segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Capítulo 20: “talvez devêssemos dar uma nova oportunidade ao amor, (…) que achas de … Recomeçarmos de novo?”



Sofia tinha feito a viagem até ao norte com Rita ao volante, iriam rever a família mas também fazer uma surpresa aos seus companheiros, que pensavam que elas iriam
passar o fim de semana em casa, mas decidiram surpreendê-los. Em breve, Sofia comemorava o primeiro mês de namoro com Filipe e queria fazê-lo feliz, queria roubar-lhe um sorriso como só ele sabia saber. Quando acordava mais cedo que ele, colocava-se à sua frente e ficava a admirar as suas feições durante longos minutos, ele era uma pessoa que tinha aparecido para iluminar a sua vida, e era tão bonito, em todos os sentidos! Além do mais, Sofia iria também visitá-lo para dizer que cada um deles tinha perdido 50€, tinham apostado que não conseguiam aguentar uma semana sem se envolverem e havia conseguido até 2 semanas, e o tempo continuava a passar... Nenhum deles sentia essa necessidade, anteriormente faziam-no por mero prazer carnal, mas agora iria ser mais do que isso, iria ser um momento realmente especial, e por isso não o pressionavam, iria acontecer quando tivesse de acontecer. Só de pensar que iria matar saudades do seu namorado aconchegava-lhe o coração, não o via há dois dias e queria poder dizer-lhe o quanto gostava dele.
Iriam fazer a viagem diretamente até Braga, onde seria o jogo e os seus pais dela já as esperavam para assistir ao jogo, e no meio de tanto pensamento positivo, pouco se lembrara que iria reencontrar Pedro pela primeira vez depois do que lhe havia dito, e seria duro e difícil, afinal tinha-lhe mentido e ela nunca o havia feito antes.

-Sofia, se encontrares o Pedro o que vais fazer?
-Vou cumprimentá-lo como se fosse outra pessoa qualquer, sou educada.
-E isso não vai mexer contigo?
-Claro que vai Rita, eu amo-o e vou sempre amar, ele marcou-me muito, deu-me um filho, mas sobrevivo sem ele, agora eu sou realmente feliz, como ele também o é.
-E se ele quiser conversar contigo sobre algo mais? Talvez sobre a última conversa que tiveram ou sobre a Matilde.
-E como tens lidado com ela? Afinal são colegas de turma.
-Nada bem... Quando existem trabalhos de grupos, ela faz sempre tudo para não calharmos juntas, foi para a outra ponta da sala para estar longe de mim. Nos primeiros dias ainda lhe dava os bons dias, mas ela deixou de me responder, e eu acabei por desistir. Não deveria ter feito o que fiz, tentei evitá-lo mas como lhe dizia que eu era a ex do namorado dela?
-Não estavas numa situação nada fácil.
-Pois não, sei que podia ter feito as coisas de outra forma, mas alguém iria acabar por ficar magoado no meio desta história.
-Vocês nunca poderiam ser amigas, tendo em conta a vossa história e o Pedro.
-Eu sei, mas não deixa de ser um pouco doloroso, ela foi minha amiga, eu é que não fui amiga dela.
-Pode ser que com o tempo ela supere isso, não foste a única a ocultar-lhe isso, o Pedro também o fez e ela perdoou.
-Mas é diferente Rita, eu menti-lhe, nunca me senti falsa, nem nunca o fui em toda a minha vida e agora sinto que o fui.
-Mas não tens de te sentir assim, tens de falar com ela e ser completamente sincera, direta e honesta, assim la vai compreender-te e perdoar, o que talvez haja para perdoar.
-Eu até podia tentar falar com ela, mas ela despreza-me, ignora-me por completo.
-Dá-lhe tempo, ainda está tudo muito a quente, depois quando estiverem mais calmas, falas. Pode ser que as férias de Natal que aí vêm lhe ajudem a acalmar as ideias.
-Não queria mesmo que as coisas ficassem assim... No fundo tenho pena dela, está a pagar por estar no meio de uma história que não é dela e nem culpa tem.
-Mas ela sabia a tua história e do Pedro quando começou a namorar com ele.
-Sim, mas o Filipe também sabia e não sofreu nada, antes pelo contrário.
-Mas é muito diferente, o lado do Filipe e da Matilde!
-Ai é? Então porquê?
-O Filipe era amigo do Pedro, e era meu amigo, o nosso envolvimento foi provocado por mim, a Matilde apaixonou-se pelo Pedro, a Matilde apaixonou-se pelo Pedro, teve de aceitar o passado dele. É diferente, porque é, ponto!
-Pronto, calei-me! Olha chegamos, vamos só estacionar o carro e já vamos ter com os teus pais.

Depois de Rita estacionar o carro, ambas saíram e foram em direção ao estádio onde cumprimentaram os pais da família Rochinha e entraram para o estádio, onde o encontro já tinha começado à sensivelmente 5 minutos. Filipe era titular, juntamente com Diogo e Pedro também, o encontro estava num nulo para as duas equipas. Os minutos foram passado e foi já no começo da segunda parte que Filipe fez uma assistência para o golo de Diogo, e rejubilaram de alegria! O golo foi festejado pelos dois junto à bancada fazendo um coração com as mãos, o golo era para Rita, obviamente, e a rapariga acabou por deitar uma lágrima caprichosa. Os minutos pareciam horas depois daquele golo, mas acabaram por passar e acabar o jogo com uma vitória do Benfica, embora que pela margem mínima.
Deslocaram-se até à saída dos jogadores, próximo dos balneários e aguardaram pela saída dos jogadores, e já era sabido que Filipe e Diogo demoravam a despachar-se e Pedro era dos primeiros e acabou realmente por ser assim mesmo.

-Boa tarde. - Disse Pedro aproximando-se de Rita, Sofia e da família desta.
-Boa tarde. - Responderam em coro.
-Como estás, Sofia?
-Estou bem, decidi aproveitar o fim-de-semana para vir ver o jogo e passar uns dias em Espinho. E como vais tu e a Matilde?
-Contei-lhe que a traí, contigo, e ela terminou comigo.
-Não estava nada à espera de ouvir isso e lamento.
-Também eu, mas tenho de ser forte e mereci isto.
-Não, não mereceste. - Afirmou com alguma revolta. - Não foste o único culpado. Vais ver que com o tempo ela acaba por perdoar isto e esquecer.
-Espero que sim. E como vais tu e o Filipe?
Filipe e Diogo apareceram a conversar sorrindo, mas assim que o rapaz observou o que se passava, aproximou-se de Sofia e queria dar-lhe um beijo, mas ela virou a cara e acabou por lhe dar apenas a mão, discretamente.
-Avisaste o teu treinador que não vais com eles para Lisboa?
-Sim, tanto eu como o Diogo.
-Foi um prazer falar contigo, boa sorte com a Matilde! - Apertou a mão de Filipe que discretamente segura. E afastaram-se naturalmente. - Gostaste da surpresa, amor?
-Já te posso beijar ou ainda parece mal? - Sofia ficou incrédula com o que ouvira.
-Sabes ao menos porque não deixei que me beijasses? Porque me pus do lado do Pedro, sei que o iria magoar e podia perfeitamente evitá-lo.
-Tens razão, desculpa amor. - Deu-lhe um pequeno beijo na ponta do nariz. - Porque decidiste fazer-me esta surpresa?
-Porque te adoro, do fundo do meu coração, sabias? - Deram um curto beijo nos lábios. - Além do mais, devo-te 50€, já vai para duas semanas em que não cedemos às tentações carnais. - Sussurrou-lhe ao ouvido e entraram no carro dos pais de Sofia e seguiram até Espinho, no outro carro vinha Rita e Diogo que também os seguiram.


(Pedro)
A vida de Pedro era uma rotina, uma monotonia há já algumas semanas e nada parecia mudá-lo desde que a sua relação com Matilde terminara e tivera aquela última conversa com Sofia, que não vivia, sobrevivia. A vida limitava-se a ser casa-treino, treino-casa, casa-jogo, jogo-casa, nada mudava isso e nada lhe arrancara um sorriso dos lábios. A felicidade parecia não querer nada consigo, mas ia buscar forças onde ainda lhe parecia correr bem, o futebol continuava a correr de vento em poupa, mantinha-se titular e jogava cada vez melhor e o filho dava-lhe todas as forças que precisava para continuar a lutar para recuperar a felicidade, queria deixar o filho orgulhoso. Mas também lutava para de alguma forma recompensar Matilde pelo sofrimento que lhe tinha causado e para ser feliz, como Sofia também o era. Estava em casa, e queria escrever para mais tarde cantar, talvez assim ajudasse a sentir-se melhor, embora nenhuma felicidade parecesse querer reinar no seu coração, apenas o esquecimento e o alívio por alguns minutos, a caneta parecia não se mover, ou então era a inspiração que parecia não sair por aqueles dedos em formato de letra. Não sabia sobre o que deveria escrever, e estava a um passo de começar a chorar novamente a relembrar-se de tudo.

-Já não suporto estar fechado em casa, contigo, Pedro! - Raphael era incansável, nunca deixara Pedro naquelas últimas semanas, fazia tudo para o ver sorrir e para lhe dar forças, mas também reclamava porque não via resultados.
-Não te pedi para ficares comigo.
-Se eu te deixasse sozinho em casa, provavelmente chegava e estava tudo inundado que não paravas de chorar!
-Chorar faz bem, limpa a pele e hidrata-a!
-Mas não nas proporções que tu o fazes, tens de reagir Pedro, não podes continuar assim!
-Queres que faça o quê? A Sofia está com o Filipe, está nas nuvens, não viste em Braga?! E a Matilde? Está uma lástima, porque eu a trai!
-E vais ficar aqui de braços cruzados à espera que a Matilde te perdoe e que a Sofia perceba que ainda te ama? O Pedro que conhecia não ficava aqui a chorar pelos cantos!
-Tenho de dar tempo à Matilde, se lhe aparecer à frente ainda a magoou mais!
-Isto não é vida para ti, nem para mim, e não, não te vou abandonar, nem que para isso tenha de ficar em casa fechado por 6 meses!
-Obrigada Raphael, mas acho que deves ter coisas mais importantes para fazer, além do mais não precisas de ficar aqui, eu estou bem a sério!
-Então porque é que ainda há pouco choraste em silêncio na almofada do teu quarto?
-Não chorei, lacrimejei!
-É a mesma coisa, Pedro Miguel! - Ouviu-se o toque da campainha, que interrompeu a conversa. - A conversa não acabou, Pedro, depois acabamos! E eu vou lá, continua a fingir que escreves! - Abriu a porta e ficou completamente surpreendido com quem via. - Que fazes aqui?
-Posso entrar? Gostava de falar com o Pedro, se ele tivesse claro.
-É nestas alturas que gostava de ter a tua sorte, Pedro! - Gritou-lhe. - Ele está na sala, eu vou para o meu quarto, estejam à vontade.
A rapariga aproximou-se devagar da sala e apanhou Pedro de surpresa que não sabia sequer como a cumprimentar, por isso optou por apenas falar-lhe:
-O que fazes aqui? Não estava nada à tua espera...
-Nem eu estava à espera de voltar a ver-te. Nestas circunstâncias.
-Como tens andado? - Que pergunta estúpida, dizia Pedro a si mesmo!
-Tenho refletido muito sobre nós, sobre o que fizeste e os erros que eu também cometi. E tu?
-Tu não cometeste erro nenhum, fui só eu que os cometi. Desculpa, do fundo do meu coração, eu não queria que nada disto tivesse acontecido, juro, desculpa-me por favor.
-Pedro, estou grávida.
-Juro Matilde, eu gosto de ti, a sério que gosto, mas não tenho conseguido demonstrar o que sinto... Espera, o quê?! - Continuo a falar normalmente até que interiorizou o que Matilde havia dito e reagiu. - Como assim estás grávida?
-Eu e tu vamos ter um filho dentro de oito meses!
-Mas como é que tu engravidaste?
-Nós não usamos preservativo... - Clarificou Matilde. - E olha, bastou uma vez.

Todas as tristezas que pareciam ter dominado Pedro nas últimas semanas, desapareceram e deram lugar a um sorriso sincero e maravilhado.

-Isso quer dizer que o Júnior vai ter um irmão?
-Sim! - Pedro abraçou-a com força e felicidade, pura e genuína. - Gosto tanto de ti! Obrigada do fundo do meu coração por me dares este filho, foi a melhor prenda!
-Não foi desejado, mas é tão amado como se fosse pensado.
-Estava com medo que não aceitasses bem, mas afinal... - Pedro deu-lhe um beijo carinhoso na testa e aproximou-se da barriga, e começou a conversar com ela:
-Sabes que tens um maninho chamado Júnior, não sabes? Gostava que o conhecesses, mas infelizmente não podes mas vais ser muito amado pelo teu pai e pela tua mãe! - Aproximou-se da face de Matilde. - Sei que provavelmente é estúpido fazê-lo, mas quero mesmo que o meu filho cresça com os pais juntos... E talvez devêssemos dar uma nova oportunidade ao amor, e a nós, que achas de … Recomeçarmos de novo?

(Sofia)
O recém-casal ao contrário da restante família decidiu não ir para casa para descansar, mas sim ir ao local onde Sofia nunca deixaria de visitar, e tinha de fazê-lo sempre que iria a Espinho, magoava-a inicialmente mas depois existia um sentimento de alívio. Iriam colocar flores novas na campa de Júnior, Sofia iria conversar com ele e Filipe iria dar-lhe apoio.

-Não te importas que escreva uma carta ao meu filho?
-Se te faz sentir melhor, eu estarei aqui.

Sofia pegou no papel e numa caneta e começou a escrever:

Querido Júnior,
Escrevo esta carta para te dizer o quanto te amo e o quanto sinto a tua falta.
Gostava que te contar o que te vou escrever, bem juntinho ao ouvido, a sentir o teu perfume, enquanto dormias e sentir que todos os dias estava cada vez mais apaixonada pela perfeição que é o meu filho, mas mentalizei-me que não o posso fazer e provavelmente o farei novamente daqui a uns anos, com um filho... Que não tu. Mas tu estás cá, no meu coração, na minha alma e no meu coração, estarás cá eternamente. Não te escrevo a chorar, aliás, se houve algo que me ensinaste foi a ser feliz, a lutar pela minha felicidade e pelos meus sonhos, a vida acabará por nos recompensar.
E foi isto que me levou a escrever esta carta. Tu és o nosso pequeno anjo da guarda, meu e do teu pai e sei que ninguém nos protegerá tanto como tu e ele, que apesar de teres sido apenas um pequeno feijão no meu ventre fisicamente, emocionalmente foste mais forte que muitas pessoas que por ela passaram, e me deixaste uma marca eterna. És o meu filho, e é graças a ti que realizei o meu sonho de ser mãe. E sei que estás a torcer por mim no céu, e pelo Pedro, para que encontremos os nossos rumos certos, que realizemos os nossos sonhos e sejamos felizes e foi sobre isso que decidi escrever-te com um sorriso nos lábios.
Não é apenas um rapaz... É o rapaz. É alguém que tenho a certeza que gostas e admiras. Chama-se Filipe e devolveu-me o sorriso, e não apenas e só isso, devolveu-me a felicidade genuína. É uma pessoa que ama o que sou, beija as minhas feridas e respeita o meu passado, é uma pessoa que tenho a certeza que faz parte do meu futuro, e que marcou o meu presente. Não o amo, ainda é cedo para dizê-lo e senti-lo, mas é alguém que me faz bem e de quem eu gosto. É uma pessoa que apesar de ter visitado a campa onde descansas, te vê não como apenas isso, um “feijão” numa campa, mas como um filho para mim e te ama como eu te amo. Ele fez-me abrir o meu coração mais uma vez e fez-me assumir o que sentia, fez-me perdoar o teu avô e amar a minha família, em especial os teus avôs. O Filipe fez-me viver o presente e não limitar-me a ficar presa no passado.
Não quero que penses que esqueci o teu pai, acredita que não. A marca que ele deixou na minha vida é eterna, mas ele prosseguiu com a vida dele e eu encontrei alguém que me deu um presente e quer construir um futuro, juntos. Quero apenas pedir-te para cuidares do teu pai, porque tu és o nosso pequeno anjo da guarda e ninguém nos ama como tu e nos irá cuidar e proteger como tu.
Junto te envio uma letra de uma música que deveria partilhá-la contigo e uma fotografia. Não do teu pai, mas de uma pessoa que te admira e estará sempre a teu lado, e com quem rezo todos os dias, para que o possas também conhecer.



Oh if you could see me now (Oh, se me pudesses ver agora)
Oh if you could see me now

It was February fourteen, Valentine's Day (Era 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim)
The roses came, but they took you away (As rosas vieram, mas eles levaram-nas)
Tattoed on my arm is a charm to disarm all the harm (Tatuado no meu braço está um encanto para desarmar todo o mal)
Gotta keep myself calm but the truth is you're gone (Tenho de me manter calmo mas na verdade foste-te embora)
All I'll never get to show you these songs (E eu nunca vou mostrar-te estas canções)
Dad, you should see the tours that I'm on (Pai, devias ver as tournés que tenho feito)
I see you standing there next to Mom (Vejo-te sentado ao pé da mãe)
Both singing along, yeah arm in arm (Ambos cantando juntos, de mãos dadas)
And there are days when I'm losing my faith (E há dias em que perco a minha fé)
Because the man wasn't good he was great (Porque o homem não era bom, era ótimo)
He'd say music was the home for your pain (Ele dizia que a música era a casa para a sua dor)
And explain, I was young, he would say (E explicava que eu sou jovem. Dizia ele:)

Take that rage, put in on a page (Pega na tua raiva e põe numa página)
Take the page to the stage (Leva a página para o palco)
Blow the roof off the place (Levanta o telhado)
I'm tryna make you pround (Estou a tentar deixar-te orgulhoso)
Do everything you did (A fazer tudo o que tu fizeste)
I hope you're up there with God (Espero que estejas aí em cima, conversando com Deus)
Saying that's my kid (E digas “é o meu menino”)

I still look for your face in the crowd (Ainda procuro p teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Would you stand in disgrace or take a bow (Envergonhar-te-ia, ou irias ter orgulho em mim?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

(Oh, if you could see me now)


If you could see me now would you recognize me (Se me visses agora, reconhecer-me-ias?)
Would you pat me on the back or would you criticize me (Davas-me uma palmada no ombro ou me criticavas?)
Would you follow every line on my tear stained face (Será que seguirias todas as linhas no meu rosto molhado de lágrimas?)
Put your hand on a heart that's was cold as the day you were taken away (Colocarias a mão no meu coração que esteve frio como o dia em que foram levados)
I know it's been a while but I could you see cleat as day (Eu sei que já faz um tempo, mas eu posso ver claro como o dia)
Right now, I wish I could hear you say (Neste momento, gostava de poder ouvir-te dizer)
I drink too much and I smoke too much dutch (Eu bebo muito, e eu fumo muito)
But if you can't see me now that shit's a must (Mas se não me podes ver agora, essa porcaria é demasiado)

You used to say I won't, know I will until it cost me (Costumavas dizer-me que não sei até que um dia me custe)
Like I won't know real love till I've loved then I've lost it (Que eu não conhecerei o verdadeiro amor até que o ame e o perca)
And if you're lost a sister, someone's lost a mom (Se perdeste a irmã, alguém perdeu a mãe)
And if you're lost a dad, then someone's lost a son (Se perdeste o pai, alguém perdeu o filho)
And they're all missing now, ya they're all missing now (E eles estão todos a sentir saudades, sim, todos eles têm sentido saudades)
So if you get a second to look down at me now (Então se tiveres um segundo olha para mim, qui em baixo)
Mom, Dad, I just missing you now (Pai, mãe, estou a sentir saudades vossas)

I still look for your face in the crowd (Ainda procuro o teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Would you stand in disgrace or take a bow (Ficarias desiludido ou davas-me uma palmada nas costas?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)


Oh.. oh..

Would you call me a saint or a sinner? (Será que me chamavas santo ou pecador?)
Would you love me a loser or a winner? (Será me amarias como perdedor ou vencedor?)

Oh.. oh..

When I see my face in the mirror
(Quando eu vejo o meu rosto no espelho)
We look so alike that it makes me shiver (Nós somos tão parecidos que me faz tremer)

I still look for your face in the crowd (Ainda procuro o teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Would you stand in disgrace or take a bow (Ficarias desiludido ou davas-me uma palmada nas costas?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)


I still look for your face in the crowd (Continuo a procurar o teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)
Would you stand in disgrace or take a bow
(Ficarias desiludido ou davas-me uma palmada nas costas?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Oh..

You could see, you could see me now
(You could see, you could see me now)"

-Tenho muito orgulho em ti, bebé. - Deu-lhe um beijo na testa. - Sei que te custa muito estares longe da tua família e principalmente da sepultura do teu filho, e que escreveres esta carta e deixares-a e um grande voto de amor, não existe nada no mundo que orgulhe mais do que te ti. És o meu ídolo, Sofia! - A rapariga pousou o envelope com a carta que lhe escreveu e a fotografia sobre a campa e cheirou as flores novas que ali havia colocado, ergueu-se e colocou a mão sobre o peito de Filipe.
-Obrigada por estares sempre do meu lado, por seres o homem que eu precisava, por me amares tão loucamente e por nunca teres desistido de mim, não imaginas o quanto gosto realmente de ti. - Disse-o olhando-o olhos nos olhos, e depois pousou a cara sobre o peito dele e cheirou o seu perfume natural. - Foste a melhor coisa que apareceu na minha vida, nos últimos tempos. Adoro-te.
-Amor, temos de aproveitar este fim de semana ao máximo...
-Tencionas acabar comigo no início da próxima semana é, Filipe?
-Não brinques com coisas sérias, já nem me imagino sem ti! - Deram um curto beijo nos lábios. - É a última semana de treinos este ano, e a tua última semana de aulas no primeiro semestre, o que significa que vamos estar duas semanas separados...

Será que Matilde vai aceitar Pedro de volta?
Será que Filipe e Sofia vão estar mesmo 2 semanas separados? E o que causará à relação recente deles?

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Capítulo 19 “Tu traíste-me? Com a Sofia?”




(Pedro)
Pedro não sabia muito bem o que sentir... Deveria estar feliz por Sofia, afinal amar era isso mesmo, colocar a felicidade do amado acima da própria, mas também destruira-lhe o coração saber que apesar de a ter realmente marcado, ela já não gostava de si da mesma forma, e que o tinha-o “substituído” no seu coração... Por um amigo seu. Ele ainda a amava e apesar de também nutrir algum sentimento por Matilde, não poderia e nunca deveriam ser comparados. Era um sentimento agridoce e não saberia ao certo se haveria de chorar ou de sorrir, sentia-se profundamente abalado e queria saber como deveria reagir ou não, precisava de apoio, precisava de um amigo, mas não queria que o criticassem e lhe apontassem o dedo, abraçou as suas pernas e decidiu olhar para o mar, e esperar que lhe dissesse algo... Como Sofia lhe havia ensinado, até que sentiu um toque no seu ombro e alguém sentar-se ao seu lado, e nem precisou de olhar, percebeu rapidamente quem era.
-Sê forte meu irmão, ela não te merece.
-Ela já não me ama... - Disse escondendo a cabeça entre os seus braços.
-Ela não te esqueceu, tu marcaste-a por completo, mas agora ela é feliz e tu também o deverias ser... Mesmo que te doa neste momento, tudo irá passar.
-E senão passar?
-Meu irmão, tudo na vida é efémero, como tu me ensinaste, se a felicidade não dura para sempre, a dor também não.
-E se eu nunca amar a Matilde como amei a Sofia?
-Não precisas de amar nenhuma delas para ser feliz, basta apenas olhares para a vida de uma forma diferente, pensar de forma positiva, custa, eu sei que sim, mas é o melhor para ti. Levantares a cabeça e continuares na luta, os teus irmãos adoram-te e os teus pais têm um orgulho incrível na pessoa que te tornaste. Podes não ter a Sofia, de quem ainda gostas muito, mas ela é feliz e tu devias sê-lo também, não para lhe mostrares que também o és, mas para ultrapassares esta dificuldade, por muito que pareça impossível, não te esqueças que não há, de forma alguma impossíveis. Tens ainda a sorte de ter a teu lado, uma pessoa que te ama mas também que é a tua melhor amiga e te vai ajudar a ultrapassar toda esta fase má, tudo o que de mau a vida te trouxer, tens uma rapariga de quem gostaste muito e ela a ti, mas ela está feliz e tu também o serás. Esquece a facada nas costas que o Filipe te deu, és superior a isso. A tua vida tem coisas boas e más, mas tu vais ultrapassar todas elas, porque todas vêm e vão. Se Deus te pôs estas dificuldades é porque sabe que irás ultrapassar e aprender com todas elas.
-Já a perdi uma vez, não quero voltar a perdê-la.
-Nunca passei pela tua dor, mas sei o quanto custa irmão, e acredita que eu estou a teu lado a apoiar-te, a dar-te forças e sempre do teu lado, como irei estar sempre.
-Raphael, eu sinto que uma parte de mim morreu hoje. - Raphael ia interrompê-lo mas Pedro não deixou. - Escuta-me por favor, antes de me julgar. A Sofia apareceu numa altura em que me sentia sozinho, em que começava a acreditar que o destino era algo para os românticos escreverem, que a minha vida seria apenas o futebol e nada mais, mas a Sofia apareceu e mudou a minha vida... Com um simples olhar. Todos os sentimentos que estavam adormecidos até então, despertaram, em simultâneo, com um simples sorriso me apaixonei por completo, e conforme fomos falando eu fiquei completamente rendido a ela, e mudar por completo a minha forma de ser, a minha forma de ver a vida, mudou tudo... Ela tornou-se tudo. A minha outra metade, a minha essência, a minha chave da felicidade, garanti a mim mesmo que ela era a mulher da minha vida, a “tal”, a mãe dos meus filhos... E acabou por ser a mãe do meu filho e acabou por matá-lo, e ninguém imagina a dor que isto me causa. Ela poderia não querer ser mãe, pode nunca me ter amado mas e o amor pelo nosso filho? Eu poderia ter sido o pai para ele, poderia ter-lhe dado tudo, poderia ter sido o pai e a mãe! - Já não desabafa apenas como uma lembrança do passado, mas sim com uma mágoa bastante presente, podiam haver milhões de justificações para o seu desaparecimento mas nenhuma poderia haver para a morte daquele inocente bebé. - E porque me abandonou ela? Do dia para a noite? Sem uma carta, nem uma chamada, nem um beijo de despedida? Eu teria dado a minha vida para ser como é que ela estava, para a ter de voltar aos meus braços... E quando ela voltou fiquei ainda mais devastado. Sei que amar é colocar a felicidade do amado à frente da nossa mas como esperam que seja feliz, depois disto? Perdi um amor e um amigo! Parece que os dois se uniram para me atirarem à cara que não estou bem! Custa-me pensar que tudo o que passei com a Sofia, foi só uma ilusão... E que senti tudo na minha mão e agora não tenho nada. Mas talvez tenha sido culpa minha, tê-la perdido, eu não sei, neste momento não sei nada. - Colocou a cabeça sobre as palmas das mãos e começou a chorar. Raphael por mais que quisesse falar simplesmente não conseguia. Sabia que Pedro amava Sofia, mas ele sempre conseguira esconder bem o que sentia, e por isso pensava que estava a aceitar relativamente bem tudo o que se passara... Nem que fosse por Matilde, de quem o rapaz também gostava, embora de uma forma muito mais natural e humana.

(Nesse mesmo dia à noite)
-Preciso de falar contigo. - Anunciou Pedro, depois de abrir a porta de sua casa a Matilde. - Entra, vamos falar para o meu quarto para estarmos mais à vontade.
Sentaram-se lado a lado sobre a cama do rapaz.
-O que se passou, amor? Estás a assustar-me!
-Eu gosto muito de ti, tu sabes que sim...
-Mas...
-Tenho de ser completamente sincero contigo, tu assim o mereces. Nem sempre te fui fiel.
-O quê? - Perguntou ainda sem reação para o que se passara, não queria acreditar. - Tu traíste-me? Com a Sofia? Como foste capaz? - Levantou-se e começou a chorar. - Eu amava-te, entreguei-te em corpo, em alma e em coração, dei-te tudo o que tinha e não tinha, e o que tu me fizeste foi o pior que me podias ter feito!
-Deixa-me explicar-te, tudo por favor.
-Enfia as explicações onde quiseres, esquece o que tivemos, acabou!
-Como assim acabou?
-Agora já podes ficar com a Sofia, sem me teres por perto, esquece-me, por favor! - Saiu do quarto a chorar, deixando Pedro sem reação possível, embora amasse Sofia, também gostava de Matilde e ela não merecia sofrer, era a pessoa que menos merecia sofrer no meio daquela história. E Pedro não conseguiu conter as lágrimas, deitou-se sobre a cama e adormeceu a chorar.

(Sofia)
Os dias passaram-se com uma velocidade surpreendente e Sofia sentia-se melhor a cada dia que passava. Os sogros já sabiam o parentesco que os unia e tratavam-na como filha,

A sua relação com os pais mantinha-se forte, e com o irmão, apesar de não ter aceite bem inicialmente a possível mudança de casa dela e de Filipe, acabou por aceitar a mudança como algo natural... Até porque seriam vizinhos. Juntamente com com Filipe já tinham arranjado a casa ideal para morarem e até tinham combinado dividir as despesas. Ela pagava uma pequena parte com a mesada que os pais e o irmão lhe mandavam e sobrava algum dinheiro para si. Tinha também feito 3 tatuagens, todas elas com um significado especial.


A tatuagem tinha sido feita no pulso porque assim estaria ao lado do nome do pai... A tatuagem era para Júnior, o filho falecido, e significava a sua perca fisicamente mas a presença forte, eterna e contínua no coração da mãe. Não precisava de tatuar o seu nome, um desenho significaria mais, não precisava de demonstrar ao mundo o nome do seu falecido filho, bastava olhar para ela e sabia que o filho estaria sempre ao seu lado, e a olhar por si.


No ombro tinha tatuado uma frase para o seu pai “pai, eu amo-te”, não precisava de o ter tatuado porque o pai sabia e sentia que ela o perdoara mas queria fazê-lo, queria mostrar ao mundo, que apesar de ter sofrido, aquele homem que chamava de pai, era bem mais que um progenitor, era muito mais que tudo isso, era o verdadeiro homem da sua vida, por mais homens que a sua vida tivesse, e não lhe tinha dito que a tinha, preferia fazê-lo pessoalmente.


E a última tatuagem mas nem por isso deixava de ser importante, significava a sua vida, tudo o que havia passado e haveria de passar, era o símbolo do infinito, com as palavras amor e vida, a pena representava-se a si mesma, considerava-se escritora, escrevia tanto quanto podia e porque estava nas suas mãos descrever a sua vida e o amor que entregava ao que a vida lhe trazia. Nesta fase, um nome se destacava, nome de uma pessoa com os olhos mais bonitos que vira... Uma pessoa que lhe fez recuperar o sorriso... Filipe.

Sentia que ainda não esquecera Pedro, mas também nunca iria esquecer, ele tinha sido alguém demasiado importante na sua vida, mas tinha ultrapassado, tinha-lhe dado tudo o que tinha e não tinha, tinha lutado e não tinha conseguido, a vida pregara partidas, mas ela tinha recuperado e superado, tinha e continuava a lutar pela sua vida e ela tinha-lhe dado uma nova oportunidade de ser feliz. Todas as noites fazia questão de rezar com Filipe a agradecer o dia que tinham dito, e quando o dia parecia menos positivo, rezavam a pedir algo melhor, mas faziam questão de agradecer por se terem conhecido e estarem juntos, e Sofia antes de adormecer rezava ao filho, a pedir que olhasse sempre por si no céu. Além das tatuagens havia pintado o cabelo de loiro, cor do cabelo que tinha quando era apenas bebé, altura em que fora feliz como nunca.

E até Filipe tinha vivido uma pequena mudança na sua vida... Inspirado em Sofia, tatuou junto ao peito:


Apesar da frase ser inspirada na força de Sofia e na admiração de Filipe por ela, havia tatuado aquela frase, a sua primeira tatuagem porque assim que a lesse iria lembrar-se que por muitas forças que às vezes parecessem faltar, iriam deixar de ser fraquezas, para se tornarem forças.

E para mostrar as suas tatuagens novas, especialmente para mostrar ao pai a que havia feito dedicada a si, e também para ver o jogo de Filipe e Diogo que se ia realizar em Braga, iria juntamente com Rita, passar o fim de semana ao norte. Sabia que era uma boa surpresa que faria ao namorado e ao irmão, que de certeza iria ficar feliz por vê-la, mas também podia implicar rever Pedro e embora se sentisse preparada, sabia que iria ser difícil... E iria enfrentar outra dificuldade, o pai de Sofia, tinha-lhe dito também que ia juntamente com elas ver o jogo, e a sua esposa acompanhá-lo-ia, ou seja, era a primeira vez que iriam conviver com Filipe, depois de saberem que o rapaz era seu genro...

Como irá reagir o pai à surpresa?
Será que Filipe vai gostar da surpresa? Como será o reencontro com Pedro?

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Capítulo 18: “Tu corres o risco de vir a perder as duas com esta tua indecisão”


(Pedro)
Antes do despertador tocar, Pedro acordava e levantava-se da cama, necessitava de ouvir o silêncio para pensar na sua vida. Precisava de se mentalizar, todos os dias, que não poderia desistir, que tinha de enfrentar um dia novo de cabeça erguida e sorriso nos lábios, mesmo que no seu interior sentisse tudo desfazer-se. Sentava-se num canto da casa de banho, de luzes apagadas e porta fechada e chorava durante vários minutos a fio, depois respirava fundo repetidas vezes até sentir que acalmara os demónios que lhe atormentava a sua cabeça e mentalizara-se que era um dia novo, tudo poderia mudar. Depois voltava para a cama onde dormia durante mais uns minutos até o despertador tocar. Fazia-o há um ano. Gostava de Matilde, mas não conseguia apagar e esquecer Sofia, mesmo depois de saber que Filipe e ela estavam juntos e naquele dia, a vida colocava-lhe mais uma prova, que ele sabia que tinha de superar: Iria voltar para os treinos após a sua “lesão” e iria enfrentar o seu colega, não de uma forma física, mas de uma forma diferente. Tinha de lhe pedir perdão pela sua atitude e tinha que o felicitar pelo seu namoro... Com a pessoa que mais amava. Tinha de pedir perdão à equipa e ao treinador, tinha de ser forte, mas e senão existissem forças dentro de si para sê-lo?! Teria de arranjá-las e manter-se na luta. Deitou-se na cama de frente para Matilde e pode admirar as suas feições.
-Amor? - Perguntou Matilde com a voz de quem acabara de acordar.
-Bom dia meu bem. - Continuou a fazer-lhe festas pela cara. - Como estás?
-Com dores, mas vão acabar por passar.
-Estás arrependida?
-Só de não o ter feito mais cedo.
-Não queria magoar-te.
-Era impossível não o teres feito.
-Desculpa, devia-te ter feito esperar mais tempo, não queria pressionar-te, talvez estivesses melhor preparada.
-Sabia bem para o que ia, e tu fizeste tudo para não me magoar, mas também me fizeste viver momentos únicos e isso eu não esquecerei nunca.
-Só não te queria pressionar.
-Não pressionaste, aliás se alguém o fez, fui eu. - Colocou a mão em cima do peito dele. - Estiveste a chorar? - Perguntou depois de abrir os olhos totalmente.
-Tive um pesadelo. - Mentiu, sabia que se dissesse que não, Matilde iria facilmente detetar a mentira. - Acordei há uns minutos e pelos vistos chorei de dor.
-Sonhaste com a Sofia, então.
-Não me lembro. Senão me tivesses dito provavelmente nem saberia que tinha chorado.
-Mas nem uma pinga de suor deitaste...
-Não, deve ter sido dor, não susto. E tu como dormiste?
-Sonhei que adormecia ao teu lado mas parece que não foi um sonho, que foi
realidade. - Pedro deu-lhe um beijo na ponta do nariz.
- Esse sonho vai-te trazer algum incómodo durante o dia.
-Não te preocupes com isso agora, está bem?
-Está bem.
-Meu amor, estás preparado hoje para o desafio que vais enfrentar?
-Tenho de estar. Obrigada por estares do meu lado, sem ti sinceramente não sei o que faria e o que seria.
-Serias o mesmo Pedro de sempre, eu só tenciono mesmo fazer-te feliz. - Deu-lhe um beijo curto nos lábios. - Queres vir tomar banho comigo? Mas sem segundas intenções prometo! - Pedro sorriu e decidiu acompanhá-la.
Depois de tomarem banho, Pedro vestiu-se e decidiu ir mais cedo para o treino, precisava de recomeçar com todos os seus colegas, de justificar tudo e pedir acima de tudo desculpas a Filipe, que bem o merecia. Sabia que deveria ter feito tudo na semana que havia passado mas não tivera coragem, prefira afastar-se para pensar no que havia feito, afastara-se de todos, até de Raphael, o seu fiel e verdadeiro companheiro. Depois do banho tomado decidiu sair mais cedo para o treino para estar novamente sozinho no balneário e pensar não em Sofia, mas nas voltas que a vida dera e nos desafios que tinha de enfrentar, mas poucos minutos depois de chegar acabou por também chegar também outra pessoa. - Bom dia Filipe.
-Bom dia Pedro. - Responderam apenas com educação, nenhum deles sabia bem o que dizer.
-Desculpa. - Disse apanhando Filipe de surpresa. -Podes não aceitar o meu pedido de desculpas e eu compreendo perfeitamente, o que é injustificável, sei que não me deves nada, antes pelo contrário, eu devo-te a ti, mas quero apenas que mantenhamos uma relação cordial e com o mínimo de educação e respeito, os nossos colegas de equipas assim o merecem e o Benfica também.
-Pedro eu não sei o que te dizer. - Respirou fundo 3 vezes até se sentir com coragem de lhe responder. - Quem tem de te pedir desculpas sou eu. Eu sabia bem a tua história com a Sofia, desde o começo, e mesmo assim deixei-me envolver com ela, eu podia simplesmente ter recusado, ter negado, podia nem sequer ter provocado mas acabei por fazê-lo.
-Não vou ser cínico e dizer que não mexeu comigo e me deixou desiludido e magoado mas sei que no amor as coisas nunca são como queremos e eu estou com a Matilde, estamos bem e felizes, e quero que saibas que eu também fico mesmo feliz por teres devolvido um sorriso e acima de tudo a felicidade à Sofia.
-Tu já não a amas?
Pedro sentiu um nó prender-se na garganta sem saber o que dizer ou fazer. Teria de lhe responder mas tinha que optar entre dizer a verdade ou mentir-lhe.
-A Sofia marcou-me muito confesso, eu amava-a mais que a vida, mas ela faz parte do meu passado e eu quero apenas que ela seja feliz como eu sou com a Matilde. - Mentiu. Não poderia simplesmente contar toda a verdade, era demasiado duro e doloroso para lhe contar. - Posso entregar-te uma coisa?
-Claro. - Pedro tirou o envelope com a carta do bolso traseiro das calças e deu-lhe, Filipe ia abri-lo para começar a ler mas Pedro impediu-o, colocando a mão sobre a sua.
-Quero pedir-te para apenas leres em casa, sozinho.
-Pedro tu encaras bem o meu relacionamento com a Sofia?
-Filipe, acredita que se a Sofia namora contigo não é para te usar, ela seria incapaz de o fazer. - Disse convicto do que dizia mas com pesar na sua consciência porque estava certo do que dizia.
-Obrigada pelo apoio. Pedro, fora dos treinos e dos jogos não temos de nos falar, não somos obrigados a tal, mas pelo menos aqui dentro temos de reagir como meninos educados e crescidinhos e darmo-nos, para bem do Benfica, da equipa e pela Sofia e pela Matilde.
-Eu sei e acredita que da minha parte irei tentar ao máximo, espero que também o faças.
-Irei fazer.
Acabaram por se equipar e ir correr durante alguns minutos no campo onde ficaram pelo menos até aos seus colegas chegarem e a equipa técnica, que ficaram surpreendidos por os verem juntos e bem-dispostos, poucos sabiam a razão pela qual haviam andado envolvidos num ato de violência, por isso pensaram que era passageiro e que havia passado, mas nenhum deles sabia que era por causa de uma rapariga, de quem ambos gostavam bastante mas de forma bastante diferente.
-Meninos não se esqueceram do almoço de equipa, pois não? - Perguntou Diogo depois de todos tomarem banho e enquanto se vestiam.
-Claro que não. A Matilde fez questão de me relembrar hoje. - Respondeu Pedro sorrindo, lembrando-se da noite que haviam passado e tal gesto deixou Filipe confuso, afinal ele sabia que Pedro não conseguira esquecer Sofia mas porque razão continuava ele com Matilde?! O rapaz não conseguia compreender e não estava interessado em tentar saber, queria apenas fazer Sofia feliz.
Quando todos terminaram de almoçar decidiram organizar-se por carros e ir até ao restaurante onde faziam sempre os almoços e jantares de equipa, poderiam facilmente almoçar no clube, mas preferiam sair daquele ambiente. Assim que entraram, Filipe convidou logo Pedro para se sentar ao seu lado, queriam provar a todos que o que tinha acontecido entre eles era somente passado e nada mais que isso, e que queriam empenhar-se no bem da equipa e apenas nisso, os problemas pessoais não poderiam intrometer-se no clube, na equipa e no grupo de amigos.
-Pedro podes chegar lá fora se faz favor? - Pediu Raphael antes do almoço ser servido.
-Claro. Filipe guarda ai o meu casaco e as minhas coisas se faz favor. - Os dois saíram do restaurante e Raphael não perdeu tempo.
-Já não te reconheço Pedro. Tu eras o meu melhor amigo, eras meu irmão e meu sangue e agora quase que nem falas comigo.
-A minha vida está uma confusão Raphael, já há demasiada gente envolvida, não quero envolver mais.
-Eu sei que tu ainda amas a Sofia. - Pedro respirou fundo. - Não sei se vais a amar para sempre, mas sei que a amas mais agora do que quando estavam juntos. Tu não precisas de me dizer, nem de falar comigo, eu conheço-te meu irmão. -Pedro abraçou Raphael e começou a chorar no seu ombro... Sentia-se explodir por dentro, sentia-se dividido, queria desabafar, desejava e precisava de fazê-lo, e não existia ninguém melhor para isso que o seu melhor amigo, a pessoa que considerava irmão. -Conta-me tudo. E não te preocupes com o tempo que demora, eles não vão dar pela nossa falta. - Sentaram num banco escondido, mas suficientemente perto do restaurante.
-A Sofia escreveu-me uma carta... Ela estava grávida quando me deixou e decidiu abortar, e não me disse nada, limitou-se a escrever-me, um ano depois. Mas que apesar disto continua a amar-me, e quando regressou ao Seixal quis vir ter comigo, mas viu-me com a Matilde... E deixou-se envolver com um amigo nosso. E não foi difícil perceber quem era. E não sei o que mais me magoou, ela envolver-se com ele sabendo que éramos amigos, ou ele ser meu amigo e fazer-me isto, mesmo se a tivesse esquecido, não deixava de ser uma das pessoas que mais amei e que simplesmente me abandonou, ele deveria ter-me dito que ela cá estava. Estava tão furioso que depois de ler a carta sai de casa e fui à procura deles, e espetei-lhe um soco. Tinha a cabeça quente, não percebi o que fiz. Sou contra a violência, mas eu não sabia que mais fazer Raphael. Eu estava em cacos, e ele respondeu-me e acabamos por andar à porrada.
-Tu bateste no Filipe?
-Sim, e acredita que me arrependo, apesar dele ter merecido.
-Não o devias ter feito, mas na verdade tiveste razão para isso.
-A história ainda vai no início, Raphael.
-Desculpa, continua.
-O nosso mister soube do que aconteceu e ficamos duas semanas de castigo, mas acabou por ser reduzido apenas para uma, e logo no primeiro dia do castigo, a Sofia foi lá a casa, eu mostrei-lhe a carta e discutimos, ela respondeu-me que desejava e acabamos por fazer amor.
-Tu traíste a Matilde?!
-Sim. - Respondeu envergonhado. - Mas já falamos sobre isso mais à frente. Eu acordei depois de fazermos o que quer que tenha sido e comecei a vestir-me, senti repulsa de mim mesmo, eu traí a minha namorada... Com a minha ex-namorada. Que me abandonou! Ela acordou e eu pedi-lhe para vestir, tomar banho e sair.
-Contas-te à Matilde que a traíste?
-Não, e ontem acabamos por nos envolver.
-Calma... Tu envolveste-te com a Sofia, e com a Matilde? Na mesma semana?
-Sim, e acredita que ninguém mais me julga que eu mesmo. Estou desfeito por dentro Raphael.
-Pedro, eu conheço-te há 5 anos e, se alguém me dissesse que tu tinhas feito isto, eu não tinha acreditado e desmentiria até à minha morte, não estava realmente à espera confesso, e não tenho o direito de te julgar mas sim de te chamar à razão, como teu amigo que sou, e sei que te vai magoar o que vou dizer e até podes cortar relações comigo, acredita que eu compreendia e era eu que tomava a iniciativa de pegar nas minhas coisas e sair de casa, mas não quero, nem consigo ficar simplesmente calado. Tu corres o risco de vir a perder as duas com esta tua indecisão e com o que fazes, a Matilde ama-te Pedro. Ela é louca por ti e daria a vida por ti, ela sabe que tu vais sempre amar a Sofia e que vais para sempre gostar mais da Sofia que dela, mas continua do teu lado, queres maior prova de amor? Ela deu-te a sua primeira vez, e se soubesse que a tinhas traído ela perdoar-te-ia porque no fundo quer dar-te a mesma felicidade que alguma vez a Sofia te deu, e se sentir que tu realmente não o és, não duvides que ela acabaria contigo, mesmo que ficasse desfeita só para tu o seres, ao contrário de ti Pedro, estás a ser um egoísta. Não podes viver nesta indecisão de gostares das duas e quereres as duas, ou acabas com a Matilde e te concentras em reconquistar a Sofia, recomeçar de novo, ou te focas como nunca na Matilde e esqueces, ultrapassas e enterras o assunto Sofia, para deixar de ser algo no teu passado, mas para ser uma memória do teu passado. – Pedro não poderia negar que lhe havia magoado o que ouvira, que tinha sido fácil ouvir algo tão franco e directo como Raphael havia dito, mas afinal ele era como seu irmão e tinha-lhe dito o que precisava de ouvir, limpou as lágrimas e abraçou o amigo, não precisou de lhe agradecer, ele conhecia-o e bastou apenas um olhar para entender que lhe estava agradecido. Levantaram-se do banco e foram até ao restaurante.
Raphael sentou-se ao lado do irmão de Sofia, Diogo e Pedro voltou para junto de Filipe, que havia guardado um prato de comida igual à sua e depois de pensar, decidiu. Acabou o que tinha no prato, inventou uma desculpa qualquer a Filipe e saiu.
Entrou no carro e pegou no telemóvel, respirou fundo três vezes antes de fazer a chamada e sem pensar durante mais tempo, ligou. Bastaram três toques para atender.
-Preciso de falar contigo. Dez minutos e estou em tua casa.
-Está bem.
Dito isto desligaram a chamada e Pedro pôs-se a caminho, dava graças a Deus por ter um bom sentido de orientação e por lhe terem dado a morada e foi embora. Quando chegou ao destino já o esperava, entrou para o banco do pendura em silêncio e seguiram caminho, em silêncio absoluto, apenas se ouvia o CD que ela lhe havia dado com as suas músicas. A música da relação deles, as músicas preferidas de cada um e as músicas que eles consideravam descrever os vários momentos da relação, era o conjunto das canções deles, e mesmo sem querer, ela acabou por sorrir e ele teve sorte… Tinham parado num sinal vermelho e ele pode olhar para o sorriso dela e derreter-se com ele, como tinha saudades de o ver por sua causa, até que teve de despertar da dura realidade quando o carro que estava atrás buzinou porque o sinal já estava verde. Demoraram poucos minutos até chegar à praia onde tudo havia começado… A praia onde se tinham conhecido e dias mais tarde tinham começado a namorar. Sentaram-se no areal onde sentiam a brisa do mar a tocar-lhes na pele e o aroma maravilhoso do mar, que apesar de trazer a ela um misto de emoções completamente diferentes, fizera-a sentir-se bem. Depois de mais alguns minutos em silêncio no areal, Pedro respirou fundo e falou baixo, mas suficientemente audível para a sua ex-namorada ouvir:
-Porque mataste o nosso filho?
-Era o melhor para nós e para ele.
-Conta-me a verdade, Sofia. Eu conheço-te, sei que não o fazias apenas porque era o melhor para ele, e muito menos para nós.
-Pelos vistos não me conheces assim tão bem Pedro. Não podia ser egoísta ao ponto de colocar uma criança no mundo sem pensar se tinha ou não condições, mesmo que fosse o nosso sonho, não posso ser egoísta a esse ponto. Deixei-te porque sabia que nunca me irias perdoar por ter abortado e por isso optei para vir para junto da minha família em Espinho, para recuperar forças e energias que tinha depositado na nossa relação e em ti, o melhor para nós foi mesmo ter ido para lá.
-Tu queres que eu acredite que abortaste e nunca disseste nada ao teu irmão durante quase um ano? E que estavas de rastos e deixaste-o cá para recuperares energias?
-Pedro, eu não lhe disse nada porque sabia que o iria colocar numa situação que iria sofrer mais que ninguém. Por um lado era sofrer porque eu não estava bem, por outro lado era ver-te infeliz e não poder fazer nada para parar o teu sofrimento e ainda ter de acarretar com ele este segredo.
A rapariga podia optar por lhe contar a verdade, o pai forçara-a a fazer tudo, mas não o podia fazer, amava-o demasiado para tal, já o tinha perdoado e iria defendê-lo até a última instância, mesmo que para isso tivesse de sair ela prejudicada em invés dele.
-E achas que eu te esquecia e ultrapassava por não saber de ti, por te teres limitado a desaparecer da minha vida?
-Sim, esperava mesmo que o fizesses, era o melhor para todos.
-Diz-me uma coisa Sofia, tu conseguiste esquecer-me só com esta distância?
-Pedro, eu estou com o Filipe.
-E conseguiste esquecer-me e ultrapassar-me neste ano? Diz-me a verdade! – Pediu em tom de súplica.
-Pedro, tu marcaste-me muito e para sempre mas estou com o Filipe e gosto dele e somos realmente felizes, não planeei nada disto, nenhum de nós queria magoar-te mas acabou por acontecer... – Sofia não tinha mentido, mas também não lhe tinha sido completamente sincera, não poderia sê-lo. Continuava a amá-lo e iria para sempre fazê-lo mas precisavam de seguir com as suas vidas, era o melhor para ambos. Ela havia reencontrado a estabilidade e a felicidade junto a Filipe, que lhe devolvera o sorriso e amava todos os seus defeitos e problemas, beijava as suas feridas, e Pedro estava com Matilde, portanto gostava dela e já a havia ultrapassado. O melhor para todos era tudo ficar como estava. Tinha perdoado o pai, o filho estava enterrado e ela estava a tentar (ainda) ultrapassar a sua perca. Porque razão Pedro não seguia e ultrapassava a história deles? Ela também não conseguia, mas não iria dar parte fraca, sabia que era o melhor para todos o que tinha feito. Não podia dizer que já não o amava, ele conhecia-a e iria entender que ela mentira, por isso optara por ser sincera... E não responder realmente à pergunta que ele tinha feito. Levantou-se do lugar onde estava sentada, queria chorar mas não conseguia, doía-lhe o peito e custava-lhe respirar, não iria deitar mais nenhuma lágrima por causa de Pedro, prometera a si mesma que iria concentrar-se e ser completamente de Filipe, desde que aceitara o pedido de namoro, apesar de terem dito um ao outro que era apenas um “estratagema”, mas para ela era muito mais...
Apanhou o autocarro que havia ali nas proximidades e foi até casa, sentou-se na secretária e começou a escrever uma carta:

Querido Pedro:
Quando te prometi que te iria amar para sempre, eu sabia que iria cumprir.
Cada célula, cada pedaço de pele, cada cabelo e cada um dos meus dedos, ama tudo o que é teu, desde os teus mais pequenos e finos fios de cabelo até ao teu forte e enorme pé quando colocado ao lado do meu, toda a tua extraordinária pessoa e a tua indescritível alma eram o quanto me precisavam para ser feliz. Tu eras o meu refúgio, o meu tesouro, a minha metade, a minha peça do puzzle, e acredita que és alguém que me marcou a vida de uma forma que pensei nunca ser possível e isso amor nenhum, nem qualquer marca da vida vai apagar. As tatuagens que fizemos podem ser cobertas, tapadas, escondidas, mas acredita que a marca que me deixaste é muito mais forte que isso, não é meramente física, mas mais interior e profunda. Primeiramente abandonei-te fisicamente, com a distância e a ausência, sem explicação plausível, e agora abandono-te emocionalmente, para seres feliz. Pedro, tu mereces e eu sei que o serás.
Quando regressei tinha esperança de reaver tudo como deixei, de te poder ter nos meus braços e recomeçar a nossa história como se fosse do zero, mas encontrei-te com alguém que tinha sarado todas as feridas e o caco em que te deixei, alguém que te deu o que eu te dei... Sem esperar nada em troca, e eu sei que tu também a amas, porque de outra forma não estarias com ela. Tu amá-la, mesmo que tentes negar a ti mesmo, e mintas aos outros, tu já me esqueceste, e ultrapassaste, está na altura de te deixar ir em busca do que realmente te faz bem em invés de ficares preso numa velha obra e num antigo caminho que só te atirou pedras. A Matilde é o teu caminho a seguir, é o teu presente, o teu futuro. Quanto a mim? Sou eu, que te escrevo esta carta, com lágrimas nos olhos mas com certeza da atitude que tomo. Deixar-te ir é o melhor que tenho a fazer.
Sou a Sofia que sempre fui, caiu e levanto-me e existe outra pessoa que embora não me faça feliz como tu fizeste, gosta de mim realmente como sou, perdoa os meus erros e defeitos, e aceita-os e acima de tudo, ama-os, mesmo que a nossa história não tenha começado de forma mais “bonita” é alguém que me fez ter uma perspetiva diferente da vida e me beijou as feridas e ajudou a sará-las, e é junto dele que tenciono ser feliz. Mais uma vez. Mas sempre contigo no meu coração. E é por isso que esta é a última carta que te escrevo, porque sei que custa não olhar para o passado, mas sim olhar para o horizonte de cabeça erguida e com esperança no futuro e crença no presente que vivemos.

Amo-te, para sempre
Sofia Roch(inh)a”

Assim que Sofia assinou, limpou as lágrimas que ainda lhe molhavam a face e dobrou a folha de papel onde havia escrito, colocou-a no envelope que foi para a caixa onde estavam todas as cartas que escrevera a Pedro desde que o deixara e voltou a colocá-la debaixo da cama e queria mais iria olhar para elas. Aquela era a última carta que lhe escrevia, iria apenas viver o presente e olhar para o futuro... Quanto ao passado? Era isso mesmo, passado. Uma mágoa vivida mas ultrapassada. Respirou fundo na esperança de se acalmar e pegou no telemóvel. Tinha de falar com alguém. Com Pedro estava fora de questão, com Filipe era difícil, saberia que ele ia ficar desiludida consigo, Rita estaria ocupada e Diogo ainda estava no almoço e convívio, e tinha saudades de falar com o seu pai e ele iria querer ouvi-la, por isso ligou-lhe.
-Olá meu bem!
-Olá minha essência! - Respondeu sorrindo tentando mentalizar-se que estava tudo bem. - Como estás?
-Cheio de saudades tuas mas com imenso trabalho para te poder visitar.
-Se quiseres eu ligo-te mais tarde.
-Sofia, eu tenho sempre tempo e amor para os meus filhos.
-Obrigada! - Sorriram. - Desculpa não ter ligado mais cedo, mas tenho dias muito agitados.
-Por causa do Filipe e do Pedro?
-Sim... Pode dizer-se que sim. Porque falaste do Pipo?
-O rapaz estava demasiado comprometido ao pé de mim e da tua mãe e se fosse um amigo qualquer não o trazias para aqui. Além de que é da equipa do teu irmão e ele não falou nada de nenhuma lesão, e ele era habitual titular. Queres-me explicar o que é que vocês têm?
-Se eu te disser não vais acreditar.
-Experimenta.
-Eu e o Filipe namoramos. - O pai apesar de tudo, não ficou surpreendido. - O Pedro gosta da Matilde, senão não estariam juntos e são felizes, isso é o que mais me importa. Eu gosto do Filipe, estamos juntos e eu sei que ele me fará feliz também, ele beija-me as feridas e ajuda-me a curá-las, ele gosta realmente do que sou e faz-me sentir bem.
-Mas tu não esqueceste o Pedro.
-Nem ele a mim, mas temos de olhar para o futuro e para o presente, e nós estamos felizes com quem estamos.
-O que te faz acreditar que ele está com a Matilde e está feliz?
-Pai, se ele não gostasse dela não estariam juntos.
-Isso não quer dizer nada. Tu também gostas do Filipe e não esqueceste o Pedro.
-Pai, acabou. Tudo o que poderia vir a existir entre nós acabou hoje. Eu disse-lhe que tinha abortado propositadamente e que o deixei para recuperar energias junto a ti e à mãe, e aos avós, mas ele não acreditou e eu disse-lhe que estava feliz ao lado do Filipe - Tentava conter as lágrimas mas eram mais forte e acabou por deitar uma pequena lágrima pelo olhos.
-Compreendo que o que fizeste foi apenas porque achaste que era o melhor, mas ele tem o direito e o dever de saber a verdade, toda a verdade, mesmo que esteja com a Matilde e tu estejas com o Filipe.
-É o melhor para todos que seja assim pai. Ele esquece-me e é feliz com a Matilde, eu gosto do Filipe e vou ser feliz com ele, custe o que custar.
-E se nenhum dos dois for feliz com as novas caras metades?
-Temos de ser, pai... Simplesmente temos de ser. - Confessou suspirando. - Mas não te incomodo mais, vou preparar algo para o Filipe comer quando chegar a casa.
-Estás a trocar o teu namorado pelo teu pai, Ana Sofia Costa Rocha?
-Rochinha pai. E não, seria incapaz de te trocar por algum homem, simplesmente tu vais trabalhar e eu vou mimar o meu namorado.
-Posso dizer à tua mãe?
-Não acredito que ainda não tivessem comentado nada.
-Por acaso estás errada, nunca comentamos nada disso. Mas não te incomodo mais, vai lá preparar as coisas para o teu homem. Beijo, amo-te filha.
-Também te amo pai.
Dito isto desligaram a chamada e Sofia sentia-se mais “leve” com a conversa que tinha tido com o pai, talvez não fosse a forma mais acertada de dizer a Pedro para a esquecer, mas já estava feito e ambos tinham de ser felizes e com as pessoas com quem estavam. Ligou para Filipe, queria e precisava falar com ele.
-Diz-me meu amor.
-Tenho saudades tuas Pipinho! - Disse sorrindo. - Como está a correr o almoço?
-Também tenho saudades tuas, Sofia! Queres que vá ter contigo?
-Deixa-te estar aí no almoço, eu fico aqui a estudar...
-Tu estavas a estudar?
-Achas mesmo, Filipe? Ia começar agora... Estive a falar com o meu pai ao telemóvel, tenho saudades dele.
-Temos que lá voltar em breve, meu bem. E olha os meus pais convidaram-nos para irmos lá jantar hoje, eu é que me esqueci de te avisar, não te importas?
-Claro que não, podias ter avisado mais cedo, fazia um bolinho e tinha ido comprar umas roupinhas... Mas já agora, disseste-lhes que estamos juntos?
-Não, eles andam desconfiados, mas não lhes disse nada.
-Amor? Posso dizer-te uma coisa?
-Diz-me bebé.
-Estou nua à tua espera. - Disse entrando na varanda observando Filipe a estacionar.
-Estou a estacionar o carro à porta de casa, dois minutos!
-És muito esperto, menino Pipo. - O rapaz estava atrapalhado a estacionar o carro e ela decidiu picá-lo ainda mais. - Se demorares muito vou-me vestir. - Estava a brincar com o rapaz, estava vestida à sua espera, mas o rapaz deu-lhe ouvidos e demorou apenas dois minutos até chegar ao local onde viviam, abriu a porta do apartamento e viu-a completamente vestida e foi notório a sua desilusão.
-Não acredito que fiz uma correria e afinal estás vestida, não se brincam com estas coisas Ana Sofia! - Disse dando-lhe um curto beijo nos lábios, cumprimenta-a.
-A tua correria e o teu ar de esperançoso foram impagáveis!
-Não se brinca com coisas sérias, minha menina! Mas já que sugeriste... - Agarrou-a no fundo das costas e tentou encurtar a distância física que existia entre os corpos.
-Nada disso Filipe Nascimento! - Afastou-se dos braços dele. - Primeiro o bolo!
-E se deixássemos para depois o bolo, ou melhor, e se o comprássemos?
-Filipe, compreendo que sejas extremamente irresistível mas não estou mesmo com disposição ou cabeça, desculpa ter-te provocado mas estava mesmo a brincar. Quero apenas sentar-me no teu colo e ficar protegida nos teus braços e a cabeça pousada no teu peito, além do mais o teu pai já te viu com as costas todas arranhadas e agora que estamos juntos vai pensar que sou um animal insaciável!
-Sofia, temos de aproveitar enquanto somos novos e isto sobe e faz o seu trabalho!
-Não sejas assim Filipe! - Sorriu. - Tu sabes bem que não vais ter desses problemas, tu fazes tudo e bem!
-Obrigada! É sinal que ainda não te dei razões de queixa! - Piscou-lhe o olho. - Mas está tudo bem contigo?
-Sim, está tudo bem. Eu é que não me apetece fazer nada disso, não estou com disposição para isso, quero apenas ficar nos teus braços.
-Anda comigo. - Deu-lhe a mão e foram até à sala. Filipe sentou-se no sofá e com a mão convidou-a para se sentar no seu colo, ela fê-lo e ele rodeou o corpo dela com os seus braços. - Sabes que gosto muito de ti, não sabes?
-Também gosto muito de ti, meu homem. - Deu-lhe um beijo no nariz. - Talvez seja dar um passo maior que a perna... Mas para mim já não faz sentido vivermos com o Diogo e a Rita, devíamos arranjar um cantinho só para nós.
-Amor, acredita que eu também quero muito ter um cantinho só para nós, mas ainda é cedo. Nós estamos juntos ainda nem há duas semanas, mas podemos ir vendo algumas casas, e falando com a tua família para ver como reagiam e depois logo se via.
-Não quero que vamos viver juntos para gritar aos 7 ventos que vivemos juntos, mas sim porque quero que comecemos uma história só os dois e também de te provar que gosto realmente de ti. De verdade. - Olhou para ele e deu-lhe um curto beijo nos lábios.
-Não precisas de me provar nada, eu sei que gostas de mim. - Sofia aconchegou-se nos seus braços e sorriram. - Vamos fazer o nosso bolinho?
-Vamos começar, sim.
Levantaram-se do sofá e foram até à cozinha onde começaram a preparar o bolo.
-Queres fazer bolo de chocolate ou laranja?
-Laranja, talvez seja melhor. Vamos lá pôr o avental para não irmos sujos para casa dos meus pais.
-Nem penses que vou vestida assim, Filipe! Tenho de ir melhor vestida!
-Sabes que os meus pais não ligam nada às aparências, basta ires simples e seres tu mesma.
-Oficialmente já são meus sogros logo tenho de ir simples mas elegante.
-És muito especial Sofia, sabias?
-Fazia uma pequena ideia. - Sorriu e deu-lhe um beijo curto nos lábios. Prepararam todo o bolo e colocaram-no no forno.
- O que queres fazer enquanto o bolo está no forno?
-O que tu queres sei eu, Filipe! Mas temos de ir escolher roupa para levarmos!
-Explica-me a obsessão das mulheres por roupa.
-Nunca me ouviste a queixar que não tenho roupa ou da roupa que tenho!
-Pois não, por isso é que digo que és uma mulher muito especial.
-Eu sou só a tua mulher e tu o meu homem! - Deu-lhe um beijo no nariz. - Acho que o tema roupa é algo extremamente discutível nesta relação!
-Discutível?
-Sim, principalmente da minha parte que fui eu que te levei para a cama!
-Não sou assim tão necessitado...
-Que ideia! - Respondeu provocando-o. - Uma semana!
-Não aguentas uma semana sem mim!
-Já aguentei mais.
-Mas não enquanto namorado.
-É natural, eu provoco-te. Mas garanto-te que não aguentas!
-Está apostado! - Deram um “passou-bem” mútuo. - Cinquenta euros!
-Apostadissímo! Começa agora mesmo.
-Não disseste que não valia a pena provocar!
-Eu também sei provocar, sabias?
-Calei-me! Amor, já alguma vez apresentaste uma namorada à tua mãe?
-Ela já conheceu uma rapariga com quem curti, mas não foi nada sério e aconteceu.
-Vamos jantar normalmente e se perguntarem se namoramos ou surgir em conversa esse tema, confirmamos, senão surgir em tema de conversa não dizemos nada, estamos de acordo?
-Sim. Podes escolher-me a roupa enquanto vou ver do bolo se faz favor?
-Tu queres é uma desculpa para não me veres despida, mas vai lá que num instante também me visto.
Filipe sorriu e enquanto ela escolhia a roupa dos dois, ele sentou-se no sofá e começou a ver televisão, não a queria ver sem camisola, queria mesmo ganhar a aposta, não apenas pelos 50€, mas para lhe provar também, embora que indiretamente que ele gostava mais dela além do seu bonito corpo, depois de aguardar alguns minutos foi para o quarto onde a sua roupa já estava em cima da cama e a namorada vestida, agradeceu-lhe e ela saiu do quarto dando uma desculpa qualquer... Ela já havia decidido, ia ver televisão para não o ver despir-se à sua frente mas também pouco viu, o rapaz vestiu-se bastante rápido e o nervosismo começou a tomar Sofia, e Filipe sentiu o nervosismo dela e apertou-lhe a mão e seguiram até ao carro e bastou apenas meia hora para chegarem a casa dos Nascimento. Respirou fundo e o rapaz abriu a porta...

Como vai correr o jantar com a família Nascimento?
Será que vão assumir a relação? Como estará a reagir Pedro?