sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Capítulo 23: "É mais um sinal do destino"


(Sofia)
Sofia acordou naquele dia de Natal bem disposta e feliz, iria reunir a família toda e festejarem aquele dia tão especial, e parecia uma criança com as prendas, apalpava e remexia, separava as suas prendas de todas as outras e e abanava-as na tentativa de descobrir o que era, e os seus olhos brilhavam sempre que as abria. Naquele dia de Natal não era exceção, acordou com o toque da mãe no seu ombro e o sorriso diário que a mãe lhe disponibilizara sempre que a acordara, mas desta vez também o pai ali estava, e deu-lhe um beijo na testa. Ao seu lado na cama estava o irmão, sentou-se e sorriu:

-Bom dia família, não poderia ter melhor acordar.
-Precisamos de falar, filha.

Sofia engoliu em seco, sabia que não poderia ser boa notícia mas que espécie de má notícia seria assim tão má para lhe dar no dia de Natal?! Despiu o pijama e vestiu a roupa que havia decidido usar para aquela ocasião e sentou-se junto à família, olhou para o irmão mas ele não descodificava, nem ajudava, parecia estar tão surpreso quanto ela.

-Que se passou? Estão a assustar-me.
-Não sei como te dizer isto... - Disse a mãe.
-Não se ponham com rodeios por favor, sabem que eu detesto isso.
-Decidimos dar-te esta notícia hoje porque sabemos que é um dia muito importante para ti e talvez te ajudasse a ultrapassar melhor a dor e que possas compreender o nosso lado, que também não é fácil.
-Deixem-se de rodeios, o que se passa?!
-Tu és adotada, Sofia. - Sofia sorriu. Era uma partida, era impossível ser verdade.
-Agora a sério por favor.
-Estamos a falar a sério, filha. - Disse a mãe pousando a mão sobre a sua.

Sofia gelou com o que ouvira, como assim não era filha biológica das pessoas que toda uma vida chamou pais? Como não era irmã de sangue de Diogo? Como lhe haviam escondido este segredo durante quase dezoito anos? Sentou-se no chão sem energias e a digerir o que tinha ouvido.

-Sei que neste momento te deve estar a passar por um turbilhão de sentimentos e perguntas pela cabeça, mas ouve-nos por favor.

Sofia não queria ouvir mais nada, nem mais uma única palavra, nunca mais queria ver nenhum deles ao pé de si, nem queria estar ali. Pegou no telemóvel e saiu a correr, sem rumo ou destino, apenas para longe, mesmo quando as lágrimas inundavam-lhe os olhos e não a deixavam ver o que a rodeava. Andou durante algum tempo até sentir a areia tocar-lhe nos pés, e o vento que corria do mar bater-lhe na cara, sentia o cheiro a maresia e fazia-a sentir melhor mas em simultâneo pior, sentou-se à beira de água com as pernas erguidas e abraçou-as e chorou durante longos minutos... O telemóvel fartava-se de fazer barulho, de tocar e tocar, mas ela nem olhava, nem queria saber, apenas queria chorar e relembrava-se sempre das palavras do seu pai:

-Tu és adotada, filha.” - Mas como é que ele se atrevia a chamar-lhe filha? Mentiram-lhe toda a vida! Tinham-na feito acreditar em tudo o que lhe diziam, talvez nunca a tivessem sequer amado. Só queria esquecer tudo e recuperar a boa fase que vivia anteriormente, queria poder arrancar do seu ombro a tatuagem que havia feito para o seu pai, queria poder dizer a todos que os odiava e não os queria mais ver à frente. E Diogo? Como é que Diogo lhe havia escondido isto? Eles eram irmãos! Talvez não o fossem na verdade, mas ele não poderia ter escondido nada assim...
O mar falava consigo, as ondas molhavam-lhe o corpo e vinham baixinhas e fracas, e por isso diziam apenas um nome, mesmo sem dizer, refletiam uma personalidade e ela sabia bem quem era, a única pessoa que conseguia dar luz ao seu dia, mesmo num dia de trovoada. Pegou no telemóvel, ignorando todas e quaisquer chamadas, limpou as lágrimas e telefonou. Não precisou de ouvir mais de dois toques para o seu dia ganhar luz.

-Sofia. - Não conseguiu segurar mais o desespero e a mágoa e rompeu em lágrimas. - Onde estás? Que se passou?
-Pedro... Pedro... Eu preciso de ti.
-Onde estás?
-Em Espinho... Na nossa praia.
-Vou-me já fazer ao caminho.
-Desculpa. Desculpa de coração. - Sabia que era dia de Natal e iria estragar um dos poucos dias que Pedro conseguia estar com a família e por isso pedia apenas desculpa.
-Sofia, tu precisas de mim é apenas isso que preciso de ouvir.
Ouviu o motor do carro ligar.
-Amo-te.
-Também te amo.

Por muito que sentisse gostar de Filipe, e de se sentir-se feliz com ele, a verdadeira felicidade e por quem dava a vida era apenas e só, Pedro. Era ele quem ela amava e amaria sempre.
Passado pouco mais de duas horas, Pedro chegou a Espinho, o que era pouco para quem teve de percorrer o país de sul a norte, desde Évora até Espinho. Estacionou o carro e foi a correr até à praia onde estava a sua amada, e pegou-a ao colo e levou-a até ao carro, onde abriu a porta do banco traseiro e sentou-se e pousou Sofia no seu colo. Toda ela tremia de frio, deveria estar ali há horas e estava cansada, terrivelmente cansada, Pedro conseguia percebê-lo, deveria ter chorado todo aquele tempo desde que lhe telefonara e quem saberia quanto tempo tinha chorado sozinha antes de lhe ligar, provavelmente também ainda não teria nada no estômago e isso ainda a enfraqueceria mais. Ligou o aquecimento do carro e colocou-lhe uma manta no redor do seu corpo e fê-la colar-se ao seu corpo, a sua cabeça no peito e sussurrou-lhe:

-Sofia?A rapariga não tinha forças para lhe responder apenas teve força para pousar a mão sobre o peito dele e sentir pela primeira vez amor naquele dia.- Precisas de comer alguma coisa. Sofia não queria, sentia-se indisposta e apenas queria continuar sentada no colo de Pedro e assim permanecer até se sentir melhor, mas também sabia que ele não iria desistir, por isso abanou a cabeça devagarinho. Ele pegou num pequeno pacote de bolachas e tirou a primeira, e partindo pedaço a pedaço deu-lhe à boca. -Eu sei que te custa, mas tens mesmo de acabar estas bolachas. -Sofia terminou as bolachas e aconchegou-se ainda mais nos braços de Pedro, era exatamente daquilo que precisava, e foi sem pensar em nada mais e apenas a desfrutar daquele momento que adormeceu... Mas não tardou para acordar aos berros e a chorar. - Meu amor, eu estou aqui. - Agarrou-a e deu-lhe um beijo na testa e outro na ponta do nariz que a fez despertar e sorrir.

-Obrigada. - Pedro deu-lhe um beijo na testa e ambos sorriram. - Por nunca teres desistido de mim e por me amares.
-Nunca vou desistir de ti, nem deixar de te amar, sabes? - Deu-lhe um beijo na ponta do nariz. . Já me podes contar o que se passou?
-Eu sou adotada... Os meus pais não são realmente meus pais.

Assim que o disse rompeu-se em lágrimas e encostou-se ao peito de Pedro e agarrou a camisola enquanto chorava, ele passou o dedo indicador pela sua face e limpou-lhe as 
lágrimas que corriam na sua bochecha esquerda.

-Eu sei que custa, mas tens de ser mais forte que tudo isto.
-Eles mentiram-me toda uma vida, o meu irmão mentiu-me.

Pedro abraçou-a mais uma vez e deu-lhe mais um beijo na ponta do nariz, que sempre a fazia sorrir e sentiu-se um pouco melhor, mas mesmo assim a dor reinava o seu coração.

-Leva-me daqui por favor.
-Os teus pais... - Rapidamente entendeu que tinha errado. - Os Rochinha estão preocupados contigo.
-Não quero saber, de verdade.
-Vou mandar uma mensagem ao Diogo a avisar que estás bem.
-Não quero saber. - Disse aproximando-se e aproximando-se ainda mais do peito de Pedro. - Só quero sair daqui Pedro.

O rapaz pegou no telemóvel e mandou a mensagem a Diogo.

-Vamos para minha casa, em Lisboa?
-Sim, senão te importares.
Pedro pegou em Sofia ao colo e colocou-a no banco ao lado do condutor, depois colocou-se ao lado dela e seguiu caminho em direção a Lisboa.
-Ou preferes ir para tua casa?
-Quero ir para a tua, a minha trás-me demasiadas recordações.
-Assim será. - Sofia encostou a sua cabeça na perna de Pedro e endireitou a manta que cobria o seu corpo. - Não te faz impressão estar aqui?
-Não, deixa-te estar. Vou ligar o aquecimento para ficares mais quente.
-Obrigada, meu amor. - Pousou a mão sobre a mão sobre a perna dele e não demorou até adormecer.
Quando chegaram a Lisboa, e depois de estacionar o carro, Pedro passou a mão pela face de Sofia e despertou-a. Ela abriu os olhos e olhou diretamente para ele.

-Não te queria acordar, desculpa.
-Não tem mal, também temos de ir andado não é verdade?
-Ia pegar-te ao colo e ia levar-te. Já não seria a primeira vez.
-Mas os tempos eram outros... - Olharam um para o outro e não precisaram de dizer mais nada, ambos se lembraram dos tempos em que namoravam.
-Ia relembra-los sozinho.

Aproximaram-se e ele abriu a porta e puderam sentir o frio que assolava a casa inabitada naquela noite, ela gemeu de frio e ele percebeu.

-Sempre foste muito friorenta.
-Tornei-me ainda mais... Depois da gravidez.
-Ainda tenho umas roupas tuas de Inverno guardadas, vou lá buscá-las para usares, e vou preparar alguma coisa para comeres e vou tratar de aquecer o gelo desta casa. - Pedro ia virar costas mas ela agarrou-o no braço.
-Obrigada por abdicares de um dia com a tua família... Por mim.
-Sofia, tu precisavas de mim, teria abdicado de tudo para te deixar bem. - Ela corou, ele fazia-a sempre feliz com simples palavras mas tão boas. - Fico contente por ainda te fazer corar, sabes? Deixa-me estupidamente feliz.
-Tu abdicaste do dia de Natal com a tua família... Por minha causa. É algo que nunca vou esquecer.
-Sofia, tu não estavas bem e não iria aproveitar o dia só de pensar que não estarias bem.
-E a tua família? Como reagiu?
-Os meus pais adoram-te, sempre te adoram... Mesmo apesar de tudo. Compreenderam perfeitamente e disseram-me para ir.
-Agradece-lhes e manda um beijinho meu.
-Eles agradecem e devolvem-te, de certeza.
-Obrigada.
-Amanhã preciso de falar contigo.
-Não tenho forças Pedro... De verdade que não tenho. Eu estou em pé porque estás ao meu lado sinto-me demasiado fraca para aguentar sozinha.
-Amanhã Sofia. Amanhã conversamos mas é algo que não posso adiar muito tempo. - Pegou nela ao colo e levou-a até ao sofá da sala de estar. - Vou acender a lareira e pôr um aquecedor no meu quarto onde vais dormir e pôr uma bolsinha para te aquecer os pés e umas mantas a mais na cama.
-Podes dormir comigo por favor, Pedro? - Ele hesitou e Sofia percebeu. - Não se vai passar nada... Eu é que não consigo dormir sozinha. - Dito isto rompeu-se em lágrimas. Ele aproximou-se dela e limpou-lhe as lágrimas e deu-lhe um beijo na testa.
-Eu durmo. - Sofia sorriu agradecida. - Mas vais ter de comer umas torradas e um leite quente, combinado?
-Sim. - Disse aconchegando-se nas mantas que a embrulhavam, junto à lareira já preparada por Pedro.
-Ficas bem aqui? Eu não demoro.
-Sim. Não te preocupes.

Ele deu-lhe mais um beijo na testa onde preparou algo para ele e Sofia comerem. De seguida foi preparar a cama para receber Sofia, colocando mais mantas e mais rigorosas,tirou as roupas dela do armário onde guardava todas as memórias dela e levou-a até aos pés do sofá.

-Estas roupas eram tuas... Não sei se ainda te servem.
-Com certeza que ficam bem.

Ele fez-lhe uma pequena festa sobre a face e foi preparar algo para Sofia e ele comerem... Afinal ele pouco ou nada tinha comido e ela... Ela estava demasiado frágil. Depois de ter as torradas e os leites quentes, levou-os até à sala e deu-lhe vagarosamente à boca, aguardando que ela terminasse o que tinha na boca para lhe dar mais e fê-la beber o leite devagarinho, como se fazia às crianças para não se engasgar. Sofia... Ela tentava comer e beber por si mesma, mas assim que levantava os braços, eles caiam. E Pedro... Ele já sabia dos problemas de saúde que ela tinha tido. Já sabia da bulimia, das tentativas de suicídio, ele sabia e por isso não poderia facilitar. Quando terminou de lhe dar a comida suficiente, comeu também ele e depois, sem nada dizer, pegou em Sofia ao colo e levou-a até à cama onde a pousou e tapou-a com as mantas da cama.

-Não te importas? - Disse apontando para a roupa. Ela abanou com a cabeça negativamente e ele despiu a roupa que tinha no corpo e vestiu o pijama, sempre os olhos atentos de Sofia... Que não podia negar que aquele corpo havia desperto em si toda a atenção e até havia captado instintos que o corpo de Filipe já lhe havia adormecido, mas tinha de negá-los, tinha de recusá-los, dissera a Pedro que nada se iria passar e iria cumprir. Ele deitou-se na cama junto a ela, encostou-se e ela começou a chorar... A dor corroía, e iria sempre corroer. Vivera uma mentira por quase dezoito anos. Adormeceu cansada de chorar, e Pedro... Pedro sabia que não iria dormir. Há anos que não dormia assim junto a Sofia, queria admirá-la, queira beijá-la, queria tocar-lhe, queria desfrutar de todos aqueles momentos ao máximo, e decidiu fazer-lhe uma confidência:

-Sofia. - Respirou fundo. - Durante uns tempos odiei-te. Por me teres abandonado sem dizeres nada, do dia para a noite, por tanto te amar e por não conseguir esquecer-te. Que pensei em desistir da minha vida, foram tempos em que sofri. Sofri muito e pensei que não iria conseguir superar, mas tive de levantar a cabeça.
Arranjei forças no teu sorriso e em ti para continuar, porque te amo e quis acreditar que iria voltar a ver-te, e porque te amo mais que a mim, que arranjei forças em ti. E a Matilde apareceu na minha vida... E acabou por acontecer. Ela apaixonou-se por mim e eu deixei-me levar. Sei que não é desculpa mas eu estava fraco e acabei por também sentir algo por ela. Eu jurei, jurei a mim mesmo e ao mundo que sentia verdadeiramente algo, mas hoje... Hoje não sei. Mas não a quero magoar, ela não merece... Não depois de tudo o que fez por mim, por nós. Porque agora estou certo que vamos estar juntos até ao final das nossas vidas. Ela deu-me um filho. Que não foi pensado, nem desejado, ele simplesmente aconteceu... E eu vou ser o pai dele. Nunca o irei negar e ele será amado como foi, e é amado o Júnior, o nosso filho. - Limpou as lágrimas. - E acredita que quando soube dele jurei nunca te perdoar por tudo. Mas hoje... Hoje eu já sei de tudo. Sei que não me abandonaste, mas que foste obrigada a fazê-lo. Que o teu pai te obrigou e por muito que me amasses, amas-o também e não querias desiludi-lo. Que por me teres deixado que sofreste tanto ou mais que eu, que vomitavas tudo o que comias, e que por isso te tornaste bolémica, que te tentaste matar... Eu não viveria sem ti, sabias? - Deu-lhe um beijo na testa. - Dava a minha vida só para garantir que estavas bem e feliz. E agora estás feliz e por muito que te tenha garantido que era o que mais me importa, mas também me causa um misto de emoções contraditórias. Quero e gosto que sejas feliz, mais que ninguém, mereces, mas também me magoa muito o facto de seres feliz... Sem mim. Mas não posso ser tão egoísta. - Limpou as lágrimas. - Sofia, eu descobri o teu blogue e mais que nunca conheço-te e amo-te mais do que nunca. - Dito isto deu-lhe um beijo na testa e adormeceu agarrado à dona do seu coração.
-Não. Por favor não... Diz-me que é mentira, por favor. - Sofia chorou e gritou ao pedir para ser mentira. Pedro despertou segundos antes e abraçou-a.
-Meu amor, já passou. Eu garanto-te que já passou. Deu-lhe um beijo na testa. Sofia limpou as lágrimas que lhe corriam pelo rosto e pousou a cabeça no peito dele. -Sonhei que era adotada, diz-me, por favor, que era só um pesadelo. - Pedro olhou para ela e não teve coragem de lhe dizer a verdade, ela percebeu e encostou-se ao peito dele a chorar de uma forma descontrolava e ele abraçou-a. Sabia bem que quando chorava não deveria dizer nada, deveria sim dar-lhe os braços para abraçá-la e o peito para ela encostar e chorar, deveria deixá-la ficar assim até ela ganhar força para falar, ou até adormecer, o que acontecia na maioria das vezes.
-Porque me amas, Pedro? Porque continuas a amar-me e a estar ao meu lado... Depois de tudo? Porquê, Pedro?
-Prometi que iria sempre apoiar-te e iria amar-te sempre e para sempre e não vou quebrar essa promessa.
Sofia sorriu, era incrível a forma como ele a fazia sentir depois de tanto e tudo o que se tinha passado, quando vivera em Espinho pensara que ele já a tinha esquecido, que o magoara demasiado para ainda a amar, mas quando regressara e com o passar do tempo havia percebido que ele ainda a amava mais e estava ainda mais certa que ele sempre a amaria.

-Estavas a pensar em algo...
-Não te conseguia enganar, nem mesmo se tentasse.
-E posso saber no que estavas a pensar?
-No que fiz para te merecer.
Pedro corou e sorriu. Aquela havia sido a resposta mais genuína e intensa que ela lhe poderia ter dado, não havia pensado sobre ela, apenas lhe tinha dito, sem medos ou hesitações.
-Sofia... Nós não pudemos. Simplesmente não pudemos. Tu tens o Filipe, eu a Matilde, tu estás frágil e eu não posso aproveitar-me disso.
-Estou demasiado fraca, Pedro, preciso de ti mais do que nunca.
-Sofia, dorme, por favor. Não tornes as coisas mais difíceis do que elas já são.
-Tu sempre estarás aqui para mim, eu sei, mas promete-me que tudo isto é apenas um mau momento e amanhã quando acordar estarás aqui.
-Não te vou deixar sozinha Sofia, prometo. - Deu-lhe um beijo na testa. - Mas agora vamos dormir.

Fechou os olhos e deitou-se de barriga para cima, Sofia deu-lhe um beijo na testa e encostou a cabeça ao peito dele e fechou os olhos, sabia que Pedro não iria dormir e que estava apenas a tentar evitar o que poderia acontecer e ela também sabia que não podia ceder, que era apenas a fraqueza a falar, mas precisava dele... E ele pensava com a cabeça e ela precisava de todo o seu coração, mas não o podia condenar por mais, afinal já ele estava ali e dera-lhe tanto naquele dia sem o dever e foi com este pensamento que adormeceu.

Pedro apenas dormiu uma hora, passara horas a olhar para ela, a admirá-la, a senti-la bem junto de si, a admirar a perfeição que ela era e a admiração e o amor que nutria por ela, queria estar assim junto a ela para sempre mas não podiam... Queria acreditar que estavam destinados a ficar juntos, mas a vida parecia querer dificultar tudo, parecia querer juntá-los mas sempre com impedimentos e acabar por separá-los. Pedro iria ser pai, Sofia vivia com Filipe. 

Olhou para os lábios dela, os lábios que já tinha beijado milhares, ou milhões de vezes, os lábios irresistíveis que ela possuía e queria beijá-los mais uma vez, mas sabia que não o podia fazer, seria aproveitar-se dela enquanto dormia. Sofia arrepiou-se e Pedro pode sentir todo o corpo dela embater contra o seu e cativara-lhe todos os movimentos, sensações, todo o corpo "despertou" e ele embora já o conhecesse, queria sempre reconhecê-lo, e voltar a conhecê-lo. Queria mostrar-lhe fisicamente o que sentia por ela, mas não o iria fazer, iria esperar. Iriam fazer tudo bem, desta vez iriam fazer tudo para não magoar ninguém mas ele primeiro tinha que lhe dizer que já sabia de toda a verdade... Adormeceu já passava das 6h a muito custo mas vencido pelo cansaço. Acordou uma hora depois com um toque no ombro.

-Bom dia meu bem.
-Bom dia minha vida.

Sorriram.

-Fiz-te o pequeno-almoço, mas se bem te conheço mal dormiste.
-Acertaste. Mal consegui pregar olho preocupado contigo, só adormeci às 6h, vencido pelo cansaço.
-Então dorme, pouco faltam para as 8h.
-Sempre foste pessoa de acordar cedo, existem coisas que não mudam nunca, não é verdade?
-Pedro, talvez devas mesmo dormir, ontem foi um dia muito cansativo para os dois.
-Sofia, achas que irei pregar olho sabendo que estás acordada e podes precisar de mim?
-Então vamos os dois tentar voltar a dormir, pode ser?
-E o pequeno-almoço?
-Quando acordarmos, comemos.

Sofia pousou o tabuleiro na mesa de cabeceira e pousou a cabeça no peito dele e a mão ao lado. Esperou durante uns minutos e ainda outros.

-Não consegues dormir mais, pois não?
-Só queria que descansasses mais um tempo.
-Sabes bem que basta-me 10 minutos a dormir e acordo como novo.
-Mas devias descansar mais... Aproveitar enquanto não nasce o teu filho.
-Sofia, não vamos falar sobre isso.

Ela assentiu com a cabeça, iria acatar o pedido dele.

-Como estás? - Perguntou Pedro impedindo-a de pensar em algo mais.
-Acho que nunca vou recuperar, sabes?
-Claro que vais, és a pessoa mais forte que conheço.
-Obrigada. - Olhou-o nos olhos onde o azul dos seus olhos cor de mar se confundia com o castanho escuro dos olhos de Pedro. - Ontem nem rezei ao meu filho, deve estar a chamar-me mãe foleira.
-Tu rezas ao Júnior?
-Todos os dias, e falo muito com ele, ainda mais desde...
-Desde?
-Que eu e o Filipe moramos juntos.
-Sabes eu também falo com o Júnior todas as noites, além de meu filho, é meu amigo.
-Pelos vistos é mais um sinal do destino.
-Ou da vida. Somos uns bons pais para o nosso filho... Para o teu filho mais velho.
-Precisamos de falar sobre uma coisa. - Sofia sabia que ele só iria abordar o tema da adoção se ela quisesse, não o iria "puxar" e por isso só poderia ser outro tema e fazia receá-lo.

-Deixa-me falar primeiro, por favor. - Pedro calou-se. - Estou grávida.

Como irá Pedro reagir à notícia?
De quanto tempo estará ela? Será que ele vai ter coragem de lhe contar que já sabe de toda a verdade depois disto?

sábado, 26 de dezembro de 2015

Capítulo 22: “I was here”


(Filipe)
Sofia era uma rapariga completamente diferente de todas as raparigas por quem alguma vez se havia envolvido, era encantadora, era inteligente, tinha uma personalidade incrível e era incrivelmente bonita, e por isso acabou por apaixonar-se por ela… Sem medos, nem receios, atirara-se completamente de cabeça aquele amor e acabara magoado e com receio de perdê-la porque sabia desde o início que ela ainda amava Pedro e não o tinha esquecido, mas preferia fingir que não sabia isto. Tentara esquecer que seria preciso duas pessoas gostarem muito uma da outra para manter uma relação, preferira acreditar que ela no fundo também gostava de si, por mais pequeno que fosse esse tamanho. Era também a primeira relação séria dele e não sabia como mantê-la, tinha apenas medo de se magoar e de magoar Sofia e não sabia como gerir uma relação, não sabia mantê-la, acreditava que bastava o amor para ficarem juntos, mas ficara provado que não era verdade. E Sofia quis dar um passo maior que a perna, ele sabia-o mas havia aceitado, tinham ido morar juntos e como casal ainda não estavam preparados, ele sabia, mas com medo de perdê-la não lhe havia dito e aceitara. Tivera de se apaixonar completamente por ela e o seu medo tornara-se realidade, nunca tinha sentido o que era o amor, mas agora amava-a e não deixava espaço de manobra, estava mais que certo e sabia o que era, não precisara que ninguém lhe explicasse. Tinha medo de perdê-la para Pedro e quando ela deixara a sua casa sem dizer nada mais quando ele se recusara a fazer amor com ela, sabia que tudo poderia acontecer… Talvez ela fosse ter com o irmão para desabafar ou talvez fosse ter com Pedro para conversarem, mas deixou-a ir, sabia que ela não iria ficar bem com o que se passara e dera-lhe espaço para pensar, mesmo que isso o magoasse.
Pousou a cabeça sobre a almofada e chorou, sentia-se sufocar, por amar tanto, por querer tanto e por não conseguir resistir aquela rapariga, por sentir que ela poderia ir ter com Pedro e o iria trair… Isso magoava-o tanto, mas tanto, mas magoava-o ainda mais pensar que Sofia nunca o amaria como amava Pedro e ele nunca iria fazê-la realmente feliz. Não conseguia já dormir sozinho… Afinal desde que Sofia voltara quantas vezes o havia feito? Quantas vezes rezavam para Júnior juntos ou ele dizia-lhe palavras bonitas e sossegadamente e feliz, Filipe a via a dormir de sorriso nos lábios? Não queria perdê-la, mas também queria que ela fosse realmente feliz… Tinha de rezar a Júnior a pedir a sua ajuda!

-Querido Júnior, sei que provavelmente não vais reconhecer a minha voz, nunca me ouviste a falar só contigo, mas isso não me vai afastar do meu amor por ti, mesmo que não exista nenhum laço de sangue a unir-nos. Sei que és uma estrela no céu. – Dito isto levantou-se e foi para a janela do quarto e observou todas as estrelas mas uma em especial brilhou e ele focou-se nela. – E também sei que não sou pessoa de rezar, nunca o fui, mas eu tenho de o fazer, sinto-me na obrigação de o fazer, se a Sofia o faz, eu também o farei, porque é por amar demasiado a tua mãe que o faço. És o pequeno filho dela, e és o anjo da guarda que a guarda aí no céu, e vais sempre sê-lo. Sei que provavelmente irias querer ver os teus pais juntos mais uma vez, mas peço-te que me ajudes por favor. Eu não quero separá-la do teu pai, nem peço que se parem de amar, sei que isso nunca irá acontecer mas também sei que gosto demasiado dela e tudo o que faço é para fazê-la feliz, mas também tenho medo de a magoar entendes? Eu nunca fui magoado, e também nunca gostei de ninguém desta forma e sabia desde o início que me poderia arrepender mas como poderia não me deixar cair na perfeição que é a tua mãe? Sei que provavelmente a vou magoar e provavelmente não serei o melhor para ela, mas quero ajuda, preciso de ajuda… Dá-me um sinal, o que é melhor para a tua mãe? Serei eu ou deverei deixá-la seguir caminho até ao Pedro? Por favor, Júnior, eu juro que passo a acreditar em Jesus, em Deus, em tudo o que existir mas ajuda-me, por favor, ajuda-me a perceber o que é o melhor para a Sofia. – Dito isto limpou as lágrimas da sua face e foi ao telemóvel onde colocou a música preferida de Sofia, com a qual a acordava todos os dias, para vê-la acordar com um sorriso nos lábios.

I wanna leave my footprints on the sands of time
(Quero deixar as minhas pegadas sobre as areias do tempo)
Know there was something there
(Sabia que havia algo lá)
And something that I left behind
(E algo que deixei para trás)
When I leave this world, I'll leave no regrets
(Quando eu deixar este mundo, não vou deixar arrependimentos)
Leave something to remember, so they won't Forget
(Deixarei algo para relembrar, para não se esquecerem)

I was here
(Eu estive aqui)
I lived, I loved
(Eu vivi, eu amei)
I was here
(Eu estive aqui)
I did, I've done everything that I wanted
(Eu fiz, fiz tudo o que queria ter feito)
And it was more than I thought it would be
(E foi mais do que alguma vez pensei fazer)
I will leave my mark so everyone will know
(Eu deixarei a minha marca para toda a gente saber)
I was here
(Que estive aqui)

I want to say I live each day, until I die
(Quero dizer que vivi todos os dias, até morrer)
And all that I had something in, somebody's life
(E saber que eu tinha algo na vida de alguém)
The hearts I had touched will be the proof that I leave
(Os corações em que toquei serão a prova que deixarei)
That I made a difference and this world will see
(Que fiz a diferença e este mundo irá ver)

I was here
(Eu estive aqui)
I lived, I loved
(Eu vivi, eu amei)
I was here
(Eu estive aqui)
I did, I've done everything that I wanted
(Eu fiz, fiz tudo o que queria ter feito)
And it was more than I thought it would be
(E foi mais do que alguma vez pensei fazer)
I will leave my mark so everyone will know
(Eu deixarei a minha marca para toda a gente saber)
I was here
(Que estive aqui)


I just want them to know
(Só quero que saibam)
That I gave my all
(Que dei tudo)
Did my best
(Dei o meu melhor)
Brought someone to happiness
(Trouxe felicidade a alguém)
Left this world a little better
(E deixei este mundo um bocadinho melhor)
Just because
(Apenas porque)
I was here
(Eu estive aqui)

I was here
(Eu estive aqui)
I lived, I loved
(Eu vivi, eu amei)
I was here
(Eu estive aqui)
I did, I've done everything that I wanted
(Eu fiz, fiz tudo o que queria ter feito)
And it was more than I thought it would be
(E foi mais do que alguma vez pensei fazer)
I will leave my mark so everyone will know
(Eu deixarei a minha marca para toda a gente saber)
I was here
(Que estive aqui)


I was here
(Eu estive aqui)
I was here
(Eu estive aqui)
I lived, I loved
(Eu vivi, eu amei)
I was here
(Eu estive aqui)
I did, I've done
(Eu fiz, eu tenho feito)
I was here
(Eu estive aqui)

I was here
(Eu estive aqui)
I was here
(Eu estive aqui)
I lived, I loved
(Eu vivi, eu amei)
I was here
(Eu estive aqui)
I did, I've done
(Eu fiz, eu tenho feito)
I was here
(Eu estive aqui)

Quando terminou a música, pousou o telemóvel junto à mesa-de-cabeceira não fosse o telemóvel tocar com Sofia a precisar de si e adormeceu a chorar, mas com esperança que a rapariga regressasse pouco depois e ele despertasse. E ela acabou mesmo por chegar mas ele não acordou com o barulho dela chegar, mas sim de manhã cedo com o doce toque da sua namorada na sua bochecha, abriu devagarinho os olhos e acabou por se certificar que era ela.

-Desculpa.
-Não me acordaste, acordei sozinho.
-Sabes que não é a isso que me refiro.
-Desculpa eu… Não queria desiludir-te, não queria tirar-te algo que é importante para ti, mas eu não sei lidar com o que sinto, com o que temos. E é normal que erre, que cometa imensos erros, só te peço que tenhas paciência comigo, Sofia, sabes…
Sofia colocou o seu dedo indicador sobre os lábios dele e não o deixou continuar a frase, olhou-o nos olhos e assim ficaram durante alguns segundos quando ela decidiu dar-lhe um pequeno beijo sobre os lábios.
-Achas que este beijo fez-te calar todas essas vozes da tua cabeça?
-Obrigada por estares sempre comigo.
-Eu é que tenho de te agradecer por tudo, Filipe Guterres Nascimento. Achas que ficaria bem Sofia Nascimento?
-Acho que ficaria perfeito. – Deu-lhe um beijo na testa.
-Tenho uma surpresa para ti. Fecha os olhos. – Filipe obedeceu e só voltou a abrir quando Sofia lhe tocou no braço. – Como namorados que somos, achei que te deveria fazer uma surpresa, e como tal preparei-te este pequeno-almoço, com cereais, torradas, pão quente e manteiga, leite com chocolate, café e sumo de laranja.
-Queres fazer-me engordar não queres?
-Achei que merecias um miminho destes, mas tens de o partilhar comigo, a preparar-te este mimo acabei por me esquecer de comer.
-Acho que devia também ir fazer uma surpresa à minha boneca.
-Não vais fazer nada, vais ficar quieto a comer, depois vamos tomar um banho.
-Vamos?
-Sim, é preciso poupar água não sabias?
-Sabia sim. – Deu-lhe um beijo na testa. – Mais alguma coisa?
-Sim, por acaso sim! Os teus pais vêm cá almoçar e o Diogo e a Rita também.
-E só agora é que me dizes? Precisamos de preparar tudo.
-A tua namorada já pensou em tudo, e está tudo encaminhado coisa boa, ontem quando cheguei a casa ainda fiz um bolo, mas estavas tão cansado que nem ouviste o barulho que fiz.

-Sofia? – A rapariga bem o que ele iria dizer, já o começava a conhecer também e a gostar dele, mas de uma forma diferente. A rapariga não sabia bem o que sentir em relação a ele, amava Pedro, mas e Filipe? Também mexia consigo. – Tenho uma coisa para te contar.
-Não, se queres saber não te trai, seria incapaz de o fazer, sabes disso. – Filipe sorriu, aliviado.
-Não era isso…
-Então?
-Ontem rezei.
-Rezaste? Mas tu és católico?
-Não. Quer dizer não sei. Nunca recebi uma educação para acreditar em Deus e rezar, mas sou baptizado e tenho a primeira comunhão mas nunca pensei realmente nessa questão de rezar ou não, mas ontem eu quis fazê-lo e soube-me bem.
-Às vezes, não é preciso ser católico para rezar, basta acreditar realmente no que estás a rezar e a razão que te leva a fazê-lo.
-Tão profunda a esta hora da manhã?
-Tem de ser… E posso saber o que rezaste e a quem?
-Eu rezei ao teu filho. Pedi-lhe ajuda.
-A sério? Eu não queria mesmo magoar-te, nem nada disso, às vezes sou uma estúpida e bruta, eu sei desculpa, mas temos de ir com calma e temos avançado tanto e eu sinto tudo ao extremo sabes?
-Eu pedi-lhe ajuda… Por tua causa… Para me ajudar a descobrir o que é realmente melhor para ti, ou eu ou o Pedro.

Como irá reagir Sofia?
O que irá responder? Será que Júnior o vai ajudar?

domingo, 15 de novembro de 2015

Capítulo 21: “Sei que magoa veres a pessoa que tu amas, amar outra pessoa”



(Matilde)
A jovem rapariga sabia que Pedro tinha o coração desfeito e com cicatrizes incuráveis, sabia também que a sua ex-namorada, Sofia, o tinha marcado de uma forma completamente arrebatadora e o romance que tiveram, embora poético, tinha tido um desfecho dramático e isso afetara-o, de uma forma arrebatadora e perturbadora, e ela queria apenas juntar as peças quebradas e fazê-lo acreditar novamente que poderia sentir o que era amar e ser feliz com o amor. Ela estava apaixonada por ele, e ele também estava apaixonado por ela... Mas de formas completamente diferentes. Já tinham dado várias oportunidades aquele romance, era a segunda vez que terminavam e reatavam a relação, estavam ambos com o orgulho ferido mas agora algo mais forte unia-os, o amor, e agora um filho unia-os, embora nenhum deles ambicionasse ter um filho em tão tenra idade, a verdade é que se a vida lhes tinha dado aquela oportunidade iriam agarrá-la com unhas e dentes. Aquele filho merecia ter os pais juntos.

-Eu gosto realmente de ti. - Confessou envergonhada. - Mas tenho medo que ponhas novamente a Sofia como prioridade e que só queiras estar comigo por causa... - Ele não a deixou terminar e beijou-a.
-Eu sei que fiz asneira atrás de asneira e que não merecias sofrer, mas também sei que gosto de ti e que me fizeste acreditar novamente no amor e ajudaste-me a reconstruir os pedaços do meu coração, e eu quero tentar mais uma vez, se me deres essa oportunidade, claro. - Matilde viu a genuinidade no olhar de Pedro, mas também tinha receio do futuro, e as memórias também lhe apoderavam a mente:

-Pedro que se passa contigo? – Perguntou Matilde já a meio do almoço que estava a ser feito em silêncio absoluto, num bar junto à praia.
-Estou cansado só isso.
-Tiveste um treino muito exigente amor?
-Sim, e estou preocupado com o Diogo e com o Filipe e acabei por descarregar no treino.
-Que é que se passou com eles?
-O Filipe chegou atrasado ao treino, e o Diogo não foi, estava dispensado.
-Tens medo que seja por causa da Sofia?
-Sim. – Assumiu com o medo bem presente na voz. – O Filipe disse-me que ela está em Lisboa. – Para Matilde aquelas palavras magoaram-na mais que qualquer outro gesto ou atitude de Pedro. Sabia que mais cedo ou mais tarde, iria acabar por sofrer e sair magoada, e só queria ser feliz. Podia magoá-la no início mas acabou por fazer o que lhe pareceu melhor. Respirou fundo, levantou-se da mesa e disse:
-Acabou Pedro. – Disse ainda com os olhos fechados. – É o melhor para os dois, desculpa. – Não conseguiu controlar as lágrimas e começou a chorar, saiu dali o mais depressa possível e ele ficou a vê-la partir, sem saber o que fazer, ou como reagir. Gostava dela, mas porque tinha terminado a relação? Continuava a amar Sofia, mas gostava imenso de Matilde e não iria abandonar esta para ir ao encontro de quem tanto o magoara.
Deixou algum dinheiro em cima da mesa e saiu daquele restaurante depressa, não queria acabar o almoço nem queria falar com ninguém, queria sair daquele local o mais depressa possível. Não tinha sorte no amor, Sofia abandonara-o sem dizer nada, como do dia para a noite, Matilde tinha terminado a relação sem ele conseguir entender a verdadeira razão. Correu até à praia e conseguiu encontrar o local mais escondido e recatado daquele local, sentou-se e começou a chorar.”

Matilde sabia que não tinha tomado a atitude correta dessa vez, mas também não conseguia tirar da cabeça, o que ele lhe havia dito quando se viu “obrigada” a terminar com ele da última vez:

-Preciso de falar contigo. - Anunciou Pedro, depois de abrir a porta de sua casa a Matilde. - Entra, vamos falar para o meu quarto para estarmos mais à vontade.
Sentaram-se lado a lado sobre a cama do rapaz.
-O que se passou, amor? Estás a assustar-me!
-Eu gosto muito de ti, tu sabes que sim...
-Mas...
-Tenho de ser completamente sincero contigo, tu assim o mereces. Nem sempre te fui fiel.
-O quê? - Perguntou ainda sem reação para o que se passara, não queria acreditar. - Tu traíste-me? Com a Sofia? Como foste capaz? - Levantou-se e começou a chorar. - Eu amava-te, entreguei-te em corpo, em alma e em coração, dei-te tudo o que tinha e não tinha, e o que tu me fizeste foi o pior que me podias ter feito!
-Deixa-me explicar-te, tudo por favor.
-Enfia as explicações onde quiseres, esquece o que tivemos, acabou!
-Como assim acabou?
-Agora já podes ficar com a Sofia, sem me teres por perto, esquece-me, por favor! - Saiu do quarto a chorar, deixando Pedro sem reação possível, embora amasse Sofia, também gostava de Matilde e ela não merecia sofrer, era a pessoa que menos merecia sofrer no meio daquela história. E Pedro não conseguiu conter as lágrimas, deitou-se sobre a cama e adormeceu a chorar.”

Mas também sentia que Pedro gostava de si, embora que de uma forma diferente de Sofia, e isso magoava-a, mas também sabia que poderia fazê-lo feliz e ajudá-lo a esquecê-la, e se ele queria recomeçar o namoro, ou melhor, dar mais uma nova oportunidade aquele namoro, ela não iria recusar, precisava de estabilidade, principalmente durante a sua gravidez.

-Eu aceito. E perdoo-te. E quero esquecer tudo e recomeçar desde o início. - Pedro abraçou-a e os dois sentiram-se realmente felizes com a decisão que haviam tomado. - Fico feliz por me quereres novamente nos teus braços, meu bem.
-E eu feliz por quereres estar nos meus, meu amor. - Deu-lhe um beijo na testa.
-Eu sei que ainda é cedo, mas gostava muito de começar nos nomes, ou pelo menos uma lista de possibilidades.
-Tenho medo... Medo que percebas que este sonho vai roubar-nos muitos dos nossos sonhos ou pelo menos adiá-los indeterminadamente, tenho medo que decidas abortar, medo de perdermos o bebé, eu tenho medo de nos afeiçoarmos a algo e no fim nos desiludirmos, desculpa.
-Amor, eu sei que te afeiçoaste muito ao teu primeiro filho, ao Júnior, sei que a Sofia te desiludiu muito, muito mesmo, quando te disse que o melhor que fez foi abortar, porque para ti não foi, porque ela não te perguntou nada, mas eu aprendi com os erros dela, eu não os vou cometer. Este bebé, esta vida depende dos dois, e é dos dois. - Sofia disse-o a agarrar nas mãos do seu companheiro e colocando-as sobre a sua barriga, de seguida olhou-o olhos nos olhos.
-Tens a certeza?
-Confia em mim. - Deu-lhe um beijo no nariz. - Se fosse menina gostava que se chamasse Teresa, ou talvez Isabel, mas também de Beatriz.
-Pessoalmente gosto mais de nomes antigos como Teresa e Isabel, mas para rapaz gosto muito de João e António. João era bonito, porque começava com a inicial do irmão.
-Tenho a certeza que o Júnior tem muito orgulho no pai que és. E este bebé também tem muito orgulho em ti. - Matilde pousou a mão na barriga e Pedro sorriu e beijou-a nos lábios e depois deu um pequeno beijinho na barriga da companheira.
-Obrigada por nunca desistires de mim, Matilde. - A rapariga sorriu. -Tenho um convite para te fazer, meu bem.
-Diz-me.
-Daqui a uns dias vai haver uma gala de Natal dos escalões de formação do Benfica, e eu gostava muito que fossemos os dois.
-E tu queres levar-me a mim?
-Sim, gostava muito que fossemos os dois. - Sorriram em conjunto. - Era a altura ideal para anunciarmos a tua gravidez, mas como ainda estás no primeiro mês, é melhor não o fazermos e sim esperar por mais tarde, infelizmente.
-Temos tempo para noticiar, ainda nem precisamos de falar sinceramente, vai-se perceber pelo aumento da barriga, mas para esconder vou levar um vestido com a zona da barriga mais larga, pode ser que não desconfiem.
-A barriga ainda mal se deve notar, se fosse a ti aproveitava para um último vestido ousado antes de desfilares com uma barriga apaixonante nos próximos meses.

(Passado alguns dias)
(Sofia)
-Talvez não seja boa ideia levar este vestido. - Pensou para si mesma. - É demasiado - Reparou no decote. -Filipe, anda cá!
-Diz-me. - O rapaz entrou no quarto e ficou boquiaberto, sem qualquer tipo de reação.
-Talvez seja melhor mudar de vestido.
-Não é nada disso Sofia... Eu é que fiquei boquiaberto... Estás simplesmente linda!
-Estás a falar a sério? Tu concordas que vá assim?
-Sofia, tu és uma mulher incrível. És inteligente, és linda, eu não podia ter pedido mais e melhor, e tens curvas, por isso acho sinceramente que devias usar este vestido, não para mostrares as tuas curvas ao mundo, mas para te sentires mais confiante contigo própria, claro que eu vou ter um pouquinho de ciúmes mas... - A rapariga interrompeu-o com um beijo.
-Não precisas de ter ciúmes, nem de nada, nem de ninguém, porque no meu coração só existes tu.
-Sabes que não é bem assim...
-Mas pudemos fingir que é, porque não te troco, nem te empresto, e muito menos te dou. - Deu-lhe um beijo no nariz. Sofia separou-se dele e olhou-se mais uma vez ao espelho e reparando bem nas partes do corpo a descoberto que o vestido lhe deixava.



-Vou-te contar um segredo. - Encostou-se ao ouvido de Filipe. - Não tenho roupa interior.
-E se eu te disser que também não tenho?
-E se dispensarmos a gala e saltarmos para a prática dos bebés?
Sofia sabia bem provocá-lo e Filipe não conseguia resistir-lhe...
-Não. A próxima vez que o fizermos vamos fazer amor, não sexo, apenas pelo prazer carnal, vai ser um sentimento mais forte.
Filipe recusara a sugestão de Sofia, ele gostava realmente dela, de coração, e não queria apenas mais um envolvimento apenas pelo prazer e pela atração, queria pela primeira vez na vida fazer amor, e seria com Sofia, estava certo.
-Eu também o quero, de verdade, estou desejosa que o aconteça, e sei que vai ser especial, mas também vai sê-lo por te ter do meu lado.
Deram um último beijo e chamaram um táxi de onde seguiram até à gala que iria ser transmitida pelo canal do clube. Assim que chegaram, as câmaras capturam-nos e foram filmados também. Filipe trocou algumas palavras com o jornalista, e depois foram até aos lugares pré-destinados, depois Sofia foi até à casa de banho, onde iria endireitar o batom e o cabelo, mas no espelho ao lado estava Matilde e acabou por não lhe dizer nada, sabia que não iria responder, mas acabou por ser a rapariga a surpreendê-la:
-Eu sei que foi contigo que o Pedro me traiu, e eu nunca te vou perdoar por isso, és uma cabra e vais ter o que mereces, mas quero que saibas que o que fizeste foi em vão, porque ninguém nos vai separar mais, sabes porquê? Porque este filho que tenho na barriga vai unir-nos mais que nunca!
Matilde saiu da casa de banho deixando Sofia com um vazio para trás, que se fechou na cabine individual onde as lágrimas, a aflição e o sufoco reinavam o coração da pobre rapariga: Pedro iria ser pai... Matilde ia-lhe dar o que ela lhe havia tirado, a oportunidade de serem pais, tinha-lhe roubado o filho, a vida do filho e ela ia dar-lhe. Tinha-o perdido em definitivo para Matilde e não sabia como lidar com essa dor, amava-o demasiado para perdê-lo por completo. Por muito que gostasse e se sentisse bem ao pé de Filipe, era Pedro que amava realmente. Sentia a respiração a faltar-lhe, o coração a apertar-lhe, sentia uma dor e um vazio em si, por muito que parecesse o oposto. Não conseguia parar de chorar, estava só, sentia-se só e nunca mais iria recuperá-lo, tinha de se mentalizar que o perdera para sempre, por sua própria culpa.

-Sofia. - Disse aquela voz que tão bem conhecia. - Sofia. - Tornou a repetir. Aproximou-se da cabine e bateu à porta, ela não conseguiu responder, e muito menos abrir, então ele decidiu empurrá-la e abraçou-a. - Meu amor. - Abraçou-a e aconchegou-a entre os seus braços, limpou-lhe as lágrimas e beijou-lhe a testa. - Explica-me o que se passou, por favor. - A sua respiração era irregular e Filipe sabia bem que era terrível para a sua saúde, pegou na pequena mala que ela tinha e tirou de lá a pequena bomba de asma que ela tinha e como sabia como funcionava deu-lha, depois de aguardar uns minutos para ela se acalmar perguntou. - Queres ir ao hospital? - Sofia abanou negativamente com a cabeça e aguardaram mais alguns segundos para ela respirar fundo e limpar as lágrimas e falar:
-Desculpa. Desculpa... Desculpa. - Voltou a chorar e ele abraçou-a com força. - Desculpa.
Filipe partilha-lhe o coração vê-la chorar e só conseguia pensar o quanto ela estava magoada, mesmo que no fundo soubesse que o poderia magoar, abraçou-a e limpou-lhe as lágrimas.
-Tem calma por favor, explica-me o que se passou.
-O Pedro e a Matilde vão ter um filho.
Por muitos os cenários que pensasse sobre o que poderia ter-se passado, nunca havia colocado aquela opção.
-Como sabes?
-A Matilde... Eu e a Matilde encontramo-nos aqui e ela disse que sabia que ele a tinha traído comigo, mas que agora ela está grávida e nada os iria separar. Filipe, ele já me esqueceu... Ele já me ultrapassou. Vai ficar com ela para o resto da vida, eu perdi-o para sempre.
-Sofia. - Deu-lhe um beijo na testa. - Sei que custa, que o amas e vais sempre amar. - Engoliu em seco, apesar de serem amigos e namorados, Filipe começava também a amá-la, mas tinha de sobrepor a amizade ao amor naquele momento. - Sei que magoa veres a pessoa que tu amas, amar outra pessoa, e saberes que vai amar para sempre, mas também sei que por muito que te custe tu vais ficar feliz ao perceberes que o melhor para vocês é deixá-lo ir e vê-lo a ser feliz com outra pessoa, mesmo que te magoe.
Sofia engoliu em seco, ele não precisou de dizer nada mais para entender que ele gostava mais dela do que ela alguma havia pensado... E ela estava a magoá-lo daquela forma e isso custava-lhe, porque sabia o que era amar e sabia o que era sofrer e não queria ser a causadora de sofrimento, ele não merecia e ela gostava dele... Mesmo que fosse de forma diferente da forma como ela gostava dele. Engoliu em seco e limpou as lágrimas, não ia fazê-lo chorar, nem sofrer como Matilde e Pedro faziam-na sofrer constantemente, limpou as lágrimas e levantou-se.

-Deixa-me só retocar o batom e a base e vamos.
-Para mim és bonita de qualquer forma. - Sofia corou.
-Não digas disparates.
-Não são disparates, é a realidade. Aos meus olhos és perfeita como és.
-Fala o moço mais bonito desta sala.
-O único, na verdade.
-A culpa é tua, quem te mandou estar na casa de banho das mulheres?
Filipe sorriu.
-Estou linda, bebé?
-Perfeita.
-Ainda tens o poder de me deixar completamente envergonhada sabias?
-Já tinha dado por isso.
-Dás-me um beijo?
-Alguma vez conseguiria recusar um beijo teu?
-Já recusaste coisas muito melhores...
-Sabes bem porque fiz isso.
-Eu sei. Estava a brincar contigo.

Cruzaram os braços e foram até aos locais onde estavam pré-destinados, sentaram e assim ficaram até à gala terminar, e à saída fizeram questão de evitar Pedro e Matilde, depois chamaram um táxi e foram até casa, assim que abriram a porta, Sofia correu até à casa de banho onde a encostou e tirou toda a roupa que tinha no corpo e de seguida foi até ao quarto onde Filipe já estava deitado e surpreendeu, aproximou-se dele e beijou-o, e ele começou a querer explorar com as mãos e a corresponder aos beijos.

-Sofia, para!
-Já não me desejas, é? - Disse tentando voltar a beijá-lo mas ele virava a cara.
-Sabes bem que não é nada disso.
-Então é o quê porra?
-Tu só me queres para te mentalizares que já esqueceste o Pedro, porque me estás a usar para, na verdade, o fazeres e eu gosto mesmo de ti, mas gosto ainda mais de mim e daquilo que sinto por ti, para não os respeitar!

Sofia saiu do quarto e foi até à casa de banho onde se vestiu rapidamente, o mais rápido que pode e saiu de casa sem dar tempo a Filipe para reagir, foi até ao prédio do irmão, que era na mesma rua e tocou à campainha. Depois de esperar poucos minutos, a porta abriu-se e abraçou o irmão que estava à porta e começou a chorar, que também a abraçou, mesmo que fosse o reflexo.

-Que se passou, Sofia?
-Posso entrar?
-Sim, anda para a sala.
De mãos dadas foram até à sala, onde se sentaram no sofá.
-Chega aqui à minha beira. - Esticou o braço à irmã que encostou a cabeça sobre o peito/ombro e continuou a falar. -A Rita mal chegou adormeceu, por isso desde que não façamos muito barulho estamos à vontade.
-Nem sei por onde começar... - Respirou fundo e sabia bem que Diogo poderia querer dominar o mundo para ver a irmã feliz mas nunca iria fazer nada a não ser que ela lhe pedisse. - O Pedro e a Matilde vão ter um filho. E o Filipe já não me deseja.
-Conta-me tudo devagar, se faz favor.
-Eu e a Matilde não nos falamos desde que ela descobriu que o Pedro e eu nos envolvemos, eu bem que tentei explicar-me, mas ela nem os bons dias me dava, e isto já durava à umas semanas, até já tinha decidido dar-lhe um tempo para ela digerir tudo e depois ir falar, mas hoje encontramo-nos na casa de banho e ela disse-me que estava grávida... Ela e o Pedro vão ter um filho... E eu perdi-o para sempre. - O irmão abraçou-a e deixou-a chorar nos seus braços. - Eu amo-o, e agora sei que não vou mais recuperá-lo.
Diogo limpou-lhe as lágrimas e deu-lhe um pequeno beijo na testa.
-E como sabes que eles estão juntos?
-Ela disse-me, mas mesmo que não me tivesse dito, eu saberia-o, conheço-o demasiado bem, ele faz o correto e o correto para ele é estar junto da mulher que ama porque têm um filho para criar, juntos.
-Tu sabes bem que aquela relação não tem pernas para andar. - Sofia ficou surpreendida, conhecia o irmão e ele não iria dizer aquilo. - Eu já sabia que eles iam ser pais, mas não te pude dizer, eles queriam manter segredo até aos 3 meses... Ou pelo menos o Pedro queria, o que ela fez foi para te atingir, para te magoar e conseguiu. Atingiu-te num ponto que sabes que sabe que era vital para ti e não me admira nada que tenha engravidado propositadamente, afinal eles tiveram juntos uma única vez, é demasiada coincidência que ela tenha engravidado.

A rapariga ficou sem chão, sem reação e sem palavras, o mundo parecera desabar, Matilde tinha feito aquilo tudo para a magoar? Não podia, a Matilde que ela conhecia não o faria.
-Ela conseguiu Diogo, ela conseguiu mesmo o que queria. - Disse sorrindo ironicamente. - Porque ela vai-lhe dar o que eu nunca lhe dei, o que eu lhe roubei, sem nada dizer, e ele nunca me vai perdoar por isso.
-Já experimentaste contar-lhe a verdade? Ele merece saber toda a verdade.
-Não. Não e não. Nunca o farei. - Disse convicta. - O pai cometeu muitos erros mas está arrependido e eu não o posso condenar por tal coisa, prefiro perder o Pedro, a voltar a perder o pai.
-Mas estás a fazer o Pedro sofrer por ti, desnecessariamente.
-Ele já sofreu o que tinha a sofrer, e já me ultrapassou tão bem que até já engravidou a Matilde.
-O Pedro ama-te e tu a ele, estão à espera do quê para voltarem a estar juntos? Vocês estão destinados um ao outro, só vocês é que não compreendem.
-Talvez as coisas não sejam tão preto no branco. O Pedro e a Matilde estão juntos, felizes e esperam um filho. E o Filipe ama-me, não tenho coragem de o magoar depois de tudo o que ele fez por mim, afinal também gosto dele.
-Já entendes porque estava contra a tua relação com o Filipe?
-Sim, como sempre tinhas razão, mas não esperava que ele viesse a gostar tanto de mim...
-Mas porque dizes que ele te ama?
-Hoje entendi, ele não precisou de me dizer, ele olhou para mim a dizer-me uma coisa e eu percebi.

-Acho que te estás a enganar, e a enganar a ele com esta relação com o Filipe e irem viver sozinhos foi um passo muito grande... Foi muito cedo, mesmo para vocês.
-Não consigo magoá-lo, mas também o Pedro já me esqueceu...
-Deste o passo maior que a perna...
-Sim, sem qualquer dúvida. - Desabafou. - Preciso de repensar em tudo, mas como digo ao Filipe?
-Podes aproveitar estas férias para ires a Manchester... O Rony convidou-nos para ir lá, talvez pudesses aproveitar.
-Ele só me conheceu era eu mais novinha... Já mal se deve lembrar de mim, e além do mais eu sem ti não vou.
-Não sejas tonta. Ele é uma excelente companhia, fazias bem em aproveitar.
-Talvez... Afinal ainda não tenho planos para a passagem de ano, quem sabe...
-Acho que devias ser sincera com o Filipe, completamente sincera, ele sabe bem que o teu coração está dividido, além do mais ele conhece-te bem.
-Não sei Diogo, quem sabe?!

O que irá decidir Sofia?
Será que depois irá ter coragem de dizer a Filipe? E como ficará a história com Pedro?