais o entendessem, por isso fechou a porta e trancou-a. Respirou fundo e não foi preciso mais para a sua irmã perceber que ele estava furioso.

-Sofia e Filipe, não sou vosso pai, mas sou vosso amigo e preocupo-me. Vocês não me deram ouvidos quando vos aconselhei, por isso agora vou ser o mais franco e direto que conseguir, pode magoar-vos mas eu não consigo continuar calado. - Olhou para Rita. - Sabem porque é que sempre fui contra a vossa relação à base de sexo? Além de saber que iam começar a namorar, o que hoje se confirmou, sabia que os sentimentos não iriam ser completamente esclarecidos e que iam sofrer. O Filipe não sabe o que é amor, só soube o que era ter umas relaçõezinhas, secalhar nem isso lhe pudemos chamar, foram quantas, Filipe? Quantas beijaste e com quantas foste para a cama? Tu nunca te apaixonaste na tua vida, e ias acabar por magoar a minha irmã, não queria que ela fosse mais uma para a tua lista. Sofia, tu és a minha irmãzinha, a minha pequena, tu amas o Pedro, ele ama-te, está à vista de todos, mas agora tu já nem tens a certeza se o amas, tu estás com o Filipe, tu gostas dele, vê-se no teu olhar e nas tuas atitudes. Vocês estão loucamente apaixonados um pelo outro mas não assumem, sabes porquê? Porque têm medo, porque o vosso passado não deixa, porque têm medo de apostarem num presente e num futuro só vosso, mas eu sabia no início que isto ia acontecer? Vocês namoram para quê? Para fazer ciúmes ao Pedro? Então e o sexo? E só para uns momentos de prazer? Não acham que é brincar com o fogo? Já pararam um bocadinho para pensar em todas as vossas atitudes e tudo o que se está a passar à vossa volta? - Sofia ia responder mas o irmão não deixou. - Tu andaste à porrada Filipe, à porrada! Com um colega de equipa e com um dos teus melhores amigos há meses, dito pela tua boca a mim, ninguém mo disse! Tu, passo a expressão, comeste a ex-namorada dele, e sabias bastante bem a história dele? Não achas que isso provou que nunca foste amigo dele? E tu Sofia? Tu ias-te matando por estares longe do Pedro, por teres abortado do vosso filho, tu abandonaste os teus pais e a tua terra para ires atrás dele! E agora? Estás na tua terra e trouxeste o Filipe contigo! Tu és amiga da atual namorada do Pedro, nunca pensei dizer isto mas não te reconheço, tu tentaste-te aproximar da rapariga para a afastares do Pedro e agora estás com um grande amigo dele. Expliquem-me tudo isto, mais importante expliquem a vocês mesmos e sejam sinceros, não quero saber da cabeça, quero ouvir os vossos corações!

O que irá responder Sofia?
E Filipe? Como irá ser o futuro desta relação e será que Diogo vai aceitar a relação dos dois?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Capítulo 15 “O Filipe mexe comigo”


Sofia prometera a si mesma que não iria contar a ninguém o que se passara entre si e Pedro, iria defendê-lo, iria impedir que as pessoas fizessem juízos de valor sobre a traição que eles fizeram a Matilde. Conhecia-o melhor do que conhecia a si mesma, sabia todos os traços do seu corpo, conhecia-o interiormente como conhecia a palma das suas mãos.
E por isso sabia que, ele não iria ficar bem com o que havia feito, que iria ficar com remorsos e iria querer contar a Matilde mesmo que isso lhe custasse a relação, só para viver melhor com a sua consciência. E isso doía-lhe, apesar de ter sido a melhor “noite” da sua vida, tudo o que havia sido resultado não eram boas sensações, amava-o e aquilo havia sido o mais próximo de amor que havia tido da parte dele nos últimos tempos, mas não poderia perdoar a si mesma. Não sabia se ele (ainda) a amava, não sabia se gostava de Matilde como já havia gostado de si, aquele dia havia sido demasiado confuso para tirar as suas primeiras conclusões.

-Então Sofia? Podes-me explicar o que se passou?

-Rita, não te consigo explicar o inexplicável.

-Conta-me tudo o que se passou e o que sentiste.

Sofia respirou fundo. Talvez Rita não a fosse julgar, nem a Pedro, talvez o melhor mesmo fosse desabafar e a opinião de um terceiro a ajuda-se a descodificar e a lidar com todos os sentimentos.

-Toquei à porta e ele abriu-me, e começou logo a dizer que se era para pedir desculpa podia voltar para a beira do Filipe, eu pedi para entrar e fomos até à sala e ele disse que não precisava de explicar nada, que nós não éramos nada e eu defendi-me, eu amo-o e depois de tudo, recuso-me pensar que agora tudo desapareceu, e ele disse-me que sofreu muito por me perder, por eu o ter abandonado, e que o que mais lhe doeu foi a minha carta, e o meu coração desfez-se por completo, Rita. Falou-me do que sentiu quando soube que eu e o Filipe nos envolvemos e do nosso filho e da morte dele, acusou-me de o ter enganado e disse que me amava e acusou-me de nunca o ter feito...

-E tu?

-Defendi-me. Disse uma asneira e disse que o amava, no presente, agora e aí voltei a ver no olhar do Pedro algo que vejo no olhar do Filipe, eu vi desejo, pode parecer estranho mas foi isso mesmo, e eu disse-lhe que também o desejava. Ele aproximou-se de mim e beijou-me com desejo e vontade, e eu só conseguia pensar na Matilde e perguntei-lhe, e ele disse que só queria saber de nós. Sofia, aquilo, foi a melhor noite de amor que alguém alguma vez me deu, eu fui multiorgásmica, aquilo foi “a” noite, se alguma vez terei filhos será de algo assim!

-Tu usaste preservativo certo?

-Não, mas não têm problema que não estou no período fértil.

-Diz-me que tomas a pílula.

-Não, nem nunca a tomei.

-Tu tens noção que pode neste momento estar a formar-se um bebé dentro de ti não tens?

-Não estou grávida, confia em mim, mas continuando... A Matilde mandou mensagem preocupada e percebeu que não estava bem e... E …

-E?

-Acabamos por ir almoçar juntas.

-Tu foste almoçar com a rapariga a quem tinhas acabado de meter um valente par de cornos?

-Não punha a situação nesses termos...

-Sofia, isso foi o golpe mais baixo que te vi dar até hoje.

-Esqueceste-te que fui para a cama com um grande amigo do meu ex-namorado.

-Mas isso é diferente! Isso aconteceu e quando olhas para o Filipe é fácil perceber!

-O que queres dizer com isso?

-O Filipe não é um deus grego porque é português!

Sofia não conseguiu conter o riso, realmente Filipe era realmente bonito, mas aos seus olhos nada era mais bonito que Pedro.

-O Pedro é melhor!

-São opiniões, meu amor, para mim o melhor é mesmo o teu irmão, mas tu tens olho para a coisa não haja dúvida!

-A minha cunhada é uma tola! - Sorriram. - Mas a visita da Matilde não durou muito, eu não sabia como lidar com ela e como não poderia desabafar combinado juntarmo-nos outro dia, mas eu vou atrasá-lo o quanto mais puder melhor. E o mais estranho de tudo e me fez sentir tão estranha foi que depois de fazermos amor adormecemos e quando acordei ele estava a vestir-se e disse-me tal e qual assim “a tua roupa está na casa de banho, podes tomar banho mas despacha-te que o Raphael deve chegar daqui a pouco tempo”, e sabes como eu me senti? Senti-me usada, inútil e burra.

-O Pedro disse-te isso?

-Sim.

-Bem... - Rita ia começar a falar mas Sofia lembrou-se que não havia contado tudo.

-Espera, ainda há algo que não te contei. Eu estava na praia onde eu e o Pedro começamos a namorar e ele apareceu vindo não sei de onde, e sentou-se à minha beira, ficamos em silêncio durante algum tempo e ele perguntou-me porque me tinha envolvido com o Filipe e eu não respondi, não sabia o que lhe dizer e ele insistiu e eu disse que estava carente, tinha acontecido e disse que o amo e ele disse que também me amava mas a dor que lhe deixei era maior que o amor que sentia por mim. Eu devia ter morrido Rita, eu devia ter morrido quando me tentei matar na praia em Espinho, quando me tentei matar a cortar-me.

-Tu não ouses voltar a dizer um disparate desses ouviste Ana Sofia? - Ergueu o tom de voz e utilizou os dois nomes. -Achas que não fazes falta? O teu irmão ama-te, tu és a mulher da vida dele, a menina dos olhos dele, mesmo que ele não o demonstre muito. Tu e o teu irmão são a vida dos teus pais e ias levar a vida deles contigo se partisses, eu sei que fiz muita porcaria contigo mas és alguém importante para mim, és a minha cunhada, és uma amiga, uma confidente, quanto aos teus rapazes, eu não queria dizer-te isto mas tu obrigaste-me. O Filipe gosta de ti, de uma forma que nem imaginas, e o Pedro? O Pedro pode dizer o que quiser, mas as atitudes dele vão sempre provar o óbvio, que te ama.

Aquelas palavras atravessaram que nem uma flecha no coração de Sofia. Ela era muito mais importante para aquelas pessoas do que pensava.

-O Pedro ainda me ama? - Foi a única coisa que conseguiu dizer.

-Sofia eu não o conheço bem, não sei dizer, nem justificar tudo aquilo que ele fez e faz, mas posso ver tudo de uma perspetiva diferente, tentei evitar dizer-te isto para não te alimentar falsas esperanças, mas tu tens e mereces saber. O Pedro gosta da Matilde, acredito que uma pessoa para estar com outra, tem de gostar o mínimo que seja, mas é necessário haver algum sentimento, mas ele ama-te é a ti, senão porque a teria traído? Logo aí prova que não a ama, e a tê-lo feito contigo significa que nunca te esqueceu.

-Já não sei o que pensar. Eu amo o Pedro, como nunca amarei ninguém, ele está para sempre comigo, no meu coração, mente e até no meu corpo. - Apontou para a tatuagem com o nome do rapaz no pulso. -E não acreditas o quanto me vai magoar dizer isto, e que isto mexe com todo o meu interior, sinto-me a trair o Pedro, e serás a primeira e única pessoa a saber isto. O Filipe mexe comigo. Não te sei explicar bem, nem como o dizer, mas ele mexe comigo.

-Não te vou dar na cabeça, descansa. - Sorriram. -Basta e bem o teu irmão. Mas já sabes o que vai fazer em relação... - Não sabia como o pronunciar. - A isso?

-Nada. Sei o que sinto pelo Pedro e quero voltar a ter uma oportunidade com ele, hoje tive a prova que ele não está verdadeiramente feliz com a Matilde e eu sou a chave para a felicidade dele, vou sempre preferi-lo ao Filipe. E antes de fazer o que quer que seja, vou passar-me por água e esvaziar a banheira que já está a ficar frio e quero ajudar a fazer o jantar.

Rita saiu da casa de banho e começou a ir preparar o jantar enquanto a cunhada vestia-se, mal terminou foi ajudá-la.

-Falaste com o Pipo hoje?

-Sim, um pouco antes de vir para casa, ele disse que não vinha jantar e não sabia a que horas chegava.

-Acreditas que ficamos de almoçar juntos e ele mandou-me uma mensagem a cancelar e não disse nada até agora? Supostamente eu não sei que ele está castigado.

-Não compreendo o Filipe.

-Eu não compreendo os rapazes, que é bem pior.

Ambas sorriram e passado alguns minutos chegou Diogo e juntos jantaram.

-Eu levanto a mesa, vão lá ver um filme.

-Tens a certeza? - Perguntou a cunhada.

-Claro! Depois vou-me deitar e escrever alguma coisa.

-Obrigada Sofia! - Deu-lhe um beijo na bochecha.

-E está descansada que já preparo as pipocas e uns sumos para vocês, por isso não comecem já a treinar os meus sobrinhos! - Rita limitou-se a sorrir e a ir até à sala onde o seu namorado já a esperava.

Sofia colocou os fones nos ouvidos e começou a dançar ao som da música enquanto arrumava a cozinha e preparava os petiscos para o casalinho, quando terminou foi levar-lhos e interrompeu um beijo entre eles com o fingir de tosse, deu-lhes o que havia prometido e foi até ao quarto onde não tardou a vestir o pijama e começar a escrever.

Querido Pedro,
Amar alguém é quando somos capazes de dar uma vida pela outra pessoa, quando colocamos a felicidade da outra à frente da nossa, quando nos tornamos transparentes aos olhos de quem amamos. É estar presente na mente da outra pessoa, passe o tempo que passar, e continuar a amar, mesmo que nos tenham magoado profundamente. Foste tu que me ensinaste isto, foste tu que me ensinaste o que era amar-te, foi por tua causa que o vivi e sinto-o a arder no peito, todos os dias, em todos os momentos.
Estás com a Matilde e queria acreditar que estavas feliz, queria provar a mim mesma que estavas feliz, sem mim, mas hoje provaste-me que não é realidade. Mesmo que já não me ames, não amas a Matilde como me amaste a mim, sempre me disseste que quando amamos somos incapazes de trair e tu fizeste-o. Comigo. E digo-o e repito, se houve momento em que não tive dúvida absoluta do que sentia por ti e queria lutar por nós, foi quando o fizemos. Não foi apenas amor, nem sexo, foi a união de dois corações que estavam separados, foi o momento em que deixou de existir um passado e um futuro, para haver um esquecimento da razão e da lógica, para afastarmos os passados do presente, que damos pelos nomes de Filipe e Matilde para apenas nos concentrarmos no presente, no momento em que deixou de haver uma Sofia e um Pedro, mas um nós.
Sempre foste um livro aberto para mim, sempre conheci todos os traços da tua personalidade e do teu corpo e depois do dia de hoje sinto que tudo mudou, nunca acreditei que eras capaz de fazer isto, não apenas a mim, mas à Matilde, e ao fim ao cabo, magoares-te, porque a dor dos remorsos irá atormentar-te até ao último segundo e irá prosseguir-me sempre. Sei que foi um erro teres traído a Matilde, mas será que foi um erro envolvermo-nos, esquecendo tudo o resto?

Amo-te para sempre,
Sofia Roch(inh)a”

Pousou a carta sobre a sua mesa de cabeceira e olhou para as duas molduras que ali estavam presentes. Uma com Filipe e outra com Pedro.

Aquela fotografia havia sido tirada recentemente por ela e Filipe havia-lhe dado e emoldurado, na parte de trás da fotografia podia ler-se o que ele tinha escrito:


A amizade é um amor que nunca morre”

Filipe escolheu aquela frase como poderia ter escolhido tantas outras, mas porque optara por aquela? Era uma pergunta para a qual Sofia não tinha resposta. E pode reparar na outra fotografia emoldurada que tinha ao lado da anterior:


Aquela havia sido uma surpresa que Pedro lhe havia feito. Tinham-se desentendido porque ele tinha feito uma crise de ciúmes por causa de Filipe, e passado um ano, eles haviam-se envolvido, a vida era demasiado curiosa por vezes. E Pedro preparara-lhe esta surpresa para lhe pedir desculpa e foi a partir daquele dia que a relação dele tornara-se magnífica e mágica.

E na parte de trás da fotografia e da moldura que Pedro lhe havia dado, poderia ler-se:

It's not a bird,
Not a plane,
It's my heart and it's going gone away”

Aquela música descrevia o que era amar, porque deste o início que gostavam muito um do outro, mas foi com o tempo que descobriram e começaram a amar-se, mesmo que a tenra idade fizesse muitos duvidar do que sentiam, até mesmo os que viam que existia algo único entre ambos. Não conseguiu deixar de deitar uma lágrima teimosa, abraçou-me à moldura que Pedro lhe havia dado e adormeceu abraçada a ela.

Acordou de manhã antes do seu despertador tocar, e espreguiçou-se, sentia-se feliz e bem-disposta, estava disposta a lutar pelo que queria e ao contrário de outros dia sentia uma nova esperança apoderar-se de si, a sua história de amor não tinha acabado, estava longe de ter terminado. Levantou-se da cama e foi em direção à casa de banho quando viu uma rapariga sair do quarto de Filipe com uma camisola dele vestida, caminhava até à casa de banho e apenas queria dizer algo. Eles tinham dormido juntos. Assim que a rapariga fechou a porta da casa de banho correu até ao quarto de Filipe, onde ele estava sentado de lado na cama e empurrou-o com os braços, extremamente enervada e revoltada, mas acima de tudo magoada e desiludida, depois do que haviam falado na noite anterior, ele atrevera-se a ir para a cama com a primeira rapariga que lhe aparecera à frente.

-Como foste capaz de me magoar desta maneira sabendo melhor do que ninguém por tudo o que tenho passado?

Dito isto Filipe puxou-a para si e beijou-a.

Porque terá Filipe beijado-a?
Como irá reagir Sofia? Como ficará a história da rapariga com os seus “dois rapazes”?