domingo, 15 de novembro de 2015

Capítulo 21: “Sei que magoa veres a pessoa que tu amas, amar outra pessoa”



(Matilde)
A jovem rapariga sabia que Pedro tinha o coração desfeito e com cicatrizes incuráveis, sabia também que a sua ex-namorada, Sofia, o tinha marcado de uma forma completamente arrebatadora e o romance que tiveram, embora poético, tinha tido um desfecho dramático e isso afetara-o, de uma forma arrebatadora e perturbadora, e ela queria apenas juntar as peças quebradas e fazê-lo acreditar novamente que poderia sentir o que era amar e ser feliz com o amor. Ela estava apaixonada por ele, e ele também estava apaixonado por ela... Mas de formas completamente diferentes. Já tinham dado várias oportunidades aquele romance, era a segunda vez que terminavam e reatavam a relação, estavam ambos com o orgulho ferido mas agora algo mais forte unia-os, o amor, e agora um filho unia-os, embora nenhum deles ambicionasse ter um filho em tão tenra idade, a verdade é que se a vida lhes tinha dado aquela oportunidade iriam agarrá-la com unhas e dentes. Aquele filho merecia ter os pais juntos.

-Eu gosto realmente de ti. - Confessou envergonhada. - Mas tenho medo que ponhas novamente a Sofia como prioridade e que só queiras estar comigo por causa... - Ele não a deixou terminar e beijou-a.
-Eu sei que fiz asneira atrás de asneira e que não merecias sofrer, mas também sei que gosto de ti e que me fizeste acreditar novamente no amor e ajudaste-me a reconstruir os pedaços do meu coração, e eu quero tentar mais uma vez, se me deres essa oportunidade, claro. - Matilde viu a genuinidade no olhar de Pedro, mas também tinha receio do futuro, e as memórias também lhe apoderavam a mente:

-Pedro que se passa contigo? – Perguntou Matilde já a meio do almoço que estava a ser feito em silêncio absoluto, num bar junto à praia.
-Estou cansado só isso.
-Tiveste um treino muito exigente amor?
-Sim, e estou preocupado com o Diogo e com o Filipe e acabei por descarregar no treino.
-Que é que se passou com eles?
-O Filipe chegou atrasado ao treino, e o Diogo não foi, estava dispensado.
-Tens medo que seja por causa da Sofia?
-Sim. – Assumiu com o medo bem presente na voz. – O Filipe disse-me que ela está em Lisboa. – Para Matilde aquelas palavras magoaram-na mais que qualquer outro gesto ou atitude de Pedro. Sabia que mais cedo ou mais tarde, iria acabar por sofrer e sair magoada, e só queria ser feliz. Podia magoá-la no início mas acabou por fazer o que lhe pareceu melhor. Respirou fundo, levantou-se da mesa e disse:
-Acabou Pedro. – Disse ainda com os olhos fechados. – É o melhor para os dois, desculpa. – Não conseguiu controlar as lágrimas e começou a chorar, saiu dali o mais depressa possível e ele ficou a vê-la partir, sem saber o que fazer, ou como reagir. Gostava dela, mas porque tinha terminado a relação? Continuava a amar Sofia, mas gostava imenso de Matilde e não iria abandonar esta para ir ao encontro de quem tanto o magoara.
Deixou algum dinheiro em cima da mesa e saiu daquele restaurante depressa, não queria acabar o almoço nem queria falar com ninguém, queria sair daquele local o mais depressa possível. Não tinha sorte no amor, Sofia abandonara-o sem dizer nada, como do dia para a noite, Matilde tinha terminado a relação sem ele conseguir entender a verdadeira razão. Correu até à praia e conseguiu encontrar o local mais escondido e recatado daquele local, sentou-se e começou a chorar.”

Matilde sabia que não tinha tomado a atitude correta dessa vez, mas também não conseguia tirar da cabeça, o que ele lhe havia dito quando se viu “obrigada” a terminar com ele da última vez:

-Preciso de falar contigo. - Anunciou Pedro, depois de abrir a porta de sua casa a Matilde. - Entra, vamos falar para o meu quarto para estarmos mais à vontade.
Sentaram-se lado a lado sobre a cama do rapaz.
-O que se passou, amor? Estás a assustar-me!
-Eu gosto muito de ti, tu sabes que sim...
-Mas...
-Tenho de ser completamente sincero contigo, tu assim o mereces. Nem sempre te fui fiel.
-O quê? - Perguntou ainda sem reação para o que se passara, não queria acreditar. - Tu traíste-me? Com a Sofia? Como foste capaz? - Levantou-se e começou a chorar. - Eu amava-te, entreguei-te em corpo, em alma e em coração, dei-te tudo o que tinha e não tinha, e o que tu me fizeste foi o pior que me podias ter feito!
-Deixa-me explicar-te, tudo por favor.
-Enfia as explicações onde quiseres, esquece o que tivemos, acabou!
-Como assim acabou?
-Agora já podes ficar com a Sofia, sem me teres por perto, esquece-me, por favor! - Saiu do quarto a chorar, deixando Pedro sem reação possível, embora amasse Sofia, também gostava de Matilde e ela não merecia sofrer, era a pessoa que menos merecia sofrer no meio daquela história. E Pedro não conseguiu conter as lágrimas, deitou-se sobre a cama e adormeceu a chorar.”

Mas também sentia que Pedro gostava de si, embora que de uma forma diferente de Sofia, e isso magoava-a, mas também sabia que poderia fazê-lo feliz e ajudá-lo a esquecê-la, e se ele queria recomeçar o namoro, ou melhor, dar mais uma nova oportunidade aquele namoro, ela não iria recusar, precisava de estabilidade, principalmente durante a sua gravidez.

-Eu aceito. E perdoo-te. E quero esquecer tudo e recomeçar desde o início. - Pedro abraçou-a e os dois sentiram-se realmente felizes com a decisão que haviam tomado. - Fico feliz por me quereres novamente nos teus braços, meu bem.
-E eu feliz por quereres estar nos meus, meu amor. - Deu-lhe um beijo na testa.
-Eu sei que ainda é cedo, mas gostava muito de começar nos nomes, ou pelo menos uma lista de possibilidades.
-Tenho medo... Medo que percebas que este sonho vai roubar-nos muitos dos nossos sonhos ou pelo menos adiá-los indeterminadamente, tenho medo que decidas abortar, medo de perdermos o bebé, eu tenho medo de nos afeiçoarmos a algo e no fim nos desiludirmos, desculpa.
-Amor, eu sei que te afeiçoaste muito ao teu primeiro filho, ao Júnior, sei que a Sofia te desiludiu muito, muito mesmo, quando te disse que o melhor que fez foi abortar, porque para ti não foi, porque ela não te perguntou nada, mas eu aprendi com os erros dela, eu não os vou cometer. Este bebé, esta vida depende dos dois, e é dos dois. - Sofia disse-o a agarrar nas mãos do seu companheiro e colocando-as sobre a sua barriga, de seguida olhou-o olhos nos olhos.
-Tens a certeza?
-Confia em mim. - Deu-lhe um beijo no nariz. - Se fosse menina gostava que se chamasse Teresa, ou talvez Isabel, mas também de Beatriz.
-Pessoalmente gosto mais de nomes antigos como Teresa e Isabel, mas para rapaz gosto muito de João e António. João era bonito, porque começava com a inicial do irmão.
-Tenho a certeza que o Júnior tem muito orgulho no pai que és. E este bebé também tem muito orgulho em ti. - Matilde pousou a mão na barriga e Pedro sorriu e beijou-a nos lábios e depois deu um pequeno beijinho na barriga da companheira.
-Obrigada por nunca desistires de mim, Matilde. - A rapariga sorriu. -Tenho um convite para te fazer, meu bem.
-Diz-me.
-Daqui a uns dias vai haver uma gala de Natal dos escalões de formação do Benfica, e eu gostava muito que fossemos os dois.
-E tu queres levar-me a mim?
-Sim, gostava muito que fossemos os dois. - Sorriram em conjunto. - Era a altura ideal para anunciarmos a tua gravidez, mas como ainda estás no primeiro mês, é melhor não o fazermos e sim esperar por mais tarde, infelizmente.
-Temos tempo para noticiar, ainda nem precisamos de falar sinceramente, vai-se perceber pelo aumento da barriga, mas para esconder vou levar um vestido com a zona da barriga mais larga, pode ser que não desconfiem.
-A barriga ainda mal se deve notar, se fosse a ti aproveitava para um último vestido ousado antes de desfilares com uma barriga apaixonante nos próximos meses.

(Passado alguns dias)
(Sofia)
-Talvez não seja boa ideia levar este vestido. - Pensou para si mesma. - É demasiado - Reparou no decote. -Filipe, anda cá!
-Diz-me. - O rapaz entrou no quarto e ficou boquiaberto, sem qualquer tipo de reação.
-Talvez seja melhor mudar de vestido.
-Não é nada disso Sofia... Eu é que fiquei boquiaberto... Estás simplesmente linda!
-Estás a falar a sério? Tu concordas que vá assim?
-Sofia, tu és uma mulher incrível. És inteligente, és linda, eu não podia ter pedido mais e melhor, e tens curvas, por isso acho sinceramente que devias usar este vestido, não para mostrares as tuas curvas ao mundo, mas para te sentires mais confiante contigo própria, claro que eu vou ter um pouquinho de ciúmes mas... - A rapariga interrompeu-o com um beijo.
-Não precisas de ter ciúmes, nem de nada, nem de ninguém, porque no meu coração só existes tu.
-Sabes que não é bem assim...
-Mas pudemos fingir que é, porque não te troco, nem te empresto, e muito menos te dou. - Deu-lhe um beijo no nariz. Sofia separou-se dele e olhou-se mais uma vez ao espelho e reparando bem nas partes do corpo a descoberto que o vestido lhe deixava.



-Vou-te contar um segredo. - Encostou-se ao ouvido de Filipe. - Não tenho roupa interior.
-E se eu te disser que também não tenho?
-E se dispensarmos a gala e saltarmos para a prática dos bebés?
Sofia sabia bem provocá-lo e Filipe não conseguia resistir-lhe...
-Não. A próxima vez que o fizermos vamos fazer amor, não sexo, apenas pelo prazer carnal, vai ser um sentimento mais forte.
Filipe recusara a sugestão de Sofia, ele gostava realmente dela, de coração, e não queria apenas mais um envolvimento apenas pelo prazer e pela atração, queria pela primeira vez na vida fazer amor, e seria com Sofia, estava certo.
-Eu também o quero, de verdade, estou desejosa que o aconteça, e sei que vai ser especial, mas também vai sê-lo por te ter do meu lado.
Deram um último beijo e chamaram um táxi de onde seguiram até à gala que iria ser transmitida pelo canal do clube. Assim que chegaram, as câmaras capturam-nos e foram filmados também. Filipe trocou algumas palavras com o jornalista, e depois foram até aos lugares pré-destinados, depois Sofia foi até à casa de banho, onde iria endireitar o batom e o cabelo, mas no espelho ao lado estava Matilde e acabou por não lhe dizer nada, sabia que não iria responder, mas acabou por ser a rapariga a surpreendê-la:
-Eu sei que foi contigo que o Pedro me traiu, e eu nunca te vou perdoar por isso, és uma cabra e vais ter o que mereces, mas quero que saibas que o que fizeste foi em vão, porque ninguém nos vai separar mais, sabes porquê? Porque este filho que tenho na barriga vai unir-nos mais que nunca!
Matilde saiu da casa de banho deixando Sofia com um vazio para trás, que se fechou na cabine individual onde as lágrimas, a aflição e o sufoco reinavam o coração da pobre rapariga: Pedro iria ser pai... Matilde ia-lhe dar o que ela lhe havia tirado, a oportunidade de serem pais, tinha-lhe roubado o filho, a vida do filho e ela ia dar-lhe. Tinha-o perdido em definitivo para Matilde e não sabia como lidar com essa dor, amava-o demasiado para perdê-lo por completo. Por muito que gostasse e se sentisse bem ao pé de Filipe, era Pedro que amava realmente. Sentia a respiração a faltar-lhe, o coração a apertar-lhe, sentia uma dor e um vazio em si, por muito que parecesse o oposto. Não conseguia parar de chorar, estava só, sentia-se só e nunca mais iria recuperá-lo, tinha de se mentalizar que o perdera para sempre, por sua própria culpa.

-Sofia. - Disse aquela voz que tão bem conhecia. - Sofia. - Tornou a repetir. Aproximou-se da cabine e bateu à porta, ela não conseguiu responder, e muito menos abrir, então ele decidiu empurrá-la e abraçou-a. - Meu amor. - Abraçou-a e aconchegou-a entre os seus braços, limpou-lhe as lágrimas e beijou-lhe a testa. - Explica-me o que se passou, por favor. - A sua respiração era irregular e Filipe sabia bem que era terrível para a sua saúde, pegou na pequena mala que ela tinha e tirou de lá a pequena bomba de asma que ela tinha e como sabia como funcionava deu-lha, depois de aguardar uns minutos para ela se acalmar perguntou. - Queres ir ao hospital? - Sofia abanou negativamente com a cabeça e aguardaram mais alguns segundos para ela respirar fundo e limpar as lágrimas e falar:
-Desculpa. Desculpa... Desculpa. - Voltou a chorar e ele abraçou-a com força. - Desculpa.
Filipe partilha-lhe o coração vê-la chorar e só conseguia pensar o quanto ela estava magoada, mesmo que no fundo soubesse que o poderia magoar, abraçou-a e limpou-lhe as lágrimas.
-Tem calma por favor, explica-me o que se passou.
-O Pedro e a Matilde vão ter um filho.
Por muitos os cenários que pensasse sobre o que poderia ter-se passado, nunca havia colocado aquela opção.
-Como sabes?
-A Matilde... Eu e a Matilde encontramo-nos aqui e ela disse que sabia que ele a tinha traído comigo, mas que agora ela está grávida e nada os iria separar. Filipe, ele já me esqueceu... Ele já me ultrapassou. Vai ficar com ela para o resto da vida, eu perdi-o para sempre.
-Sofia. - Deu-lhe um beijo na testa. - Sei que custa, que o amas e vais sempre amar. - Engoliu em seco, apesar de serem amigos e namorados, Filipe começava também a amá-la, mas tinha de sobrepor a amizade ao amor naquele momento. - Sei que magoa veres a pessoa que tu amas, amar outra pessoa, e saberes que vai amar para sempre, mas também sei que por muito que te custe tu vais ficar feliz ao perceberes que o melhor para vocês é deixá-lo ir e vê-lo a ser feliz com outra pessoa, mesmo que te magoe.
Sofia engoliu em seco, ele não precisou de dizer nada mais para entender que ele gostava mais dela do que ela alguma havia pensado... E ela estava a magoá-lo daquela forma e isso custava-lhe, porque sabia o que era amar e sabia o que era sofrer e não queria ser a causadora de sofrimento, ele não merecia e ela gostava dele... Mesmo que fosse de forma diferente da forma como ela gostava dele. Engoliu em seco e limpou as lágrimas, não ia fazê-lo chorar, nem sofrer como Matilde e Pedro faziam-na sofrer constantemente, limpou as lágrimas e levantou-se.

-Deixa-me só retocar o batom e a base e vamos.
-Para mim és bonita de qualquer forma. - Sofia corou.
-Não digas disparates.
-Não são disparates, é a realidade. Aos meus olhos és perfeita como és.
-Fala o moço mais bonito desta sala.
-O único, na verdade.
-A culpa é tua, quem te mandou estar na casa de banho das mulheres?
Filipe sorriu.
-Estou linda, bebé?
-Perfeita.
-Ainda tens o poder de me deixar completamente envergonhada sabias?
-Já tinha dado por isso.
-Dás-me um beijo?
-Alguma vez conseguiria recusar um beijo teu?
-Já recusaste coisas muito melhores...
-Sabes bem porque fiz isso.
-Eu sei. Estava a brincar contigo.

Cruzaram os braços e foram até aos locais onde estavam pré-destinados, sentaram e assim ficaram até à gala terminar, e à saída fizeram questão de evitar Pedro e Matilde, depois chamaram um táxi e foram até casa, assim que abriram a porta, Sofia correu até à casa de banho onde a encostou e tirou toda a roupa que tinha no corpo e de seguida foi até ao quarto onde Filipe já estava deitado e surpreendeu, aproximou-se dele e beijou-o, e ele começou a querer explorar com as mãos e a corresponder aos beijos.

-Sofia, para!
-Já não me desejas, é? - Disse tentando voltar a beijá-lo mas ele virava a cara.
-Sabes bem que não é nada disso.
-Então é o quê porra?
-Tu só me queres para te mentalizares que já esqueceste o Pedro, porque me estás a usar para, na verdade, o fazeres e eu gosto mesmo de ti, mas gosto ainda mais de mim e daquilo que sinto por ti, para não os respeitar!

Sofia saiu do quarto e foi até à casa de banho onde se vestiu rapidamente, o mais rápido que pode e saiu de casa sem dar tempo a Filipe para reagir, foi até ao prédio do irmão, que era na mesma rua e tocou à campainha. Depois de esperar poucos minutos, a porta abriu-se e abraçou o irmão que estava à porta e começou a chorar, que também a abraçou, mesmo que fosse o reflexo.

-Que se passou, Sofia?
-Posso entrar?
-Sim, anda para a sala.
De mãos dadas foram até à sala, onde se sentaram no sofá.
-Chega aqui à minha beira. - Esticou o braço à irmã que encostou a cabeça sobre o peito/ombro e continuou a falar. -A Rita mal chegou adormeceu, por isso desde que não façamos muito barulho estamos à vontade.
-Nem sei por onde começar... - Respirou fundo e sabia bem que Diogo poderia querer dominar o mundo para ver a irmã feliz mas nunca iria fazer nada a não ser que ela lhe pedisse. - O Pedro e a Matilde vão ter um filho. E o Filipe já não me deseja.
-Conta-me tudo devagar, se faz favor.
-Eu e a Matilde não nos falamos desde que ela descobriu que o Pedro e eu nos envolvemos, eu bem que tentei explicar-me, mas ela nem os bons dias me dava, e isto já durava à umas semanas, até já tinha decidido dar-lhe um tempo para ela digerir tudo e depois ir falar, mas hoje encontramo-nos na casa de banho e ela disse-me que estava grávida... Ela e o Pedro vão ter um filho... E eu perdi-o para sempre. - O irmão abraçou-a e deixou-a chorar nos seus braços. - Eu amo-o, e agora sei que não vou mais recuperá-lo.
Diogo limpou-lhe as lágrimas e deu-lhe um pequeno beijo na testa.
-E como sabes que eles estão juntos?
-Ela disse-me, mas mesmo que não me tivesse dito, eu saberia-o, conheço-o demasiado bem, ele faz o correto e o correto para ele é estar junto da mulher que ama porque têm um filho para criar, juntos.
-Tu sabes bem que aquela relação não tem pernas para andar. - Sofia ficou surpreendida, conhecia o irmão e ele não iria dizer aquilo. - Eu já sabia que eles iam ser pais, mas não te pude dizer, eles queriam manter segredo até aos 3 meses... Ou pelo menos o Pedro queria, o que ela fez foi para te atingir, para te magoar e conseguiu. Atingiu-te num ponto que sabes que sabe que era vital para ti e não me admira nada que tenha engravidado propositadamente, afinal eles tiveram juntos uma única vez, é demasiada coincidência que ela tenha engravidado.

A rapariga ficou sem chão, sem reação e sem palavras, o mundo parecera desabar, Matilde tinha feito aquilo tudo para a magoar? Não podia, a Matilde que ela conhecia não o faria.
-Ela conseguiu Diogo, ela conseguiu mesmo o que queria. - Disse sorrindo ironicamente. - Porque ela vai-lhe dar o que eu nunca lhe dei, o que eu lhe roubei, sem nada dizer, e ele nunca me vai perdoar por isso.
-Já experimentaste contar-lhe a verdade? Ele merece saber toda a verdade.
-Não. Não e não. Nunca o farei. - Disse convicta. - O pai cometeu muitos erros mas está arrependido e eu não o posso condenar por tal coisa, prefiro perder o Pedro, a voltar a perder o pai.
-Mas estás a fazer o Pedro sofrer por ti, desnecessariamente.
-Ele já sofreu o que tinha a sofrer, e já me ultrapassou tão bem que até já engravidou a Matilde.
-O Pedro ama-te e tu a ele, estão à espera do quê para voltarem a estar juntos? Vocês estão destinados um ao outro, só vocês é que não compreendem.
-Talvez as coisas não sejam tão preto no branco. O Pedro e a Matilde estão juntos, felizes e esperam um filho. E o Filipe ama-me, não tenho coragem de o magoar depois de tudo o que ele fez por mim, afinal também gosto dele.
-Já entendes porque estava contra a tua relação com o Filipe?
-Sim, como sempre tinhas razão, mas não esperava que ele viesse a gostar tanto de mim...
-Mas porque dizes que ele te ama?
-Hoje entendi, ele não precisou de me dizer, ele olhou para mim a dizer-me uma coisa e eu percebi.

-Acho que te estás a enganar, e a enganar a ele com esta relação com o Filipe e irem viver sozinhos foi um passo muito grande... Foi muito cedo, mesmo para vocês.
-Não consigo magoá-lo, mas também o Pedro já me esqueceu...
-Deste o passo maior que a perna...
-Sim, sem qualquer dúvida. - Desabafou. - Preciso de repensar em tudo, mas como digo ao Filipe?
-Podes aproveitar estas férias para ires a Manchester... O Rony convidou-nos para ir lá, talvez pudesses aproveitar.
-Ele só me conheceu era eu mais novinha... Já mal se deve lembrar de mim, e além do mais eu sem ti não vou.
-Não sejas tonta. Ele é uma excelente companhia, fazias bem em aproveitar.
-Talvez... Afinal ainda não tenho planos para a passagem de ano, quem sabe...
-Acho que devias ser sincera com o Filipe, completamente sincera, ele sabe bem que o teu coração está dividido, além do mais ele conhece-te bem.
-Não sei Diogo, quem sabe?!

O que irá decidir Sofia?
Será que depois irá ter coragem de dizer a Filipe? E como ficará a história com Pedro?

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Capítulo 20: “talvez devêssemos dar uma nova oportunidade ao amor, (…) que achas de … Recomeçarmos de novo?”



Sofia tinha feito a viagem até ao norte com Rita ao volante, iriam rever a família mas também fazer uma surpresa aos seus companheiros, que pensavam que elas iriam
passar o fim de semana em casa, mas decidiram surpreendê-los. Em breve, Sofia comemorava o primeiro mês de namoro com Filipe e queria fazê-lo feliz, queria roubar-lhe um sorriso como só ele sabia saber. Quando acordava mais cedo que ele, colocava-se à sua frente e ficava a admirar as suas feições durante longos minutos, ele era uma pessoa que tinha aparecido para iluminar a sua vida, e era tão bonito, em todos os sentidos! Além do mais, Sofia iria também visitá-lo para dizer que cada um deles tinha perdido 50€, tinham apostado que não conseguiam aguentar uma semana sem se envolverem e havia conseguido até 2 semanas, e o tempo continuava a passar... Nenhum deles sentia essa necessidade, anteriormente faziam-no por mero prazer carnal, mas agora iria ser mais do que isso, iria ser um momento realmente especial, e por isso não o pressionavam, iria acontecer quando tivesse de acontecer. Só de pensar que iria matar saudades do seu namorado aconchegava-lhe o coração, não o via há dois dias e queria poder dizer-lhe o quanto gostava dele.
Iriam fazer a viagem diretamente até Braga, onde seria o jogo e os seus pais dela já as esperavam para assistir ao jogo, e no meio de tanto pensamento positivo, pouco se lembrara que iria reencontrar Pedro pela primeira vez depois do que lhe havia dito, e seria duro e difícil, afinal tinha-lhe mentido e ela nunca o havia feito antes.

-Sofia, se encontrares o Pedro o que vais fazer?
-Vou cumprimentá-lo como se fosse outra pessoa qualquer, sou educada.
-E isso não vai mexer contigo?
-Claro que vai Rita, eu amo-o e vou sempre amar, ele marcou-me muito, deu-me um filho, mas sobrevivo sem ele, agora eu sou realmente feliz, como ele também o é.
-E se ele quiser conversar contigo sobre algo mais? Talvez sobre a última conversa que tiveram ou sobre a Matilde.
-E como tens lidado com ela? Afinal são colegas de turma.
-Nada bem... Quando existem trabalhos de grupos, ela faz sempre tudo para não calharmos juntas, foi para a outra ponta da sala para estar longe de mim. Nos primeiros dias ainda lhe dava os bons dias, mas ela deixou de me responder, e eu acabei por desistir. Não deveria ter feito o que fiz, tentei evitá-lo mas como lhe dizia que eu era a ex do namorado dela?
-Não estavas numa situação nada fácil.
-Pois não, sei que podia ter feito as coisas de outra forma, mas alguém iria acabar por ficar magoado no meio desta história.
-Vocês nunca poderiam ser amigas, tendo em conta a vossa história e o Pedro.
-Eu sei, mas não deixa de ser um pouco doloroso, ela foi minha amiga, eu é que não fui amiga dela.
-Pode ser que com o tempo ela supere isso, não foste a única a ocultar-lhe isso, o Pedro também o fez e ela perdoou.
-Mas é diferente Rita, eu menti-lhe, nunca me senti falsa, nem nunca o fui em toda a minha vida e agora sinto que o fui.
-Mas não tens de te sentir assim, tens de falar com ela e ser completamente sincera, direta e honesta, assim la vai compreender-te e perdoar, o que talvez haja para perdoar.
-Eu até podia tentar falar com ela, mas ela despreza-me, ignora-me por completo.
-Dá-lhe tempo, ainda está tudo muito a quente, depois quando estiverem mais calmas, falas. Pode ser que as férias de Natal que aí vêm lhe ajudem a acalmar as ideias.
-Não queria mesmo que as coisas ficassem assim... No fundo tenho pena dela, está a pagar por estar no meio de uma história que não é dela e nem culpa tem.
-Mas ela sabia a tua história e do Pedro quando começou a namorar com ele.
-Sim, mas o Filipe também sabia e não sofreu nada, antes pelo contrário.
-Mas é muito diferente, o lado do Filipe e da Matilde!
-Ai é? Então porquê?
-O Filipe era amigo do Pedro, e era meu amigo, o nosso envolvimento foi provocado por mim, a Matilde apaixonou-se pelo Pedro, a Matilde apaixonou-se pelo Pedro, teve de aceitar o passado dele. É diferente, porque é, ponto!
-Pronto, calei-me! Olha chegamos, vamos só estacionar o carro e já vamos ter com os teus pais.

Depois de Rita estacionar o carro, ambas saíram e foram em direção ao estádio onde cumprimentaram os pais da família Rochinha e entraram para o estádio, onde o encontro já tinha começado à sensivelmente 5 minutos. Filipe era titular, juntamente com Diogo e Pedro também, o encontro estava num nulo para as duas equipas. Os minutos foram passado e foi já no começo da segunda parte que Filipe fez uma assistência para o golo de Diogo, e rejubilaram de alegria! O golo foi festejado pelos dois junto à bancada fazendo um coração com as mãos, o golo era para Rita, obviamente, e a rapariga acabou por deitar uma lágrima caprichosa. Os minutos pareciam horas depois daquele golo, mas acabaram por passar e acabar o jogo com uma vitória do Benfica, embora que pela margem mínima.
Deslocaram-se até à saída dos jogadores, próximo dos balneários e aguardaram pela saída dos jogadores, e já era sabido que Filipe e Diogo demoravam a despachar-se e Pedro era dos primeiros e acabou realmente por ser assim mesmo.

-Boa tarde. - Disse Pedro aproximando-se de Rita, Sofia e da família desta.
-Boa tarde. - Responderam em coro.
-Como estás, Sofia?
-Estou bem, decidi aproveitar o fim-de-semana para vir ver o jogo e passar uns dias em Espinho. E como vais tu e a Matilde?
-Contei-lhe que a traí, contigo, e ela terminou comigo.
-Não estava nada à espera de ouvir isso e lamento.
-Também eu, mas tenho de ser forte e mereci isto.
-Não, não mereceste. - Afirmou com alguma revolta. - Não foste o único culpado. Vais ver que com o tempo ela acaba por perdoar isto e esquecer.
-Espero que sim. E como vais tu e o Filipe?
Filipe e Diogo apareceram a conversar sorrindo, mas assim que o rapaz observou o que se passava, aproximou-se de Sofia e queria dar-lhe um beijo, mas ela virou a cara e acabou por lhe dar apenas a mão, discretamente.
-Avisaste o teu treinador que não vais com eles para Lisboa?
-Sim, tanto eu como o Diogo.
-Foi um prazer falar contigo, boa sorte com a Matilde! - Apertou a mão de Filipe que discretamente segura. E afastaram-se naturalmente. - Gostaste da surpresa, amor?
-Já te posso beijar ou ainda parece mal? - Sofia ficou incrédula com o que ouvira.
-Sabes ao menos porque não deixei que me beijasses? Porque me pus do lado do Pedro, sei que o iria magoar e podia perfeitamente evitá-lo.
-Tens razão, desculpa amor. - Deu-lhe um pequeno beijo na ponta do nariz. - Porque decidiste fazer-me esta surpresa?
-Porque te adoro, do fundo do meu coração, sabias? - Deram um curto beijo nos lábios. - Além do mais, devo-te 50€, já vai para duas semanas em que não cedemos às tentações carnais. - Sussurrou-lhe ao ouvido e entraram no carro dos pais de Sofia e seguiram até Espinho, no outro carro vinha Rita e Diogo que também os seguiram.


(Pedro)
A vida de Pedro era uma rotina, uma monotonia há já algumas semanas e nada parecia mudá-lo desde que a sua relação com Matilde terminara e tivera aquela última conversa com Sofia, que não vivia, sobrevivia. A vida limitava-se a ser casa-treino, treino-casa, casa-jogo, jogo-casa, nada mudava isso e nada lhe arrancara um sorriso dos lábios. A felicidade parecia não querer nada consigo, mas ia buscar forças onde ainda lhe parecia correr bem, o futebol continuava a correr de vento em poupa, mantinha-se titular e jogava cada vez melhor e o filho dava-lhe todas as forças que precisava para continuar a lutar para recuperar a felicidade, queria deixar o filho orgulhoso. Mas também lutava para de alguma forma recompensar Matilde pelo sofrimento que lhe tinha causado e para ser feliz, como Sofia também o era. Estava em casa, e queria escrever para mais tarde cantar, talvez assim ajudasse a sentir-se melhor, embora nenhuma felicidade parecesse querer reinar no seu coração, apenas o esquecimento e o alívio por alguns minutos, a caneta parecia não se mover, ou então era a inspiração que parecia não sair por aqueles dedos em formato de letra. Não sabia sobre o que deveria escrever, e estava a um passo de começar a chorar novamente a relembrar-se de tudo.

-Já não suporto estar fechado em casa, contigo, Pedro! - Raphael era incansável, nunca deixara Pedro naquelas últimas semanas, fazia tudo para o ver sorrir e para lhe dar forças, mas também reclamava porque não via resultados.
-Não te pedi para ficares comigo.
-Se eu te deixasse sozinho em casa, provavelmente chegava e estava tudo inundado que não paravas de chorar!
-Chorar faz bem, limpa a pele e hidrata-a!
-Mas não nas proporções que tu o fazes, tens de reagir Pedro, não podes continuar assim!
-Queres que faça o quê? A Sofia está com o Filipe, está nas nuvens, não viste em Braga?! E a Matilde? Está uma lástima, porque eu a trai!
-E vais ficar aqui de braços cruzados à espera que a Matilde te perdoe e que a Sofia perceba que ainda te ama? O Pedro que conhecia não ficava aqui a chorar pelos cantos!
-Tenho de dar tempo à Matilde, se lhe aparecer à frente ainda a magoou mais!
-Isto não é vida para ti, nem para mim, e não, não te vou abandonar, nem que para isso tenha de ficar em casa fechado por 6 meses!
-Obrigada Raphael, mas acho que deves ter coisas mais importantes para fazer, além do mais não precisas de ficar aqui, eu estou bem a sério!
-Então porque é que ainda há pouco choraste em silêncio na almofada do teu quarto?
-Não chorei, lacrimejei!
-É a mesma coisa, Pedro Miguel! - Ouviu-se o toque da campainha, que interrompeu a conversa. - A conversa não acabou, Pedro, depois acabamos! E eu vou lá, continua a fingir que escreves! - Abriu a porta e ficou completamente surpreendido com quem via. - Que fazes aqui?
-Posso entrar? Gostava de falar com o Pedro, se ele tivesse claro.
-É nestas alturas que gostava de ter a tua sorte, Pedro! - Gritou-lhe. - Ele está na sala, eu vou para o meu quarto, estejam à vontade.
A rapariga aproximou-se devagar da sala e apanhou Pedro de surpresa que não sabia sequer como a cumprimentar, por isso optou por apenas falar-lhe:
-O que fazes aqui? Não estava nada à tua espera...
-Nem eu estava à espera de voltar a ver-te. Nestas circunstâncias.
-Como tens andado? - Que pergunta estúpida, dizia Pedro a si mesmo!
-Tenho refletido muito sobre nós, sobre o que fizeste e os erros que eu também cometi. E tu?
-Tu não cometeste erro nenhum, fui só eu que os cometi. Desculpa, do fundo do meu coração, eu não queria que nada disto tivesse acontecido, juro, desculpa-me por favor.
-Pedro, estou grávida.
-Juro Matilde, eu gosto de ti, a sério que gosto, mas não tenho conseguido demonstrar o que sinto... Espera, o quê?! - Continuo a falar normalmente até que interiorizou o que Matilde havia dito e reagiu. - Como assim estás grávida?
-Eu e tu vamos ter um filho dentro de oito meses!
-Mas como é que tu engravidaste?
-Nós não usamos preservativo... - Clarificou Matilde. - E olha, bastou uma vez.

Todas as tristezas que pareciam ter dominado Pedro nas últimas semanas, desapareceram e deram lugar a um sorriso sincero e maravilhado.

-Isso quer dizer que o Júnior vai ter um irmão?
-Sim! - Pedro abraçou-a com força e felicidade, pura e genuína. - Gosto tanto de ti! Obrigada do fundo do meu coração por me dares este filho, foi a melhor prenda!
-Não foi desejado, mas é tão amado como se fosse pensado.
-Estava com medo que não aceitasses bem, mas afinal... - Pedro deu-lhe um beijo carinhoso na testa e aproximou-se da barriga, e começou a conversar com ela:
-Sabes que tens um maninho chamado Júnior, não sabes? Gostava que o conhecesses, mas infelizmente não podes mas vais ser muito amado pelo teu pai e pela tua mãe! - Aproximou-se da face de Matilde. - Sei que provavelmente é estúpido fazê-lo, mas quero mesmo que o meu filho cresça com os pais juntos... E talvez devêssemos dar uma nova oportunidade ao amor, e a nós, que achas de … Recomeçarmos de novo?

(Sofia)
O recém-casal ao contrário da restante família decidiu não ir para casa para descansar, mas sim ir ao local onde Sofia nunca deixaria de visitar, e tinha de fazê-lo sempre que iria a Espinho, magoava-a inicialmente mas depois existia um sentimento de alívio. Iriam colocar flores novas na campa de Júnior, Sofia iria conversar com ele e Filipe iria dar-lhe apoio.

-Não te importas que escreva uma carta ao meu filho?
-Se te faz sentir melhor, eu estarei aqui.

Sofia pegou no papel e numa caneta e começou a escrever:

Querido Júnior,
Escrevo esta carta para te dizer o quanto te amo e o quanto sinto a tua falta.
Gostava que te contar o que te vou escrever, bem juntinho ao ouvido, a sentir o teu perfume, enquanto dormias e sentir que todos os dias estava cada vez mais apaixonada pela perfeição que é o meu filho, mas mentalizei-me que não o posso fazer e provavelmente o farei novamente daqui a uns anos, com um filho... Que não tu. Mas tu estás cá, no meu coração, na minha alma e no meu coração, estarás cá eternamente. Não te escrevo a chorar, aliás, se houve algo que me ensinaste foi a ser feliz, a lutar pela minha felicidade e pelos meus sonhos, a vida acabará por nos recompensar.
E foi isto que me levou a escrever esta carta. Tu és o nosso pequeno anjo da guarda, meu e do teu pai e sei que ninguém nos protegerá tanto como tu e ele, que apesar de teres sido apenas um pequeno feijão no meu ventre fisicamente, emocionalmente foste mais forte que muitas pessoas que por ela passaram, e me deixaste uma marca eterna. És o meu filho, e é graças a ti que realizei o meu sonho de ser mãe. E sei que estás a torcer por mim no céu, e pelo Pedro, para que encontremos os nossos rumos certos, que realizemos os nossos sonhos e sejamos felizes e foi sobre isso que decidi escrever-te com um sorriso nos lábios.
Não é apenas um rapaz... É o rapaz. É alguém que tenho a certeza que gostas e admiras. Chama-se Filipe e devolveu-me o sorriso, e não apenas e só isso, devolveu-me a felicidade genuína. É uma pessoa que ama o que sou, beija as minhas feridas e respeita o meu passado, é uma pessoa que tenho a certeza que faz parte do meu futuro, e que marcou o meu presente. Não o amo, ainda é cedo para dizê-lo e senti-lo, mas é alguém que me faz bem e de quem eu gosto. É uma pessoa que apesar de ter visitado a campa onde descansas, te vê não como apenas isso, um “feijão” numa campa, mas como um filho para mim e te ama como eu te amo. Ele fez-me abrir o meu coração mais uma vez e fez-me assumir o que sentia, fez-me perdoar o teu avô e amar a minha família, em especial os teus avôs. O Filipe fez-me viver o presente e não limitar-me a ficar presa no passado.
Não quero que penses que esqueci o teu pai, acredita que não. A marca que ele deixou na minha vida é eterna, mas ele prosseguiu com a vida dele e eu encontrei alguém que me deu um presente e quer construir um futuro, juntos. Quero apenas pedir-te para cuidares do teu pai, porque tu és o nosso pequeno anjo da guarda e ninguém nos ama como tu e nos irá cuidar e proteger como tu.
Junto te envio uma letra de uma música que deveria partilhá-la contigo e uma fotografia. Não do teu pai, mas de uma pessoa que te admira e estará sempre a teu lado, e com quem rezo todos os dias, para que o possas também conhecer.



Oh if you could see me now (Oh, se me pudesses ver agora)
Oh if you could see me now

It was February fourteen, Valentine's Day (Era 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim)
The roses came, but they took you away (As rosas vieram, mas eles levaram-nas)
Tattoed on my arm is a charm to disarm all the harm (Tatuado no meu braço está um encanto para desarmar todo o mal)
Gotta keep myself calm but the truth is you're gone (Tenho de me manter calmo mas na verdade foste-te embora)
All I'll never get to show you these songs (E eu nunca vou mostrar-te estas canções)
Dad, you should see the tours that I'm on (Pai, devias ver as tournés que tenho feito)
I see you standing there next to Mom (Vejo-te sentado ao pé da mãe)
Both singing along, yeah arm in arm (Ambos cantando juntos, de mãos dadas)
And there are days when I'm losing my faith (E há dias em que perco a minha fé)
Because the man wasn't good he was great (Porque o homem não era bom, era ótimo)
He'd say music was the home for your pain (Ele dizia que a música era a casa para a sua dor)
And explain, I was young, he would say (E explicava que eu sou jovem. Dizia ele:)

Take that rage, put in on a page (Pega na tua raiva e põe numa página)
Take the page to the stage (Leva a página para o palco)
Blow the roof off the place (Levanta o telhado)
I'm tryna make you pround (Estou a tentar deixar-te orgulhoso)
Do everything you did (A fazer tudo o que tu fizeste)
I hope you're up there with God (Espero que estejas aí em cima, conversando com Deus)
Saying that's my kid (E digas “é o meu menino”)

I still look for your face in the crowd (Ainda procuro p teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Would you stand in disgrace or take a bow (Envergonhar-te-ia, ou irias ter orgulho em mim?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

(Oh, if you could see me now)


If you could see me now would you recognize me (Se me visses agora, reconhecer-me-ias?)
Would you pat me on the back or would you criticize me (Davas-me uma palmada no ombro ou me criticavas?)
Would you follow every line on my tear stained face (Será que seguirias todas as linhas no meu rosto molhado de lágrimas?)
Put your hand on a heart that's was cold as the day you were taken away (Colocarias a mão no meu coração que esteve frio como o dia em que foram levados)
I know it's been a while but I could you see cleat as day (Eu sei que já faz um tempo, mas eu posso ver claro como o dia)
Right now, I wish I could hear you say (Neste momento, gostava de poder ouvir-te dizer)
I drink too much and I smoke too much dutch (Eu bebo muito, e eu fumo muito)
But if you can't see me now that shit's a must (Mas se não me podes ver agora, essa porcaria é demasiado)

You used to say I won't, know I will until it cost me (Costumavas dizer-me que não sei até que um dia me custe)
Like I won't know real love till I've loved then I've lost it (Que eu não conhecerei o verdadeiro amor até que o ame e o perca)
And if you're lost a sister, someone's lost a mom (Se perdeste a irmã, alguém perdeu a mãe)
And if you're lost a dad, then someone's lost a son (Se perdeste o pai, alguém perdeu o filho)
And they're all missing now, ya they're all missing now (E eles estão todos a sentir saudades, sim, todos eles têm sentido saudades)
So if you get a second to look down at me now (Então se tiveres um segundo olha para mim, qui em baixo)
Mom, Dad, I just missing you now (Pai, mãe, estou a sentir saudades vossas)

I still look for your face in the crowd (Ainda procuro o teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Would you stand in disgrace or take a bow (Ficarias desiludido ou davas-me uma palmada nas costas?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)


Oh.. oh..

Would you call me a saint or a sinner? (Será que me chamavas santo ou pecador?)
Would you love me a loser or a winner? (Será me amarias como perdedor ou vencedor?)

Oh.. oh..

When I see my face in the mirror
(Quando eu vejo o meu rosto no espelho)
We look so alike that it makes me shiver (Nós somos tão parecidos que me faz tremer)

I still look for your face in the crowd (Ainda procuro o teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Would you stand in disgrace or take a bow (Ficarias desiludido ou davas-me uma palmada nas costas?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)


I still look for your face in the crowd (Continuo a procurar o teu rosto na multidão)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)
Would you stand in disgrace or take a bow
(Ficarias desiludido ou davas-me uma palmada nas costas?)
Oh, if you could see me now
(Oh, if you could see me now)

Oh..

You could see, you could see me now
(You could see, you could see me now)"

-Tenho muito orgulho em ti, bebé. - Deu-lhe um beijo na testa. - Sei que te custa muito estares longe da tua família e principalmente da sepultura do teu filho, e que escreveres esta carta e deixares-a e um grande voto de amor, não existe nada no mundo que orgulhe mais do que te ti. És o meu ídolo, Sofia! - A rapariga pousou o envelope com a carta que lhe escreveu e a fotografia sobre a campa e cheirou as flores novas que ali havia colocado, ergueu-se e colocou a mão sobre o peito de Filipe.
-Obrigada por estares sempre do meu lado, por seres o homem que eu precisava, por me amares tão loucamente e por nunca teres desistido de mim, não imaginas o quanto gosto realmente de ti. - Disse-o olhando-o olhos nos olhos, e depois pousou a cara sobre o peito dele e cheirou o seu perfume natural. - Foste a melhor coisa que apareceu na minha vida, nos últimos tempos. Adoro-te.
-Amor, temos de aproveitar este fim de semana ao máximo...
-Tencionas acabar comigo no início da próxima semana é, Filipe?
-Não brinques com coisas sérias, já nem me imagino sem ti! - Deram um curto beijo nos lábios. - É a última semana de treinos este ano, e a tua última semana de aulas no primeiro semestre, o que significa que vamos estar duas semanas separados...

Será que Matilde vai aceitar Pedro de volta?
Será que Filipe e Sofia vão estar mesmo 2 semanas separados? E o que causará à relação recente deles?

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Capítulo 19 “Tu traíste-me? Com a Sofia?”




(Pedro)
Pedro não sabia muito bem o que sentir... Deveria estar feliz por Sofia, afinal amar era isso mesmo, colocar a felicidade do amado acima da própria, mas também destruira-lhe o coração saber que apesar de a ter realmente marcado, ela já não gostava de si da mesma forma, e que o tinha-o “substituído” no seu coração... Por um amigo seu. Ele ainda a amava e apesar de também nutrir algum sentimento por Matilde, não poderia e nunca deveriam ser comparados. Era um sentimento agridoce e não saberia ao certo se haveria de chorar ou de sorrir, sentia-se profundamente abalado e queria saber como deveria reagir ou não, precisava de apoio, precisava de um amigo, mas não queria que o criticassem e lhe apontassem o dedo, abraçou as suas pernas e decidiu olhar para o mar, e esperar que lhe dissesse algo... Como Sofia lhe havia ensinado, até que sentiu um toque no seu ombro e alguém sentar-se ao seu lado, e nem precisou de olhar, percebeu rapidamente quem era.
-Sê forte meu irmão, ela não te merece.
-Ela já não me ama... - Disse escondendo a cabeça entre os seus braços.
-Ela não te esqueceu, tu marcaste-a por completo, mas agora ela é feliz e tu também o deverias ser... Mesmo que te doa neste momento, tudo irá passar.
-E senão passar?
-Meu irmão, tudo na vida é efémero, como tu me ensinaste, se a felicidade não dura para sempre, a dor também não.
-E se eu nunca amar a Matilde como amei a Sofia?
-Não precisas de amar nenhuma delas para ser feliz, basta apenas olhares para a vida de uma forma diferente, pensar de forma positiva, custa, eu sei que sim, mas é o melhor para ti. Levantares a cabeça e continuares na luta, os teus irmãos adoram-te e os teus pais têm um orgulho incrível na pessoa que te tornaste. Podes não ter a Sofia, de quem ainda gostas muito, mas ela é feliz e tu devias sê-lo também, não para lhe mostrares que também o és, mas para ultrapassares esta dificuldade, por muito que pareça impossível, não te esqueças que não há, de forma alguma impossíveis. Tens ainda a sorte de ter a teu lado, uma pessoa que te ama mas também que é a tua melhor amiga e te vai ajudar a ultrapassar toda esta fase má, tudo o que de mau a vida te trouxer, tens uma rapariga de quem gostaste muito e ela a ti, mas ela está feliz e tu também o serás. Esquece a facada nas costas que o Filipe te deu, és superior a isso. A tua vida tem coisas boas e más, mas tu vais ultrapassar todas elas, porque todas vêm e vão. Se Deus te pôs estas dificuldades é porque sabe que irás ultrapassar e aprender com todas elas.
-Já a perdi uma vez, não quero voltar a perdê-la.
-Nunca passei pela tua dor, mas sei o quanto custa irmão, e acredita que eu estou a teu lado a apoiar-te, a dar-te forças e sempre do teu lado, como irei estar sempre.
-Raphael, eu sinto que uma parte de mim morreu hoje. - Raphael ia interrompê-lo mas Pedro não deixou. - Escuta-me por favor, antes de me julgar. A Sofia apareceu numa altura em que me sentia sozinho, em que começava a acreditar que o destino era algo para os românticos escreverem, que a minha vida seria apenas o futebol e nada mais, mas a Sofia apareceu e mudou a minha vida... Com um simples olhar. Todos os sentimentos que estavam adormecidos até então, despertaram, em simultâneo, com um simples sorriso me apaixonei por completo, e conforme fomos falando eu fiquei completamente rendido a ela, e mudar por completo a minha forma de ser, a minha forma de ver a vida, mudou tudo... Ela tornou-se tudo. A minha outra metade, a minha essência, a minha chave da felicidade, garanti a mim mesmo que ela era a mulher da minha vida, a “tal”, a mãe dos meus filhos... E acabou por ser a mãe do meu filho e acabou por matá-lo, e ninguém imagina a dor que isto me causa. Ela poderia não querer ser mãe, pode nunca me ter amado mas e o amor pelo nosso filho? Eu poderia ter sido o pai para ele, poderia ter-lhe dado tudo, poderia ter sido o pai e a mãe! - Já não desabafa apenas como uma lembrança do passado, mas sim com uma mágoa bastante presente, podiam haver milhões de justificações para o seu desaparecimento mas nenhuma poderia haver para a morte daquele inocente bebé. - E porque me abandonou ela? Do dia para a noite? Sem uma carta, nem uma chamada, nem um beijo de despedida? Eu teria dado a minha vida para ser como é que ela estava, para a ter de voltar aos meus braços... E quando ela voltou fiquei ainda mais devastado. Sei que amar é colocar a felicidade do amado à frente da nossa mas como esperam que seja feliz, depois disto? Perdi um amor e um amigo! Parece que os dois se uniram para me atirarem à cara que não estou bem! Custa-me pensar que tudo o que passei com a Sofia, foi só uma ilusão... E que senti tudo na minha mão e agora não tenho nada. Mas talvez tenha sido culpa minha, tê-la perdido, eu não sei, neste momento não sei nada. - Colocou a cabeça sobre as palmas das mãos e começou a chorar. Raphael por mais que quisesse falar simplesmente não conseguia. Sabia que Pedro amava Sofia, mas ele sempre conseguira esconder bem o que sentia, e por isso pensava que estava a aceitar relativamente bem tudo o que se passara... Nem que fosse por Matilde, de quem o rapaz também gostava, embora de uma forma muito mais natural e humana.

(Nesse mesmo dia à noite)
-Preciso de falar contigo. - Anunciou Pedro, depois de abrir a porta de sua casa a Matilde. - Entra, vamos falar para o meu quarto para estarmos mais à vontade.
Sentaram-se lado a lado sobre a cama do rapaz.
-O que se passou, amor? Estás a assustar-me!
-Eu gosto muito de ti, tu sabes que sim...
-Mas...
-Tenho de ser completamente sincero contigo, tu assim o mereces. Nem sempre te fui fiel.
-O quê? - Perguntou ainda sem reação para o que se passara, não queria acreditar. - Tu traíste-me? Com a Sofia? Como foste capaz? - Levantou-se e começou a chorar. - Eu amava-te, entreguei-te em corpo, em alma e em coração, dei-te tudo o que tinha e não tinha, e o que tu me fizeste foi o pior que me podias ter feito!
-Deixa-me explicar-te, tudo por favor.
-Enfia as explicações onde quiseres, esquece o que tivemos, acabou!
-Como assim acabou?
-Agora já podes ficar com a Sofia, sem me teres por perto, esquece-me, por favor! - Saiu do quarto a chorar, deixando Pedro sem reação possível, embora amasse Sofia, também gostava de Matilde e ela não merecia sofrer, era a pessoa que menos merecia sofrer no meio daquela história. E Pedro não conseguiu conter as lágrimas, deitou-se sobre a cama e adormeceu a chorar.

(Sofia)
Os dias passaram-se com uma velocidade surpreendente e Sofia sentia-se melhor a cada dia que passava. Os sogros já sabiam o parentesco que os unia e tratavam-na como filha,

A sua relação com os pais mantinha-se forte, e com o irmão, apesar de não ter aceite bem inicialmente a possível mudança de casa dela e de Filipe, acabou por aceitar a mudança como algo natural... Até porque seriam vizinhos. Juntamente com com Filipe já tinham arranjado a casa ideal para morarem e até tinham combinado dividir as despesas. Ela pagava uma pequena parte com a mesada que os pais e o irmão lhe mandavam e sobrava algum dinheiro para si. Tinha também feito 3 tatuagens, todas elas com um significado especial.


A tatuagem tinha sido feita no pulso porque assim estaria ao lado do nome do pai... A tatuagem era para Júnior, o filho falecido, e significava a sua perca fisicamente mas a presença forte, eterna e contínua no coração da mãe. Não precisava de tatuar o seu nome, um desenho significaria mais, não precisava de demonstrar ao mundo o nome do seu falecido filho, bastava olhar para ela e sabia que o filho estaria sempre ao seu lado, e a olhar por si.


No ombro tinha tatuado uma frase para o seu pai “pai, eu amo-te”, não precisava de o ter tatuado porque o pai sabia e sentia que ela o perdoara mas queria fazê-lo, queria mostrar ao mundo, que apesar de ter sofrido, aquele homem que chamava de pai, era bem mais que um progenitor, era muito mais que tudo isso, era o verdadeiro homem da sua vida, por mais homens que a sua vida tivesse, e não lhe tinha dito que a tinha, preferia fazê-lo pessoalmente.


E a última tatuagem mas nem por isso deixava de ser importante, significava a sua vida, tudo o que havia passado e haveria de passar, era o símbolo do infinito, com as palavras amor e vida, a pena representava-se a si mesma, considerava-se escritora, escrevia tanto quanto podia e porque estava nas suas mãos descrever a sua vida e o amor que entregava ao que a vida lhe trazia. Nesta fase, um nome se destacava, nome de uma pessoa com os olhos mais bonitos que vira... Uma pessoa que lhe fez recuperar o sorriso... Filipe.

Sentia que ainda não esquecera Pedro, mas também nunca iria esquecer, ele tinha sido alguém demasiado importante na sua vida, mas tinha ultrapassado, tinha-lhe dado tudo o que tinha e não tinha, tinha lutado e não tinha conseguido, a vida pregara partidas, mas ela tinha recuperado e superado, tinha e continuava a lutar pela sua vida e ela tinha-lhe dado uma nova oportunidade de ser feliz. Todas as noites fazia questão de rezar com Filipe a agradecer o dia que tinham dito, e quando o dia parecia menos positivo, rezavam a pedir algo melhor, mas faziam questão de agradecer por se terem conhecido e estarem juntos, e Sofia antes de adormecer rezava ao filho, a pedir que olhasse sempre por si no céu. Além das tatuagens havia pintado o cabelo de loiro, cor do cabelo que tinha quando era apenas bebé, altura em que fora feliz como nunca.

E até Filipe tinha vivido uma pequena mudança na sua vida... Inspirado em Sofia, tatuou junto ao peito:


Apesar da frase ser inspirada na força de Sofia e na admiração de Filipe por ela, havia tatuado aquela frase, a sua primeira tatuagem porque assim que a lesse iria lembrar-se que por muitas forças que às vezes parecessem faltar, iriam deixar de ser fraquezas, para se tornarem forças.

E para mostrar as suas tatuagens novas, especialmente para mostrar ao pai a que havia feito dedicada a si, e também para ver o jogo de Filipe e Diogo que se ia realizar em Braga, iria juntamente com Rita, passar o fim de semana ao norte. Sabia que era uma boa surpresa que faria ao namorado e ao irmão, que de certeza iria ficar feliz por vê-la, mas também podia implicar rever Pedro e embora se sentisse preparada, sabia que iria ser difícil... E iria enfrentar outra dificuldade, o pai de Sofia, tinha-lhe dito também que ia juntamente com elas ver o jogo, e a sua esposa acompanhá-lo-ia, ou seja, era a primeira vez que iriam conviver com Filipe, depois de saberem que o rapaz era seu genro...

Como irá reagir o pai à surpresa?
Será que Filipe vai gostar da surpresa? Como será o reencontro com Pedro?