quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Capítulo 19 “Tu traíste-me? Com a Sofia?”




(Pedro)
Pedro não sabia muito bem o que sentir... Deveria estar feliz por Sofia, afinal amar era isso mesmo, colocar a felicidade do amado acima da própria, mas também destruira-lhe o coração saber que apesar de a ter realmente marcado, ela já não gostava de si da mesma forma, e que o tinha-o “substituído” no seu coração... Por um amigo seu. Ele ainda a amava e apesar de também nutrir algum sentimento por Matilde, não poderia e nunca deveriam ser comparados. Era um sentimento agridoce e não saberia ao certo se haveria de chorar ou de sorrir, sentia-se profundamente abalado e queria saber como deveria reagir ou não, precisava de apoio, precisava de um amigo, mas não queria que o criticassem e lhe apontassem o dedo, abraçou as suas pernas e decidiu olhar para o mar, e esperar que lhe dissesse algo... Como Sofia lhe havia ensinado, até que sentiu um toque no seu ombro e alguém sentar-se ao seu lado, e nem precisou de olhar, percebeu rapidamente quem era.
-Sê forte meu irmão, ela não te merece.
-Ela já não me ama... - Disse escondendo a cabeça entre os seus braços.
-Ela não te esqueceu, tu marcaste-a por completo, mas agora ela é feliz e tu também o deverias ser... Mesmo que te doa neste momento, tudo irá passar.
-E senão passar?
-Meu irmão, tudo na vida é efémero, como tu me ensinaste, se a felicidade não dura para sempre, a dor também não.
-E se eu nunca amar a Matilde como amei a Sofia?
-Não precisas de amar nenhuma delas para ser feliz, basta apenas olhares para a vida de uma forma diferente, pensar de forma positiva, custa, eu sei que sim, mas é o melhor para ti. Levantares a cabeça e continuares na luta, os teus irmãos adoram-te e os teus pais têm um orgulho incrível na pessoa que te tornaste. Podes não ter a Sofia, de quem ainda gostas muito, mas ela é feliz e tu devias sê-lo também, não para lhe mostrares que também o és, mas para ultrapassares esta dificuldade, por muito que pareça impossível, não te esqueças que não há, de forma alguma impossíveis. Tens ainda a sorte de ter a teu lado, uma pessoa que te ama mas também que é a tua melhor amiga e te vai ajudar a ultrapassar toda esta fase má, tudo o que de mau a vida te trouxer, tens uma rapariga de quem gostaste muito e ela a ti, mas ela está feliz e tu também o serás. Esquece a facada nas costas que o Filipe te deu, és superior a isso. A tua vida tem coisas boas e más, mas tu vais ultrapassar todas elas, porque todas vêm e vão. Se Deus te pôs estas dificuldades é porque sabe que irás ultrapassar e aprender com todas elas.
-Já a perdi uma vez, não quero voltar a perdê-la.
-Nunca passei pela tua dor, mas sei o quanto custa irmão, e acredita que eu estou a teu lado a apoiar-te, a dar-te forças e sempre do teu lado, como irei estar sempre.
-Raphael, eu sinto que uma parte de mim morreu hoje. - Raphael ia interrompê-lo mas Pedro não deixou. - Escuta-me por favor, antes de me julgar. A Sofia apareceu numa altura em que me sentia sozinho, em que começava a acreditar que o destino era algo para os românticos escreverem, que a minha vida seria apenas o futebol e nada mais, mas a Sofia apareceu e mudou a minha vida... Com um simples olhar. Todos os sentimentos que estavam adormecidos até então, despertaram, em simultâneo, com um simples sorriso me apaixonei por completo, e conforme fomos falando eu fiquei completamente rendido a ela, e mudar por completo a minha forma de ser, a minha forma de ver a vida, mudou tudo... Ela tornou-se tudo. A minha outra metade, a minha essência, a minha chave da felicidade, garanti a mim mesmo que ela era a mulher da minha vida, a “tal”, a mãe dos meus filhos... E acabou por ser a mãe do meu filho e acabou por matá-lo, e ninguém imagina a dor que isto me causa. Ela poderia não querer ser mãe, pode nunca me ter amado mas e o amor pelo nosso filho? Eu poderia ter sido o pai para ele, poderia ter-lhe dado tudo, poderia ter sido o pai e a mãe! - Já não desabafa apenas como uma lembrança do passado, mas sim com uma mágoa bastante presente, podiam haver milhões de justificações para o seu desaparecimento mas nenhuma poderia haver para a morte daquele inocente bebé. - E porque me abandonou ela? Do dia para a noite? Sem uma carta, nem uma chamada, nem um beijo de despedida? Eu teria dado a minha vida para ser como é que ela estava, para a ter de voltar aos meus braços... E quando ela voltou fiquei ainda mais devastado. Sei que amar é colocar a felicidade do amado à frente da nossa mas como esperam que seja feliz, depois disto? Perdi um amor e um amigo! Parece que os dois se uniram para me atirarem à cara que não estou bem! Custa-me pensar que tudo o que passei com a Sofia, foi só uma ilusão... E que senti tudo na minha mão e agora não tenho nada. Mas talvez tenha sido culpa minha, tê-la perdido, eu não sei, neste momento não sei nada. - Colocou a cabeça sobre as palmas das mãos e começou a chorar. Raphael por mais que quisesse falar simplesmente não conseguia. Sabia que Pedro amava Sofia, mas ele sempre conseguira esconder bem o que sentia, e por isso pensava que estava a aceitar relativamente bem tudo o que se passara... Nem que fosse por Matilde, de quem o rapaz também gostava, embora de uma forma muito mais natural e humana.

(Nesse mesmo dia à noite)
-Preciso de falar contigo. - Anunciou Pedro, depois de abrir a porta de sua casa a Matilde. - Entra, vamos falar para o meu quarto para estarmos mais à vontade.
Sentaram-se lado a lado sobre a cama do rapaz.
-O que se passou, amor? Estás a assustar-me!
-Eu gosto muito de ti, tu sabes que sim...
-Mas...
-Tenho de ser completamente sincero contigo, tu assim o mereces. Nem sempre te fui fiel.
-O quê? - Perguntou ainda sem reação para o que se passara, não queria acreditar. - Tu traíste-me? Com a Sofia? Como foste capaz? - Levantou-se e começou a chorar. - Eu amava-te, entreguei-te em corpo, em alma e em coração, dei-te tudo o que tinha e não tinha, e o que tu me fizeste foi o pior que me podias ter feito!
-Deixa-me explicar-te, tudo por favor.
-Enfia as explicações onde quiseres, esquece o que tivemos, acabou!
-Como assim acabou?
-Agora já podes ficar com a Sofia, sem me teres por perto, esquece-me, por favor! - Saiu do quarto a chorar, deixando Pedro sem reação possível, embora amasse Sofia, também gostava de Matilde e ela não merecia sofrer, era a pessoa que menos merecia sofrer no meio daquela história. E Pedro não conseguiu conter as lágrimas, deitou-se sobre a cama e adormeceu a chorar.

(Sofia)
Os dias passaram-se com uma velocidade surpreendente e Sofia sentia-se melhor a cada dia que passava. Os sogros já sabiam o parentesco que os unia e tratavam-na como filha,

A sua relação com os pais mantinha-se forte, e com o irmão, apesar de não ter aceite bem inicialmente a possível mudança de casa dela e de Filipe, acabou por aceitar a mudança como algo natural... Até porque seriam vizinhos. Juntamente com com Filipe já tinham arranjado a casa ideal para morarem e até tinham combinado dividir as despesas. Ela pagava uma pequena parte com a mesada que os pais e o irmão lhe mandavam e sobrava algum dinheiro para si. Tinha também feito 3 tatuagens, todas elas com um significado especial.


A tatuagem tinha sido feita no pulso porque assim estaria ao lado do nome do pai... A tatuagem era para Júnior, o filho falecido, e significava a sua perca fisicamente mas a presença forte, eterna e contínua no coração da mãe. Não precisava de tatuar o seu nome, um desenho significaria mais, não precisava de demonstrar ao mundo o nome do seu falecido filho, bastava olhar para ela e sabia que o filho estaria sempre ao seu lado, e a olhar por si.


No ombro tinha tatuado uma frase para o seu pai “pai, eu amo-te”, não precisava de o ter tatuado porque o pai sabia e sentia que ela o perdoara mas queria fazê-lo, queria mostrar ao mundo, que apesar de ter sofrido, aquele homem que chamava de pai, era bem mais que um progenitor, era muito mais que tudo isso, era o verdadeiro homem da sua vida, por mais homens que a sua vida tivesse, e não lhe tinha dito que a tinha, preferia fazê-lo pessoalmente.


E a última tatuagem mas nem por isso deixava de ser importante, significava a sua vida, tudo o que havia passado e haveria de passar, era o símbolo do infinito, com as palavras amor e vida, a pena representava-se a si mesma, considerava-se escritora, escrevia tanto quanto podia e porque estava nas suas mãos descrever a sua vida e o amor que entregava ao que a vida lhe trazia. Nesta fase, um nome se destacava, nome de uma pessoa com os olhos mais bonitos que vira... Uma pessoa que lhe fez recuperar o sorriso... Filipe.

Sentia que ainda não esquecera Pedro, mas também nunca iria esquecer, ele tinha sido alguém demasiado importante na sua vida, mas tinha ultrapassado, tinha-lhe dado tudo o que tinha e não tinha, tinha lutado e não tinha conseguido, a vida pregara partidas, mas ela tinha recuperado e superado, tinha e continuava a lutar pela sua vida e ela tinha-lhe dado uma nova oportunidade de ser feliz. Todas as noites fazia questão de rezar com Filipe a agradecer o dia que tinham dito, e quando o dia parecia menos positivo, rezavam a pedir algo melhor, mas faziam questão de agradecer por se terem conhecido e estarem juntos, e Sofia antes de adormecer rezava ao filho, a pedir que olhasse sempre por si no céu. Além das tatuagens havia pintado o cabelo de loiro, cor do cabelo que tinha quando era apenas bebé, altura em que fora feliz como nunca.

E até Filipe tinha vivido uma pequena mudança na sua vida... Inspirado em Sofia, tatuou junto ao peito:


Apesar da frase ser inspirada na força de Sofia e na admiração de Filipe por ela, havia tatuado aquela frase, a sua primeira tatuagem porque assim que a lesse iria lembrar-se que por muitas forças que às vezes parecessem faltar, iriam deixar de ser fraquezas, para se tornarem forças.

E para mostrar as suas tatuagens novas, especialmente para mostrar ao pai a que havia feito dedicada a si, e também para ver o jogo de Filipe e Diogo que se ia realizar em Braga, iria juntamente com Rita, passar o fim de semana ao norte. Sabia que era uma boa surpresa que faria ao namorado e ao irmão, que de certeza iria ficar feliz por vê-la, mas também podia implicar rever Pedro e embora se sentisse preparada, sabia que iria ser difícil... E iria enfrentar outra dificuldade, o pai de Sofia, tinha-lhe dito também que ia juntamente com elas ver o jogo, e a sua esposa acompanhá-lo-ia, ou seja, era a primeira vez que iriam conviver com Filipe, depois de saberem que o rapaz era seu genro...

Como irá reagir o pai à surpresa?
Será que Filipe vai gostar da surpresa? Como será o reencontro com Pedro?

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Capítulo 18: “Tu corres o risco de vir a perder as duas com esta tua indecisão”


(Pedro)
Antes do despertador tocar, Pedro acordava e levantava-se da cama, necessitava de ouvir o silêncio para pensar na sua vida. Precisava de se mentalizar, todos os dias, que não poderia desistir, que tinha de enfrentar um dia novo de cabeça erguida e sorriso nos lábios, mesmo que no seu interior sentisse tudo desfazer-se. Sentava-se num canto da casa de banho, de luzes apagadas e porta fechada e chorava durante vários minutos a fio, depois respirava fundo repetidas vezes até sentir que acalmara os demónios que lhe atormentava a sua cabeça e mentalizara-se que era um dia novo, tudo poderia mudar. Depois voltava para a cama onde dormia durante mais uns minutos até o despertador tocar. Fazia-o há um ano. Gostava de Matilde, mas não conseguia apagar e esquecer Sofia, mesmo depois de saber que Filipe e ela estavam juntos e naquele dia, a vida colocava-lhe mais uma prova, que ele sabia que tinha de superar: Iria voltar para os treinos após a sua “lesão” e iria enfrentar o seu colega, não de uma forma física, mas de uma forma diferente. Tinha de lhe pedir perdão pela sua atitude e tinha que o felicitar pelo seu namoro... Com a pessoa que mais amava. Tinha de pedir perdão à equipa e ao treinador, tinha de ser forte, mas e senão existissem forças dentro de si para sê-lo?! Teria de arranjá-las e manter-se na luta. Deitou-se na cama de frente para Matilde e pode admirar as suas feições.
-Amor? - Perguntou Matilde com a voz de quem acabara de acordar.
-Bom dia meu bem. - Continuou a fazer-lhe festas pela cara. - Como estás?
-Com dores, mas vão acabar por passar.
-Estás arrependida?
-Só de não o ter feito mais cedo.
-Não queria magoar-te.
-Era impossível não o teres feito.
-Desculpa, devia-te ter feito esperar mais tempo, não queria pressionar-te, talvez estivesses melhor preparada.
-Sabia bem para o que ia, e tu fizeste tudo para não me magoar, mas também me fizeste viver momentos únicos e isso eu não esquecerei nunca.
-Só não te queria pressionar.
-Não pressionaste, aliás se alguém o fez, fui eu. - Colocou a mão em cima do peito dele. - Estiveste a chorar? - Perguntou depois de abrir os olhos totalmente.
-Tive um pesadelo. - Mentiu, sabia que se dissesse que não, Matilde iria facilmente detetar a mentira. - Acordei há uns minutos e pelos vistos chorei de dor.
-Sonhaste com a Sofia, então.
-Não me lembro. Senão me tivesses dito provavelmente nem saberia que tinha chorado.
-Mas nem uma pinga de suor deitaste...
-Não, deve ter sido dor, não susto. E tu como dormiste?
-Sonhei que adormecia ao teu lado mas parece que não foi um sonho, que foi
realidade. - Pedro deu-lhe um beijo na ponta do nariz.
- Esse sonho vai-te trazer algum incómodo durante o dia.
-Não te preocupes com isso agora, está bem?
-Está bem.
-Meu amor, estás preparado hoje para o desafio que vais enfrentar?
-Tenho de estar. Obrigada por estares do meu lado, sem ti sinceramente não sei o que faria e o que seria.
-Serias o mesmo Pedro de sempre, eu só tenciono mesmo fazer-te feliz. - Deu-lhe um beijo curto nos lábios. - Queres vir tomar banho comigo? Mas sem segundas intenções prometo! - Pedro sorriu e decidiu acompanhá-la.
Depois de tomarem banho, Pedro vestiu-se e decidiu ir mais cedo para o treino, precisava de recomeçar com todos os seus colegas, de justificar tudo e pedir acima de tudo desculpas a Filipe, que bem o merecia. Sabia que deveria ter feito tudo na semana que havia passado mas não tivera coragem, prefira afastar-se para pensar no que havia feito, afastara-se de todos, até de Raphael, o seu fiel e verdadeiro companheiro. Depois do banho tomado decidiu sair mais cedo para o treino para estar novamente sozinho no balneário e pensar não em Sofia, mas nas voltas que a vida dera e nos desafios que tinha de enfrentar, mas poucos minutos depois de chegar acabou por também chegar também outra pessoa. - Bom dia Filipe.
-Bom dia Pedro. - Responderam apenas com educação, nenhum deles sabia bem o que dizer.
-Desculpa. - Disse apanhando Filipe de surpresa. -Podes não aceitar o meu pedido de desculpas e eu compreendo perfeitamente, o que é injustificável, sei que não me deves nada, antes pelo contrário, eu devo-te a ti, mas quero apenas que mantenhamos uma relação cordial e com o mínimo de educação e respeito, os nossos colegas de equipas assim o merecem e o Benfica também.
-Pedro eu não sei o que te dizer. - Respirou fundo 3 vezes até se sentir com coragem de lhe responder. - Quem tem de te pedir desculpas sou eu. Eu sabia bem a tua história com a Sofia, desde o começo, e mesmo assim deixei-me envolver com ela, eu podia simplesmente ter recusado, ter negado, podia nem sequer ter provocado mas acabei por fazê-lo.
-Não vou ser cínico e dizer que não mexeu comigo e me deixou desiludido e magoado mas sei que no amor as coisas nunca são como queremos e eu estou com a Matilde, estamos bem e felizes, e quero que saibas que eu também fico mesmo feliz por teres devolvido um sorriso e acima de tudo a felicidade à Sofia.
-Tu já não a amas?
Pedro sentiu um nó prender-se na garganta sem saber o que dizer ou fazer. Teria de lhe responder mas tinha que optar entre dizer a verdade ou mentir-lhe.
-A Sofia marcou-me muito confesso, eu amava-a mais que a vida, mas ela faz parte do meu passado e eu quero apenas que ela seja feliz como eu sou com a Matilde. - Mentiu. Não poderia simplesmente contar toda a verdade, era demasiado duro e doloroso para lhe contar. - Posso entregar-te uma coisa?
-Claro. - Pedro tirou o envelope com a carta do bolso traseiro das calças e deu-lhe, Filipe ia abri-lo para começar a ler mas Pedro impediu-o, colocando a mão sobre a sua.
-Quero pedir-te para apenas leres em casa, sozinho.
-Pedro tu encaras bem o meu relacionamento com a Sofia?
-Filipe, acredita que se a Sofia namora contigo não é para te usar, ela seria incapaz de o fazer. - Disse convicto do que dizia mas com pesar na sua consciência porque estava certo do que dizia.
-Obrigada pelo apoio. Pedro, fora dos treinos e dos jogos não temos de nos falar, não somos obrigados a tal, mas pelo menos aqui dentro temos de reagir como meninos educados e crescidinhos e darmo-nos, para bem do Benfica, da equipa e pela Sofia e pela Matilde.
-Eu sei e acredita que da minha parte irei tentar ao máximo, espero que também o faças.
-Irei fazer.
Acabaram por se equipar e ir correr durante alguns minutos no campo onde ficaram pelo menos até aos seus colegas chegarem e a equipa técnica, que ficaram surpreendidos por os verem juntos e bem-dispostos, poucos sabiam a razão pela qual haviam andado envolvidos num ato de violência, por isso pensaram que era passageiro e que havia passado, mas nenhum deles sabia que era por causa de uma rapariga, de quem ambos gostavam bastante mas de forma bastante diferente.
-Meninos não se esqueceram do almoço de equipa, pois não? - Perguntou Diogo depois de todos tomarem banho e enquanto se vestiam.
-Claro que não. A Matilde fez questão de me relembrar hoje. - Respondeu Pedro sorrindo, lembrando-se da noite que haviam passado e tal gesto deixou Filipe confuso, afinal ele sabia que Pedro não conseguira esquecer Sofia mas porque razão continuava ele com Matilde?! O rapaz não conseguia compreender e não estava interessado em tentar saber, queria apenas fazer Sofia feliz.
Quando todos terminaram de almoçar decidiram organizar-se por carros e ir até ao restaurante onde faziam sempre os almoços e jantares de equipa, poderiam facilmente almoçar no clube, mas preferiam sair daquele ambiente. Assim que entraram, Filipe convidou logo Pedro para se sentar ao seu lado, queriam provar a todos que o que tinha acontecido entre eles era somente passado e nada mais que isso, e que queriam empenhar-se no bem da equipa e apenas nisso, os problemas pessoais não poderiam intrometer-se no clube, na equipa e no grupo de amigos.
-Pedro podes chegar lá fora se faz favor? - Pediu Raphael antes do almoço ser servido.
-Claro. Filipe guarda ai o meu casaco e as minhas coisas se faz favor. - Os dois saíram do restaurante e Raphael não perdeu tempo.
-Já não te reconheço Pedro. Tu eras o meu melhor amigo, eras meu irmão e meu sangue e agora quase que nem falas comigo.
-A minha vida está uma confusão Raphael, já há demasiada gente envolvida, não quero envolver mais.
-Eu sei que tu ainda amas a Sofia. - Pedro respirou fundo. - Não sei se vais a amar para sempre, mas sei que a amas mais agora do que quando estavam juntos. Tu não precisas de me dizer, nem de falar comigo, eu conheço-te meu irmão. -Pedro abraçou Raphael e começou a chorar no seu ombro... Sentia-se explodir por dentro, sentia-se dividido, queria desabafar, desejava e precisava de fazê-lo, e não existia ninguém melhor para isso que o seu melhor amigo, a pessoa que considerava irmão. -Conta-me tudo. E não te preocupes com o tempo que demora, eles não vão dar pela nossa falta. - Sentaram num banco escondido, mas suficientemente perto do restaurante.
-A Sofia escreveu-me uma carta... Ela estava grávida quando me deixou e decidiu abortar, e não me disse nada, limitou-se a escrever-me, um ano depois. Mas que apesar disto continua a amar-me, e quando regressou ao Seixal quis vir ter comigo, mas viu-me com a Matilde... E deixou-se envolver com um amigo nosso. E não foi difícil perceber quem era. E não sei o que mais me magoou, ela envolver-se com ele sabendo que éramos amigos, ou ele ser meu amigo e fazer-me isto, mesmo se a tivesse esquecido, não deixava de ser uma das pessoas que mais amei e que simplesmente me abandonou, ele deveria ter-me dito que ela cá estava. Estava tão furioso que depois de ler a carta sai de casa e fui à procura deles, e espetei-lhe um soco. Tinha a cabeça quente, não percebi o que fiz. Sou contra a violência, mas eu não sabia que mais fazer Raphael. Eu estava em cacos, e ele respondeu-me e acabamos por andar à porrada.
-Tu bateste no Filipe?
-Sim, e acredita que me arrependo, apesar dele ter merecido.
-Não o devias ter feito, mas na verdade tiveste razão para isso.
-A história ainda vai no início, Raphael.
-Desculpa, continua.
-O nosso mister soube do que aconteceu e ficamos duas semanas de castigo, mas acabou por ser reduzido apenas para uma, e logo no primeiro dia do castigo, a Sofia foi lá a casa, eu mostrei-lhe a carta e discutimos, ela respondeu-me que desejava e acabamos por fazer amor.
-Tu traíste a Matilde?!
-Sim. - Respondeu envergonhado. - Mas já falamos sobre isso mais à frente. Eu acordei depois de fazermos o que quer que tenha sido e comecei a vestir-me, senti repulsa de mim mesmo, eu traí a minha namorada... Com a minha ex-namorada. Que me abandonou! Ela acordou e eu pedi-lhe para vestir, tomar banho e sair.
-Contas-te à Matilde que a traíste?
-Não, e ontem acabamos por nos envolver.
-Calma... Tu envolveste-te com a Sofia, e com a Matilde? Na mesma semana?
-Sim, e acredita que ninguém mais me julga que eu mesmo. Estou desfeito por dentro Raphael.
-Pedro, eu conheço-te há 5 anos e, se alguém me dissesse que tu tinhas feito isto, eu não tinha acreditado e desmentiria até à minha morte, não estava realmente à espera confesso, e não tenho o direito de te julgar mas sim de te chamar à razão, como teu amigo que sou, e sei que te vai magoar o que vou dizer e até podes cortar relações comigo, acredita que eu compreendia e era eu que tomava a iniciativa de pegar nas minhas coisas e sair de casa, mas não quero, nem consigo ficar simplesmente calado. Tu corres o risco de vir a perder as duas com esta tua indecisão e com o que fazes, a Matilde ama-te Pedro. Ela é louca por ti e daria a vida por ti, ela sabe que tu vais sempre amar a Sofia e que vais para sempre gostar mais da Sofia que dela, mas continua do teu lado, queres maior prova de amor? Ela deu-te a sua primeira vez, e se soubesse que a tinhas traído ela perdoar-te-ia porque no fundo quer dar-te a mesma felicidade que alguma vez a Sofia te deu, e se sentir que tu realmente não o és, não duvides que ela acabaria contigo, mesmo que ficasse desfeita só para tu o seres, ao contrário de ti Pedro, estás a ser um egoísta. Não podes viver nesta indecisão de gostares das duas e quereres as duas, ou acabas com a Matilde e te concentras em reconquistar a Sofia, recomeçar de novo, ou te focas como nunca na Matilde e esqueces, ultrapassas e enterras o assunto Sofia, para deixar de ser algo no teu passado, mas para ser uma memória do teu passado. – Pedro não poderia negar que lhe havia magoado o que ouvira, que tinha sido fácil ouvir algo tão franco e directo como Raphael havia dito, mas afinal ele era como seu irmão e tinha-lhe dito o que precisava de ouvir, limpou as lágrimas e abraçou o amigo, não precisou de lhe agradecer, ele conhecia-o e bastou apenas um olhar para entender que lhe estava agradecido. Levantaram-se do banco e foram até ao restaurante.
Raphael sentou-se ao lado do irmão de Sofia, Diogo e Pedro voltou para junto de Filipe, que havia guardado um prato de comida igual à sua e depois de pensar, decidiu. Acabou o que tinha no prato, inventou uma desculpa qualquer a Filipe e saiu.
Entrou no carro e pegou no telemóvel, respirou fundo três vezes antes de fazer a chamada e sem pensar durante mais tempo, ligou. Bastaram três toques para atender.
-Preciso de falar contigo. Dez minutos e estou em tua casa.
-Está bem.
Dito isto desligaram a chamada e Pedro pôs-se a caminho, dava graças a Deus por ter um bom sentido de orientação e por lhe terem dado a morada e foi embora. Quando chegou ao destino já o esperava, entrou para o banco do pendura em silêncio e seguiram caminho, em silêncio absoluto, apenas se ouvia o CD que ela lhe havia dado com as suas músicas. A música da relação deles, as músicas preferidas de cada um e as músicas que eles consideravam descrever os vários momentos da relação, era o conjunto das canções deles, e mesmo sem querer, ela acabou por sorrir e ele teve sorte… Tinham parado num sinal vermelho e ele pode olhar para o sorriso dela e derreter-se com ele, como tinha saudades de o ver por sua causa, até que teve de despertar da dura realidade quando o carro que estava atrás buzinou porque o sinal já estava verde. Demoraram poucos minutos até chegar à praia onde tudo havia começado… A praia onde se tinham conhecido e dias mais tarde tinham começado a namorar. Sentaram-se no areal onde sentiam a brisa do mar a tocar-lhes na pele e o aroma maravilhoso do mar, que apesar de trazer a ela um misto de emoções completamente diferentes, fizera-a sentir-se bem. Depois de mais alguns minutos em silêncio no areal, Pedro respirou fundo e falou baixo, mas suficientemente audível para a sua ex-namorada ouvir:
-Porque mataste o nosso filho?
-Era o melhor para nós e para ele.
-Conta-me a verdade, Sofia. Eu conheço-te, sei que não o fazias apenas porque era o melhor para ele, e muito menos para nós.
-Pelos vistos não me conheces assim tão bem Pedro. Não podia ser egoísta ao ponto de colocar uma criança no mundo sem pensar se tinha ou não condições, mesmo que fosse o nosso sonho, não posso ser egoísta a esse ponto. Deixei-te porque sabia que nunca me irias perdoar por ter abortado e por isso optei para vir para junto da minha família em Espinho, para recuperar forças e energias que tinha depositado na nossa relação e em ti, o melhor para nós foi mesmo ter ido para lá.
-Tu queres que eu acredite que abortaste e nunca disseste nada ao teu irmão durante quase um ano? E que estavas de rastos e deixaste-o cá para recuperares energias?
-Pedro, eu não lhe disse nada porque sabia que o iria colocar numa situação que iria sofrer mais que ninguém. Por um lado era sofrer porque eu não estava bem, por outro lado era ver-te infeliz e não poder fazer nada para parar o teu sofrimento e ainda ter de acarretar com ele este segredo.
A rapariga podia optar por lhe contar a verdade, o pai forçara-a a fazer tudo, mas não o podia fazer, amava-o demasiado para tal, já o tinha perdoado e iria defendê-lo até a última instância, mesmo que para isso tivesse de sair ela prejudicada em invés dele.
-E achas que eu te esquecia e ultrapassava por não saber de ti, por te teres limitado a desaparecer da minha vida?
-Sim, esperava mesmo que o fizesses, era o melhor para todos.
-Diz-me uma coisa Sofia, tu conseguiste esquecer-me só com esta distância?
-Pedro, eu estou com o Filipe.
-E conseguiste esquecer-me e ultrapassar-me neste ano? Diz-me a verdade! – Pediu em tom de súplica.
-Pedro, tu marcaste-me muito e para sempre mas estou com o Filipe e gosto dele e somos realmente felizes, não planeei nada disto, nenhum de nós queria magoar-te mas acabou por acontecer... – Sofia não tinha mentido, mas também não lhe tinha sido completamente sincera, não poderia sê-lo. Continuava a amá-lo e iria para sempre fazê-lo mas precisavam de seguir com as suas vidas, era o melhor para ambos. Ela havia reencontrado a estabilidade e a felicidade junto a Filipe, que lhe devolvera o sorriso e amava todos os seus defeitos e problemas, beijava as suas feridas, e Pedro estava com Matilde, portanto gostava dela e já a havia ultrapassado. O melhor para todos era tudo ficar como estava. Tinha perdoado o pai, o filho estava enterrado e ela estava a tentar (ainda) ultrapassar a sua perca. Porque razão Pedro não seguia e ultrapassava a história deles? Ela também não conseguia, mas não iria dar parte fraca, sabia que era o melhor para todos o que tinha feito. Não podia dizer que já não o amava, ele conhecia-a e iria entender que ela mentira, por isso optara por ser sincera... E não responder realmente à pergunta que ele tinha feito. Levantou-se do lugar onde estava sentada, queria chorar mas não conseguia, doía-lhe o peito e custava-lhe respirar, não iria deitar mais nenhuma lágrima por causa de Pedro, prometera a si mesma que iria concentrar-se e ser completamente de Filipe, desde que aceitara o pedido de namoro, apesar de terem dito um ao outro que era apenas um “estratagema”, mas para ela era muito mais...
Apanhou o autocarro que havia ali nas proximidades e foi até casa, sentou-se na secretária e começou a escrever uma carta:

Querido Pedro:
Quando te prometi que te iria amar para sempre, eu sabia que iria cumprir.
Cada célula, cada pedaço de pele, cada cabelo e cada um dos meus dedos, ama tudo o que é teu, desde os teus mais pequenos e finos fios de cabelo até ao teu forte e enorme pé quando colocado ao lado do meu, toda a tua extraordinária pessoa e a tua indescritível alma eram o quanto me precisavam para ser feliz. Tu eras o meu refúgio, o meu tesouro, a minha metade, a minha peça do puzzle, e acredita que és alguém que me marcou a vida de uma forma que pensei nunca ser possível e isso amor nenhum, nem qualquer marca da vida vai apagar. As tatuagens que fizemos podem ser cobertas, tapadas, escondidas, mas acredita que a marca que me deixaste é muito mais forte que isso, não é meramente física, mas mais interior e profunda. Primeiramente abandonei-te fisicamente, com a distância e a ausência, sem explicação plausível, e agora abandono-te emocionalmente, para seres feliz. Pedro, tu mereces e eu sei que o serás.
Quando regressei tinha esperança de reaver tudo como deixei, de te poder ter nos meus braços e recomeçar a nossa história como se fosse do zero, mas encontrei-te com alguém que tinha sarado todas as feridas e o caco em que te deixei, alguém que te deu o que eu te dei... Sem esperar nada em troca, e eu sei que tu também a amas, porque de outra forma não estarias com ela. Tu amá-la, mesmo que tentes negar a ti mesmo, e mintas aos outros, tu já me esqueceste, e ultrapassaste, está na altura de te deixar ir em busca do que realmente te faz bem em invés de ficares preso numa velha obra e num antigo caminho que só te atirou pedras. A Matilde é o teu caminho a seguir, é o teu presente, o teu futuro. Quanto a mim? Sou eu, que te escrevo esta carta, com lágrimas nos olhos mas com certeza da atitude que tomo. Deixar-te ir é o melhor que tenho a fazer.
Sou a Sofia que sempre fui, caiu e levanto-me e existe outra pessoa que embora não me faça feliz como tu fizeste, gosta de mim realmente como sou, perdoa os meus erros e defeitos, e aceita-os e acima de tudo, ama-os, mesmo que a nossa história não tenha começado de forma mais “bonita” é alguém que me fez ter uma perspetiva diferente da vida e me beijou as feridas e ajudou a sará-las, e é junto dele que tenciono ser feliz. Mais uma vez. Mas sempre contigo no meu coração. E é por isso que esta é a última carta que te escrevo, porque sei que custa não olhar para o passado, mas sim olhar para o horizonte de cabeça erguida e com esperança no futuro e crença no presente que vivemos.

Amo-te, para sempre
Sofia Roch(inh)a”

Assim que Sofia assinou, limpou as lágrimas que ainda lhe molhavam a face e dobrou a folha de papel onde havia escrito, colocou-a no envelope que foi para a caixa onde estavam todas as cartas que escrevera a Pedro desde que o deixara e voltou a colocá-la debaixo da cama e queria mais iria olhar para elas. Aquela era a última carta que lhe escrevia, iria apenas viver o presente e olhar para o futuro... Quanto ao passado? Era isso mesmo, passado. Uma mágoa vivida mas ultrapassada. Respirou fundo na esperança de se acalmar e pegou no telemóvel. Tinha de falar com alguém. Com Pedro estava fora de questão, com Filipe era difícil, saberia que ele ia ficar desiludida consigo, Rita estaria ocupada e Diogo ainda estava no almoço e convívio, e tinha saudades de falar com o seu pai e ele iria querer ouvi-la, por isso ligou-lhe.
-Olá meu bem!
-Olá minha essência! - Respondeu sorrindo tentando mentalizar-se que estava tudo bem. - Como estás?
-Cheio de saudades tuas mas com imenso trabalho para te poder visitar.
-Se quiseres eu ligo-te mais tarde.
-Sofia, eu tenho sempre tempo e amor para os meus filhos.
-Obrigada! - Sorriram. - Desculpa não ter ligado mais cedo, mas tenho dias muito agitados.
-Por causa do Filipe e do Pedro?
-Sim... Pode dizer-se que sim. Porque falaste do Pipo?
-O rapaz estava demasiado comprometido ao pé de mim e da tua mãe e se fosse um amigo qualquer não o trazias para aqui. Além de que é da equipa do teu irmão e ele não falou nada de nenhuma lesão, e ele era habitual titular. Queres-me explicar o que é que vocês têm?
-Se eu te disser não vais acreditar.
-Experimenta.
-Eu e o Filipe namoramos. - O pai apesar de tudo, não ficou surpreendido. - O Pedro gosta da Matilde, senão não estariam juntos e são felizes, isso é o que mais me importa. Eu gosto do Filipe, estamos juntos e eu sei que ele me fará feliz também, ele beija-me as feridas e ajuda-me a curá-las, ele gosta realmente do que sou e faz-me sentir bem.
-Mas tu não esqueceste o Pedro.
-Nem ele a mim, mas temos de olhar para o futuro e para o presente, e nós estamos felizes com quem estamos.
-O que te faz acreditar que ele está com a Matilde e está feliz?
-Pai, se ele não gostasse dela não estariam juntos.
-Isso não quer dizer nada. Tu também gostas do Filipe e não esqueceste o Pedro.
-Pai, acabou. Tudo o que poderia vir a existir entre nós acabou hoje. Eu disse-lhe que tinha abortado propositadamente e que o deixei para recuperar energias junto a ti e à mãe, e aos avós, mas ele não acreditou e eu disse-lhe que estava feliz ao lado do Filipe - Tentava conter as lágrimas mas eram mais forte e acabou por deitar uma pequena lágrima pelo olhos.
-Compreendo que o que fizeste foi apenas porque achaste que era o melhor, mas ele tem o direito e o dever de saber a verdade, toda a verdade, mesmo que esteja com a Matilde e tu estejas com o Filipe.
-É o melhor para todos que seja assim pai. Ele esquece-me e é feliz com a Matilde, eu gosto do Filipe e vou ser feliz com ele, custe o que custar.
-E se nenhum dos dois for feliz com as novas caras metades?
-Temos de ser, pai... Simplesmente temos de ser. - Confessou suspirando. - Mas não te incomodo mais, vou preparar algo para o Filipe comer quando chegar a casa.
-Estás a trocar o teu namorado pelo teu pai, Ana Sofia Costa Rocha?
-Rochinha pai. E não, seria incapaz de te trocar por algum homem, simplesmente tu vais trabalhar e eu vou mimar o meu namorado.
-Posso dizer à tua mãe?
-Não acredito que ainda não tivessem comentado nada.
-Por acaso estás errada, nunca comentamos nada disso. Mas não te incomodo mais, vai lá preparar as coisas para o teu homem. Beijo, amo-te filha.
-Também te amo pai.
Dito isto desligaram a chamada e Sofia sentia-se mais “leve” com a conversa que tinha tido com o pai, talvez não fosse a forma mais acertada de dizer a Pedro para a esquecer, mas já estava feito e ambos tinham de ser felizes e com as pessoas com quem estavam. Ligou para Filipe, queria e precisava falar com ele.
-Diz-me meu amor.
-Tenho saudades tuas Pipinho! - Disse sorrindo. - Como está a correr o almoço?
-Também tenho saudades tuas, Sofia! Queres que vá ter contigo?
-Deixa-te estar aí no almoço, eu fico aqui a estudar...
-Tu estavas a estudar?
-Achas mesmo, Filipe? Ia começar agora... Estive a falar com o meu pai ao telemóvel, tenho saudades dele.
-Temos que lá voltar em breve, meu bem. E olha os meus pais convidaram-nos para irmos lá jantar hoje, eu é que me esqueci de te avisar, não te importas?
-Claro que não, podias ter avisado mais cedo, fazia um bolinho e tinha ido comprar umas roupinhas... Mas já agora, disseste-lhes que estamos juntos?
-Não, eles andam desconfiados, mas não lhes disse nada.
-Amor? Posso dizer-te uma coisa?
-Diz-me bebé.
-Estou nua à tua espera. - Disse entrando na varanda observando Filipe a estacionar.
-Estou a estacionar o carro à porta de casa, dois minutos!
-És muito esperto, menino Pipo. - O rapaz estava atrapalhado a estacionar o carro e ela decidiu picá-lo ainda mais. - Se demorares muito vou-me vestir. - Estava a brincar com o rapaz, estava vestida à sua espera, mas o rapaz deu-lhe ouvidos e demorou apenas dois minutos até chegar ao local onde viviam, abriu a porta do apartamento e viu-a completamente vestida e foi notório a sua desilusão.
-Não acredito que fiz uma correria e afinal estás vestida, não se brincam com estas coisas Ana Sofia! - Disse dando-lhe um curto beijo nos lábios, cumprimenta-a.
-A tua correria e o teu ar de esperançoso foram impagáveis!
-Não se brinca com coisas sérias, minha menina! Mas já que sugeriste... - Agarrou-a no fundo das costas e tentou encurtar a distância física que existia entre os corpos.
-Nada disso Filipe Nascimento! - Afastou-se dos braços dele. - Primeiro o bolo!
-E se deixássemos para depois o bolo, ou melhor, e se o comprássemos?
-Filipe, compreendo que sejas extremamente irresistível mas não estou mesmo com disposição ou cabeça, desculpa ter-te provocado mas estava mesmo a brincar. Quero apenas sentar-me no teu colo e ficar protegida nos teus braços e a cabeça pousada no teu peito, além do mais o teu pai já te viu com as costas todas arranhadas e agora que estamos juntos vai pensar que sou um animal insaciável!
-Sofia, temos de aproveitar enquanto somos novos e isto sobe e faz o seu trabalho!
-Não sejas assim Filipe! - Sorriu. - Tu sabes bem que não vais ter desses problemas, tu fazes tudo e bem!
-Obrigada! É sinal que ainda não te dei razões de queixa! - Piscou-lhe o olho. - Mas está tudo bem contigo?
-Sim, está tudo bem. Eu é que não me apetece fazer nada disso, não estou com disposição para isso, quero apenas ficar nos teus braços.
-Anda comigo. - Deu-lhe a mão e foram até à sala. Filipe sentou-se no sofá e com a mão convidou-a para se sentar no seu colo, ela fê-lo e ele rodeou o corpo dela com os seus braços. - Sabes que gosto muito de ti, não sabes?
-Também gosto muito de ti, meu homem. - Deu-lhe um beijo no nariz. - Talvez seja dar um passo maior que a perna... Mas para mim já não faz sentido vivermos com o Diogo e a Rita, devíamos arranjar um cantinho só para nós.
-Amor, acredita que eu também quero muito ter um cantinho só para nós, mas ainda é cedo. Nós estamos juntos ainda nem há duas semanas, mas podemos ir vendo algumas casas, e falando com a tua família para ver como reagiam e depois logo se via.
-Não quero que vamos viver juntos para gritar aos 7 ventos que vivemos juntos, mas sim porque quero que comecemos uma história só os dois e também de te provar que gosto realmente de ti. De verdade. - Olhou para ele e deu-lhe um curto beijo nos lábios.
-Não precisas de me provar nada, eu sei que gostas de mim. - Sofia aconchegou-se nos seus braços e sorriram. - Vamos fazer o nosso bolinho?
-Vamos começar, sim.
Levantaram-se do sofá e foram até à cozinha onde começaram a preparar o bolo.
-Queres fazer bolo de chocolate ou laranja?
-Laranja, talvez seja melhor. Vamos lá pôr o avental para não irmos sujos para casa dos meus pais.
-Nem penses que vou vestida assim, Filipe! Tenho de ir melhor vestida!
-Sabes que os meus pais não ligam nada às aparências, basta ires simples e seres tu mesma.
-Oficialmente já são meus sogros logo tenho de ir simples mas elegante.
-És muito especial Sofia, sabias?
-Fazia uma pequena ideia. - Sorriu e deu-lhe um beijo curto nos lábios. Prepararam todo o bolo e colocaram-no no forno.
- O que queres fazer enquanto o bolo está no forno?
-O que tu queres sei eu, Filipe! Mas temos de ir escolher roupa para levarmos!
-Explica-me a obsessão das mulheres por roupa.
-Nunca me ouviste a queixar que não tenho roupa ou da roupa que tenho!
-Pois não, por isso é que digo que és uma mulher muito especial.
-Eu sou só a tua mulher e tu o meu homem! - Deu-lhe um beijo no nariz. - Acho que o tema roupa é algo extremamente discutível nesta relação!
-Discutível?
-Sim, principalmente da minha parte que fui eu que te levei para a cama!
-Não sou assim tão necessitado...
-Que ideia! - Respondeu provocando-o. - Uma semana!
-Não aguentas uma semana sem mim!
-Já aguentei mais.
-Mas não enquanto namorado.
-É natural, eu provoco-te. Mas garanto-te que não aguentas!
-Está apostado! - Deram um “passou-bem” mútuo. - Cinquenta euros!
-Apostadissímo! Começa agora mesmo.
-Não disseste que não valia a pena provocar!
-Eu também sei provocar, sabias?
-Calei-me! Amor, já alguma vez apresentaste uma namorada à tua mãe?
-Ela já conheceu uma rapariga com quem curti, mas não foi nada sério e aconteceu.
-Vamos jantar normalmente e se perguntarem se namoramos ou surgir em conversa esse tema, confirmamos, senão surgir em tema de conversa não dizemos nada, estamos de acordo?
-Sim. Podes escolher-me a roupa enquanto vou ver do bolo se faz favor?
-Tu queres é uma desculpa para não me veres despida, mas vai lá que num instante também me visto.
Filipe sorriu e enquanto ela escolhia a roupa dos dois, ele sentou-se no sofá e começou a ver televisão, não a queria ver sem camisola, queria mesmo ganhar a aposta, não apenas pelos 50€, mas para lhe provar também, embora que indiretamente que ele gostava mais dela além do seu bonito corpo, depois de aguardar alguns minutos foi para o quarto onde a sua roupa já estava em cima da cama e a namorada vestida, agradeceu-lhe e ela saiu do quarto dando uma desculpa qualquer... Ela já havia decidido, ia ver televisão para não o ver despir-se à sua frente mas também pouco viu, o rapaz vestiu-se bastante rápido e o nervosismo começou a tomar Sofia, e Filipe sentiu o nervosismo dela e apertou-lhe a mão e seguiram até ao carro e bastou apenas meia hora para chegarem a casa dos Nascimento. Respirou fundo e o rapaz abriu a porta...

Como vai correr o jantar com a família Nascimento?
Será que vão assumir a relação? Como estará a reagir Pedro?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Capítulo 17 “Tu nunca foste a outra, tu és “a” rapariga”


(Sofia)

-Às vezes tenho dificuldade em perceber se queres o melhor para mim ou se queres à força que lute pelo Pedro, mesmo que ele não seja a minha felicidade. Eu namoro com o Filipe, e se não gostássemos, nem que fosse um pouco, um do outro, não estaríamos juntos, não achas? Ele não é um erro, e mesmo se fosse, é com os erros que aprendemos e crescemos e tu tens de aprender a deixar-me cair e crescer, não me podes proteger para sempre. Avisaste-nos que íamo-nos apaixonar e aconteceu, mas provavelmente se não estivesse com o Filipe, estaria ainda por aí a chorar por causa do Pedro, e foi graças a ele que aprendi que o passado já lá vai, que não passa disso mesmo, de uma altura que já foi, por muito que me marque. O meu passado tem o Pedro, o do Filipe foi com várias raparigas mas eu nem quero saber, provavelmente se eu fosse a ele, e sabendo que é muito giro, faria o mesmo, mas sabes o que nós pensamos? Que estamos juntos e felizes, somos namorados e queremos aproveitar ao máximo!

-E o Filipe está disposto a lutar e a estar ao teu lado mesmo sabendo que amas e provavelmente amarás sempre o Pedro? E se ele algum dia ele quiser voltar para ti, tu vais acabar por magoá-lo?

-Tu tens todas as razões do mundo para estares chateado e magoado connosco, sei bem disso, Diogo. - Disse Filipe surpreendendo todos. - Sei que errei ao envolver-me com essas raparigas, e é normal e compreensível que tivesses medo que o fizesse à tua irmã, mas eu não o faria. Sou amigo dela, ela é a minha Soff. Conheço bem o passado dela, e poderia ter recusado envolvermo-nos, no início, mas não o fiz, ambos estávamos livres, queríamos uns momentos de prazer e não queríamos misturar sentimentos, afinal eu também tinha a Jéssica ou já te esqueceste? Sei que esta minha escolha de me deixar envolver, e depois de nos termos apaixonado, me vai trazer coisas negativas. Que me vai fazer perder algumas amizades importantes e que me deu um castigo pelo Benfica, que provavelmente me irá custar caro, mas valerá a pena, porque corri riscos e vou magoar pessoas, mas vou fazer a tua irmã feliz e é o que mais me importa! A tua irmã pode dar-me mágoas, mas também me pode dar felicidade, assim como eu lhe posso fazer, mas estamos a confiar um no outro para nos entregarmos a sério a esta relação, antes de fazermos o que quer que seja, vamos sentar-nos e discutir o assunto como qualquer adulto, ou pessoa matura faria. A nossa relação também não tem assim tanta diferença da tua relação com a Rita. Ela fez mal à Sofia e a tua irmã perdoou-a, aceitou-a na tua vida e deu-lhe mais uma oportunidade, não achas que também me havias de dar?
-Promete que vais fazer tudo para não a magoar.


-Seria incapaz de magoar quem tanto gosto.

-Também não o vou magoar, está descansado, Diogo Filipe! - Respondeu a irmã.

-Então vamos lá jantar. - Disse Rita que havia sido espetadora durante toda a conversa.

-Primeiro quero levar o Filipe a um sítio. Diz à mãe que demoro uma hora no máximo, vão comendo.

-Onde vais? - Perguntou o irmão, depois de Sofia agarrar na mão de Filipe e de o querer levar para fora do quarto.

-Depois explico-te! - Sofia deu-lhe a mão e sentou-se no lugar do pendura e Filipe no lugar do condutor, e ela começou a dar-lhe as indicações para um local desconhecido, apenas afirmando que iriam a um local que era importante, e que queria que ele conhecesse. Estacionou o carro e foram até à porta do local e o rapaz ficou chocado, não estava nada à espera.

-Quero que conheças a campa onde está o meu filho. - Deu-lhe a mão e levou-o até à pequena campa que existia num pequeno espaço daquele deserto cemitério. - Depois de ter abortado, pedi apenas para darem dignidade ao meu filho e sepultá-lo, o meu pai assim o fez. Pedi também para ficar em Espinho, porque assim sentia-me mais perto do meu filho e também do Pedro, mas saber que o Júnior estava tão próximo e ao mesmo tempo tão longe ainda me fez sentir pior, foi-me matando por dentro. - Filipe abraçou-a e deixou-a chorar nos seus braços.

-Tenho a certeza que o teu filho estará muito orgulhoso e a olhar por ti no céu!

-Espero mesmo que sim. - Filipe limpou-lhe as lágrimas e deu-lhe um curto beijo nos lábios. -Só espero que o teu filho esteja orgulhoso do padrasto que sou.

-Padrasto é uma palavra tão feia Pipo, tenho a certeza que irá ter tanto orgulho em ti como tem no pai.

-Posso perguntar-te uma coisa?

-Diz-me.

-Porque escolheste Júnior Filipe da Rocha Rebocho?

-Eu e o Pedro nunca tínhamos falado de um nome para os nossos filhos e como ele era o nosso júnior, decidi que era o nome indicado. - Respirou fundo e limpou a última lágrima que lhe estava na cara. - Filipe porque é o segundo nome do meu irmão e seria naturalmente o padrinho e tu eras o amigo de quem estava mais próxima enquanto estive grávida, por isso honrava duas pessoas de quem tanto gosto.

-O Pedro não irá gostar de saber que terá um filho com o meu nome.

-Talvez um dia ele me procure para saber mais do filho, até lá nada mais irei dizer.

-E se ele nunca quiser saber?

-É sinal que não me amava como sempre pensei.

-Sofia, eu gosto realmente de ti, acredita em mim. - Disse-lhe estas palavras olhando-a nos olhos e ela pode ver que era realmente verdade o que ele dizia. - Sei que não é o sítio mais indicado para uma declaração de amor, mas assim aquilo que farei será pelos olhos apenas e só do Júnior. - Sofia sorriu orgulhosa. - Tu és o meu ídolo, a única rapariga que alguma vez admirei, a tua força... Não tenho palavras. Incomoda-me só pela sua existência de tão grande e um dia espero ter uma ínfima parte dela, e da tua capacidade de perdoar, incomoda-me pensar como é que és capaz de perdoar quem tanto mal te fez? De pôr tudo para trás das costas a pensar que essa pessoa está arrependida e pensares que nada mais importa. Quando tu gostas é assustador a forma como gostas e o único pedido que me faço em relação a ti é não ouvir-te dizer que gostas de mim, nem o demonstrares, apenas e só preciso de ver-te a falar de mim com o mesmo brilho nos olhos que tens quando falas do Pedro. - Ela abraçou-o.

-Não consigo dizer que te amo, porque seria enganar-te e enganar-me a mim, continuo com o Pedro gravado no meu coração. - Filipe desviou o olhar magoado. - Mas sei que ele é passado. Que hoje, não me faria feliz como alguma vez me fez, que tu me vais fazer e eu aceitei namorar contigo, não para fazer ciúmes ao Pedro, mas para te provar que te estou a dar uma oportunidade e que sinto algo por ti, mas não sei bem dizer o que é, nem consigo sequer explicar, por isso quis, de certa forma apresentar-te ao meu filho para entenderes, um pouco do que sinto. - Ele abraçou-a e beijaram-se.

(Nesse mesmo dia, depois do jantar)

-Vou-me deitar. - Anunciou Sofia depois dos pais irem para o café e de se sentar com o irmão, cunhada e namorado no sofá da sala.

-Já? Mas ainda é tão cedo.

-Eu sei, mas o dia foi repleto de emoções.

-Queres que vá contigo? - Perguntou Filipe.

-Estava à espera que te convidasses, preciso de alguém me aqueça com este frio.

-Encostem a porta do quarto dos visitantes e já agora a do teu quarto também, mana!

-O que é que estás a insinuar?

-Nada que não seja verdade!

-E tu vê lá se também não deixas a minha cunhada a pão e água!

-Eu já jantei mas obrigada pela preocupação, cunhada! - Respondeu Rita.

-A Rita vai dormir a casa dela.

-Deve ir deve. - Respondeu Filipe, encostando já a porta do quarto onde (supostamente) iria dormir e indo para o quarto com a namorada.

-Vamos dormir então meu amor? - Perguntou Filipe abraçando-se a Sofia.

-Estava a pensar noutras coisas...

-Sabes que demasiado sexo prejudica a vida de um atleta não sabes?

-Acho que não falei em sexo.

-Falaste em aquecer os pés. - Esta expressão fazia-o sorrir. - Não quero que a nossa relação seja apenas e só à base disso.

-Não é, sabes melhor que ninguém que é bem mais que isso. - Dito isto beijou-o. - Quero mostrar-te uma coisa. - Sentou-se em cima da cama e afastou as calças do seu tornozelo e pode ver-se uma tatuagem no tornozelo com uma peça de puzzle com um coração no centro e dois pedaços que o faziam completar-se com outra peça.

-Tu fizeste esta tatuagem com o Pedro?

-Sim. - Respondeu calmamente, falando tranquilamente sobre o seu passado, surpreendendo Filipe, todo aquele dia havia sido uma total surpresa para si. -Nós acreditávamos que éramos almas gémeas e não fazia sentido viver um sem o outro, que éramos como puzzles. O coração no centro significa o amor que sentíamos um pelo outro, e os quatro encaixes simbolizam os quatro vértices essenciais, na nossa opinião, para uma relação: amor, confiança, amizade e respeito. E sabes porque escolhemos fazer neste sítio? Porque é próximo do tendão de Aquiles e segundo a lenda era o único ponto fraco do quase invencível Aquiles, conheces a história?

-Não.

-Então eu conto-te. Aquiles era um herói da Grécia, que participou na Guerra de Troia e o maior guerreiro da Ilíada de Homero e segundo a lenda era invencível em todo o seu corpo à exceção do seu calcanhar e foi atingindo exatamente aí por uma seta envenenada e morreu.

-Tu e o Pedro estão para sempre marcados na vida um do outro... - Anunciou chocado e com dor, não era apenas a tatuagem, mas o facto deles terem tanto em comum e de uma pequena parte de Pedro (mais uma) estar marcada no corpo dela.-Nunca conseguirei fazer-te feliz, fazer-te amar-me ou completar-te como ele te fez.

-Filipe, não precisas de me completar ou amar, tu já me fazes feliz apenas por estares na minha vida e eu gosto de ti assim, não peço mais nada, o passado é o Pedro, mas eu quero olhar para o meu futuro e presente e esse está aqui à minha frente. - Dito isto beijou-o e quando separaram os lábios, passou-lhe a mão pela face. - Tu és tão bonito. És lindo por dentro, com essa tua coragem e com essa tua determinação, por fora és um verdadeiro deus grego. - Beijou-o com intensidade e com uma carga de sentimentos à mistura, despertados nos beijos que depositavam. -Sabes que és muito importante para mim não sabes? - Filipe murmurou positivamente e acabou por levar as suas mãos até ao interior da blusa da sua namorada, e só ele sabia o quanto lhe agradava chamá-la por este nome... Por muito que Pedro a tivesse marcado, ele também estava a marcá-la e ela sentia algo por ela.

Despiu-lhe a camisola e ela levou as suas mãos até ao interior da t-shirt dele e só ele sabia o quão bem aquilo lhe soubera, com o ritmo do momento acabaram por ficar apenas em roupa interior e não tiveram medo de admirar o corpo um do outro. Apesar de já o conhecerem e de já não ser a primeira vez que se envolviam aquele nível, era a primeira vez que existia uma carga emocional tão forte. Filipe encheu-lhe o corpo de beijos em todas as partes e quando terminou voltou para os seus lábios onde não se importava de beijá-los quantas vezes quisesse, de todos, era o seu sabor preferido. E ela acabou por fazê-lo sofrer um pouco, danço-lhe apenas em lingerie, de forma a deixá-lo completamente perdido de amores e desejoso de fazê-la sua, na primeira altura em que ela se distraiu, ele agarrou nela e despiu-a, despiu-se também de forma desajeitada e começou a explorar o seu corpo de uma forma que só ele sabia fazer e o que começara com algo tão habitual entre eles, fê-los conhecer algo novo... Em conjunto. Já não era apenas sexo, não era um momento de orgasmo, era amor e era um misto de emoções que os deixava surrealmente felizes e entregues um ao outro.

(Matilde)
Matilde conhecia a história de Pedro quase desde que o conhecera, e, desde o primeiro momento que oferecera toda a sua ajuda para ultrapassar. Nunca quis que ele a esquecesse, apenas poderia partir dele essa decisão, mas queria pelo menos que ele lutasse pela sua felicidade e recuperasse do sofrimento que havia vivido. Com todo o apoio e ajuda que lhe prestou, tornou-se num dos principais, senão o mais importante pilar, para ele recuperar, e da “simples” amizade que os uniu, nasceu um amor e cresceu embora que de proporções completamente distintas.

-Matilde? - Perguntou Pedro enquanto caminhavam de mãos dadas. - Estavas a pensar em quê, meu bem?

-No jogo de há pouco. Foi importante esta vitória na véspera de um jogo tão importante.

-Não precisas de me mentir, eu conheço-te.

-Vamos para minha casa falar, é melhor. - Tinha acabado há poucos minutos o jogo da equipa de Pedro e haviam saído do Caixa Futebol Campus em direção ao carro dele, onde entraram e foram em direção à casa dela.

-Quando voltam os teus pais?

-Amanhã à noite, hoje vais dormir comigo, amor!

-Mas nem trouxe roupa para dormir, nem para vestir amanhã.

-Para que precisas de roupa? Eu tenho uma desculpa para não a teres.

-Não tenhas pressa em fazeres nada, só quando tu tiveres preparada e que o vamos fazer, Matilde, eu não me importo de esperar.

-Eu estou preparada e quero fazê-lo contigo. Mas antes de me entregar a ti, como nunca o fiz precisamos de ter uma conversa franca e honesta.
Passado alguns minutos, Pedro estacionou o carro na garagem do prédio e foram de mãos dadas até casa dela. -Vamos para o meu quarto. - Sentaram sobre a cama dela e Pedro respirou fundo, sabia que era altura de ser completamente sincero com a sua namorada, mas também que o iria magoar e gostava dela, não o queria fazer. - Eu sei que a tua ex-namorada é da minha turma. - Pedro ficou chocado. - Fiquei desiludida por nem tu, nem a Sofia me terem dito.

-Não era fácil dizer-te que estavas tão perto de uma pessoa que me foi tão importante.

-A Sofia ainda é uma pessoa importante para ti, não precisas de o negar.

-É verdade, mas já a esqueci, agora estou contigo e é contigo que quero estar.

-Também gosto mesmo muito de ti, mas conheço-te a ti e ao teu passado, conheço a Sofia e não sou burra para saber que vocês ainda gostam um do outro.

-Sofri muito por causa dela, ainda hoje sofro por tudo o que me fez passar, mas não me posso esquecer que a amei, que cresci muito ao lado dela e que fomos muito felizes, ela marcou-me isso não o posso negar.

-Conta-me por favor tudo, desde o início.

-Mas eu estou feliz contigo Matilde, eu gosto realmente de ti, acredita.

-Quero saber mais do teu passado, quero que me contes tudo, eu preciso de saber e acho que me deves isso.

-Tens a certeza?

-Mais do que a certeza.

-Lembro-me muito bem daquele dia. - Sorriu ao pensar. -Era 1 de Setembro, estava um calor infernal e estávamos de folga porque na véspera tínhamos chegado de um torneio que tivemos no estrangeiro e eu, o Diogo e o Filipe, decidimos passar o dia à praia, mas só no próprio dia é que o Diogo nos avisou que ia levar a irmã, e desde o primeiro olhar que trocamos que havia algo nela muito especial. Houve uma atração entre os dois instantânea. Os olhos dela cativaram-me, o corpo chamava-me a atenção e ela parecia prender-me ainda mais com cada palavra que dizia, não tiramos os olhos um do outro e quando tivemos de nos separar, trocamos contactos e ficamos dias e noites a falar, a conversa flui-a tão naturalmente que nem dávamos conta das horas passarem. Acreditas que bastou apenas uma semana para nos apaixonarmos perdidamente? Mas só alguns dias depois de ambos termos assumido é que lhe pedi em namoro, bastaram apenas 3 semanas para começarmos a namorar desde que nos conhecemos, o que para a cabeça de muita gente fazia confusão mas para nós não, o que eles diziam pouco importava. E não foi preciso muito até nos entregarmos a outro tipo de nível... Mais físico. Na verdade bastaram apenas alguns dias para o fazermos. Havia medos, receios e todo um misto de sentimentos que queriam contrariar o que fazíamos, mas entregamo-nos, apenas a confiar um no outro e foi bom, não porque o fizemos, mas porque nunca o tínhamos feito e foi uma entrega única e especial, foi algo só nosso. Mas nem tudo foram rosas, os ciúmes começaram a dominar a nossa relação, a degradá-la e o que começou por ser especial, tornou-se rodeado pelos ciúmes. Ela tinha demasiado medo de me perder, tinha medo de perceber que era apenas mais uma para mim, e eu tinha um medo de morte de a perder para o Filipe, ainda por cima eles eram os melhores amigos. E ele é bonito, consegue as raparigas que quer, tinha medo que ela se fartasse de mim e acabássemos, estivemos a um passo que isso acontecesse, nenhum de nós queria, mas para nós, era inevitável, só não queríamos assumir, mas um dia decidi preparar-lhe uma surpresa. Convidei-a para irmos à praia e jantarmos por lá e fiz com um conjunto de letras “Fica Comigo”, apesar de simples, foi o que nos fez reacreditar no nosso amor e na nossa relação e foi a partir daí tu já sabes...

-Continua Pedro.

-Tens a certeza?

-Quero saber tudo, até ao pormenor que parecer mais desinteressante.

-A nossa relação começou a mudar. Começamos a acreditar um no outro, a falar sobre tudo, a confiar tanto em nós mesmos, como um no outro, e foi a partir desse momento que mencionamos o que para nós eram as quatro bases para um romance: amor, confiança, amizade e respeito, e por isso tatuamos isto. - Ergueu a perna e afastou as calças da zona do seu tornozelo. - As peças do Puzzle porque acreditávamos que éramos almas gémeas e não fazia sentido viver um sem o outro.

-Nunca pensaste esconder a tatuagem?

-Sinceramente queria fazê-lo bem no início, mas é algo que faz parte do meu passado, alguém que me marcou muito mesmo e me mudou e me fez crescer de uma forma brutal, com quem vivi momento realmente realmente bonitos e felizes, mas também sofri, por isso não tenciono apagar, remover ou até esconder, seria estar a esconder algo que realmente significa para mim por algo que não significaria nada.

-Vou-te fazer uma pergunta e quero que sejas completamente sincero comigo.

-A Sofia marcou-me muito, mas estou magoado, desfeito, ferido e mutilado de sentimentos por ela, agora ela é um vazio no meu coração, ela encheu-me de carinho e paixão, mas depois deixou-me um buraco maior e tu encheste-o com toda a tua essência, amor e ternura, com tudo aquilo que és, e significas para mim. Tu nunca foste a outra, tu és “a” rapariga.

-Sabes que gosto muito de ti, não sabes? - Sentou-se ao colo dele e deu-lhe um rápido beijo nos lábios.

-Sei, porque esse sentimento é completamente recíproco.

-Escondi-te uma coisa importante, e quero que o saibas.

-Estás-me a assustar, Pedro.

-A Sofia escreveu uma carta e deixou-ma na caixa de correio, apesar de não ter remetente, logo no inicio entendi que era ela. Sabes o que dizia?! - Disse já com as lágrimas nos olhos. - Que quando me deixou estava grávida, e que ela se limitou a matá-lo. - As lágrimas já lhe corriam pelo rosto sem conseguir contê-las e Matilde limpava-lhe as gotas de água que escorriam pelo rosto e apertava-lhe a mão. -Ela matou-o, como matou o nosso amor, decidiu apagar-me da vida dela do dia para a noite sem nada me dizer. E sabes o que me custa mais? Eu dava a minha vida por ela, fazia-a tudo o que ela me pedisse, beijava o chão que ela pisava se quisesse, e a minha recompensa foi esta... Eu pensava que a conhecia, mas ela revelou-se. O nosso maior sonho era sermos pais e ela quis abdicar dele... Sem me consultar? E não teve sequer a dignidade de mo dizer na cara, escreveu numa puta de uma carta. - Disse já não magoado, mas revoltado. - E ainda me culpa! - Deu um sorriso sarcástico. - Diz que quando voltou ao Seixal queria vir ter comigo, mas como me viu contigo, envolveu-se com um amigo nosso. Só prova que ele não é meu amigo, nem dela, mas sim um verdadeiro playboy! Como é que ele conseguiu ir para a cama com ela, sabendo de tudo? Eles metem-me nojo! Mas continua sempre a dizer que não me esqueceu, e o maluco sou eu? E eu não consegui simplesmente não reagir, peguei no meu carro, procurei-os durante algum tempo, estacionei o carro à pressa e espetei um soco naquele gajo, e disse-lhe que ela me metia nojo, só podia ser ele, eu sabia ! Mas o sacana respondeu-me e ela tentou separar-nos mas não conseguiu, eu pouco depois é que decidi ir embora a pensar em ti, meu bem. Sei que provavelmente não deveria ter respondido com a violência, mas reagi a quente. Eu sou contra a violência, mas não pensei, o meu coração estava demasiado despedaçado, e o mister acabou por descobrir e pôs-nos de castigo. Começou por ser duas semanas sem jogar ou treinar, mas o mister acabou por mudar de ideias e reduzir o nosso castigo para metade, só que para não mancharem a minha reputação e do Filipe e com a necessidade de justificar o injustificável inventaram esta lesão.

-Provavelmente no teu lugar faria o mesmo. - Pedro olhou para Matilde completamente surpreendido, esperava tudo menos aquelas palavras. - Não sei se o Filipe é realmente teu amigo ou não, prefiro não me meter, mas esta atitude não foi de amigo. Ele sabia que ela ainda mexia contigo e mesmo assim não parou para pensar que aqueles momentos de orgasmo lhe iriam custar caro, e ela contou-me, não sei se foi por te amar ou não, não faço ideia, no lugar dela não o faria, por isso no teu lugar faria exatamente o mesmo, acho que lhe espetava bem mais que um soco e era bem merecido!

-Não me estás a censurar por o ter agredido?

-Claro que não. Aliás até te dou razão, o que ele fez não foi de amigo e tu tinhas de te defender e reagiste a quente, não pensaste! O que ele te fez é a pior traição que se pode fazer a um amigo, e ela também não é nenhuma santa, mas não fez tanto mal, afinal ela é teu passado, tua ex, mas ele é teu amigo. E acho que no teu lugar faria o mesmo, deixava-o ainda em pior estado e a ela, acredita que o que tu disseste, parece simpático. - Pedro ficou completamente surpreendido com o que acabara de ouvir.

-Tu aceitas e compreendes o que fiz?

-Na totalidade meu bem. - Passou a mão sobre a face dele. - Não sei se ele realmente é teu amigo, e nem sei se ela também te ama, mas compreendo o teu lugar perfeitamente, o lugar de quem realmente gosta e o que tu fizeste foi incrível. - Pedro abraçou-a, completamente emocionado com o que ela havia dito.

-Não estava nada à espera que dissesses isso... Acredita que me deixou completamente feliz.

-Pedro, meu amor. - Pousou a sua mão sobre a dele. - Somos amigos, lembraste? Prefiro que sejas totalmente sincero comigo e me digas o que pensas, sentes e o que fizeste do que descobrir pelos outros, por muito que me magoe. - Pedro hesitou, talvez fosse melhor contar-lhe que ele se havia envolvido com Sofia há poucos dias, mas sabia que isso a iria destruir por completo, iria fazê-la sofrer tanto como ele sofria, e ele gostava demasiado dela para lhe sujeitar a essa dor.

-Só não te contei nada disto, não foi por não querer, mas simplesmente não encontrava as palavras certas e a altura ideal, entendes?

-Entendo, mas para a próxima sê completamente sincero comigo, desde o início.

(Passado algumas horas)
Pedro não queria acreditar... A mulher que mais amava estava nos braços de uma pessoa que considerava amigo e ambos arracaram-lhe o coração, pelas costas, despedaçaram-no e queimaram-no, mesmo à sua frente e ele nada podia fazer. A rapariga que o amava estava deitada na cama, completamente despida e depois de lhe ter entregue a sua primeira vez. Mesmo assim não conseguia controlar as suas lágrimas, queria reconstruir e viver uma nova vida e feliz ao lado de Matilde, mas não conseguia. Era impossível. Por isso decidiu pegar num papel e escrever:

Filipe,
É a lutar contra o orgulho de ainda a amar e, saber que para sempre o farei, mas também com a certeza que ela agora é inteiramente tua que te escrevo esta carta. Infelizmente não valorizei a Sofia como ela merecia e quero evitar que o faças também, ela merece ser feliz e senão o foi comigo, espero que o seja contigo, e por isso peço-te por favor que nunca a faças chorar, fá-la feliz, para sempre, mas todos os dias um pouco mais.
Surpreende-a durante a madrugada. Levanta-te da cama, e vai ter com ela, mesmo que o frio do corredor te assuste, fá-lo, porque ela acorda a meio da madrugada a sentir-se sozinha e espera que tu o saibas. Não precisas de dizer nada, deita-te ao lado dela e conforta-a. Acredita que a farás feliz com um pequeno gesto como este, porque ela não te quis acordar para não te incomodar, mesmo que tu lhe tenhas dito milhões de vezes que nunca o fará, o seu receio é... Que sejam apenas palavras. Quando estiverem em silêncio há demasiado tempo beija-a e diz o quanto a amas, porque ela é demasiado pensativa e provavelmente vai começar a achar problemas onde não os há. Dá-lhe a mão enquanto estiveres com os teus amigos, acredita que ela nunca se esquecerá disso, valerá mais esse momento que tantas outras palavras bonitas que lhe possas dizer no íntimo, para ela é importante demonstrares a todos que ela é a “tua miúda” e não a de mais ninguém. A Sofia não fala por palavras mas por gestos, ela não é daquele tipo de raparigas que fala sobre o seu dia, é daquelas que espera que chegas ao pé dela e lhe perguntes e mesmo que ela diga que está tudo bem insiste, provavelmente deverás abraçá-la e ela irá chorar nos teus braços, escuta-a. Tu és além de um namorado, um amigo e um companheiro.
Mas falando de outros assuntos... A Sofia gosta que a acordes com um beijo no pescoço e comeces a agarrar onde ela gosta, no fundo gosta de ser surpreendida. Gosta de “rapidinhas” principalmente em sítios onde pode ser apanhada facilmente. Não te posso revelar mais, é demasiado perturbante fazê-lo.
Quando estiverem irritados um com o outro, insiste mas não demasiado, quando ela se sentir melhor irá ter contigo e irá falar, respeita o espaço dela. A meio de uma discussão cala-a com um beijo, acredita que tudo ficará melhor depois disso. Nunca lhe vires a cara, ela vai entender isso como uma deceção, vai chamar-te desatento mentalmente e vai virar a cara para o outro lado também. Ela adora surpresas, não precisa de ser uma viagem nem de gastares demasiado dinheiro e tempo numa, basta apenas comprares-lhe um ramo de flores e ires buscá-la à escola. Vai gostar de te exibir a todos, não pelo teu aspeto, nem para dizerem que são namorados, mas para mostrar a todos o quanto és maravilhoso e ela te adora.
Não lhe faças promessas que nunca podes cumprir, ela chorará dias e noites por causa disso, e não gosta de ciúmes, eu tive-os loucamente por tua causa, mas para ela não faz sentido, porque todos os rapazes são feios e não são nada ao pé de ti, até pode comentar algo sobre algum outro rapaz ao pé de ti, mas é só para testar os teus ciúmes.
Talvez ela nunca tenha recuperado da morte do nosso filho, talvez nunca o faça, mas deixa-a falar sobre isso, oferece-lhe os teus braços para ela chorar e deixa-a desabafar, não a julgues por favor. Não a interrompas, e não digas que entendes quando não o faças, sê sincero, através de um olhar ela consegue descodificar-te. Ela entrega-se ao máximo em cada relação e não ama pelas metades, ou ama por completo ou não, simples. Ela quer apenas encontrar alguém que cuida bem dela. E não sei dizer-te porque é que é tão difícil, sabes? Mas tenta cuidar dela porque agora ela é tua. Não volta atrás nem perde tempo à procura de um amor que foi para algum lugar que não conhece. Para a Sofia, o amor só pode ser justificado com amor, acredita em mudanças, mas apenas por amor e para ela, uma coisa não pode ser boa se a faz chorar mais do que sorrir. Perde-te nesse sorriso que ela exibe para ti sem receio algum e sente-te realizado. Sente-te realizado por teres os melhores lábios contigo, por teres o melhor beijo sem hora nem data marcada. E por favor, retribui todos os sorrisos dela. A única coisa que ela pede para retribuir todo este amor é apenas o teu amor.
Ela pode ter todos os interessados do mundo a seus pés, mas para ela só existes tu. Vai apaixonar-se ainda mais por ti em cada chamada inesperada, em cada beijo roubado e por cada elogio sincero e sem aviso. Não suporta a indiferença. Aprende a respirar fundo e a organizar as palavras antes de as dizeres porque basta uma palavra dita no timing errado ou o tom de voz diferente que vais ferir o enorme mas frágil coração. Acredita que depois da Sofia passar pela tua vida, nada mais será como antes.
Deixa-a chamar-te de idiota com um sorriso na cara e chamar-te amor a meio de uma discussão, ela está a dizer-te que te ama no meio daquela forma de ser tão pura e ingénua. Ela gosta de praia, da areia a tocar-lhe na pele e a remexer nos seus dedos dos pés, gosta de passeios à beira-mar com a brisa do mar a embaraçar os seus cabelos. Gosta que sejas possessivo mas não em demasia, irá perguntar-te quantas vezes conseguir se pode vestir-se de forma provocadora, tu deverás responder que ela só o deverá fazer contigo, ela irá sorrir. Está sempre à procura de bons motivos para sorrir e dos melhores momentos para guardar na memória, então dá-lhe motivos de sobra para ela voltar bem para casa e fá-la encontrar em ti os melhores momentos que ela possa ter. Não é como a maior parte das raparigas, não gosta de ir atrás quando a “mandam para trás”, gosta que o façam para sentir que tu te preocupas. Mas acredita que ela melhor do ninguém, sabe fingir que não se preocupa e acredita em mim, o fingimento dói sempre mais. Sê sempre sincero com ela, nunca lhe mintas, porque tal como eu te disse, através de um olhar ela consegue descodificar-te.
E o meu último pedido a fazer-te e o conselho mais importante, ama-a com todo o teu coração e com toda a tua existência, ama-a sem limites.

Ama-a e cuida-a como eu nunca soube fazer.
Pedro Rebocho

Será que Pedro terá coragem de entregar a carta a Filipe?

Será que vai lutar por Matilde? Ou tentar reconquistar Sofia?